O papel de subalternidade destinado à mulher na sociedade abrangem mecanismos relacionados às questões estruturais que ultrapassam as discussões biológicas. Entende-se que há diferencias biológicas nos homens e nas mulheres, essa discrepância compreende ao sexo do ser humano. Todavia, a partir dessas diferenças sexuais entre homens e mulheres, são construídas ideias sobre o que é ser homem e o que é ser mulher. Deste modo, surgem as definições de gênero criadas pela sociedade.
Nas palavras de Camurça e Gouveia (2004, p. 12) verificamos que:
É a partir da observação e do conhecimento das diferenças sexuais que a sociedade cria ideias sobre o que é um homem, o que é uma mulher, o que é masculino e o que é feminino, ou seja, as chamadas representações de gênero.
Na esfera das representações de gênero criadas pela sociedade, as autoras ressaltam que também são definidas como devem ser as relações entre homem e mulher, bem como também as relações entre mulheres e entre homens, chegando à conclusão de que a sociedade cria as relações de gênero.
Em consonância a esse pensamento de criação de relações de gênero criadas pela sociedade, Scott (1995, p7) afirma que “o gênero se torna, aliás, uma maneira de indicar as ‘construções sociais’ – a criação inteiramente social da ideia sobre os papeis próprios de homens e mulheres”.
Neste sentido, tem-se que a categoria gênero serve para denominar e explicar as desigualdades construídas socialmente. Entretanto, nas palavras de Cisne (2005) “é certo que o gênero não possui apenas sexo, mas possuiu classe.
43 raça, etnia, orientação sexual, idade, etc”. Assim sendo, percebemos que sexo define as diferenças biológicas entre homens e mulheres, no entanto, por gênero, compreendemos que se trata de uma construção histórica que induz os comportamentos entre homens e mulheres.
A partir das teorias que permeiam as relações de gênero, evidencia-se uma subordinação do feminino ao masculino criado pela sociedade. Nessa ótica, o patriarcado reafirma as relações de gênero, legitimando a divisão social do trabalho que assevera ao homem ao âmbito público e a mulher ao âmbito privado.
Ao conceituar o patriarcado, Scott (1995) assevera que este tem origem a partir das relações de produção e que se concentra, principalmente, na subordinação das mulheres, encontrando a explicação na necessidade do macho dominar as mulheres. Deste modo, a autora afirma que por ter relação direta com as relações de produção, o patriarcado está diretamente ligado ao modo de produção capitalista.
Acrescenta-se a essas questões, fatores religiosos inseridos no papel conferido a mulher, em diversas civilizações, especificamente entre os povos monoteístas, a qual era regida pela inferioridade e subalternidade ao sexo masculino. Essa percepção de disparidade de gênero na qual os homens se constituem em seres fortes viris e inatos ao âmbito público, como a ocupação em cargos políticos, enquanto que as mulheres são limitadas ao âmbito privado, cuidando da casa, dos filhos e do esposo, é típico do ocidente e balizado por uma visão judaica e arcaica a qual mistifica a sexualidade e o feminino.
De acordo com essa visão judaica, no torá, o homem foi a criatura idealizada pelo criador e a mulher foi formulada posteriormente a partir da sua costela. Neste sentido, o homem é considerado puro e bom, “caindo em tentação” apenas por causa da mulher a qual possui uma sedução irresistível, maléfica e tentadora, capaz de se tornar uma perdição para o homem. Essa visão “demoníaca” conferida à mulher foi também passada para o catolicismo.
No que tange a Igreja Católica o gênero feminino adquire outra dimensão além da visão “maligna” e “pecadora” conferida à mulher desde o pecado original, destinado a Eva. Com a concepção de Jesus, através do Espírito Santo, a figura de Maria, considerada o maior símbolo feminino do catolicismo, ganha dimensões de representação materna, de virgindade, obediência e amor divino.
44 No entender de Silva (2008), a igreja defende o mito do pecado original corroborando para esse papel estipulado para a mulher na sociedade patriarcal, pois se de um lado, a figura de Maria representa o símbolo da mãe e cuidadora do lar, de outro, a sataniza na figura de Eva, que de acordo com o livro de gêneses no antigo testamento, foi responsável pela corrupção do homem.
