Conhecendo as escolas
4.2 Comparando as escolas pesquisadas: questionário TALIS 1 Perfil das escolas e de seus professores
4.2.2 Desenvolvimento profissional dos professores
Os sistemas educacionais devem possibilitar aos professores oportunidades de desenvolvimento profissional para que possam obter uma força de trabalho de alta qualidade. Para Day, 2001, p.15 “O sentido do desenvolvimento profissional dos professores depende das suas vidas pessoais e profissionais e das políticas e contextos escolares nos quais realizam a sua atividade docente”. É importante que o docente se empenhe em um processo de aprimoramento profissional contínuo, ao longo da vida, permitindo-lhe diferentes tipos de
aprendizagem, tornando-o apto a acompanhar as mudanças e avanços educacionais. De acordo com o questionário (Apêndices XVIII e IX), a pesquisa TALIS examina a oferta por desenvolvimento profissional, o grau de demanda por esse desenvolvimento e os fatores que suportam ou impedem que as necessidades de aprimoramento sejam atendidas. A tabela 15 compara os resultados obtidos no questionário da TALIS aplicado nas três escolas pesquisadas. É importante ressaltar que esses percentuais referem-se somente aos participantes da pesquisa, não representam as escolas como todo.
Desenvolvimento profissional dos professores
Resultados EEJD Resultados EPCS Resultados EPSA
No EEJD, 85% dos professores afirmaram ter participado de algum desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses.. Entretanto, 71% disseram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente.
No EPCS, 80% dos professores afirmaram ter participado de algum desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses. Esta mesma porcentagem disse que gostaria de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente..
No EPSA, 50% dos professores afirmaram ter participado de algum desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses.. Entretanto, 75% disseram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente.
No EEJD, a maior demanda por desenvolvimento profissional está em: problemas de disciplina e de comportamento dos alunos, (71%)
No EPCS, 40% dos professores afirmaram necessitar de mais desenvolvimento para lidar com problemas de disciplina dos alunos.
No EPSA, 44% dos professores afirmaram moderada necessidade de desenvolvimento para lidar com problemas de disciplina e de comportamento dos alunos.
No EEJD, 42% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional. Além disso, 57% afirmaram não ter recebido dispensa pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho.
No EPCS, 75% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional. Além disso, 100% afirmaram não ter recebido dispensa, pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho.
No EPSA, 69% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional. Além disso, 75% afirmaram não ter recebido dispensa pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho.
No EEJD, a razão mais comumente citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 72%, seguido de custos 28%.
No EPCS, a razão mais comumente citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 37%, seguido de custos (25%) e responsabilidades familiares (25%).
No EPSA, a razão mais comumente citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 57%, seguido de responsabilidades familiares 25%. O tipo de desenvolvimento profissional
que apresentou maior impacto, na opinião dos professores no EEJD, foi leitura de literatura profissional (57%), e participação em conversas informais com colegas sobre como melhorar o ensino (85%). A participação dos professores nestes tipos de programas foi de 100%.
O tipo de desenvolvimento profissional que apresentou maior impacto, na opinião dos professores no EPCS, foi leitura de literatura profissional (80%). A participação dos professores neste tipo de programa foi de 100%.
O tipo de desenvolvimento profissional que apresentou um impacto moderado, na opinião dos professores no EPSA, foi leitura de literatura profissional 62%, e participação em conversas informais com colegas sobre como melhorar o ensino 69%. A participação dos professores nestes tipos de programas foi de 100%.
TABELA 15: Desenvolvimento profissional dos professores – EEJD, EPCS e EPSA
Entre os resultados globais, a maior parte dos professores (88,5%) participou de algum programa ou proposta de desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses e, em média,
54,8% afirmaram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente. Em alguns países, tais como Bélgica e Eslovênia, aproximadamente 66,7% dos professores relataram que receberam suficiente desenvolvimento profissional. Já em outros países como Malásia e México, mais de 80% afirmaram que não receberam desenvolvimento profissional suficiente.
No Brasil, 83% dos professores afirmaram ter participado de algum tipo de desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses. Entretanto, 84,4% disseram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente.
De acordo com a Tabela 15, no EEJD, 85% dos professores afirmaram ter participado de programas de desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses e, 71% disseram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente. Na escola EPCS, 80% dos professores participaram de propostas de desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses. Essa mesma percentagem afirmou que gostaria de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente. No EPSA, 50% dos professores afirmaram ter participado de algum desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses. Entretanto, 75% disseram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente.
Observa-se que a escola pública oferece mais oportunidades de desenvolvimento profissional para o professor, contudo, mesmo assim eles consideram insuficiente. As respostas revelam a elevada porcentagem de professores que gostariam de ter mais oportunidades de se desenvolverem profissionalmente.
