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DESENVOLVIMENTOS NA INGLATERRA E NA IRLANDA

No documento UMA CAMINHADA NA FÉ E NO TEMPO (páginas 133-157)

A promessa e a dor de Seaforth

Por ocasião da morte de Gailhac, havia apenas uma grande comunidade RSCM em Inglaterra, numa zona chamada Seaforth, a norte de Liverpool. A comunidade original da Inglaterra, fundada em Bootle, no ano de 1872, tinha-se mudado para Seaforth, localidade maior e mais propícia, em 1884. 0 edifício, que fazia parte de uma propriedade imponente, originalmente chamada Seafield Hall, fora construído em 1860 por William James Fernie, um magnata proprietário de navios. Vendeu-o, vinte anos mais tarde, à International Marine Hydropathic Company, que transformou a propriedade num hotel de luxo, destinado a atrair visitantes da América do Norte. Tendo sido rebatizado com o nome de Seafield House, tinha quartos para alojar duzentos hóspedes e capacidade para quinhentos convivas por refeição. Passado pouco mais de um ano, porém, os donos do hotel desistiram de esperar pelo seu bom sucesso e decidiram negociar a venda de Seafield House pelo prego de trinta mil libras, considerado uma bagatela1.

Gailhac e a Madre St. Félix, então preocupados com a necessidade de espaço e de um ambiente saudável para a comunidade, autorizaram a compra de Seafield House, em novembro de 18832. A venda da propriedade foi finalizada a 4 de

1 Para uma descrição completa da casa e da propriedade, ver Connell, Uma Caminhada na Fé e no Tempo, Vol. 3, 206-208.

2 Ao que parece, o bispo de Liverpool receava que a Congregação de Nossa Senhora de Namur, que tinha uma escola secundária na localidade próxima de Mt. Pleasant, ficasse descontente com a chegada das RSCM a Seaforth. A superiora local da CND escreveu esta

carta ao bispo descrevendo a reação magnânima da superiora geral de Namur: "Ela diz que não gostaria de levantar qualquer obstáculo à entrada das irmãs [RSCM] ali [em Seaforth].

Sem dúvida é uma pena ter duas escolas secundárias tão próximas uma da outra, mas não gostaríamos de entravar qualquer boa obra que as irmãs possam desejar levar a cabo aí".

Carta da Irmã Mary de St. Philip a sua Eminência [o Bispo O'Reilly], 12 de julho de 1884, SHM Archives, NEP, Caixa 253.

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julho de 1884, tendo sido estipulado que as trinta mil libras seriam pagas em várias fases: dez mil libras nos primeiros dois anos, cinco mil nos cinco anos seguintes e o resto num espaço de quinze anos, à taxa de juro de quatro por cento3. Em breve, porém, os pagamentos dos juros tornaram-se preocupantes para a superiora geral, visto que a comunidade local de Seaforth parecia incapaz de suportar a sua parte nos custos, e que a Casa Mãe se estava a debater com as consequências financeiras da infestação por filoxera que tinha afetado as vinhas da França. Durante esse período, a superiora de Seaforth, Madre St. Eugène Granier, parecia indiferente e irresponsável frente aos apelos da superiora geral. Só depois do afastamento da Madre St.

Eugéne do seu cargo, em 1891, é que a situação financeira de Seaforth começou a melhorar, mas apenas gradualmente4.

A comunidade religiosa sediada em Seafield House, Seaforth, era numerosa. Segundo o recenseamento oficial de 1891, havia vinte e oito irmãs na comunidade religiosa e oito meninas, entre os nove e os dezessete anos de idade, inscritas como alunas internas. O recenseamento não apresenta um quadro adequado do trabalho apostólico das religiosas em Seafield House. Além das alunas internas, havia muitas alunas externas que estudavam na escola do convento.

Além disso, as RSCM continuavam a levar por diante o seu compromisso de ensinar as crianças da Paróquia de St. James, em Bootle, depois de se terem mudado para Seaforth.