Nesta mesma linha de raciocínio Borges (2011) assevera que esse entendimento da Igreja Católica de que a mulher é um ser incompleto e fragmentário, e sua percepção de que entre o pecado de Eva e a maternidade de Maria, reforça a ideia de que a mulher só possui duas dimensões na sociedade, uma boa e outra má, deste feita a mulher ou mãe ou e libertina entregue a mera sexualidade e o meretrício.
Nesse sentido, as autoras consentem que o papel conferido as mulheres na sociedade é oriundo de um pensamento arcaico, baseado em preceitos morais e religiosos presentes em algumas religiões monoteístas que, nos dias atuais ainda pregam a submissão feminina ao masculino, como também estipulam apenas duas dimensões para as mulheres. Com essa percepção, entende-se que a conduta feminina é permeada por uma moral religiosa, que ao ser transgredido é veemente criminalizada.
A partir dessa percepção difundida na sociedade por algumas religiões monoteísta, tem-se que a mulher é um ser inferior submisso ao masculino e que as atividades desenvolvidas por elas devem ser limitadas ao âmbito privado, destinadas aos cuidados do lar, com as “obrigações” domésticas, cuidado com os filhos e com o esposo. Enquanto isso, os homens podem ocupar cargos públicos e exercer atividades próprias do âmbito público, possuído o direito a voto, a escolaridade e a ocupação em cargos de altas instâncias.
É a partir dessa divisão histórica estipulada desde o ocidente, que se inicia a luta dos movimentos feministas em prol das conquistas de direitos igualitários, bem como a ocupação de funções nos espaços públicos, os quais eram preenchidos apenas por homens. Importa pensar que todos os direitos e espaços ocupacionais conquistados pelas mulheres nos dias atuais, são frutos de reinvindicações e manifestações históricas as quais tiveram participações de mulheres pioneiras que pautavam o direito a voto, a frequentar escolas e universidades e participar diretamente do mercado de trabalho.
45 Cabe destacar que esse processo histórico para emancipação feminina foi de relativa importância para que as mulheres pudessem se fazer presentes no âmbito público na atualidade. Se nos dias de hoje as mulheres gozam de direitos conquistados como o direito a voto e frequentar instituições de ensino, essas conquistas foram alçadas nas lutas feministas de séculos anteriores.
Diante do exposto, reitera-se que no decorrer dos séculos ouve avanços significativos no que se concerne aos direitos femininos já efetivados. Os processos de luta evidenciam que essas conquistas foram frutos de reivindicações, e não uma simples decorrência do processo histórico. Apesar dos avanços, as mulheres ainda são vitimas do machismo e do patriarcalismo intrínsecas a sociedade capitalista, pois sabemos que essas diferenças de gênero são permeadas por diversos aspectos históricos presentes na sociedade desde os primórdios da civilização.
A partir da era capitalista, no período após a revolução industrial que a mulher é absorvida pelo mercado de trabalho. Com a desigualdade cultural em torno do gênero feminino, a mulher passou a ser contratada, pois era uma mão-de-obra de fácil exploração a qual aceitava salários ainda menores em relação ao sexo masculino, oferecendo, portanto a maior possibilidade de gerar mais-valia.
(BORGES, 2011)
Em consonância ao pensamento da autora, Saffioti (2000) complementa que o capitalismo não teria aberto as portas do mundo do trabalho para as mulheres, pois antes do modo de produção vigente, as mulheres já trabalhavam e em maior quantidade do que os homens. O que o modo de produção capitalista havia proporcionado para as mulheres teria sido o emprego remunerado.
Esse fator pode ser constatado se analisarmos a data que simboliza o dia internacional da mulher, comemorado anualmente em 08 de março. Importa destacar que, ano de 1857, as operárias de uma fábrica de Nova Iorque decidiram fazer uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho, diminuição da jornada exaustiva e equiparação de salários entre homens e mulheres. A manifestação teve um desfecho trágico, pois foi cruelmente reprimida. As manifestantes foram trancadas dentro da fábrica e o prédio em que elas estavam foi incendiado, vitimizando 130 tecelãs.
