3. Curadoria de informação & sinalização digital
3.2. Sinalização digital
3.2.3. Design de usabilidade
De acordo com Royo (2008) é a disciplina que se ocupa do de-sign da área de comunicação entre o homem e a máquina, sendo sua função ordenar e hierarquizar a informação; atentar para a consistência da estrutura de navegação e seus níveis; garantir a clareza dos recursos gráficos e audiovisuais usados; e integrar todos os elementos, considerando ainda a acessibi-lidade ao sistema. Van Amstel (2009) simplifica ao dizer que usabilidade é o mesmo que facilidade de uso. Se um produto é fácil de usar, o usuário tem maior produtividade: aprende mais rápido a usar, memoriza as operações e comete menos erros. Corroborando essa abordagem, Rogers, Sharp & Preece (2013) dizem que a usabilidade é geralmente considerada co-mo fator que assegura que os produtos são fáceis de usar, efi-cientes e agradáveis – da perspectiva do usuário.
Como já exposto, é comum encontrar heurísticas de usabilida-de no projeto e na avaliação usabilida-de interfaces gráficas. Dentre as várias disponíveis podem-se citar alguns dos autores mais co-nhecidos na área e uma síntese de suas regras para a melhoria da experiência do usuário. Mandel (1997), por exemplo, propõe o uso das regras de ouro do design de interface, sendo elas:
• Mantenha o usuário no controle;
• Reduza a carga de memória do usuário;
• Faça a interface consistente.
Para Bastien & Scapin apud Tep (2015) oito são os critérios para obter uma interface ergonômica: a condução, a carga de tra-balho, o controle explícito, a adaptabilidade, a gestão de erros, a homogeneidade/coerência, o significado dos códigos e de-nominações e, por último, a compatibilidade.
Van Amstel (2007), ao traduzir as 10 heurísticas de Nielsen (vi-de anexo I) apresenta em linhas gerais o que seriam boas prá-ticas para o projeto de interfaces mais usáveis.
1. Feedback: informar continuamente ao usuário sobre o que ele está fazendo;
2. Falar a linguagem do usuário: usas repertório de acordo;
3. Saídas claramente demarcadas: poder de abortar ou
des-fazer uma operação;
4. Consistência: um mesmo comando ou ação deve ter
sem-pre o mesmo efeito;
5. Prevenir erros: evitar que ocorram e modificar a interface quando preciso;
6. Minimizar a sobrecarga de memória do usuário; 7. Atalhos: para usuários experientes;
8. Diálogos simples e naturais: apresentar a informação que o usuário precisa;
9. Boas mensagens de erro: devem ajudar a entender e re-solver o problema;
10. Ajuda e documentação: se necessária deve estar facilmen-te acessível on-line.
Essas diretrizes objetivam garantir um grau satisfatório de usa-bilidade de uma interface ou sistema interativo. De acordo com Rogers, Sharp & Preece (2013) há as metas de usabilidade e as decorrentes da experiência do usuário. As metas de usabilida-de propostas pelas autoras são: ser eficaz no uso (eficácia); ser eficiente no uso (eficiência); ser segura no uso (segurança); ser de boa utilidade (utilidade); ser fácil de aprender (learnability); e, ser fácil de lembrar como se usa (memorability). Dessa forma o design de usabilidade deve contribuir para que o usuário tenha maior assertividade ao interagir com a interface.
Indo ao encontro dessas metas, Nielsen & Tahir (2002) pro-põem uma série de diretrizes para avaliação das homepages, servindo para a qualificação da usabilidade desde portais de notícias até websites corporativos. Tal preocupação se deve ao fato que a homepage é a página mais importante de um websi-te, pois além de ser visualizada mais do que qualquer outra é ela que irá orientar o design das outras páginas e por conse-quência a navegação do usuário em busca do que deseja. Há várias analogias feita pelos autores quanto a sua função: capa de revista; sua face para o mundo; trabalho de arte;
recepcio-nista da empresa; sumário de livro; primeira página de jornal; folheto e, destaca-se que ela também pode ser como:
Saguão de um prédio – Um saguão não é um destino em si mesmo; você apenas o cruza ele. De modo idêntico, a homepage é um ponto de entrada que canaliza o tráfego para direções distintas. Por isso, toda home-page necessita de sinalização eficiente, co-mo as placas em um corredor de hospital para as diversas alas e departamentos. As placas de sinalização de um hospital atribu-em a devida prioridade aos destinos de ur-gência, como a sala de emergência ou de trabalhos de parto; desse modo, seu Websi-te também deve dar prioridade aos destinos dos usuários. (NIELSEN & TAHIR, 2002: 6) As diretrizes propostas pelos autores estão divididas em 25 cate-gorias: informando o objetivo do site; sobre sua empresa; criação do conteúdo; revelando o conteúdo por meio de exemplos; ar-quivos e acesso ao conteúdo anterior; links; navegação; pesquisa; ferramentas e atalhos para tarefas; gráficos e animação; design gráfico; componentes da interface com o usuário; títulos da jane-la; URLs; notícias e comunicados à imprensa; janelas pop-up e páginas intermediárias; publicidade; boas-vindas; comunicando problemas técnicos e tratando de emergências; créditos; perso-nalização; obtendo dados do cliente; favorecendo uma comuni-dade; datas e horas; e, cotações de ações e exibição de números. Essas categorias somam 113 itens (vide anexo J) que podem ser avaliados através uma pontuação simplificada, conforme segue:
