Descarga de peso final
2-DESENVOLVIMENTO Metodologia
Tratou-se de um estudo prospectivo, qualitativo e quantitativo que objetivou demonstrar que o exercício resistido em uma academia adaptada para deficientes físicos traz melhorias significativas nos indicadores de saúde.
Os exercícios foram realizados na academia adaptada da Apae - Bauru, com frequência de duas vezes por semana e duração de uma hora cada. Foi realizada uma avaliação inicial, e duas reavaliações após sessenta dias e cento e vinte dias. Onde foram avaliados: peso corporal, IMC, pressão arterial, glicemia, colesterol LDL, HDL e triglicerídeos.
Como critérios de inclusão foram considerados: possuir diagnóstico médico de deficiência física; frequentar a Apae – Bauru, e concordar com o TCLE; Como critérios de exclusão foram considerados: não concordar com o TCLE, ou já frequentar a academia anteriormente.
Foram utilizados aparelhos para pessoas com deficiência física da marca Physicus, sendo: uma máquina de bíceps, máquina de supino vertical, máquina de tríceps, máquina de abdominal, máquina puxada alta, máquina remada sentado e uma bicicleta manalar. Um esfigmomanômetro marca solidor e um estetoscópio da marca Premium, glicosímetro e fitas
reagentes accu-check Roche, lancetas Roche, accutrend plus e fitas reagentes ambos da marca
Roche, e uma balança. 3-RESULTADOS
Foram selecionados inicialmente para participar do projeto 16 pacientes sendo que 8 concluíram as 8 semanas, 4 desistiram por problemas de locomoção para instituição e 4 com alterações ortopédicas com quadro álgico em articulação de membro superior.
Destes 1 era mulher e 7 homens, dentre eles havia 3 amputados, 3 poli artrose e 2 pacientes com síndrome pós pólio, a idade do grupo variou entre 53 a 72 anos, sendo 2 com 53 e os demais 56, 57, 59, 65, 67 e 72 sucessivamente.
Dos indicadores clínicos e metabólicos avaliados, o peso corporal não apresentou melhora significativa entre as 3 coletas realizadas em 8 semanas, sendo a primeira ao início do projeto e 2 restantes com 4 e 8 semanas de treinamento finalizando as coletas.
Em relação aos pesos, apresentaram os seguintes resultados: 1 sujeito não obteve nenhum resultado, 3 pacientes variaram em seu peso para mais ou para menos apenas 1 kg, 2 pacientes variaram 2 e 3 kg e apenas 2 tiveram redução de peso ao fim do projeto, 1 reduziu 4 kg e outro 6 kg. Nas coletas de colesterol total 4 sujeitos apresentaram perda de dados e o restante não apresentaram resultados significativos. Em relação a glicemia capilar periférica, os sujeitos apresentaram resultados significativos conforme descritos na tabela 1.
Tabela 2: Evolução da Glicemia Capilar Periférica (HGT) inicial, após sessenta, e cento e vinte dias
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Sujeito
1 Sujeito 2 Sujeito 3 sujeito 4 sujeito 5 sujeito 6 sujeito 7 sujeito 8
GLI1 GLI2 GLI3
O 2° sujeito apesar de apresentar um aumento na coluna do gráfico, seu resultado foi benéfico pois apresentou no final, resultados condizentes com os valores considerados referência para os níveis de colesterol.
Em relação ao IMC os sujeitos apresentaram resultados conforme descritos na Tabela 2 sendo que os sujeitos que apresentaram melhor perda de peso apenas 1 deles está dentro dos valores de referência considerados normais para adultos, além de 2 sujeitos que permaneceram sem alteração, também dentro dos valores ideais.
Tabela 3: Evolução do IMC inicial, após sessenta, e cento e vinte dias
Na tabela 3 são descritos os resultados obtidos do Triglicérides no período de 8 semanas de treinamento com 2 sujeitos que estavam acima do desejado apresentaram melhora nos níveis de triglicérides para valores limítrofes e o restante permaneceu dentro dos valores considerados normais e limítrofes e apenas 1 obteve grande variação nas amostras.
0 5 10 15 20 25 30 35 Sujeito
1 Sujeito 2 Sujeito 3 sujeito 4 sujeito 5 sujeito 6 sujeito 7 sujeito 8
IMC1 IMC2 IMC3
Tabela 4 Evolução dos Triglicérides inicial, após sessenta e cento e vinte dias
4-DISCUSSÃO
Os resultados obtidos no presente estudo apontam que para as atividades propostas no programa de treinamento, tiveram maior influência sobre as variáveis glicemia, IMC e triglicérides.
Devem ser levadas em consideração algumas limitações do estudo. A análise dos dados foi um pouco afetada pelo pequeno número de participantes, pois muitos que entraram no critério de inclusão dependiam de transporte público por residirem em local distante a área de pesquisa.