Esse fato trágico traz a tona que no advento do capitalismo a mulher era vista como um sujeito que poderia ser inserido nas linhas industriais para contribuir com a
46 produção em larga escala. Entretanto, desde os primórdios, a mão-de-obra feminina foi inserida precariamente, uma vez que, as mulheres tinham uma jornada de trabalho exaustiva com salários até 1/3 menores que os dos homens.
Considera-se ainda que com o advento da modernidade a mulher foi absorvida pelo capitalismo de outra forma, qual seja, pela indústria da beleza. Neste sentido temos que a mulher deve estar sempre bem vestida, e dentro dos padrões de beleza exigidos pela sociedade atual. O intuito dessa mulher moderna e atraente é poder conquistar os olhares masculinos, o que mostra claramente em uma forma de submissão do feminino ao masculino a qual alimenta a sociedade de consumo e impulsiona o modo de produção capitalista.
Com relação a esse raciocínio, BORGES (2011, p. 76) pensa que:
Assim, a mulher moderna desenvolve uma neurose em agradar o homem e corresponder às suas expectativas, e o capitalismo, através da indústria cultural, serve-se disso com maestria, explorando padrões de consumo em roupas, cosméticos, tratamentos estéticos, alimentos e etc. Além disso, a indústria cultural cria padrões de consumo personificados através das artistas do cinema, e as mulheres precisaram ser como as atrizes de Hollywood para despertar o interesse masculino e serem aceitas, desejadas, amadas e realizadas. Porém, se um dia o ideal de beleza foram às curvas suntuosas de Marylin Monroe; hoje, como a intervenção estética as pode mimetitizar, o padrão de beleza ideal é esquelético, antibiológico, pois a indústria cultural precisa operar com ideias de consumo inalcançáveis.
Assim, a sociedade de consumo se baseia em celebridades com um padrão de estética inatingível para fomentar o consumismo que legitima o modo de produção vigente. Neste sentido, para se sentirem socialmente aceitas, as mulheres recorrem a diversos tratamentos para atingirem um padrão de beleza estético, caso contrário às mesmas não se sentirão socialmente incluídas. Nessa lógica capitalista que o “ter” é mais importante do que o “ser”, as mulheres culturalmente apontadas como seres inferiores aos homens, precisam ser consumidoras assíduas para legitimar o patriarcado e consequentemente impulsionar o capitalismo.
Somando-se a isso é valido apontar a divisão sexual do trabalho presente na nossa sociedade. Neste sentido, criou-se profissões adequadas para mulheres e outro para os homens. As mulheres são comuns a serem atribuídas profissões ligadas aos cuidados com o lar, na educação de crianças e aos cuidados de idosos.
Para os homens os cargos políticos a as profissões que exigem liderança, força e virilidade.
47 Neste entendimento ÁVILA & FERREIRA (2014, P.14) afirmam que:
A divisão sexual do trabalho está associada de maneira inextricável a uma outra configuração que se expressa em termos de relações que associam homens/produção/esfera pública e mulheres/reprodução/espaço privado, conferindo a essas associações, dentro do mesmo princípio hierárquico, uma qualificação da primeira como sendo da ordem da cultura e da segunda como sendo da ordem da natureza.
Essa distinção corroborou para desvalorização do trabalho feminino, bem como para fomentar o não reconhecimento dessas profissões estipuladas como tradicionalmente femininas. Com essa cultura de visualizar a mão-de-obra feminina mais rentável, as mulheres historicamente ocupam cargos de menores instâncias, com também tem seus salários menores, se comparados com os homens.
Apesar das mulheres serem maioria no ensino superior com o percentual que corresponde a 12,5%, contra 9,9% dos homens, de acordo com o censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas ainda auferem renda inferior aos homens, cerca de 72,3% do salário masculino. Esta proporção segue sem alteração desde o ano de 2009. Em contra partida, também de acordo com o último censo do instituto, o número de homens com carteira assinada é de 59,6%, contra 40,4% do número de mulheres com vinculo empregatício formal.
