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DESIGN MODERNO: CONTEXTO HISTÓRICO

4. DESIGN E DESENHO INDUSTRIAL: CONCEITOS E DIFERENÇAS

Denis (2000), entre ou tros historiad ores d o d esign, afirm a qu e a origem d a p alavra está na língu a inglesa, na qu al o su bstantivo design se refere tanto à id eia d e p lano, d esígnio, intenção, qu anto à d e configu ração, arranjo, e estru tu ra. A origem m ais rem ota está no latim designare, verbo qu e abrange os sentid os d e d esignar e d e desenhar. Percebe-se que etimologicamente o termo é ambíguo, cria um conflito entre o aspecto de conceber, projetar, atribuir e outro de registrar, configurar, formar.

Desenho, p or su a vez, é u m a rep resentação figu rativa. O significad o d a p alavra p ortu gu esa d esenho, é a rep resentação d e form as sobre u m a su p erfície, p or meio de linhas, pontos e manchas, com objetivo lúdico, artístico, científico ou técnico6. (FERREIRA, 1999).

O sentid o d e design lem bra o m esm o qu e, em p ortu gu ês, tem desígnio: projeto, p lano p rop ósito. Porém , neste contexto, a p alavra desígnio d enota u m a intenção, ao m esm o tem p o em qu e design faz u m a ap roxim ação m aior com a noção d e u m a configu ração p alp ável, ou seja, p rojeto, exp lica Villas-Boas (2000). Assim , su rge u m a clara diferença entre design e desenho.

O termo design foi mencionado pela primeira vez em 1588 e descrito como um p lano d esenvolvid o p elo hom em ou u m esqu em a qu e p ossa ser realizad o; o p rim eiro p rojeto gráfico d e u m a obra d e arte ou ; u m objeto d as artes ap licad as ou qu e seja ú til p ara a constru ção d e ou tras obras. O term o Design Ind u strial é atribu íd o a Mart Stam qu e o u tilizou p ela p rim eira vez em 1948. Stam entend ia p or p rojetista ind u strial

aqu ele qu e se d ed icasse, em qu alqu er cam p o, na ind ú stria esp ecialm ente, à configuração de novos materiais. (BÜRDEK, 2006).

Para Dorfles (1991), o d esigner não d eve ser consid erad o ap enas com o u m d esenhista, ou u m ind ivíd u o d otad o d e talento p ara o d esenho. Devem os consid erar o d esigner com o o p rojetista d o objeto qu e há d e ser p rod u zid o ind u strialm ente e tam bém com o u m p lanejad or d esse p rocesso. Com p ete ao d esigner conceber o objeto de modo que este seja imediatamente compreensível e inteligível para o consumidor.

De acord o com Mu nari (1982), d esigner é u m p rojetista d otad o d e sentid o estético. O nome de designer, ou antes, de Industrial Designer, teve origem na América e d ificilm ente é trad u zível. Em italiano, p or exem p lo, d iz-se disegnatore industriale, mas não é a mesma coisa.

Anteriorm ente raciocinava-se em term os d e arte p u ra e arte ap licad a, m as esta d istinção entre arte m aior e m enor d esap areceu . O qu e d iferencia o d esigner gráfico d e u m p intor é o fato d e conhecer tod o o p rocesso, d esd e o d esenvolvim ento d e seu projeto até sua finalização industrial. (MUNARI, 1982).

O d esigner resolve as necessid ad es hu m anas d as p essoas d o seu tem p o, as aju d a a d esenvolver d eterm inad os p roblem as nu m a total ind ep end ência d e qu alqu er p reconceito estilístico e d e u m a falsa d ignid ad e artística resu ltante d as d ivisões entre as artes. Se a form a d e u m objeto resu ltar bela, isso será m érito d a estru tu ração lógica e da exatidão na solução de suas componentes.

Para Mald onad o (1991) a tarefa d o d esign ind u strial continu a send o a m ed iação entre as necessid ad es e objetos, entre p rod u ção e consu m o. O d esign p od e ser entend id o com o u m a ativid ad e cu jo objetivo é estabelecer qu alid ad es a objetos, qu e os tornem coesos com o u su ário, com os esp aços, com o m eio-am biente, visand o m elhorias p ara a socied ad e. O d esign p erm eia p or d iversos cam p os, gerand o controvérsia a resp eito d e qu e tip os d e ativid ad es p od eriam ser consid erad os com o d esign, u m a vez qu e este está intim am ente ligad o a d iversos tip os d e ativid ad e produtiva.