Thomas Kelly, o pároco que tinha originalmente convidado as irmãs para Bootle, em 1872, morreu em 1887, tendo sido sucedido por Patrick L. Kelly. Sendo um sacerdote e educador muito capaz, o Deão Kelly apreciava a presença continuada das RSCM na escola Júnior (para meninas) e no infantário da

3 Madre St. Félix Maymard, Brief Histories, 18.

4 Connell, Uma Caminhada na Fé e no Tempo, Vol. 3,208-211.

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paróquia de St. James e na Escola Seleta para meninas e crianças pequenas de Bootle5. Tornou-se colaborador e amigo das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, interessando-se muito pela expansão do seu ministério como educadoras. Em 1887, incentivou as religiosas a criar um centro de formação para professoras/estudantes em Seafield House, onde as jovens poderiam ser preparadas para o curso oficial de dois anos na Escola de Formação para Professoras. As jovens ensinavam na escola de St. James, de manhã, e depois regressavam ao edifício chamado "Anexo de S. José: Centro de Formação de Professoras/estudantes", em Seafield House, onde as religiosas as preparavam para os exames que eventualmente lhes dariam entrada na Escola oficial de Formação para Professoras6.

Apesar do êxito apostólico em Seaforth, em abril de 1893 o conselho de administração da Casa Mãe estava a ponto de falhar no pagamento da hipoteca, e de perder Seafield House. O principal obstáculo para pagar a divida devida à compra de Seaforth era o fato de as duas propriedades vagas de Bootle ainda não terem sido vendidas. A 15 de abril de 1893, a Madre St. Félix pediu ao bispo de Liverpool para apoiar a venda das duas propriedades de Marsh Lane, mas, no início de maio, o conselho informou o bispo de que tinham tomado a dolorosa decisão de desistir de Seafield House. A decisão, como garantiram ao bispo, fora drástica, mas não irrevogável, e as irmãs esperavam sinceramente que nunca tivesse de ser levada a

5 Eventualmente, a Escola Júnior e os Infantários foram unidos, dando origem à Nova Escola Primária.

6 Ao examinar o Diário do Infantário de St. James de 1897-1924, encontrado na Escola Primária de St. James, Bootle, podemos encontrar alguns dos nomes das jovens professoras/estudantes que ensinavam de manhã em St. James. Em março e abril de 1897, estão registradas dez professoras/estudantes, às quais se juntaram mais duas jovens mulheres no ano seguinte. Uma dessas professoras/estudantes, Mary Devine, é mencionada várias vezes no Diário. O Diário comenta o fato de ela por vezes estar ausente visto estudar de manhã no convento de Seafield ou estar a assistir a um retiro no convento de Seafield. Em fevereiro de 1899, estava de regresso, após uma ausência de seis meses devido a falta de saúde. Parece ter regressado após as férias de verão de 7 de julho a 8 de agosto, mas, a 22 de agosto de 1899, encontramos esta triste noticia: "Mary Devine deixou hoje o ensino, devido ao agravamento da sua saúde".

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cabo. A Madre St. Félix explicou o dilema do conselho em carta dirigida ao bispo:

É certo que, se os agentes conseguissem encontrar um comprador para Bootle, nós nunca quereríamos ceder [a propriedade de] Seaforth, mas [sem o dinheiro da venda de Bootle], não conseguiremos continuar a pagar os juros, nem encontraremos os meios para fazer frente ao último pagamento devido para o ano que vem. Temos uma perspectiva assustadora à nossa frente — a inevitável expropriação da propriedade de Seaforth — mas, senhor Bispo, isso será um golpe terrível para o nosso Instituto. Que Deus nos preserve!

Como o conselho considerava a venda da antiga propriedade de Bootle, mesmo abaixo do seu valor, como a sua "única tábua de esperança", a Madre St. Félix terminou a sua carta com outra súplica, pedindo ao bispo que usasse a sua poderosa influência para "se verem livres de Bootle"7.