Observamos que a diminuição da glicemia obteve um resultado significante, concordante com outros autores que também evidenciaram a redução da glicemia após um programa de exercícios físicos (MONTEIRO ET AL 2010). Já o estudo de (SBEM - 2011) aponta que não houve alteração no perfil glicêmico pois já estavam dentro da sua normalidade. Para (MONTEIRO ET AL 2010), o TG não apresentou alterações sob um programa de treinamento de 16 semanas, em nosso estudo mostrou que aqueles que estavam dentro de sua normalidade não apresentaram mudança e dois sujeitos que estavam muito acima do valor limítrofe tiveram redução significante para valores normais.
0 50 100 150 200 250 300 350 400 Sujeito
1 Sujeito 2 Sujeito 3 sujeito 4 sujeito 5 sujeito 6 sujeito 7 sujeito 8
TG1 TG2 TG3
Uma redução, pouco significante foram observados no presente estudo em relação a perda de peso e IMC, como demonstra outro autor num programa de modificação no estilo de vida na síndrome metabólica uma discreta redução de peso (2,7%) e IMC (4,2%). (SBEM - 2011).
A (SBEM - 2011) aponta que exercícios físicos de atividades moderadas, de fácil aplicação, produzem em curto prazo melhora significativa nos parâmetros hemodinâmicos, antropométricos e metabólicos.
5-CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluímos com nossa pesquisa, que o exercício físico resistido em aparelhos de uma academia adaptada para deficientes realizado na APAE -Bauru, apresentou grandes benefícios para a saúde dos pacientes quando observados a evolução dos indicadores metabólicos e de composição corporal avaliados. Apesar do grupo todo demonstrar evolução na avaliação dos níveis de HGT, Triglicérides e IMC, não apresentaram um perfil de variação uniforme quando comparados os ganhos por indicador, já que cada grupo de sujeitos apresentou benefício mais considerável em um determinado indicador metabólico ou antropométrico, e nem sempre em todos os itens avaliados. Acreditamos que o fator determinante para esta heterogeneidade de resultados foi o fato de a amostra haver constituindo-se de um grupo reduzido de sujeitos, mas principalmente por apresentarem diferentes tipos de deficiência. Todos os sujeitos também apresentaram melhora na motivação e diminuição do absenteísmo como evidência da maior aderência ao projeto. Acreditamos que esta pesquisa possa ser aperfeiçoada avaliando-se quantidades maiores de sujeitos e formando grupos com um perfil de deficiência em comum. REFERÊNCIAS
BATTISTELLA L. R. Conceito de deficiência segundo a ONU e os critérios da CIF. Cartilha da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Governo do Estado de São
Paulo 2011 em: http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/274.pdf
acesso em 12/05/2015
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO) Relatório Mundial Sobre a Deficiência In Apostila da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Governo do Estado
de São Paulo 2011. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/44575/9788564047020_por.pdf?sequence=4
OLIVEIRA, L. M. B. Cartilha do Censo 2010 - Pessoas com Deficiência Cartilha da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) / Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) / Coordenação-Geral do Sistema de Informações sobre a Pessoa com Deficiência; Brasília : SDH-PR/SNPD, 2012.
CORRÊA, L. Q., ROMBALDI Airton José, SILVA Marcelo Cozzensa. Atividade física e sintomas do envelhecimento masculino em uma população do sul do Brasil. Rev Bras Med Esporte [serial on the Internet]. 2011 Aug [cited 2014 Mar 21] ; 17( 4 ): 228-231.
MEDEIROS D. L. et Al. Tratamento para deformidades nos pés em crianças com paralisia cerebral - revisão de literatura. Revista Pediatria Moderna Abril 2013 V 49 N 4.
FARIAS J. J. C. de, LOPES A. da S., MOTA J., HALLAL P. C. Prática de atividade física e fatores associados em adolescentes no Nordeste do Brasil. Rev. Saúde Pública [serial on the Internet]. 2012 June [cited 2014 Mar 21] ; 46( 3 ): 505-51
LENHARDT G. R., MANTA S. W., PALMA L. E. A prática de atividade física na história de vida de pessoas com deficiência física. Rev. educ. fis. UEM [serial on the Internet]. 2012 Mar [cited 2014 Mar 21] ; 23( 1 ): 45-56.
MONTEIRO L. Z.; FIANI C. R. V; FREITAS M. C. de; ZANETTI M. L.; FOSS M. C.. Redução da pressão arterial, da IMC e da glicose após treinamento aeróbico em idosas com diabete tipo 2. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 95, p. 563-570, 2010.
GABRIELLE C. M., ET Al. Associação entre atividade física e qualidade de vida em adultos. Rev Saúde Pública 2012;46(1):166-79
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM) Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia – XVIII Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes 19 a 22 de outubro de 2011 Brasília, DF, v. 5, 2011 disponível em http://www.aem-sbem.com/media/uploads/12835_ABEM_SUPL_555.pdf Acesso em 21/06/2016
TELEATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL EM UMA APAE DURANTE A