Os primeiros arranjos produtivos que obtiveram sucesso, como o da Terceira Itália e o do Vale do Silício servem como exemplo para os outros aglomerados industriais até os dias atuais. Com estes exemplos de sucesso, as aglomerações de empresas começaram a ser visualizadas como uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento, mostrando caminhos novos para a formulação de políticas voltadas para o desenvolvimento local e regional (TEIXEIRA, 2008).
Segundo Teixeira (2008, p. 58) “no Brasil, a dinamização de clusters, denominados de Arranjos Produtivos Locais (APLs), é um dos eixos prioritários da estratégia de desenvolvimento econômico e social do Governo Federal, de acordo com os dois últimos Planos Plurianuais (PPAs) [PPA 2000-2003 e PPA 2004-2007]”.
De acordo com o autor estas políticas têm como objetivo a promoção da competitividade dentro do APL, assim como a sustentabilidade dos locais onde o APL se encontra, resultando em desenvolvimento econômico local descentralizado.
Meyer-Stamer (2001) em sua pesquisa sobre clusters e as formas de promoção econômica local, ressalta que as atividades envolvidas no desenvolvimento local e regional vão além da, simplesmente, promoção econômica.
Segundo o referido autor, o triângulo da política de localização é composto por mais duas áreas além da promoção econômica, ou seja, a geração de emprego e o planejamento urbano/regional, que podem ser realizadas de forma interativa como visto na figura 05.
Figura 05 - O Triângulo da Política de Localização
Fonte: Adaptado de Meyer-Stamer (2001)
Caso ocorra a interação entre as atividades de cada área é possível que a sociedade obtenha melhores resultados, do que os efeitos gerados se cada uma delas realizassem suas ações separadamente. De acordo com Meyer-Stamer (2001) a união e cooperação dos três interesses podem gerar resultados melhores do que soma de suas partes.
Segundo Teixeira (2008) as políticas que são voltadas para o desenvolvimento de APLs, de modo geral, adotam uma expectativa de desenvolvimento local, constituindo-se numa forma alternativa às políticas voltadas, exclusivamente, para o crescimento econômico. Porém, os objetivos ultrapassam a concentração e acumulação de capital, englobando também ações que colaborem para diminuir a pobreza e as desigualdades sociais existentes (TEIXEIRA, 2008).
Tais políticas de desenvolvimento local, e a sua relação com as atividades do cluster depende de país para país, variando através dos incentivos dos governos municipais, estaduais e federais de cada nação.
Novos modelos de desenvolvimento e gestão local têm sido inseridos com a reforma institucional, estimulada a partir da Constituição Federal (1988) e pelo Estatuto da Cidade (2001), introduzindo princípios que apontam à política urbana, praticada pelo processo de planejamento urbano, sendo um elemento fundamental dos municípios (BRUNA et al., 2008).
De acordo com Bruna et al. (2008) o incentivo aos APLs pode ser entendido como instrumento importante para estratégias de desenvolvimento municipal, identificados em planejamentos de cidades onde há concentração produtiva de um determinado setor. Ainda segundo os autores, este instrumento (se conduzido de maneira adequada) pode se transformar em forte indutor do desenvolvimento urbano-regional, proporcionando importantes externalidades para o território e para a sociedade.
Estes tipos de desenvolvimentos citados até o momento, em que uma força externa (exógena) incentiva e influencia as atividades econômicas do local, são as teorias clássicas do desenvolvimento regional (OLIVEIRA; SOUZA-LIMA, 2006). Ainda segundo os autores, o que realmente importa no desenvolvimento local é a qualidade de vida da sociedade.
No entanto, alguns teóricos procuram investigar o desenvolvimento que surge do âmbito social, a partir da articulação comunitária das pessoas, conhecido como
Promoção econômica:
* preparação e reciclagem de terrenos
* distritos e condomínios de alta qualidade
* fortalecer a imagem e fatores não tangíveis
Geração de emprego:
* programas de emprego e renda c/ formação
* casas populares
Planejamento urbano e regional: * criar espaços estruturados * criar um perfil específico * aumentar a qualidade urbana e do meio ambiente
desenvolvimento endógeno. Este tipo de desenvolvimento é conhecido como sendo “de baixo para cima”, em que ocorre a partir das iniciativas dos atores locais e das potencialidades socioeconômicas da região, ao invés de submeter ao poder governamental (MARTINELLI; JOYAL, 2004).
Segundo Martinelli e Joyal (2004, p. 11), pode compreender que o desenvolvimento endógeno é um processo interno de desenvolvimento contínuo que visa a agregação de valor na produção, assim como aa absorção da região. Sendo assim, o resultado disso é a aumento do emprego, da renda local ou da região e do produto.
Ainda de acordo com esses autores, além do âmbito econômico, o desenvolvimento endógeno engloba mais cinco fatores que quando integrados ao processo produtivo são importantes para a integração e crescimento sustentável da região, a saber: (1) educação, saúde e segurança alimentar; (2) meio ambiente; (3) informações e conhecimento; (4) instituições públicas e privadas e (5) ciência e tecnologia ou pesquisa e desenvolvimento.
Numa visão voltada para a produção e integração entre as partes de um sistema, Casarotto Filho e Pires (1998) apresentam características que constituem os novos modelos de desenvolvimentos locais sustentáveis, que poderão proporcionar a qualidade de vida num mundo globalizado. Estas características são descritas a seguir:
a) integração entre zonas habitacionais e produtiva;
b) integração entre pequenas, médias e grandes empresas;
c) integração Inter setorial (áreas industrial, comercial, serviços, logística);
d) integração da cadeia produtiva (produtores, fornecedores de insumos, equipamentos, tecnologia, empresas de transporte etc.);
e) nível significativo de auto consumo;
f) vínculos de solidariedade e caráter comunitário; g) cultura de profissões integradas.
Para Martinelli e Joyal (2004) o desenvolvimento econômico local surge a partir da produção inovadora em um ambiente, pautado nas relações de cooperação e formação de redes sociais e econômicas, assim como a presença de cadeias produtivas. Estes processos objetivam o aumento da renda e das oportunidades de trabalho, para alcançar o desenvolvimento humano sustentável.
Assim, “o desenvolvimento deve ser visto como aquele que melhora a vida das pessoas (desenvolvimento humano), de todas as pessoas (desenvolvimento social), das que estão vivas hoje e das que viverão amanhã (desenvolvimento sustentável)” (CABREIRA, 2002, p. 35).
Os principais resultados esperados pelo desenvolvimento local, seja ele exógeno ou endógeno, encontra-se como prioritários a melhoria da qualidade de vida da sociedade envolvida e a conquista de modos-de-vida sustentáveis (FRANCO, 1998).
Entendido a importância do desenvolvimento local a partir da interação entre os atores pertencentes à uma região e a participação das aglomerações de empresas neste desenvolvimento, é relevante abordar as diferentes nomenclaturas e definições que as aglomerações produtivas podem assumir. Nos tópicos a seguir encontram-se as definições e características detalhadas de algumas destas nomenclaturas.