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Design Universal e Acessibilidade

3. ERGONOMIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

3.3 Design Universal e Acessibilidade

As capacidades humanas são determinantes na eficácia do desempenho das atividades diárias. Segundo Cambiaghi (2007), “A eficácia da interação do ser humano com o ambiente depende de suas próprias capacidades e de como estão projetados os ambientes e objetos que o rodeiam” (2007 p. 37).

A capacidade humana de interação com o mundo ao nosso redor é inversamente proporcional à contagem do número de anos vividos. Os ambientes são pensados e criados por seres humanos e para seres humanos, dessa forma, os problemas de inadequação às necessidades humanas são decorrentes da generalização do pensamento voltado para as necessidades da maioria dita normal, provocando uma exclusão das pessoas que se encontram com necessidades especiais. O ambiente interno e externo deveria ser pensado de forma que atendesse a todas as pessoas, desde as que não têm nenhum problema de mobilidade até àquelas com dificuldades graves de locomoção. A generalização deveria ocorrer do específico

para o geral. O que se observa, porém, é a tendência dominante de se fazer projetos para um público pretensamente normal.

Martins (2008) argumenta que a norma deve se constituir num veículo de referência à garantia da qualidade ambiental, assegurar ao indivíduo o direito de ir e vir e o direito de usufruir de espaços condizentes com as atividades que ali serão desenvolvidas, além de interceder no sentido de evitar a ocorrência de procedimentos ou condições que atuem causando constrangimentos ao equilíbrio físico e psicológico dos usuários.

Os aspectos físicos da média da população são determinados pela curva de Gauss – método estatístico no qual a maioria das dimensões lineares do corpo humano é distribuída em um gráfico. A frequência de distribuição de uma dimensão revela uma curva simétrica em forma de sino em que a maior parte das medidas individuais cai dentro dessa curva.

A antropometria fornece a base para a arquitetura e os designs inclusivos. A prática da arquitetura e do design inclusivo é função direta do pensamento em projetos pensados para atender conjuntamente às necessidades funcionais do maior número de pessoas. Essa mudança de paradigma passa obrigatoriamente pela necessidade de nova jurisdição na área de política urbana e consequentemente vai de encontro à especulação imobiliária, pois, inevitavelmente, os espaços devem ser pensados para comportar equipamentos auxiliares na mobilidade, como as cadeiras de rodas. Nesse sentido, os projetistas devem voltar os olhares para a identificação de possíveis necessidades e dificuldades de usabilidade. A usabilidade consiste na adequação entre o produto, as tarefas a cujo desempenho este se destina, e o usuário que o utilizará. No âmbito do conceito do desenho universal, a usabilidade deve considerar a possibilidade de acesso e utilização com autonomia e segurança do ambiente construído pelas pessoas que se encontrem nos extremos da vida. Assim, o grau de adequação de um projeto ao desenho universal será proporcional a sua capacidade de atender à diversidade humana.

Os idosos são particularmente suscetíveis a influências ambientais, como variações de temperatura, cores, formas, luminosidade. Por isso é de extrema importância que seu ambiente de convivência seja o mais apropriado possível. É preferível que os indivíduos que convivem com o idoso se adaptem ao ambiente feito para este do que o contrário (CAMBIAGHI, 2007, p. 50).

Na realidade, porém, o que ocorre é que os indivíduos que desenvolveram limitações naturais ao longo da vida são obrigados a desempenhar as tarefas cotidianas em ambientes inadequados, com dificuldade e em detrimento do conforto, segurança e satisfação, muitas vezes colocando em risco a sua integridade física. “Do mesmo modo que as pessoas com deficiência, os idosos vivem inúmeras situações de insegurança e de risco em suas moradias, relacionadas a projetos inadequados ou omissos” (CAMBIAGHI, 2007, p. 50).

Na abordagem ergonômica da acessibilidade, a análise do desempenho das tarefas diárias é avaliada de forma técnica, de maneira semelhante àquelas direcionadas aos postos de trabalho, considerando-se limites de alcance, esforço e posturas satisfatórias. Porém, aqui, devem ser consideradas situações mais restritivas quanto às capacidades do ser humano, visando à situação do melhor desempenho com menor esforço. Nesse sentido, a área de abrangência da ergonomia é ampliada,, uma vez que promove a inclusão de indivíduos com mobilidade reduzida e/ou dificuldade de comunicação, atendendo às premissas do desenho universal.

Na norma NBR 9.050 (2004), o design inclusivo está definido como aquele que visa atender à maior gama de variações possíveis das características antropométricas e sensoriais da população. De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Organização das Nações Unidas (ONU), dezembro de 2006, Desenho Universal significa a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico. O desenho universal não excluirá as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessária. Os sete conceitos mundialmente adotados para qualquer programa de acessibilidade plena são:

1. Igualitário - Uso Equiparável. São espaços, objetos e produtos que podem ser utilizados por pessoas com diferentes capacidades, tornando todos os ambientes iguais.

2. Adaptável - Uso Flexível. Design de produtos que atendem pessoas com diferentes habilidades e diversas preferências, sendo adaptáveis a qualquer uso.

3. Óbvio - Uso Simples e Intuitivo. De fácil entendimento para que qualquer pessoa possa compreender independente de sua experiência, conhecimento, habilidade de linguagem ou nível de concentração.

4. Conhecido - Informação de Fácil Percepção. Quando a informação necessária é transmitida de forma a atender as necessidades do receptador, seja uma pessoa estrangeira, com dificuldades de visão ou audição.

5. Seguro - Tolerante ao Erro. Previsto para minimizar os riscos e possíveis consequências de ações acidentais ou não intencionais.

6. Sem Esforço - Baixo Esforço Físico. Para ser usado eficientemente, com conforto e o mínimo de fadiga.

7. Abrangente - Divisão e Espaço para Aproximação e Uso. Que estabelece dimensões e espaços apropriados para o acesso, alcance, manipulação e uso, independentemente do tamanho do corpo (obesos, anões etc.), da postura ou mobilidade do usuário (pessoas em cadeira de rodas, com carrinhos de bebê, bengala etc.).

Os princípios do design universal visam estender o processo de design para os produtos fabricados em massa de forma a incluir as pessoas que, por conta das suas características pessoais ou condições físicas, encontram-se no extremo de alguma dimensão de desempenho (visão, audição, alcance, manipulação) (SOARES e MARTINS, 2000).