Para Löbach (2000), d esign ind u strial é o p rocesso d e ad ap tação d os p rod u tos d e u so, fabricad os ind u strialm ente, às necessid ad es físicas e p síqu icas d os u su ários ou grupos de usuários.

Bonsiepe (1978) afirma que o desenho industrial é uma atividade inovadora no âm bito d aqu elas d iscip linas p rojetu ais qu e constitu em o vasto cam p o d e p rojeto am biental. Esta d iscip lina p rojetu al se faz exp lícita no p rocesso d e increm ento d o valor d e u so, e tam bém no sentid o d as características estéticas e sim bólicas. O objetivo p rim ord ial d esta d iscip lina é d eterm inar as p rop ried ad es form ais d os p rod u tos, isto é, as características estético-sim bólicas. O d esenho ind u strial contribu i para a assimilação dos artefatos no ambiente humano cotidiano.

O p rocesso d e d esenvolvim ento d e u m p rod u to cerceia não ap enas o cam p o d o d esign, m as tam bém ou tros, com o p or exem p lo, a engenharia, a econom ia e a m ercad ologia. N este sentid o, o d esign trad u z as contribu ições d as ou tras áreas em u m p rod u to concreto (BERGMILLER, 1976). O d esenvolvim ento d e u m p rod u to é resu ltad o d e u m conju nto d e d iscip linas qu e intervêm no p rocesso d e p lanejar, projetar e introduzir esse produto na sociedade.

N iem eyer (2000) d efine Desenho Ind u strial com o ativid ad e científica d e p rojetar, integrand o várias áreas d e conhecim ento, estabelecend o relações m ú ltip las p ara a solu ção d e p roblem as d e p rod u ção d e objetos qu e tem p or objetivo atend er às necessid ad es d o hom em e d a com u nid ad e. Design é a equ ação d e fatores sociais, antrop ológicos, ecológicos, ergonôm icos, tecnológicos e econôm icos, na concep ção d e elementos necessários à vida, ao bem-estar e à cultura do homem.

Acerca d isso, Monat et. al (2008) argu m enta qu e o d esign é u m aglom erad o d e tóp icos ad vind os d a arte, engenharia, ou ciências cognitivas, qu e p od e ser cap az de interpretar os resultados científicos de outras áreas e traduzi-los em objetos de uso.

Qu anto às esferas d a p rod u ção ind u strial em qu e o d esigner p od e atu ar, Mu nari (1998) realiza u m levantam ento d os p rincip ais, os qu ais batiza d e setores em qu e se encontram os “p roblem as d e sign”. São eles: m obiliário, vestu ário, cam p ism o, instrumentos d e m ed id a, jogos e brinqu ed os, m u seu s e exp osições, jard ins, p eças m ecânicas, p aginação, cinem a e televisão, im p ressão, tap eçaria, grafism o na arquitetura, embalagens, iluminação e atividade editorial.

De acord o com Denis (2005), a esp ecificid ad e p rofissional d o d esigner tend e a se im aterializar, e é p reciso qu e se com p reend a cad a vez m elhor o p rocesso d e comunicação entre usuário e produto.

Faggiani (2006) afirm a qu e o d esign é hoje u m a com p etência essencial, qu e com p reend e m u d anças necessárias p ara a sobrevivência d as em p resas, e d eve ser visto como parte integrante do desenvolvimento de um produto.

Percebe-se, p ortanto, qu e existem vários conceitos d e d esign ou d esenho ind u strial, e qu e cad a au tor tem u m a d efinição p róp ria p ara estes term os. Bü rd ek (2006) acrescenta qu e a d iversid ad e d e d efinições e d e d escrições não se valid a p or uma vontade dos pós-modernos, mas sim por um necessário e justificável pluralismo.

No âmbito desta problemática, Denis (2005) defende um maior enfoque teórico p or p arte d os cu rsos d e Design no Brasil, argu m entand o qu e a falta d e em basam ento é extrem am ente p reju d icial à evolu ção d o cam p o em u m m u nd o cad a vez m ais norteado por rápidas e sutis transformações de ordem conceitual.