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Conceitos e Contextos

1.5. Design e o campo profissional

Durante as décadas de 9 0 e 9 0, diversos foram os acontecimentos nacionais em torno das atividades que envolviam o desenho industrial e a comunicação visual, cuja importância pode ser notada pelo surgimento de várias instituições e associações e pela realização de eventos em âmbito nacional e internacional.

Diante da ampliação das atividades do design e na busca de sua consolidação, em 9 surge a Associação Brasileira de Desenho )ndustrial - ABD), primeira associação profissional de design do Brasil que se manteve única até 9 9.

A ABD) funcionou como um importante núcleo de discussão do campo por possibilitar a reunião de agentes pioneiros do desenho industrial/ design brasileiro. Estes personagens, sob o intuito de promover a divulgação e conscientização sobre o design junto a governos e empresários 0, realizaram uma série de encontros e eventos com assuntos que permeavam todos os campos da disciplina, do profissional a acadêmico.

Em coerência com o momento econômico e político brasileiro, alguns profissionais que desenvolviam atividades projetuais neste campo viram um cenário favorável para firmar a área em que atuavam. Muitos destes eram docentes de áreas correlatas e naquele momento investiam nas primeiras propostas de ensino de design no Brasil. Um exemplo disto foi a inserção das disciplinas de desenho industrial e comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, em São Paulo, e outro foi a criação da Escola Superior de Desenho )ndustrial , no Rio de Janeiro. Estes profissionais e outros de fora da academia, entenderam aquele momento brasileiro como uma ocasião oportuna, e eles se juntaram para formar a ABD). Dentro deste grupo, participaram dos cargos iniciais: Lúcio Grinover, João Carlos Cauduro, Abraão Sanovicz, João Rodolfo

9 Cf. Braga 00 .

0 BRAGA, Marcos da Costa . ABD): (istória Concisa da Primeira Associação Profissional de Design do Brasil. Revista D.: design, educação, sociedade e sustentabilidade, v. . Porto Alegre: UniRitter, 00 . p. - .

O Ens ino P auli stano d o D es ign Co nt ext os e C onc ei to s 21 Stroeter, Alexandre Wollner e Carl (einz Bergmiller. Este era um grupo

heterogêneo quanto à natureza de suas atividades, tanto que havia profissionais das artes aplicadas, como gráficos, e empresários. Além dos nomes citados, integravam o grupo: Décio Pignatari, Willys de Castro, Fernando Lemos e Leib Seincman, dono da indústria de móveis Probjeto

antiga Ambiente .

Lúcio Grinover, eleito o primeiro presidente da Associação, a geriu entre 9 e 9 e teve como principais metas a divulgação e o reco- nhecimento do campo. Como ações de conscientização, a ABD) agenciou palestras, publicações e eventos a fim de reunir os profissionais e poten- ciais promovedores da área, bem como criar condições adequadas para o exercício da profissão. Com este propósito, o primeiro evento promulgado pela ABD) foi promovido pela Federação das )ndústrias do Estado de São Paulo - F)ESP, um ciclo de palestras realizado no Fórum Roberto Simonsen, que contou com a participação de alguns dos associados da ABD) e gerou patrocínio para a primeira publicação da associação - o livro Desenho Industrial: aspectos sociais, históricos, culturais e econômicos , editado em 9 4 pela F)ESP.

As atividades culturais relacionadas ao design ganham fôlego a partir desta época, e - juntamente com a conquista de novas parcerias - os acontecimentos relacionados ao campo adquirem importância na programação dos eventos, principalmente na cidade de São Paulo, onde grande parte dos representantes da ABD) desenvolvia suas atividades profissionais.

Estas parcerias renderam à ABD) a possibilidade de coligar diferentes setores da sociedade envolvidos com as questões do design. Membros da associação compunham o júri de premiações dedicadas ao proje- to de produtos, como o Prêmio Lúcio Meira carrocerias de auto- móveis e Roberto Simonsen utilidades domésticas . Além da participação da ABD) em eventos, seu contato com os empresários lhe permitiu promover palestras em escolas e empresas públicas e privadas, integrando os agentes dos diferentes cenários de atuação do design. Outro destaque da união entre Associação e empresariado foi o lançamento de publicações que contribuíram para divulgação das atividades relacionadas ao campo, como a revista Produto e Linguagem, nos anos de 9 e 9 .