A 29 de novembro de 1893, o Deão Kelly enviou a boa notícia à Madre St. Alphonsus Keane, então superiora de Seaforth. A Direção da Escola de Bootle, da qual ele era membro, aceitara comprar o antigo convento de Bootle por seis mil e quinhentas libras para albergar uma Escola Industrial. Reconhecia que o prego original do edifício era mais elevado, mas acrescentou: "Tendo em conta o estado de negligência em que tanto o edifício como os muros do seu recinto se encontram atualmente, não hesito em afirmar que foi um bom preço, pois, dentro de um ou dois anos, estaria tudo tão dilapidado, que só conseguiriam obter o prego dos tijolos velhos"8. Dois anos mais tarde, o outro lote de terreno de Bootle foi finalmente vendido pelo preço de seis mil e duzentas libras. Na carta que anunciava a venda, Joseph Rimmer,

7 Carta da Madre St. Félix para o Bispo O'Reily, 15 de abril de 1893, SHM Archives, NEP, Caixa 253.

8 Carta de P. L. Kelly à Madre St. Alphonsus, 29 de novembro de 1893, SHM Archives, NEP, Caixa 253. Nesse dia, no ano de 1895, abriu a Escola Industrial de Marsh Lane, tendo sido eventualmente adaptada de modo a acomodar trezentos rapazes e raparigas. As RSCM não faziam parte do pessoal docente desta escola, mas seriam eventualmente convidadas a ensinar na Escola Industrial feminina, em Blackbrook.

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o representante da comunidade na venda, terminava a sua carta para a Madre de St. Félix dizendo: "Para a semana espero encerrar o negócio de Seafield [House] e aceitarei de bom grado as suas instruções relativamente ao dinheiro"9. O pesado fardo que tinha ameaçado a comunidade durante muitos anos tinha finalmente sido removido10.

Algumas das religiosas de Seaforth continuavam a educar as alunas internas e externas na escola do convento, em Seafield House; outras irmãs da comunidade saiam diariamente do convento para ensinar as crianças das paróquias de St. James, Santíssimo Sacramento, Estrela do Mar, St. Winefride, St. Elizabeth e St. Monica. Em breve seria pedido à comunidade de Seaforth para colaborar nas novas fundações das RSCM, em Barrow e Blackbrook.

Nova Fundação em Barrow

0 ano de 1897 foi um ano auspicioso na Inglaterra. A rainha Vitória celebrou o seu 60º jubileu e os seus súbditos, espalhados pelo mundo (embora não todos, certamente), celebraram o evento. O Diário da Escola St. James comentou o fato de que a escola esteve fechada desde 18 de junho até ao fim da semana seguinte para celebrar o jubileu.

A comunidade de Seafield House parecia feliz e as suas obras estavam florescentes. Um novo bispo, Thomas Whiteside, sucedera a Bernard O'Reilly como bispo de Liverpool, a 12 de julho de 1894, e parecia apoiar muito as Religiosas do Sagrado Coração de Maria. 0 Deão Kelly, pároco de Bootle, tratava com entusiástica solicitude a comunidade, e trabalhara com diligência para pagar a dívida de Seaforth. Na primavera de 1897, o

9 Carta de Joseph Rimmer A Madre St. Félix, 9 de agosto de 1895, SHM Archives, NEP, Box 253.

10 A venda das propriedades de Bootle e o consequente pagamento da divida de Seaforth também ajudaram certamente as comunidades inglesas/irlandesas a pagar a dívida da ex-superiora de Lisburn às pessoas de Lisburn, Belfast e Dublin. Ver Connell, Uma Caminhada na Fé e no Tempo, Vol. 3,93-94.

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Instituto foi convidado a abrir outra fundação na diocese de Liverpool, na localidade de Barrow.

