5 TÉCNICAS DE MELHORAMENTO DA NAVEGABILIDADE EM RIOS
6.2 Desenvolvimento e Implantação do Procedimento
O procedimento proposto consiste, inicialmente, em uma tabela representativa (TAB 6.1), contendo: o problema existente no trecho de rio, sua causa provável, a ação preventiva e/ou corretiva para mitigar o problema e por fim, o efeito desejado no rio resultante da ação. Cada item da tabela será descrito a seguir.
• Problema existente no trecho de rio
Corresponde aos parâmetros geomorfológicos e hidráulicos, identificados e descritos no capítulo 3 desta dissertação, evidenciando àqueles que podem influenciar negativamente na navegabilidade fluvial.
Cabe ressaltar que um rio pode apresentar problemas somente em um determinado trecho, porém, de acordo com a obra escolhida, haverá impacto no rio como um todo.
• Causa provável
Relaciona-se ao motivo do problema, ou seja, o que levou a ocorrer o impedimento no trecho de rio, prejudicando sua navegabilidade.
É importante conhecer a causa provável do problema geomorfológico ou hidráulico para a eficiência do resultado na escolha da ação preventiva e/ou corretiva.
• Ação corretiva e/ou preventiva
Os diversos tipos de obras hidráulicas, discutidos no capítulo 5 desta dissertação, estão entre as ações corretivas e/ou preventivas a serem realizadas nos trechos de rio, sendo tal escolha muito cuidadosa, de forma evitar os impactos negativos generalizados na via fluvial, como já citado anteriormente.
• Efeito desejado no rio
O efeito desejado no rio é aquele originado pela ação corretiva e/ou preventiva escolhida, tendo como objetivo principal a melhoria da navegabilidade, mas desejando-se também que tal efeito resulte em outros aspectos positivos para o rio como um todo.
A elaboração da tabela a seguir foi inspirada na influência dos parâmetros geomorfológicos e hidráulicos na navegabilidade fluvial, discriminando a causa e o efeito da obra hidráulica no rio, de forma a ser o mais positivo possível.
TAB 6.1 – Procedimento Proposto para o Estudo de Navegabilidade em Rios Problema
existente no
trecho de rio Causa provável Ação (P) preventiva;
(C) corretiva
Efeito desejado no rio Trecho raso - Assoreamento
- Estado natural Dragagem (C) Aumento de profundidade Curva muito
brusca
- Estado natural - Raio de curvatura
muito acentuado, dificultando manobra
da embarcação
Retificação de rios
meandrantes (C) Aumento do raio de curvatura
Margem instável
- Chuva muito intensa - Saturação do solo - Talude incompatível
- Erosão de margem
Proteção de margens
(P) Fixação do leito navegável Presença de
obstáculos estranhos ao leito (troncos de árvores, embarcações
encalhadas)
- Queda de árvore, galhos - Encalhe de embarcação
- Desobstrução e limpeza (C) - Observação de
calado das embarcações e período de maré baixa
(P)
Melhoria do escoamento e
navegação
Leito indefinido de
inundação
- Variação da seção transversal ao longo
do leito
- Limitação dos trechos de inundação (C) - Balizamento (P)
Concentração do escoamento em um
leito bem definido Braços
secundários no curso
d’água
- Mudança natural do fluxo
- Meandro divagante
Fechamento de braços secundários (C)
Aumento da profundidade num
dos trechos dos braços Deposição de
materiais transportados
- Baixa velocidade no
trecho Dragagem (C) Retirada do material depositado Erosão de
margem - Margens sujeitas a
altas velocidades Proteção de margens
(P) Redução da erosão Bancos de
areia
- Deposição de sedimentos para local
de menor velocidade no leito
Dragagem (C) Aumento da profundidade Leitos
irregulares - Leitos de fundo
móvel Regularização dos leitos (C)
Concentração e direcionamento do
escoamento Erosão de
leito
- Presença de rochas no leito de rios e
canais Derrocamento (C) Retirada de material rochoso indesejável
do leito Trecho curto - Estado natural Canais artificiais (C) Aumento do estirão
de via fluvial
(cont.) Problema existente no
trecho de rio Causa provável Ação
(P) preventiva; (C) corretiva
Efeito desejado no rio
Barragens sem eclusas
- Não-observância da navegação, somente
no enfoque da geração de energia
Construção de eclusas
(C) Permite a
navegação fluvial Poluição - Falta de
saneamento básico Tratamento de esgoto
(P) Melhora as
condições sanitárias Resíduos
sólidos - Lançamento de Lixo Disposição final adequada do resíduo
sólido (P)
Melhora as condições sanitárias Tráfego
intenso - Hidrovia
congestionada Sinalização (P) Trafegabilidade Estreitamento
de seção transversal
- Assoreamento
- Estado natural Alargamento (C) Aumento da seção transversal Existência de
plantas aquáticas
(algas)
- Estado natural
- Poluição Retirada e limpeza (C) Liberação para tráfego Existência de
pilares de pontes
- Não observância da navegação no projeto
Execução de projeto de ponte considerando
a navegação (P)
Permite a navegação fluvial Existência de
estruturas para captação de
água
- Não observância da navegação no projeto
Execução de projeto de ponte considerando
a navegação (P) Mudança do local da
captação (C)
Permite a navegação fluvial Fonte: O AUTOR
A seguir, serão apresentados os fluxogramas correspondentes às ações nos rios que apresentam subdivisões e precisam ser analisadas de forma a obter a técnica mais adequada possível para combater o problema encontrado no trecho do rio.
