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2. Revisão da literatura

2.4. Desenvolvimento sustentável e a bicicleta

O conceito de desenvolvimento sustentável popularizou-se com a publicação, em 1987, do relatório “O Nosso Futuro Comum” da Comissão para o Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas, ou relatório de Brundtland como ficou conhecido, definindo que, para ser “sustentável”, o desenvolvimento tem que responder às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações vindouras virem a satisfazer as suas próprias necessidades. O referido conceito visa a conceção de um novo modelo de crescimento económico capaz de garantir a compatibilidade entre o desenvolvimento económico e a proteção da natureza e dos recursos naturais e constitui atualmente a base da arquitetura política comunitária do ambiente. O relatório defende, em nome da preservação do “capital ecológico”, a necessidade de uma verdadeira responsabilização dos recursos não renováveis, a minimização das emissões de todo o tipo de poluentes e uma prevenção efetiva das perdas ecológicas irreversíveis, tais como das espécies animais e vegetais.

O conceito de desenvolvimento sustentável figura também entre os princípios fundamentais do novo Tratado da União Europeia assinado em Maastricht a 7 de Fevereiro de 1992, definindo-se no seu artigo 2º, que a comunidade tem como missão promover um crescimento sustentável que respeite o ambiente (Mascarenhas, 2003).

Segundo a Comissão Europeia (2000), as autoridades devem garantir um quadro de vida saudável aos habitantes da cidade, facilitando as deslocações de modo a garantir boas condições de desenvolvimento às empresas, serviços e comércio. Deve garantir boas condições de deslocação a toda a população de modo a garantir a acessibilidade às lojas, escolas, serviços públicos, equipamentos coletivos e empregos.

A bicicleta é amiga do ambiente, tanto na sua construção como na sua utilização, pois não emite gases nem polui.

A bicicleta, meio de transporte não poluente, silencioso, económico e mais acessível a todos, tem tido uma evolução tecnológica que a torna cada vez mais eficiente e cómoda (IMTT, 2011).

35 Por isso, o uso da bicicleta tem atraído cada vez mais a atenção, um pouco por toda a parte, como um meio de transporte ecológico. Uma maior utilização da bicicleta em áreas urbanas em vez do carro contribui para menor consumo de energia durante a viagem e redução do congestionamento. Um aumento do uso da bicicleta contribui para a redução do efeito de estufa e outras emissões (OECD, 2004).

Muitos países já tomaram medidas para melhorar a eficiência das taxas e impostos dos transportes, diferenciando os encargos em relação às emissões de poluentes, de CO2 e de congestionamento. Estas medidas procuram tentar reduzir o uso do carro em que a bicicleta pode proporcionar uma alternativa de mobilidade. O uso da bicicleta pode reduzir os custos que as pessoas têm com o transporte sem necessariamente reduzir a mobilidade, especialmente em curtas distâncias (OECD, 2004).

Para distâncias curtas, especialmente em cidades com elevado tráfego, a bicicleta é o meio de transporte mais rápido e flexível. O estacionamento para bicicletas não ocupa muito espaço sendo que 10 bicicletas podem ser estacionadas no sítio de um carro e é mais caro construir um parque de estacionamento típico para carros do que instalar um suporte para bicicletas. Viagens curtas, quando feitas de carro, são menos eficientes e causam muita poluição; o oposto da bicicleta que não causa qualquer poluição nem ruído sendo o meio de transporte mais eficiente a nível energético. Uma maior utilização da bicicleta diminui assim a destruição da camada de ozono, o efeito de estufa, as chuvas ácidas e a poluição sonora (Parlamento Europeu, 2010) (Figura 2).

Figura 2. Efeitos provocados no ambiente e na saúde pelos transportes (ECF, 2009, p. 2).

