CAPÍTULO 2: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 DESENVOLVIMENTO LOCAL
2.1.1 DESENVOLVIMENTO LOCAL E POLÍTICAS PÚBLICAS
Cabe fazer a abordagem sobre políticas públicas e o processo que se dá, a partir da sua implementação, muito mais para o estudo do modelo de governança local, tendo em vista contribuir para o alcance dos resultados esperados na dissertação.
Na contribuição de Ckagnazaroff (2009, p. 28),
Este processo significa que as relações entre o Estado e seu
ambiente, entre cidadãos, governos e empresas, estão
mudando consideravelmente. É uma realidade que não
comporta nem a ideia de um Estado que se retira
unilateralmente e nega essas demandas, e nem a crença na
capacidade de auto-governo de outros atores sociais. Daí o
esforço, segundo Kooiman e Van Vliet (1993, p.58), de
buscar modos alternativos de governo e governança, cujas
interações entre governo e sociedade e entre atores públicos
e privados são aspectos centrais, em que intervenções
político-administrativas e formas sociais de governança se
relacionam.
Para tanto, a relação do Estado em formar capital social, na perspectiva de obter eficácia no processo de descentralização de políticas públicas, requer que isso se faça num contexto coletivo: governo; sociedade e mercado.
A contribuição de Secchi (2010, p. 46), reforça a colocação,
Além de analisado, o momento da implementação também
deve ser gerenciado. É no momento da implementação que
funções administrativas, como liderança e coordenação de
ações, são postas à prova. Os atores, encarregados de
liderar o processo de implementação, devem ser capazes de
entender elementos motivacionais dos atores envolvidos, os
obstáculos técnicos e legais presentes, as deficiências
organizativas, os conflitos potencias, além de agir
diretamente em negociações, construção de coordenação
entre implementadores e cooperação, por parte de
destinatários. A fase de implementação é aquela em que a
administração pública reveste-se de sua função precípua, a
de transformar intenções políticas em ações concretas.
Também, nessa fase, entram em cena outros atores políticos
não estatais: fornecedores, prestadores de serviço, parceiros,
além de grupos de interesse e dos destinatários da ação
pública.
A falta de cumprimento responsável e eficaz das políticas públicas, por parte das unidades federativas, refletem a ineficácia na etapa de implementação, e por um efeito cascata, nas demais etapas: monitoramento e avaliação.
Nesses últimos tempos, a Gestão Pública – como disciplina
– tem abordado estes desafios novos, com o auxílio da
lógica gerencial, isto é, pela racionalidade econômica que
procura conseguir eficácia e eficiência. Esta lógica
compartilha mais ou menos explicitamente, três propósitos
fundamentais: assegurar a constante otimização do uso dos
recursos públicos, na produção e distribuição de bens
públicos, como resposta às exigências de mais serviços e
menos impostos, mais eficácia e mais eficiência, mais
equidade e mais qualidade; assegurar que o processo de
produção de bens e serviços públicos (incluindo a
concessão, a distribuição e a melhoria da produtividade) seja
transparente, equitativo e controlável; promover e
desenvolver mecanismos internos que melhorem o
desempenho dos dirigentes e servidores públicos e, com
isso,
fomentar
a
efetividade
dos
organismos
governamentais, visando a concretização dos objetivos
anteriores (SERRA, 2008, p.18).
A rigor, uma decisão em política pública representa a solução de um problema estrutural coletivo, por isso, requer que esses problemas sejam identificados com a participação da sociedade local, no processo decisório – que é a mais legítima para tal, ou seja, atender as legítimas demandas da sociedade. Lubambo, citando Zapata (2001, p. 118), sugere que,
[...] o desenvolvimento local pressupõe um novo paradigma
de desenvolvimento humano, que se orienta em quatro
dimensões: econômica, sociocultural, político-institucional e
ambiental. A dimensão político-institucional pressupõe a
criação de novas institucionalidades que, através da
expressão política e maior representação dos segmentos
sociais, permitam a construção de políticas territoriais
negociadas entre os agentes governamentais, do mercado e
da sociedade civil, gerando um entorno inovador e favorável
às transformações da economia e o resgate da cidadania. O
controle social e a transparência constituem a base
fundamental para esta nova gestão cuja participação da
sociedade dá o verdadeiro sentido da descentralização e
formação do cidadão. A gestão social é a própria gestão das
ações públicas, no atendimento às necessidades do cidadão
(LUBAMBO, 2005, p. 116).