Barrow estava situada na península Furness, que recebera o nome da Abadia de St. Mary of Furness, um mosteiro cisterciense do século XII que florescera até ter sido saqueado e deixado em ruínas durante o reinado de Henrique VIII, quando os mosteiros de Inglaterra foram confiscados e as suas terras vendidas. Embora os protestantes fossem a maioria em Barrow, tal como na maior parte da Inglaterra, o número de católicos aumentava continuamente à medida que a população geral também crescia. Em 1868, foi erigida a primeira igreja católica da cidade. Não admira, portanto, que tenha sido dedicada a St. Mary of Furness.

Em breve se sucederam novas escolas, com professores leigos e o pároco como diretor, proporcionando formação para rapazes, meninas e crianças pequenas. Em 1897, tornou-se óbvio que as escolas, sobretudo as escolas para meninas e crianças pequenas, precisavam de uma atenção imediata. Os inspetores de sua Majestade avisaram o Padre Edward Caffrey, pároco que geria as escolas católicas de Barrow, que a menos que mudassem o pessoal, não haveria mais subsídios do governo. 0 Padre Caffrey aconselhou-se com o seu amigo Deão Kelly, recomendando-lhe este vivamente que procurasse uma comunidade religiosa capaz de ensinar as crianças11.

Há provas evidentes que sugerem que o Padre Caffrey tentara trazer as Irmãs da Misericórdia para a paróquia quase dez anos antes, esperando que elas ensinassem na escola e visitassem as pessoas necessitadas da paróquia. Em carta datada de 22 de setembro de 1888, a Irmã M. Paul, superiora do

11 Há um manuscrito de dezesseis páginas redigido pela Madre St. Trinity Rafter, RSCM, membro da comunidade fundadora de Barrow e primeira diretora da escola. Intitula-se este The Convent Barrow-in-Furness (29 de outubro de 1897). Descreve a história inicial da paróquia, a chegada da comunidade das RSCM e o seu êxito em Barrow. Ver também Madre Ursula Gough, RSCM, Convent of the Sacred Heart of Mary, Crosslands, Barrow-in-Furness, Lancashire (escrito não publicado, parcialmente manuscrito, parcialmente datilografado), SHM Archives, NEP, Box 254.

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convento da Misericórdia, em Mount Vernon, Liverpool, escrevera que as Irmãs da Misericórdia aceitavam iniciar uma missão em Barrow, mas só nas seguintes condições especificas: não teriam de pagar renda da casa e deveriam poder fazer as alterações necessárias na mesma; o ordenado das professoras de cada escola seria de cinquenta e cinco libras e as assistentes receberiam quarenta libras; a Missa e a confissão ficariam a cargo da igreja paroquial. Acrescentava ainda que as irmãs não estariam disponíveis por um ano, ou seja, até setembro de 1889.

Uma semana mais depois, Bernard O'Reilly, então bispo de Liverpool, fora consultado sobre o assunto, tendo escrito ao pároco incentivando-o a não concordar com as condições: uma casa sem renda e ordenados elevados eram exigências excessivas. O pároco tinha as suas próprias reservas. Escreveu por sua vez à superiora, explicando que esperava que as irmãs comprassem a casa. A 14 de outubro de 1888 a superiora da Misericórdia manifestou o desapontamento da sua comunidade com os termos impostos e desfez o acordo12.

0 Padre Caffrey13 escreveu a outra congregação, mas em breve recebeu a recusa da superiora, Irmã Mary Frances Gibson. Esta consultara a sua superiora geral e ambas tinham concordado que seria impossível aceitar a oferta naquele momento, tendo outras necessidades de pessoal no Canadá, na Escócia, etc. Concluiu, portanto: "...Como Deus não nos dá os meios, podemos supor que Ele não quer que vamos, pelo menos no momento presente. O futuro está nas suas mãos"14. No seu relato inicial da fundação de Barrow, a Madre St. Trinity Rafter, RSCM, sugere que, em 1897, o Padre Caffrey, que ainda queria irmãs tanto para ensinar nas escolas como para visitar os paroquianos, voltou a pedir às Irmãs da Misericórdia e, mais tarde, a outra congregação, que viesse para Barrow. Segundo esse relato, quando ele insistiu pedindo duas religiosas