Essas disparidades nos números apontados pelo último censo do IBGE apontam que a desigualdade é reflexa de um processo histórico oriundo do patriarcado em que os homens também se configuram como atingidos, mesmo que em menor proporção, por essa ideologia dominante. Deste feita, o homem é socialmente educado para ser o provedor do lar, esse fator é constatado se levarmos em consideração os números do Censo que apontam um índice superior de homens com empregos formais.
Neste sentido, ainda é comum a percepção de que o homem deve ser o provedor do lar, e arcar com as maiores partes das despesas domésticas, referentes à esposa e seus/suas filhos/as. A partir daí evidencia-se que há muitas mulheres que dependem financeiramente de seus companheiros, e por causa desse fator se submetem aos mais diversos tipos de condições impostas pelo companheiro, mesmo quando são vítimas de violência doméstica e familiar. Para Ávila e Ferreira (2014) a falta de uma renda própria é um impedimento à autonomia das mulheres.
48 Essa ausência de autonomia também se insere no impedimento de por fim as condições de violência sofridas no âmbito doméstico e familiar.
Entretanto, a contradição se concentra no fator de que, quando as mulheres optam por ocupar o âmbito público e entrar no mercado de trabalho, encontram vínculos empregatícios precários e mal remunerados, especialmente entre aquelas que têm baixo nível de escolaridade e não dispõe de qualificação profissional.
Somado a este fator da baixa remuneração, ressalta-se que com a divisão sexual do trabalho, a mulher tem que enfrentar dupla jornada, pois terá que realizar as atividades domésticas. Nesse contexto Ávila e Ferreira (2014) ponderam que a mulher tem cada vez mais ocupado o âmbito público, e este fator não alterou a relação delas com o trabalho doméstico, o que ocorreu com essa maior inserção foi à criação da contradição entre autonomia financeira e sobrecarga de trabalho, havendo a dupla jornada de trabalho.
Para Silva (2008) muitas mulheres internalizam a ideologia de submissão, exploração e dominação, todavia a autora enfatiza que não se pode desconsiderar que as transformações societárias e econômicas serviram para que algumas mulheres tenham mudado essa definição, conquistado espaços no mercado de trabalho, bem como no ambiente familiar, enquanto chefes de família e provedoras do lar. Apesar desse avanço, a autora também relata que há uma contradição, uma vez que, na medida em que aumenta o número de mulheres inseridas no mercado de trabalho, emerge a disparidade salarial com relação aos homens, e o aumento da jornada de trabalho.
Se por um lado o trabalho doméstico sem remuneração impede que a mulher tenha autonomia financeira, por outro, ao tentar ingressar no mercado de trabalho elas encontram obstáculos que impedem de tomar esta decisão com mais tranquilidade. As dificuldades iniciam pela disparidade de salário quando comparado com a remuneração recebida pelos homens, mesmo que desempenhando a mesma função, ou tendo maior grau de instrução, perpassa pelo enfrentamento da dupla jornada, já que terá que realizar as atividades domésticas, e a preocupação com a distância entre seu trabalho e os aparelhos sociais, tais como, escolas, transportes público, entre outros.
Vitimizadas pela concentração de renda e pela desigualdade social permeada pelo modelo de produção capitalista, as mulheres de todas as classes sociais,
49 principalmente as que pertencem à classe trabalhadora, sofrem com o estigma do determinismo biológico. Esse processo de criminalização presente na história da humanidade, também está arraigada no processo histórico e secular da construção sociedade brasileira, desde os primórdios da colonização, a qual foi pautada no modelo escravocrata, patriarcal e patrimonialista. Consequentemente, as maiores vítimas dessa criminalização histórica são as minorias, tais como a população indígena, negra, como também as mulheres.
Com essa criminalização histórica e as disparidades de salário entre homens e mulheres sustenta o fator de que as mulheres figuram entre os segmentos mais pobres da população. Essa percepção deu origem, na década de 1970, ao termo identificado como feminização da pobreza30. O termo surge para abranger a disparidade social e de gênero vivenciadas pelas mulheres ao longo da história.
