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2.1 DESENVOLVIMENTO INFANTIL

2.1.2 Desenvolvimento motor

O estudo do desenvolvimento motor é uma área que desperta o interesse, visto que busca o entendimento de como se realiza o processo de desenvolvimento das habilidades motoras do ser humano e a relação deste processo com o indivíduo, o ambiente e a tarefa. O impulso primário da pesquisa sobre o desenvolvimento motor veio dos muitos ramos da psicologia, sendo que os psicólogos desenvolvimentistas inicialmente buscaram mostrar o desenvolvimento motor como um indicador visual do funcionamento cognitivo. Da mesma forma, os psicólogos sociais interessados no processo do desenvolvimento emocional deram atenção superficial ao movimento e à influência dele no desenvolvimento social e emocional do indivíduo (GALLAHUE; OZMUN, 2003).

Entende-se que o desenvolvimento motor é um processo contínuo de mudanças no comportamento que ocorrem ao longo da vida, realizado pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente (ECKERT, 1993; TANI, 1988;

FRANÇA, 1990; MANOEL, 1994; GALLAHUE; OZMUN, 2003). Estes autores comentam que, além de ser um processo contínuo, também ocorre na mesma seqüência para todos, podendo apenas variar a velocidade, sendo que a ordem em que as atividades são conduzidas irá depender dos fatores maturacionais, enquanto o grau e o domínio estão dependentes mais das experiências e das diferenças individuais. Para Böhme (1998), desenvolvimento motor se refere às mudanças ocorridas no desempenho motor e/ou movimento do indivíduo, em relação ao comportamento e controle motor, que ocorrem com a interação dos processos de maturação e experiências vivenciadas no seu meio.

1 Medida máxima entre as extremidades médias das mãos, estando os braços estendidos e em abdução de 90°.

Para Gallahue e Ozmun (2003), o desenvolvimento motor ganhou um verdadeiro ímpeto pelos profissionais de atividade física, como campo especializado de pesquisa, a partir dos anos 70. Manoel (1998) apresenta o estudo realizado por Clark e Whitall, onde identificaram quatro períodos sobre os estudos do desenvolvimento motor: a) período precursor, que se refere aos estudos realizados nos séculos XVIII e XIX, estendendo-se até 1928, onde a investigação sobre o desenvolvimento não era sistemática, marcado por pesquisas descritivas sobre bebês e crianças chamado de biografias de bebês; b) período maturacional, de 1928 até 1946, pela hipótese maturacional como única causa do desenvolvimento; c) período normativo-descritivo, compreendido entre 1946 até 1970 onde não ocorreram inovações teóricas à explicação do desenvolvimento, os pesquisadores eram oriundos da Educação Física, observando-se uma ampliação dos estudos voltados para a descrição das habilidades básicas como correr, saltar, arremessar, chutar, rebater e receber; e d) período orientado ao processo que vêm desde 1970 até os dias atuais, reconhecendo as limitações das hipóteses maturacionais para explicar o desenvolvimento e trazendo a visão cibernética e cognitiva da habilidade motora. Em relação a este quarto período, Gallahue e Ozmun (2003), apontam que atualmente os especialistas da área estão reconhecendo e compreendendo que as exigências físicas e mecânicas específicas de certa tarefa motora em si, de fato operam com o indivíduo (fatores biológicos) e o ambiente (fatores de aprendizado ou experiência) e que os fatores pertinentes à tarefa, ao indivíduo e ao ambiente, são influenciados um pelo outro (interação), como também podem ser modificados (transação), um pelo outro.

O desenvolvimento motor pode ser estudado orientando-se para o processo, onde as pesquisas enfatizam a forma e função da aquisição de padrões motores, ou orientando-se para o produto, ou seja, pesquisa sobre capacidade de desempenho (ou entre níveis de aptidão física e avaliações de desempenho). Para tanto, pode-se utilizar três métodos de estudos: o

estudo longitudinal (os mesmos indivíduos são estudados por cinco a dez anos), o estudo transversal (indivíduos diferentes, representando idades variáveis são estudados ao mesmo tempo) e o estudo longitudinal misto (é seqüencial e combina elementos essenciais tanto do método longitudinal quanto do método transversal). A dificuldade de tempo faz com que os pesquisadores optem pelo método transversal, apesar do método longitudinal ser o ideal e o único meio real de estudar desenvolvimento (GALLAHUE; OZMUN, 2003). No entanto, no presente estudo, optou-se pelo método transversal, visto que permitirá medir as diferenças relacionadas a idade no desempenho motor, mostrados por meio da diferença de médias entre os grupos etários estudados.