Direta Combate causas de recuo originadas na redução da resistência do solo.
Retaludamento Aumenta a resistência do material a partir da diminuição do ângulo de talude.
Revestimento de Margens
Estabilidade do curso d’água – equilíbrio entre a ação do escoamento sobre o leito do rio e a resistência ao movimento dos sedimentos que o constituem.
Revestimentos
simples Reveste as margens com materiais e técnicas de revestimento que resistam à tensão de arraste do escoamento e/ou ondas.
Faxinas Baixo custo inicial e, com boa conservação, podem ser mantidas em bom estado de funcionamento.
Substituição
do solo Aplicável quando a camada resistente é de pequena espessura, encontrando logo abaixo a camada resistente.
Pintura
asfáltica Aumenta a coesão da superfície pela penetração do material asfáltico, impermeabilizando a camada.
Enrocamento Protege aterros, encostas, taludes, margens de rios dos efeitos da erosão.
Filtro de
transição Localiza-se entre o enrocamento de proteção e o talude, impedindo contato direto entre solo e enrocamento.
Gabiões tipo colchão (colchão Reno)
Utilizados na zona de maiores forças erosivas e principalmente sobre o solo com alta capacidade de deformação.
Colchacreto Aplicação em obras de controle de erosão e revestimento de canais.
Bolsacreto Garante qualidade do concreto no que se refere à textura, resistência à tração e nos ensaios de durabilidade.
Revestimento
em concreto Pode-se trabalhar com velocidades de escoamento mais elevadas, que possibilitem maior capacidade de vazão.
Efeitos Proteção de Margem
Biomantas Tendências
atuais
Sistema eco-estrutural pneumático
Dispostos em camadas ou intercalados em determinados espaçamentos, formando colunas que são preenchidas com outros materiais, como cimento, pedra e entulho grosso.
Cobertura
vegetal Reduz intensidade da ação dos agentes do clima no maciço natural, favorecendo a estabilidade dos taludes e encostas.
Solo-cimento Propriedade de estabilidade e inalterabilidade em presença de agentes ambientais, resistência mecânica e durabilidade.
Geossintéticos
Geomantas Confina partículas de solo, garantindo boa interação solo/material e estabilização da superfície revestida.
Proteção contra erosões superficiais, solução de baixo impacto ambiental.
Geotêxteis Capacidade de drenagem tanto por tecido quanto ao longo do mesmo.
Geomalhas Possuem grande volume de vazios, utilizadas predominantemente como elemento drenante.
Geomembra
nas Impermeabiliza o leito dos canais de irrigação, evitando perdas d’água nos mesmos.
Obras de
sustentação Pode-se trabalhar com velocidades de escoamento mais elevadas, que possibilitem maior capacidade de vazão.
Geocompos
tos Incorpora membranas plásticas, cabos metálicos ou agulhamentos.
Geocélulas Elementos de reforço de solos, constituindo um sistema de confinamento celular tridimensional e flexível.
Geobarras Tirantes de material sintético para reforço.
Indireta Afasta ação das correntes e das ondas, desviando-as ou provocando deposição do material sólido transportado pelas águas.
Espigões Defletores do escoamento, afastando-o da margem, combate à erosão.
Diques Desvia e orienta o fluxo de forma contínua, protegendo a margem e definindo melhor o traçado do canal.
Soleiras de
fundo Proteção de pé das proteções de margem, evitando erosões localizadas e distribuindo melhor a energia d’água ao longo da curva.
Umbrais de
fundo Unem dois espigões opostos.
Retificação de meandros
Controle das cheias Baixa nível d’água de enchentes.
Melhoria do traçado
para navegação Redução do percurso.
Construção de avenida em fundo
de vale
Recuperação de terras marginais, através do rebaixamento do lençol freático.
Efeitos
Polder Áreas protegidas para a irrigação.
Estabilidade hidráulica
Capacidade de vazão (seção, declividade e traçado)
Navegação Traçado, seção e velocidades (limites nas cheias);
parâmetros ligados à embarcação.
Regularização dos leitos
Regulariza andamento planimétrico e altimétrico do álveo de estiagem para criar condições favoráveis à navegação.
Altera álveo de enchente para limitar extensão de zonas inundadas.
Efeitos
FIG 6.1 – Fluxograma das obras hidráulicas e seus efeitos no curso d’água Fonte: O AUTOR
Fraturamento ou rompimento do material de dragagem
Derrocagem por
explosivos Empregado nos períodos de cheia e em zonas de águas mortas.
Derrocagem por
percussão Precisa de grande energia de choque, que é função da altura de queda da haste ou da impulsão do martelete.
Dragagem
Retirada do material do leito Equipamentos de
dragagem
Depende da natureza e do volume de material que será removido, além da distância da área de drenagem à área de deposição.
Efeitos
Canais artificiais Efeitos
Derrocamento Efeitos
Canais de navegação
Garante condições mínimas favoráveis em qualquer ponto da hidrovia.
Canais de retificação
Para controle de cheias, organização do espaço, visando uso do solo, controle de processos erosivos-deposicionais.
Canais de irrigação Facilita escoamento da água sem provocar erosão ou deposição de sedimentos.
Canal de desvio Solução que pode ser adotada quando da construção de uma barragem para permitir o trabalho sem interferência d’água.
Canalização do curso d’água
Obras de transposição de
desnível
Ligação contínua do meio líquido para a navegação.
Efeitos