Esse fator é ainda mais perceptível devido ao aumento dos novos rearranjos familiares. Esses novos rearranjos compostos por mulheres chefes de família, geralmente possui renda per capita, relativamente inferior às famílias que são chefiadas por homens.
Sendo assim, as mulheres, principalmente as pertencentes aos segmentos mais populares, que necessitam prover o sustento do lar acabam se inserindo de forma irregular no mercado trabalho, com vínculos precários, jornadas exaustivas e baixa remuneração. Estas mulheres as quais necessitam da venda da força de trabalho para sobreviver, não dispõem de meios para seguir as normas sociais impostas pela sociedade, ao sexo feminino, pois precisam trabalhar desde muito cedo para contribuir com a renda familiar.
Expostas a própria sorte e sem amparo de políticas públicas direcionadas especificamente para o público feminino, estas mulheres pertencentes às classes populares estão mais expostas aos vínculos empregatícios precários, os quais se configuram em outras formas de reinserção social. Nos bairros das periferias das grandes cidades, é comum que os moradores realizem atividades relacionadas ao mercado informal de trabalho, tais como os trabalhos das sacoleiros/as, vendedores, ambulantes, diaristas. Entre estas ocupações informais, destaca-se também que se
30 Por feminização da pobreza entende-se que o termo surge para identificar o fato de que as mulheres figuram entre os segmentos mais pauperizados da população. Este fator é oriundo do processo histórico de criminalização das mulheres e tem como principais fatores para o seu aumento os crescente número dos novos rearranjos familiares, o crescimento da população urbana, bem como o processo de reestruturação produtiva.
Câmara dos Deputados (2004)
50 fazem presente as formas ilícitas de conseguir renda, a partir das organizações criminosas.
Não obstante, nas referidas comunidades é comum visualizar uma forma de poder paralelo e outras formas de reinserção social, nas organizações criminosas em que há as mais diversas ocupações para esquematizar as atividades ilícitas, ligadas, principalmente ao esquema da venda de drogas, por se constituir em um mercado muito rentável e atrativo. De certo, que na ausência de direitos sociais básicos muitos/as os/as jovens visualizaram nessas organizações criminosas uma meio de auferir renda, de adquirir respeito, e poder, e todos os seus direitos básicos que lhe foram negados durante a sua existência.
Evidencia-se que a criminalidade não está diretamente relacionada à pobreza, os motivos para o envolvimento com o crime são os mais diversos e necessitam ser analisados de acordo com sua historicidade. No entanto, é válido ressaltar que na ausência de um Estado que não assegura os direitos básicos para sobrevivência em sociedade, as classes subalternas, expostas a violência e a vulnerabilidade social, verão no crime uma forma de reinserção social. Um meio de garantir os direitos negados pelo Estado, bem como adquirir bens de consumo.
Neste raciocínio, segundo a percepção de SILVA (2008, p. 45) temos que:
Desse modo, é importante analisarmos que a criminalidade é algo complexo no meio social. Não podemos partir apenas das condições objetivas de sobrevivência dos indivíduos, mas também de seus enlaces subjetivos, e salientando que este subjetivo é criado e recriado na própria sociabilidade – no caso, a partir da lógica capitalista de produção que produz e reproduz as relações sociais pautadas no mercado e na competitividade e evidenciando nas particularidades dos indivíduos.
A partir dessa lógica capitalista pautada na individualidade e na competitividade, temos que as mulheres já historicamente consideradas como sexo inferior, e tendo que disputar espaços com o sexo masculino com relação à necessidade de equiparação do salário e ao sustento do lar, pode enxergar no tráfico e na organização criminosa, uma forma de se libertar do estigma de sexo frágil, como também a libertação do estigma de pobreza e carência. Na ausência da
A partir dessa lógica capitalista pautada na individualidade e na competitividade, temos que as mulheres já historicamente consideradas como sexo inferior, e tendo que disputar espaços com o sexo masculino com relação à necessidade de equiparação do salário e ao sustento do lar, pode enxergar no tráfico e na organização criminosa, uma forma de se libertar do estigma de sexo frágil, como também a libertação do estigma de pobreza e carência. Na ausência da