A maturação envolve alterações qualitativas que capacitam o indivíduo a progredir para níveis mais altos de funcionamento, sendo geneticamente determinado e resistente às influências externas ou ambientais. A experiência inclui os fatores advindos do ambiente, que podem alterar o surgimento de características desenvolvimentistas no decorrer do processo de aprendizado. Os aspectos da maturação e da experiência são interligados. Os elementos da maturação e da experiência, conforme Gallahue e Ozmun (2003), possuem um papel-chave no processo de desenvolvimento.

Pesquisas em desenvolvimento motor têm demonstrado que o processo maturacional é ordenado e seqüencial, caracterizado nos primeiros anos de vida, aproximadamente até os sete anos de idade, pela aquisição e diversificação dos padrões fundamentais da criança (habilidades básicas de locomoção, de manipulação e de estabilização), modificando apenas a forma e o tempo em que vai ocorrer (FRANÇA, 1990; FERREIRA NETO, 1995; FERRAZ, 2002; GALLAHUE; OZMUN, 2003).

Após esse período, o desenvolvimento se caracteriza pela combinação de habilidades básicas e seu aprimoramento. De acordo com Meinel (1984), mais especificamente na segunda idade escolar, a qual perdura dos 10 aos 12 anos na menina e dos 10 aos 13 anos nos

meninos, as habilidades motoras alcançam na maioria um bom nível, o que propicia uma boa capacidade de aprendizagem motora. Entretanto, autores como Ferraz (2002), Gallahue e Ozmun (2003) indicam que este refinamento e a especialização dessas combinações devem ocorrer somente a partir dos 10 anos de idade. Estes autores apontam como principal razão dessa indicação a necessidade do ser humano explorar as várias categorias de movimento para que seu potencial de movimento não fique prejudicado; outra razão é a que se refere ao ensino das técnicas nas diversas modalidades, considerando que o ser humano é capaz de alcançar uma mesma meta via diferentes movimentos.

Em condições normais, a maioria das crianças tem potencial para, em torno dos seis anos de idade, executar bons desempenhos no estágio maduro de grande parte dos padrões motores fundamentais e, por volta dos sete a oito anos, para começar a transição para a fase motora especializada (FERREIRA NETO, 1995; GALLAHUE; OZMUN, 2003). Segundo os autores, o aparecimento e a extensão do desenvolvimento de habilidades na fase de especialização depende tanto dos fatores da tarefa, como de fatores individuais e ambientais, de modo que muitas crianças têm suas habilidades motoras atrasadas em função das oportunidades de prática regular limitadas, do ensino deficiente ou ausente e do pouco ou nenhum encorajamento. Para que isso não ocorra, é necessário possibilitar que a criança vivencie uma maior diversidade de habilidades motoras, aprenda a reagir com controle motor e competência motora a vários estímulos encontrados em muitas atividades motoras complexas presentes na vida diária, na recreação e nos objetivos desportivos.

Desta forma, uma ampla base de experiências torna a criança capaz de tomar numerosas decisões de aprendizado e de participação baseadas em muitos fatores individuais, da tarefa e do ambiente. Essas decisões fundamentam-se, principalmente, no modo pelo qual a criança percebe até que ponto os fatores inerentes à tarefa, a ela mesma e ao ambiente aumentam ou inibem a probabilidade dela obter satisfação e sucesso (GALLAHUE; OZMUN,

2003). Por volta dos 7 aos 10-12 anos, o desenvolvimento caracteriza-se pelo refinamento e diversificação das habilidades (locomoção e manipulação) em padrões de seqüência cada vez mais complexos. Para os autores, nesta fase as habilidades antes desenvolvidas vão sendo aperfeiçoadas para uma opção esportiva e combinadas para movimentos específicos e complexos. Sendo que a fase de especialização é o tópico referente a idade e ao desenvolvimento das crianças participantes do presente estudo, por isso será tratado com maior ênfase.

O progresso através da transição, aplicação e utilização permanente da habilidade dos estágios numa tarefa de um movimento específico depende dos níveis de maturação efetiva da fase dos padrões de movimentos básicos (GALLAHUE; OZMUN, 2003). Para os autores, há uma barreira de competência definida entre a fase motora fundamental e a fase motora especializada de desenvolvimento: a transição de uma fase para outra depende dos padrões de maturação dos movimentos e determinada variedade de habilidades motoras. O avanço dos estágios durante esta fase de desenvolvimento depende dos fatores cognitivos e afetivos do indivíduo, assim como também de fatores neuromusculares; já os fatores individuais e as condições ambientais servem para estimular os movimentos de um estágio para outro.