A presença dos membros da ABD) não se restringiu apenas aos eventos nacionais. Em 9 , Décio Pignatari e o arquiteto Lívio Edmundo Levi representaram o Brasil em um dos mais importantes eventos de desenho industrial mundial, o International Council of Societies

of Industrial Design - )CS)D, em 9 . Este encontro permitiu-lhes

Esta publicação trazia os textos das conferências proferidas por membros associados da ABD). Abrangiam definições sobre a profissão de desenhista industrial, sua história no Brasil e no mundo e os diversos aspectos técnicos e sociais que o envolviam BRAGA,

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estabelecer contatos e recolher informações que contribuíram significativamente para novas visões brasileiras no campo do design. Enquanto a década de 9 0 é caracterizada no campo do desenho industrial pelo surgimento das primeiras instituições, os anos 9 0 são marcados pela busca de regulamentação da profissão e pela ampliação e diversificação na ABD) dos seus membros, com maior participação de empresários e estudantes em meados desta década, e, ainda, a variedade das ideias. Alguns de seus representantes pertenciam ao campo das artes e cultura e foram atingidos pelas barreiras impostas pelo governo. A gestão de Fernando Lemos, de 9 a 9 0, contou com um número pequeno de associados. Já a de Alexandre Wollner, de 9 0 a 9 4, teve como política formar um contingente com o maior número de formados em design.

Durante estes anos, continuaram as parcerias com outras instituições, como as premiações no Salão do Automóvel Prêmio Lúcio Meira , além do surgimento de outros eventos, por exemplo a Eucat Expo, ambas em 9 . Sobre esta última: uma grande exposição foi organizada por Wollner em São Paulo. Tratava-se da mostra de trabalhos de desenho industrial realizada junto à empresa Eucat Expo, que obteve cobertura de mídias jornalísticas impressas e televisivas [...] , assim descrito por Braga 00 , p. .

O chamado milagre econômico trouxe à tona o design como sinônimo de aspectos formais estéticos dos produtos. Dentro de um cenário de cópia de produtos importados e a falta de investimentos na indústria local, o governo brasileiro atuou de maneira pontual em algumas frentes deste campo, mas não a contento para as necessidades da profissão. A partir de 9 4, sob a direção de Sérgio Penna Kehl, profissional dire- tamente ligado ao setor industrial, estabeleceu-se na ABD) um Conselho Consultivo para permitir maior aproximação entre os associados e o grupo de empresários do campo do desenho industrial. Desta relação, nos anos seguintes apareceram novos concursos, conferências em locais voltados a diferentes fins, das quais podemos destacar dois acontecimentos: o Ciclo de Debates sobre desenho industrial, em

9 , e o Simpósio ’ . O primeiro, realizado na Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, teve a participação de estudantes, docentes, profissionais, empresariado e representantes do governo paulista. O segundo, instalado no (ilton (otel em São Paulo, possibilitou a diversidade das atividades pela capacidade de reunir grande número de pessoas, mais de 00, de diferentes Estados.

Neste período, começaram a surgir diferentes pensamentos quanto aos rumos que deveriam ser adotados para a regulamentação da profissão. Além de São Paulo, a diretoria passa a ter uma participação maior de representantes do Rio de Janeiro. As divergências quanto aos interesses de cariocas e paulistas fizeram com que, em 9 , os primeiros fun-

O Ens ino P auli stano d o D es ign Co nt ext os e C onc ei to s 23 dassem a Associação Profissional dos Desenhistas )ndustriais do Rio

de Janeiro - APD)NS-RJ . A principal diferença nas ideologias era que, para os cariocas, dever-se-ia formar uma entidade pré-sindical para conseguir a regulamentação da profissão, enquanto os paulistas apostavam na elaboração de um projeto de regulamentação para o Congresso Nacional como meio mais rápido de obtê-la.

A gestão de Sérgio Akamatú, de 9 a 9 0, iniciada no meio desta desarticulação, teve como meta concluir, na medida do possível, os procedimentos das gestões anteriores e enviar os documentos referentes às condições profissionais do desenhista industrial para o Governo. Outro importante acontecimento deste período foi a realização do º Encontro Nacional de Desenho )ndustrial - END), em 9 9. A organização coube às associações existentes naquele momento ABD), APD)NS-RJ e APD)NS-PE , e, como resultado, foi gerado um documento sobre a regulamentação da profissão, que orientou as atividades na década seguinte.

Os últimos anos de 9 0 caracterizaram-se pela diminuição do número de associados na ABD) e participações de representantes empresariais. Outro fator que contribuiu para a redução dos membros da ABD) foi a abertura do Núcleo de Desenho )ndustrial - ND)-F)ESP, cujos objetivos e ações eram semelhantes aos da ABD). Apesar da tentativa do presidente da associação, que também era professor da FAAP, de trazer maior número de interessados - entre eles muitos de seus ex-alunos -, a ABD) só resistiu somente até 9 0.