• Itens previstos: 1 ponto
• Itens parcialmente previstos: ½ ponto
• Não-previstos: 0 ponto
• Não se aplicam na análise: não é contabilizado
A partir dessa avaliação, divide-se a contagem final pelo número de diretrizes realmente pertinentes e, assim, pode-se extrair a
• Se você ficar acima de 80%, considere-se em boa forma, embora considere-seja conveni-ente fazer alguns pequenos ajustes nas áreas em que você violou as diretrizes. • Se você ficou entre 50% e 80%, comece
a reestruturar o projeto para gerar uma nova homepage. Sua homepage atual não é definitivamente um desastre, mas é suficientemente ruim para que as mo-dificações isoladas em áreas individuais não bastem para solucionar o problema. • Se você ficou abaixo de 50%, provavel-mente não está atendendo bem a seus clientes com a atual abordagem de seu Web design. Muito provavelmente, você deve abandonar o site atual inteiro e começar tudo de novo. Repense sua es-tratégia na Internet e baseie sua nova abordagem em estudos feitos com seus clientes e nas respectivas necessidades. Podem existir motivos pelos quais algumas diretrizes de usabilidade não são aplicáveis e podem ser violadas. Provavelmente o Website perfeito seguirá cerca de 90% a 95% das diretrizes de usabilidade aplicáveis ao site específico e fará algo diferente, mas adequado, nos casos restantes. Entretanto, é importante conhecer as diretrizes antes de violá-las. (NIELSEN & TAHIR, 2002: 15 e 16) Fez-se uso desse método, pois não é tão resumido como as dez heurísticas de Nielsen (vide anexo I), nem tão extenso quan-to as 204 questões dos 18 check-lists do ErgoList14 do LabIUtil da UFSC – voltado para avaliação das mais diversas interfaces, de aplicativos a websites. Além disso, a avaliação heurística de Nielsen e Tahir é voltada especificamente para ambientes web. Complementarmente Nielsen e Tahir (2002) ainda fazem re-comendações para o design da página, argumentando que uma das principais descobertas dos estudos de usabilidade é
14 ErgoList: website com módulos de inspeção da ergonomia de interfaces
que os sites funcionam melhor quando seguem as conven-ções que os usuários conhecem de outros sites, como mostra a Tabela 3. Tais recomendações são divididas em:
• Fundamentais: que devem ser seguidas por praticamente
todos os projetos, exceto para circunstâncias específicas; • Fortes: seguidas na maior parte dos projeto, a não ser
que se identifique necessidades diferentes;
• Padrões: predefinições seguras a serem seguidas,
des-de que não haja nada melhor.
Tabela 3: Recomendações e padrões para o design da página web
Aspecto Design recomendado
Recomendações fundamentais
Tempo de download Baixo
Quadros Nenhum
Posição do logotipo Canto superior esquerdo
Pesquisa Presente e em formato de caixa
Posição do recurso de pesquisa Parte superior no canto direito ou esquerdo
Corda caixa de pesquisa Branca
Página de abertura Nenhuma
Sobre o Programa Sempre presente
Política de privacidade Presente e clara no caso de coleta de dados do
usuário Reprodução automática de música Nenhuma
Tamanho fixo do texto Não. Deve permitir aumento e diminuição do texto.
Cores diferentes de links visitados
e não visitados Sim, com links não visitados em cores mais sa-turadas.
Recomendações fortes
Largura da página Otimizada para o uso mais frequente
Layout fluido versus fixo Fluído e responsivo
Comprimento da página Até duas telas inteiras, não ultrapassando três
telas (entre 1.500 e 2.400 pixels)
Botão de pesquisa Atribuir o nome “pesquisar” no botão
Largura da caixa de pesquisa De 25 a 30 caracteres no mínimo
Tipo de pesquisa Simples, com opção avançada em outra página
Navegação Usar um tipo entre os mais populares
Link do mapa do site Se existir e for necessário
Página de direcionamento Nenhuma
Informações de contato Presente e identificado como “Fale conosco”
Nome do link para privacidade Atribuir o nome “Política de privacidade”
Vagas de emprego Inclua um link explícito se houver
Posição do recurso da ajuda Canto superior direito
Animação Nenhuma
Gráficos e ilustrações Entre 5 e 15% da área da homepage
Publicidade No máximo três anúncios
Cor do texto Preto
Cor plano de fundo Branco
Cor de links não visitados Azul
Sublinhado de link Sim, exceto em barras de navegação
Recomendações padrões
Links de navegação de rodapé Máximo de 7 links no inferior do site em uma linha
Sign-in Ao fornecer conteúdo protegido inclua a
pala-vra “Conta” no nome desse recurso
Ajuda Não oferecer, a não ser que a complexidade exija.
Tamanho do texto 12 pontos
Fonte do texto Sem serifa
Cor de links visitados Púrpura
Fonte: Nielsen e Tahir (2002), adaptado pelo autor
Esse sistema tanto pode ser utilizado para a avaliação de uma in-terface gráfica antes do seu redesign, como uma maneira de vali-dar se o resultado final está melhor e quais itens ainda necessi-tam ajustes. Outro aspecto é que, se a homepage estiver "bem resolvida", cumprindo sua função e bem sinalizada, é mais prová-vel que as demais páginas do website acompanhem esse rigor.