Gallahue e Ozmun (2003) comentam ainda que, as habilidades motoras passam por um complexo processo de refinamento, pois tanto o processo como o produto advém da influência de fatores genéticos e ambientais. Qualquer discussão sobre desenvolvimento motor deve passar por estes dois fatores. Os sistemas muscular e neurológico são caracterizados por uma evolução ordenada do simples para o complexo, ocorrendo o mesmo em relação às atividades motoras, que progridem dos movimentos fundamentais para os movimentos complexos. Para justificar esse processo de refinamento, os autores citam o princípio da direção desenvolvimentista, desenvolvida por Gesell, que explica a crescente

coordenação e o controle motor em relação à maturação do sistema nervoso. Conforme citado anteriormente, os princípios de crescimento e desenvolvimento explicam que há uma ordenada evolução do desenvolvimento físico que acontece na direção céfalo-caudal e próximo-distal, sendo que a primeira não pode ser explicada apenas pela maturação do sistema nervoso central, mas também pela exigência de desempenho de tarefas e refere-se especificamente à progressão gradual do controle crescente da musculatura. Já o próximo-distal, refere-se especificamente à progressão no controle da musculatura da criança.

Muitos estudos foram realizados analisando o nível de desenvolvimento dos padrões motores em que se encontravam crianças e adolescentes. Para ilustrar, cita-se o estudo de França (1989) que analisou o padrão motor fundamental da corrida, salto horizontal, arremesso e chute em crianças de 7 e 8 anos, não encontrando diferença no desenvolvimento entre crianças consideradas nutridas e desnutridas. No estudo de Loi e Krug (2002), os autores verificaram que as crianças de 8 e 9 anos do município de Santa Rosa, RS, encontravam-se com os padrões motores fundamentais correr, arremessar e equilíbrio dinâmico em níveis insatisfatórios de desenvolvimento para a idade e, não houve diferença nos níveis de maturação dos padrões motores fundamentais pesquisados entre os escolares das diferentes redes de ensino (particular, estadual e municipal), os meninos encontravam-se em estágios mais elevados de desenvolvimento motor do que as meninas nos padrões motores fundamentais de arremessar e correr e se encontravam nos mesmos estágios de desenvolvimento no padrão fundamental equilíbrio dinâmico. Acredita-se que as diferenças encontradas entre gêneros podem estar relacionadas com fatores culturais, além dos fatores biológicos. Nesse sentido, cita-se o estudo de Zacaron et al (2002) que observaram que os meninos de 7 a 10 anos de idade, do município de Imbituba, foram mais proficientes que os meninos de Florianópolis no desenvolvimento dos padrões fundamentais chutar, arremessar e saltar. Quando avaliaram as meninas, observaram uma inversão dos valores à favor das

meninas de Florianópolis, sugerindo que as diferenças são decorrentes dos aspectos relacionados aos contextos, como nível social, cultural e econômico, assim como as oportunidades e espaços para a prática de atividades motoras.

Os padrões de movimento básico de um indivíduo mudam pouco depois que ele alcança o estágio maduro e as habilidades físicas influenciam somente até o ponto em que as habilidades motoras especializadas são aplicadas a situações específicas (GALLAHUE;

OZMUN, 2003). Desta forma, as habilidades motoras especializadas são movimentos fundamentais maduros adaptadas as necessidades específicas, dependentes das condições próprias da tarefa, do indivíduo e do ambiente, ou seja, presentes na vida diária, na recreação e nas atividades esportivas. É nesse período que as habilidades estabilizadoras, manipulativas e locomotoras fundamentais são, de forma progressiva refinadas, combinadas e elaboradas para a utilização em situações mais exigentes e atividades motoras mais complexas.

