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DESENVOLVIMENTO LOCAL

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O atual modelo de desenvolvimento no Brasil tem seu inicio no período colonial com o desmatamento das florestas para atividades extrativistas, tomando forma consolidada com a indústria e a agricultura moderna no que foi chamado de Revolução Verde que trouxe “pacotes tecnológicos” como alternativa para aumento da produtividade agrícola e desenvolvendo relações de produção capitalistas no setor rural. Neste momento o capitalismo é inserido no campo, com o uso de mecanização intensa, fertilizantes, pesticidas e manipulação genética, a possibilidade de aproveitamento dos solos menos férteis e de ocupação intensiva de territórios, antes desprezados para tal atividade, que junto com os problemas ambientais traz sérias transformações sociais que justificam a revisão de todo o modelo de desenvolvimento imposto ao setor agrícola. (CAPORAL, 2007; SOUZA, 2004)

Há mais de vinte anos, Celso Furtado já havia publicado um pequeno grande livro intitulado “O Mito do Desenvolvimento Econômico” (1996), chamando a atenção para o modelo de desenvolvimento vivenciado pelo países considerados desenvolvidos e a impossibilidade da prática de generalizar os padrões de vida característicos dos países centrais ao resto do planeta. Disse o autor que o custo,

em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida, dos países considerados desenvolvidos, é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana”.

O desafio para a construção de uma nova assistência técnica e extensão rural pressupõe a valorização do agricultor como sujeito do processo de construção do conhecimento. Esse conhecimento endógeno carrega uma gama de potencialidades e recursos locais que se articulam para encontrar atividades que favoreçam as mudanças nas condições de vida das famílias de agricultores e agricultoras familiares.

Além de promover a criação de riquezas a nível local, essa prática de desenvolvimento é acima de tudo uma prática política, como define Queiroz (2005), e esta prática de valorização permite a construção de novos saberes e gera autonomia e empoderamento entre as famílias.

Caminhando em direção às discussões sobre desenvolvimento local, nos apoiamos em Tauk Santos (2000), que ao discutir as relações dos atores sociais envolvidos no processo de construção do desenvolvimento local, considera que do cenário de relações combinadas entre o global e o local, do massivo e do popular, surgem novos arranjos institucionais que estimulam as organizações, sejam governamentais ou não, a estabelecerem parcerias com as populações rurais para a construção do desenvolvimento local.

Nesse contexto apresentamos a definição utilizada por Jesus (2007), que entende desenvolvimento local como um processo de mobilização de pessoas e instituições na busca pela transformação da economia a das sociedades, de modo a criar oportunidades de trabalho e de renda, para favorecer melhorias nas condições de vida da população local.

Para Buarque (2002), na discussão sobre extensão, o conceito de desenvolvimento local se apresenta como:

Processo endógeno de mudança, que leva ao dinamismo e mudanças em pequenos grupos humanos ou unidades territoriais. Para ser consistente e sustentável, deve mobilizar e explorar as potencialidades locais e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local.

Apesar de apontar novos paradigmas, o conceito de desenvolvimento local encontra dificuldades em nortear os processos de construção das políticas públicas diante do modelo fundamentado pelas ideias difusionistas do progresso.

Na promoção do desenvolvimento local, a extensão rural tem um papel significativo diante deste novo cenário que se apresenta no meio rural, com o surgimento de novas atividades e novos hábitos sociais e culturais entre a população do meio rural. Quando apontado para o espaço rural, o desenvolvimento se vê à frente de um espaço em transformação, em processo de mudanças que partem da cadeia produtiva à inserção de novas atividades como turismo e outros setores de serviço, chamados de novas ruralidades (SILVA PIRES, 2005). A PNATER tem o desafio de atender a essas novas demandas do meio rural, incentivando e ampliando as possibilidades de geração de renda, por meio também dessas novas atividades.

Outro conceito bastante utilizado, mas que não é fruto do nosso intuito empreender discussão aprofundada sobre ele, é o conceito de “Desenvolvimento Sustentável” 3

. Vários autores já discutiram e ainda discutem o tema, mas existe um conceito de desenvolvimento sustentável estabelecido em 1987 no Relatório da Comissão Bruntland4 como processo que “busca satisfazer as necessidades e aspirações do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras para atender às suas próprias necessidades”. Ou como “um processo de mudança na qual a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão de acordo com as necessidades atuais e futuras” 5

.

Segundo Milanez (1998, p.76), “a expressão desenvolvimento sustentável significa uma nova forma de ver o desenvolvimento. Essa forma de fazer agricultura de forma sustentável tem sido perseguida por programas de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar.

3 Sobre esse tema ver: Diegues (1994) entre outros.

4 O Relatório Brundtlandt é resultado do trabalho da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e

Desenvolvimento, da ONU, presidida por Gro Harlem Brundtlandt e Mansour Khalid, daí o nome final do documento.

5 El Desarrollo Sostenible, Una Guía sobre Nuestro Futuro Común, Informe de la Comisión Mundial sobre el

2 CAPÍTULO 2 – DESDOBRAMENTOS DA ATER E DA ATES

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