CAPÍTULO I VIAJAR, EXPLORAR E APRENDER NO MUNDO DA
1.5 Itinerário Formativo
1.5.3 Fase III: Implementação e gestão do projeto pedagógico
1.5.3.1 Desenvolvimento integral do projeto “Vamos aprender a ser como
Transferindo os momentos acima referidos (definição da problemática, planificação, execução e avaliação) para o caso prático do projeto pedagógico que desenvolvemos, começo por referir que o mesmo surgiu e foi-se desencadeando a partir da visita com o grupo ao Oceanário de Lisboa. No dia antecedente à referida visita, já havia sido planificado um momento que provocasse uma situação impulsionadora de um projeto (cf. apêndice 9), uma vez que nos foi sugerido pela educadora cooperante que abordássemos a importância de poupar água. Essa planificação, bem como todas as outras por nós elaboradas, contemplava um conjunto de conhecimentos, ideias, propósitos, finalidades e recursos que prevíamos utilizar de forma a estruturar e ordenar o percurso da nossa ação (Pacheco, 1990).
Considerando que o Vasco7 é uma personagem que tem como missão ajudar a cuidar dos oceanos, julgámos pertinente fazer referência à mesma, relacionando-a com a situação provocada e discutida no dia anterior. Para isso, depois do diálogo estabelecido com o grupo acerca da visita ao Oceanário, decidimos mostrar um vídeo do Vasco (cf. apêndice 10) que pretendia sensibilizar as crianças para a questão da reciclagem e da poluição da água. Assim, após nos termos apercebido do entusiasmo
7 Vasco é a mascote do Oceanário de Lisboa, um super-herói defensor dos oceanos e o seu lema é Vamos Ajudar a Salvar e a Conservar os Oceanos.
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do grupo relativamente à personagem, desenvolvemos os temas da reciclagem, poupança e poluição da água, associando-os sempre à mesma. A partir dessa situação, elaborámos a teia inicial (cf. apêndice 10), tendo sido negociado com o grupo o nome do projeto, até que o mesmo o intitulou de “Vamos aprender a ser como o Vasco!”.
Foram as crianças que fizeram as suas próprias descobertas a partir das conclusões a que chegaram ao desenvolver as atividades, sempre com o nosso apoio e orientação, uma vez que estes são necessários, a fim de enriquecer e consolidar a aprendizagem de novos conceitos, pois
a essência da arte de um professor está em decidir que tipo de ajuda é necessária para cada caso e qual a melhor maneira de conseguir essa ajuda; é, além disso, por de mais sabido que não pode existir uma fórmula geral. Talvez seja, no entanto, possível dizer alguma coisa de útil sobre os tipos de ajuda que podem revelar-se mais eficazes (Donaldson, 1979, cit. in Vasconcelos, 1997, p. 19).
É de realçar que os conhecimentos prévios sobre os assuntos abordados são essenciais, sendo importante “tirar proveito do vasto repertório de recursos [linguísticos, comportamentais, vivenciais, etc.] com os quais os indivíduos têm acesso ao ensino e utilizá-los para completar o leque de experiências desejáveis para essa idade” (Zabalza, 1998, p. 20). A bagagem de conhecimentos das crianças relativamente aos temas anteditos foram os alicerces dos diálogos estabelecidos com o grupo e os impulsionadores da construção de novos conhecimentos. Posto isto, o/a educador/a não deve concentrar-se apenas em construir novas aprendizagens, mas essencialmente em enriquecer as experiências das crianças, tirando partindo do seu potencial.
A atividade em que o grupo revelou maior entusiasmo, foi a da aprendizagem da letra da música do Vasco “Amigos Vá Lá!” (cf. apêndice 11) e na elaboração da respetiva coreografia por si criada. As crianças demonstraram uma grande implicação perante a atividade antedita, devido ao envolvimento demonstrado, “pela concentração
27 e persistência, caracterizando-se por motivação, interesse e fascínio, abertura a estímulos, satisfação e um intenso fluxo de energia” (Laevers & Portugal, 2010, p. 25). Procurámos criar atividades “para lá da sala de atividades”, considerando a existência de um espaço educativo aberto. Apesar de pretendermos abordar os temas de forma transversal a todas as áreas de conteúdo, uma das finalidades principais era desenvolver a área de formação pessoal e social, mais especificamente o desenvolvimento da independência, da autonomia e do sentido de responsabilidade. Um exemplo que evidencia esse facto é a atividade que foi realizada no exterior da instituição, em que o objetivo consistia em abordar algumas pessoas, a fim de preencher os questionários por si elaborados (cf. apêndice 12). Pretendíamos que as crianças abordassem as pessoas, por sua iniciativa, uma vez que “favorecer a autonomia da criança e do grupo assenta na aquisição do saber-fazer indispensável à sua independência e necessário a uma maior autonomia, enquanto oportunidade de escolha e responsabilização” (ME, 1997, p. 53).
Contámos uma história sobre a reciclagem, por nós adaptada, a fim de consciencializarmos as crianças acerca da importância deste processo. De seguida, em pequenos grupos, foi feita uma pesquisa na internet, de forma que as crianças se apropriassem das características de cada um dos ecopontos para, posteriormente, se proceder à construção dos mesmos (cf. apêndice 12 e 13). Este processo de preparação é fundamentado por Piaget, pois o mesmo refere “a necessidade de basear-se na idéia da criança pesquisadora/exploradora que constrói o seu próprio conhecimento através da experiência” (Zabalza, 1998, p. 104).
Uma vez que “o papel do educador incide não apenas nos conteúdos mas também na dinâmica relacional” (ME, 1998, p. 147), recorremos à avaliação como processo e instrumento de apoio e orientação constante, tanto para nós, como para as crianças, uma vez que adequando a nossa prática às necessidades do grupo e de cada criança individualmente, a mesma tornar-se-ia mais rica e eficaz. Por este motivo, “a avaliação ajuda-nos a aprender com a experiência e a não incorrer futuramente nos mesmos erros” (Carrasco, 1989, p. 15) e contribui igualmente para refletirmos a fim de modificar e melhorar as estratégias utilizadas.
A última semana de estágio foi essencialmente dedicada à preparação da divulgação e realização da mesma, sendo que foram as crianças quem procedeu na íntegra à
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socialização dos saberes aprendidos ao longo do projeto. Foram expostos trabalhos e, junto dos mesmos, as crianças partilharam com o seu público-alvo [respetivas famílias, grupos de crianças das outras salas de atividade do JI e da Creche] a forma como procederam à elaboração das obras plásticas construídas, bem como as conclusões a que chegaram e consequentes aprendizagens. O grupo fez a exibição da canção e respetiva coreografia da música do Vasco “Amigos Vá Lá!” e fez um jogo com perguntas alusivas aos temas tratados, que pretendiam que as crianças sentissem que cumpriram efetivamente o objetivo do projeto [aprender a ser como o Vasco], ao responder corretamente às perguntas (cf. apêndice 14). Posto isto, a divulgação é igualmente benéfica, no sentido em que estimula a reflexão sobre o trabalho feito, a fim de as crianças valorizarem o seu envolvimento no mesmo, consolidarem as aprendizagens e aplicá-las a situações reais.
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