Uma questão fundamental para o sucesso na aquisição de habilidades motoras especializadas é reconhecer as condições que possam limitar ou aumentar o desenvolvimento, para tal, Gallahue e Ozmun (2003), propõem uma divisão da fase de movimentos especializados em três estágios: a) Estágio de transição - caracterizado pelas primeiras tentativas individuais de refinamento e combinação dos padrões de movimento maduro. Por volta dos 7 ou 8 anos de idade, a criança começa a combinar e aplicar habilidades de movimento fundamental à performance de habilidades especializadas no ambiente esportivo e recreacional. A criança está interessada em todos os esportes e não se sente limitada por fatores fisiológicos, anatômicos ou ambientais. A ênfase começa a ser colocada na exatidão e habilidade, na performance de jogos, atividades de liderança e em uma grande variedade de movimentos relacionados ao esporte. Durante este estágio, a criança busca ter idéia de como executar a habilidade do esporte. As habilidades cognitivas, afetivas e experiências são limitadas. Aos 7 anos, a criança já possui seus padrões de equilíbrio e postura praticamente

amadurecidos, com uma melhora no período pubertário. Aos 8 anos, a criança apresenta a habilidade de corrida em padrões maduros e, aos 9 e 10 anos, este desenvolvimento torna-se mais lento; b) Estágio de aplicação - a criança torna-se consciente dos recursos físicos e limitações, começando a restringir sua atenção para certos tipos de esportes. Este estágio ocorre aproximadamente entre os 11 e 13 anos de idade sendo que a ênfase agora é colocada no desenvolvimento de níveis mais altos de proficiência, onde a forma, a habilidade, a precisão e a quantidade de aspectos da performance dos movimentos são considerados no momento da execução. Durante este estágio a prática é fundamental para melhorar os níveis de desempenho das habilidades. Habilidades mais complexas são refinadas e começam a ser utilizadas em esportes oficiais para recreação ou competição; e c) Estágio de utilização (permanente), que começa por volta dos 14 anos de idade e continua através da vida adulta. A restrição da atividade é afetada pelo aumento da responsabilidade e demandas de tempo.

Durante este estágio a performance do indivíduo está altamente refinada e confiável, parecendo natural à aproximação dos limites das capacidades individuais. Este estágio representa o ápice do processo de desenvolvimento motor e é caracterizado pelo uso do repertório de movimentos adquiridos pelos indivíduos ao longo da vida. O nível de desempenho de um indivíduo pode variar desde a categoria profissional e olímpica até competições universitárias e escolares.

Vários estudos têm sido desenvolvidos relacionando o desempenho motor de crianças e outras variáveis influenciadoras. Guedes e Barbanti (1995) analisaram o desempenho motor em crianças e adolescentes e constataram diferenças entre os gêneros em quase todos os testes aplicados. Os meninos apresentaram na maioria dos testes motores melhores resultados dos 7 anos até próximo aos 17 anos e as ameninas apresentaram resultados mais elevados por volta dos 10 e 11 anos. No estudo realizado por Campos, Furtado Júnior e Fontana (1997), que investigou a influência do nível sócio-econômico e

gênero no desempenho motor de crianças de 6 a 7 anos de idade, os autores não encontraram diferenças significativas, possivelmente devido ao acesso dessas crianças a escolas com melhores condições de material e infra-estrutura para a prática da educação física, levando o aluno a experimentar um número considerável de movimentos diversificados. Neste mesmo sentido, Angelotti et al (1997) investigaram se aulas de educação física devidamente planejadas para atender as necessidades de desenvolvimento da criança, aplicadas em diferentes quantidades e locais, poderiam proporcionar algum tipo de desigualdade no rendimento da aptidão motora das crianças e observaram que, a aptidão motora das crianças do ensino público era melhor, devido a quantidade de aulas semanais oferecidas na escola (3 vezes por semana) contra apenas uma vez por semana no ensino privado. Relacionado o aspecto motor com a atividade esportiva. Campos, Gallagher e Ladewig (1996) investigaram os efeitos da idade e nível de experiência na performance cognitiva e motora em crianças praticantes de futebol e concluíram que as crianças com um nível de habilidade motora no futebol apresentaram uma performance superior às crianças novatas em todos os componentes do desempenho motor. Os autores sugerem ainda uma relação significativa entre o nível de habilidade motora e a capacidade das crianças em tomar decisões no futebol.