12 Para esta coleg5o de cartas, ver SHM Archives, NEP, Box 254.

13 Nesta correspondência, o pároco de Barrow é erradamente referido como Padre McCaffrey.

14 Irmã Mary Frances Gibson ao Padre Mc Caffrey [sic], 2 de novembro de 1888, SHM Archives, NEP, Box 254.

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credenciadas, nem as Irmãs da Misericórdia nem as da outra congregação puderam enviá-las, vendo-se forçadas a declinar o convite15.

O Deão Kelly começou a escrever à Madre St. Félix, para Béziers, instando com ela para que considerasse a hipótese de uma nova fundação em Barrow. A Madre St. Alphonsus Keane, superiora da comunidade de Seaforth, colaborou com ele, manifestando o seu próprio entusiasmo com a oferta. Reencaminhou para Béziers um mapa de St. Mary enviado pelo pároco, mostrando as posições relativas das futuras escolas do convento a St. Mary. Mais importante ainda, transmitiu as condições agora oferecidas pelo Padre Caffrey, que incluíam uma casa espaçosa, isenta de renda e mobilada pela paróquia, com um jardim de um tamanho razoável, bem murado, para haver privacidade durante os recreios, e próximo da igreja. As irmãs ensinariam as jovens e as crianças (cerca de seiscentas crianças) e receberiam os ordenados pedidos. Além de servirem em St. Mary, declarava ele, a paróquia consideraria uma bênção se as irmãs abrissem uma pequena escola particular, uma Escola Seleta, na paróquia. Se esse projeto de escola fosse levado a cabo, as receitas reverteriam em favor da comunidade. O Padre Caffrey acrescentou então: "Aqui há uma grande abertura para uma comunidade zelosa, visto que os protestantes não são intolerantes e estariam dispostos a escutar as irmãs. Devo acrescentar que o bispo está de alma e coração com esta obra e me dá todo o seu apoio. Finalmente, creio que as irmãs encontrariam muitas futuras professoras entre as jovens daqui e, sem dúvida, também algumas vocações para a Ordem"16.

A 8 de março, a Madre St. Alphonsus escreveu uma carta à Madre St.

Félix pedindo-lhe para dar uma resposta positiva ao convite antes do Padre Caffrey ser forçado a procurar noutro lugar. Comentou que seria uma grande oportunidade poder abrir outra fundação na diocese de Liverpool. O Deão Kelly

15 Madre St. Trinity Rafter, RSHM, The Convent Barrow-in-Furness.

16 E. Caffrey ao Dek Kelly para as RSCM, 5 de março de 1897, SHM Archives, NEP, Box 254.

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recomendara fortemente a comunidade e andava a tentar facilitar o caminho para nós. A Madre St. Alphonsus relatou que, em privado, o Deão Kelly encorajara a comunidade a mudar-se sem demora, porque a saúde do Padre Caffrey deixava muito a desejar, e se ele morresse antes das RSCM responderem, outro reitor poderia convidar uma congregação diferente para trabalhar na escola. A Madre St.

Alphonsus acrescentou ainda que a saúde do Deão Kelly também não era famosa e que seria uma perda terrível se alguma coisa lhe viesse a acontecer. Terminou a sua carta instando com a superiora geral para que rezasse, pedindo que Deus a iluminasse e que depois fizesse o resto: "Rezaremos por esta intenção visto que diz respeito à glória de Deus, à salvação das almas e ao bem do Instituto. O nosso Venerável Fundador certamente diria que sim... Finalmente, querida Reverenda Madre, invoquemos o Espírito Santo e, assim, terá a certeza de que está a ser sabiamente orientada"17.