A demanda dos professores por mais desenvolvimento profissional está concentrada em determinadas áreas. 33% dos professores necessitam de mais formação para trabalhar com a educação especial, 24,7% para o ensino com TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) e 21,4% resolverem os problemas de disciplina e comportamento dos estudantes.
No Brasil, a maior demanda por desenvolvimento profissional está assim distribuído: educação especial (63,2%); habilidades de usar TIC no ensino (35,6%); ao comportamento dos estudantes ( 26,5%).
Então, embora os diretores minimizem, a indisciplina afeta os professores e seu trabalho. Mais de 20% não sabem como resolver esse problema e precisam de formação.
Na escola EEJD, a maior demanda por desenvolvimento profissional está relacionada aos problemas de disciplina e de comportamento dos alunos (71%); no EPCS, esse mesmo problema afeta 40% dos professores; na em EPSA, 44% dos professores afirmaram moderada
necessidade de desenvolvimento para lidar com problemas de disciplina e de comportamento dos alunos (Tabela 15).
Em média, 65,2% dos professores dos países participantes afirmam não terem pagado por seu desenvolvimento profissional. Uma proporção similar afirma ter sido liberada pelo empregador para poder fazer sua formação. Esses números indicam um importante investimento no desenvolvimento profissional dos professores pelas escolas e autoridades públicas. No Brasil, 54,8% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional e 56,2% afirmaram ter recebido dispensa do período regular de trabalho.
No EEJD, 42% dos professores não pagaram pelo seu desenvolvimento profissional. Contudo, 57% afirmaram não ter recebido dispensa, pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho. Em EPCS, 75% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional, todos afirmaram não ter recebido dispensa, pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho. Na escola EPSA, 69% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional e 75% afirmaram não ter recebido dispensa, pois a formação aconteceu durante o período regular de trabalho (Tabela 15). Pelos depoimentos, parece que a formação está incluída no tempo de serviço.
A TALIS investigou os motivos de impedimento quanto à participação em atividade de desenvolvimento profissional dentre os professores que afirmaram necessitá-lo. A razão mais comumente citada (46,8%) foi o conflito de horários dos cursos com o trabalho. 42,3% citaram a não compatibilidade com seus interesses; 28,5%, em média, mencionaram custos demasiadamente elevados.
No Brasil, a razão mais citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 57,8%, seguido dos custos elevados, com 51%.
No EEJD, a razão mais comumente citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 72%, seguido de custos, 28%. No EPCS, destacou-se o conflito com o horário de trabalho (37%), seguido de custos (25%) e responsabilidades familiares (25%). Por fim na EPSA, citou-se o conflito com o horário de trabalho, com 57%, seguido de responsabilidades familiares 25% (Tabela 15).
A grande maioria dos professores declarou que o desenvolvimento profissional obtido teve um impacto moderado ou alto em sua atividade profissional. O desenvolvimento profissional que trouxe maior impacto foi em relação aos programas de qualificação (87,2%) e de pesquisa (89,3%). Contudo, o percentual de professores que participaram desses
programas/atividades foi pequeno, apenas 24,5 e 35,4%, respectivamente.
Esses últimos dados mostram que os formuladores de políticas públicas precisam assegurar incentivos e apoio para os tipos de desenvolvimento profissional que parecem ser mais efetivos e estão de acordo com as necessidades dos professores.
Os tipos de desenvolvimento profissional que apresentaram maior impacto, na opinião dos professores no Brasil, foram os programas de qualificação (89,9%), leitura de literatura profissional , por exemplo, jornais, artigos/trabalhos com base em evidências, teses (82,6%) e atividades de pesquisa (80,9%). A participação dos professores nesses tipos de programas foi de 40,8, 82,5 e 54,7%, respectivamente.
O tipo de desenvolvimento profissional que apresentou maior impacto, na opinião dos professores no EEJD, foi leitura de literatura profissional (57%), e participação em conversas informais com colegas sobre como melhorar o ensino (85%), portanto não foram cursos, programas, mas sim atividades informais. A participação dos professores foi de 100%.
O tipo de desenvolvimento profissional que apresentou maior impacto, na opinião dos professores, no EPCS, foi leitura de literatura profissional (80%). A participação dos professores neste tipo de programa foi de 100%. Na escola EPSA, o tipo de desenvolvimento profissional que apresentou um impacto moderado foi leitura de literatura profissional (62%), e participação em conversas informais com colegas sobre como melhorar o ensino (69%). A participação dos professores nesses tipos de programas foi de 100% (Tabela 15).