A construção de políticas públicas sociais significa necessariamente a obtenção de resultados que atendam a totalidade de uma comunidade (território), ou seja, a gestação de um efetivo impacto das novas medidas, atendendo, verdadeiramente, as demandas sociais, que permitam um processo contínuo e, portanto, evolutivo, impedindo o retorno dos vetores que causaram o problema. Isso é uma política pública eficaz, e se torna resolutiva, quando se tem a participação do próprio capital social, local, capacitado para exercer esse papel.
A formulação de políticas é com muita frequência marcada
pelo fato de que os decisores não sabem exatamente o que
eles querem, nem o resultado possível das políticas
formuladas, bem como pelo fato de que as políticas são
resultado de um processo de negociação no qual o desenho
original de um programa é substancialmente modificado
[...]. (ARRETCHE, 1998, p. 30).
Para melhor entendimento, isso requer a formação e o fortalecimento do capital social, por parte do poder público local, possibilitando-o a participar na elaboração de uma política pública, procedendo ao levantamento das demandas (necessidades) e suas respectivas ações em atender, em prioridade, sua comunidade.
Tudo isso se faz em conjunto com as partes interessadas: a sociedade civil organizada, o setor produtivo, e do poder local, formando, assim, uma base estruturada para a construção de políticas públicas legítimas, de desenvolvimento local, sendo que o desenvolvimento tem,
por base, não no crescimento econômico, nem nas obras públicas, mas na lenta e gradual formação de capital social (PUTNAM, 1996).
A atuação desses grupos triparte (sociedade civil organizada, setor produtivo, e poder local) significa uma política pública de inclusão social, desenhada com a participação de todos, tornando-se mais eficaz, mudando o foco de uma ação caracterizada de assistencialista para uma ação protagonista.
Esse processo de envolver o beneficiário da ação, na decisão de formular a política pública de inclusão social, valoriza o indivíduo, o faz sentir útil, interessado, e consequentemente mais compromissado e participativo.
A inclusão social – mais do que atender às necessidades
básicas de cada um, significa a valorização de cada qual
como indivíduo e cidadão, seu acolhimento em coletivos
que desenvolvam seu sentimento de pertencimento, e que
venham promover a representação de seus interesses, que
venham permitir o desenvolvimento de suas capacidades,
para participar de processos de decisão de interesse público
(BAVA, 2004. p. 116).
Vale ressaltar que os programas governamentais (políticas públicas), voltados para o desenvolvimento, são amplos, no sentido de não somente promover crescimento econômico e desenvolvimento social, mas também de serem focados nas potencialidades locais e regionais, de um modo sustentável, em um modelo mais amplo, classificado de desenvolvimento endógeno, promovendo, em sua ação, um desenvolvimento sustentável, tendo para isso, a necessária e decisiva participação do Capital Social.
Um exemplo de uma classe de programas de investimento
em Capital Social pode ser dado pelas diversas formas de
indução ao desenvolvimento local – baseadas em parcerias
entre iniciativas do Estado, do mercado e da sociedade civil,
na articulação intra e intergovernamental, e na convergência
e integração das ações - que tenham, como objetivo, a
conquista da sustentabilidade. É o caso, por exemplo, do
que vem sendo chamado de Desenvolvimento Local
Integrado e Sustentável - DLIS (FRANCO, 2001, p. 492).
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