As possibilidades motrizes da criança evoluem amplamente com sua idade e chegam a ser mais variadas e complexas à medida em que cresce. Nesse sentido, Gallahue e Ozmun (2003) colocam que o processo de desenvolvimento motor revela-se primeiro através de mudanças no comportamento de movimentos. Para esses autores, todas as pessoas estão envolvidas ao longo da vida em um processo de aprendizagem de como se mover com controle e competência em respostas as mudanças e aos desafios diários. Seguindo essa mesma concepção, Le Boulch (1986) acrescenta que, desde o nascimento, o movimento não é imediatamente adaptado à situação nem tão pouco automático, mas sim um fenômeno de aprendizagem. A aprendizagem permite adquirir novos padrões de conduta e sua repetição

constante forma hábitos, sendo estes, portanto, o produto final da aprendizagem. Para Le Boulch, quando o hábito motor é demasiadamente complexo para que se incorpore movimento coordenado, chama-o de habilidade motora. Deste modo, percebe-se que através do jogo a criança desenvolve inúmeras formas de ajustamentos motores, com suas repetições formando os hábitos, adotando movimentos coordenados e complexos. Entretanto, deve-se sempre considerar que o desenvolvimento das habilidades ocorre de maneira gradativa, de acordo com o avanço do processo maturacional de cada criança e por isso, encontra-se crianças de mesma idade cronológica, mas com diferente nível de desempenho em habilidades motoras.

Para Gallahue e Ozmun (2003), os períodos críticos e suscetíveis de aprendizado estão ligados à aptidão e, onde o indivíduo é mais sensível a certos estímulos em determinadas épocas do ano. Desta forma, cada sujeito tem a tendência de exibir diferenças individuais que são peculiares ao seu próprio tempo de desenvolvimento, que é determinado pela integração da genética e pelas influências ambientais. A idade com que a criança desenvolve certa habilidade motora pode variar ligeiramente devido às diferenças individuais.

Como um fator biológico, a maturação determinará a prontidão para o próximo estágio, mas isto somente ocorrerá se o meio também proporcionar experiências motoras. Isto explica o fato de se encontrar crianças de mesma idade em estágios diferentes de desenvolvimento.

Os estudos do desenvolvimento motor podem investigar o desenvolvimento da aptidão física quando a considera como um produto de um processo, visto que o processo do desenvolvimento motor, de acordo com Gallahue e Ozmun (2003), revela-se por alterações contínuas no comportamento motor ao longo dos anos, provocadas pelas relações dos fatores biológicos, ambientais e da tarefa. O desempenho motor é um termo associado à capacidade de se realizar tarefas motoras, podendo ser estudado como um processo, que busca compreender a mecânica dos movimentos e as causas subjacentes que o alteram, referindo-se

a como e por que o evento ocorreu, e/ou como um produto, que objetiva evidenciar o grau de habilidade do indivíduo, com a determinação de quando o resultado de um evento específico acontece no eixo temporal de vida do organismo. Em um estudo utilizando as duas formas de investigação do desenvolvimento motor, Copetti (1996) verificou o desenvolvimento de crianças de Teutônia, RS, observando que na análise do processo de desenvolvimento motor, as crianças apresentaram níveis abaixo do que os esperados para as idade investigadas, na maioria dos testes e, na análise do produto, observou que as crianças apresentaram um crescente aumento dos escores dos testes em função da idade, com poucas diferenças entre os gêneros.

A aptidão física é um dos componentes estudados dentro do desenvolvimento motor, fornecendo informações sobre as características de desempenho e da saúde de crianças e adolescentes. Retomando a idéia dos três princípios que discutem o crescimento e o desenvolvimento, justificando a direção do desenvolvimento das crianças (BERNS, 2002) e, partindo do pressuposto de que as crianças evoluem à medida que amadurecem, acredita-se que estes princípios podem ser aplicados aos estudos do desenvolvimento da aptidão motora.

Nessa perspectiva, Papalia e Olds (2000), Malina e Bouchard (2002), Cole e Cole (2004) enfatizam que o desenvolvimento e crescimento propiciam uma diferenciação em relação à aptidão motora, uma vez que as crianças vão se tornando mais fortes, mais rápidas e mais bem coordenadas. As diferenças entre as habilidades motoras de meninos e meninas tornam-se maiores quando elas se aproximam da puberdade, contudo, além da maior parte das diferenças dever à força cada vez maior nos meninos, também há diferenças de expectativas e

Nessa perspectiva, Papalia e Olds (2000), Malina e Bouchard (2002), Cole e Cole (2004) enfatizam que o desenvolvimento e crescimento propiciam uma diferenciação em relação à aptidão motora, uma vez que as crianças vão se tornando mais fortes, mais rápidas e mais bem coordenadas. As diferenças entre as habilidades motoras de meninos e meninas tornam-se maiores quando elas se aproximam da puberdade, contudo, além da maior parte das diferenças dever à força cada vez maior nos meninos, também há diferenças de expectativas e