Existem várias razões para encorajar o uso da bicicleta, pois não provoca ruído ou poluição e consome muito menos recursos não renováveis do que qualquer outro

36 meio de transporte. A única energia que requer é a fornecida pelo seu utilizador, energia que também traz benefícios de saúde à própria pessoa. Em termos de ocupação de espaço a bicicleta também muito vantajosa ocupando muito pouco espaço viário, ao contrário do carro por exemplo. Além disso, é muito mais económica, tanto para o usuário como para os custos públicos com infraestruturas por exemplo. Em suma, é acessível a toda a gente, imbatível nas questões de sustentabilidade ambiental, social e económica (Pucher & Buehler, 2008).

Segundo a ECF (2011), tendo em conta o ciclo de vida completo dos diversos meios de transporte, as emissões de CO2 são aproximadamente:

- Bicicleta, 21 g CO2/utilizador/km Viagem

- Bicicleta com assistência elétrica, 22 g CO2/ utilizador/km Viagem - Automóveis de passageiros, 271 g CO2/ utilizador/km Viagem - Bus 101 CO2/ utilizador/km Viagem

Conforme Gotshchi & Mills (2009), um utilizador de bicicleta que percorra 8 km para ir para o trabalho, quatro dias por semana, evita 3220 km de condução por ano, o equivalente a uma poupança de cerca de 380 litros de gasolina e de 750 kg de emissões de CO2.

A poluição atmosférica está a agravar-se de ano para ano e o tráfego urbano é responsável por 40% das emissões de CO2 e 70% das emissões de outros poluentes resultantes dos transportes rodoviários (Comissão Europeia, 2007).

ECF (2009), citando a Organização Mundial de Saúde, afirma que as emissões de CO2 no setor dos transportes cresceram quase 30% desde 1990 e que metade da população adulta nos países desenvolvidos é sedentária ou tem um nível de atividade física mínima. Por causa da má qualidade de vida nas cidades, os cidadãos mudaram-se para os subúrbios, contribuindo para a expansão urbana e criando cada vez mais a necessidade de uso de transporte.

Para a ECF a bicicleta proporciona benefícios sustentáveis ambientais, sociais e económicos.

Para o ambiente, andar de bicicleta tem um impacto positivo, uma vez que não cria poluição atmosférica e sonora, não consome recursos não renováveis e não provoca congestionamento. A utilização da bicicleta diminui assim, as emissões de dióxido de carbono, diminui a dependência dos combustíveis fósseis, a poluição atmosférica e a poluição sonora e ocupa muito pouco espaço. Os cidadãos têm o direito à mobilidade e à acessibilidade e ambos são vitais numa cidade ou em qualquer outro lugar, bem como

37 o direito ao funcionamento social, económico e qualidade de vida que não devem ser descurados. Muitas vezes o carro é visto como sinónimo de mobilidade e acessibilidade mas isso não é verdade.

A ECF, citando a Agência Portuguesa do Ambiente, ressalva que a chave para melhorar a mobilidade e a acessibilidade é garantir que as instalações e atividades diárias possam ser segura e facilmente alcançadas através de todos os meios de transporte e para toda a sociedade. Além disso, a compra e manutenção da bicicleta é algo que está ao alcance de quase todos assim como a conceção de infraestruturas que é muito menos dispendiosa que outros meios de transporte.

Quanto à sustentabilidade económica, o setor dos transportes gera emprego, com mais de 5% do emprego total na União Europeia e representa cerca de 7% do segundo dados da ECF (2009). O transporte inclui custos elevados não só para os indivíduos como para a sociedade, quer na construção infraestruturas, quer com a poluição ou o congestionamento. Assim, uma diminuição do transporte motorizado individual e aumento da utilização da bicicleta pode diminuir os custos externos do transporte substancialmente. Isto não prejudica diretamente a pessoa mas toda a comunidade.

Andar de bicicleta melhora a qualidade de vida numa cidade o que atrai pessoas e empresas, beneficiando o desempenho económico local.

Os congestionamentos são economicamente ineficientes devido às horas de trabalho perdidas, atrasos, incapacidade de prever o tempo de viagem, desperdício de combustível, stress. Mais pessoas a andar de bicicleta significa menos congestionamento (ECF, 2009).

Com uma maior utilização da bicicleta também diminuem os gastos com a saúde pois é reduzido o risco de doenças pulmonares e cardiovasculares, entre outras.