Em menos de uma semana, a Madre St. Félix escreveu ao Deão Kelly, que servia de intermediário, garantindo-lhe que o conselho, como era seu costume, rezara e refletira profundamente sobre o convite feito para Barrow. 0 resultado dessa oração e reflexão foi ver, sem dúvida, a vontade de Deus que instava com a comunidade para que partisse de todo o coração e que realizasse o máximo de bem possível com a graça de Deus e sob a direção do pároco. Em seguida, repetiu o seu acordo com os termos apresentados e declarou: "Nous acceptons donc de plein gré"18.

O Deão Kelly escreveu imediatamente ao Bispo Whiteside explicando que ele e o Padre Caffrey se tinham correspondido durante meses sobre a necessidade de convidar uma congregação para servir nas escolas de St. Mary. Mal foram estabelecidos os termos, o Deão Kelly explicou que enviara a carta do Padre Caffrey para Béziers, para a Madre Geral da

17 Madre St. Alphonsus à Madre St. Félix, 8 de março de 1897, SHM Archives, NEP, Box 254.

18 Madre St. Félix ao Padre L. Kelly, 15 de março de 1897, SHM Archives, NEP, Box 254.

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comunidade de Seaforth, e que, mal recebera a sua entusiástica anuência, se apressara a informar o bispo, para o caso de o Padre Caffrey ainda não o ter notificado19. Há quase trinta anos que fora construída a primeira igreja católica em Barrow. Agora, em breve, chegaria a sua primeira congregação de religiosas.

Entretanto, era necessário que o presidente da câmara e o conselho municipal autorizassem a vinda das religiosas e que fosse posta à sua disposição uma "casa espaçosa". Segundo o relato da Madre St. Trinity relativamente às fases iniciais da fundação, "só depois de discussões muito acesas" é que o conselho municipal concordou. A casa, por outro lado, já fora comprada por John Peter Smith, por ocasião da conversão da sua mulher ao catolicismo. Essa casa encantadora fora oferecida ao bispo e eventualmente mobilada pela paróquia como convento para a comunidade de religiosas que em breve chegaria a Barrow. Quanto ao bispo, "A sanção de Sua Eminência.., foi cordialmente concedida, acompanhada da sua bênção"20.

Em finais de agosto, o pároco marcara a data de abertura da fundação:

novembro. Escrevendo em inglês em nome da superiora geral, a Madre St. Charles explicou ao Padre Caffrey que seis religiosas da Comunidade de Seaforth seriam enviadas para a fundação de Barrow;

estas seriam substituidas por outras religiosas enviadas de Béziers no inicio de setembro. A Madre St. Charles prosseguiu: "Foi o nosso bom amigo, o nosso querido e excelente padre Kelly, que escolheu aquelas que devem ir [para Barrow], e estou certa que ficareis satisfeito com elas". Em seguida, como de costume, a Madre St. Charles confiou a pequena comunidade aos cuidados do sacerdote e, ao mesmo tempo, chamou-o a ingressar na família das RSCM. Agradeceu-

19 Deão Kelly ao Bispo Whiteside, 15 de março de 1897, SHM Archives, NEP, Box 254. Ao que parece, o Padre Caffrey tinha-se esquecido de enviar o "Acordo" corn as religiosas ao bispo até 7 de agosto de 1897.

20 A Madre St. Trinity Rafter, RSCM, The Convent Barrow-in-Furness, 5-6. 0 autor sugere que, em junho de 1897, o Padre Caffrey julgava "ter falhado sob todos os aspetos em conseguir irmãs qualificadas", e que só em junho de 1897 é que a Madre St. Félix, então de visita a Seaforth, foi abordada acerca da nova fundação de Barrow. A correspondência de março de 1897, citada acima, sugere uma interpretação diferente.

No documento UMA CAMINHADA NA FÉ E NO TEMPO (páginas 133-157)

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