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Mapa 2 Região de Integração Tocantins

4 A EXPERIÊNCIA DA POLÍTICA DE DESCENTRALIZAÇÃO

4.1 Desigualdades e desenvolvimento – perspectivas Para o

Para alcançar como a Política de Descentralização Regional foi construída é necessário antes de tudo abarcar como as desigualdades regionais se constituem seu desenvolvimento histórico-espacial e suas múltiplas escalas geográficas no procedimento capitalista. Portanto os desafios para o entrosamento dessa questão e a procura para superação desse tema não é tarefa simples. Contudo, o empenho por parte dos governos democráticos populares na concepção de políticas que combatam disparidades é imperioso.

Ao examinar as disparidades das escalas, averiguamos o “processo de desenvolvimento desigual e conjugado” como bem determinou (TROTSKIA apud COSTA, 2009), está na essência do modo de produção capitalista, ou seja, riqueza e pobreza; desenvolvimento e subdesenvolvimento, etc. compõem à dialética intrínseca ao sistema de reprodução socioprodutiva capitalista e pode ser percebido em múltiplas escalas, no desenvolvimento dos países centrais do capitalismo, que por sua vez são o centro difusor do sistema e o subdesenvolvimento dos países periféricos do sistema, nos mostrando que o processo de produção e reprodução capitalista não se dá de forma homogênea e isso é visível em seus espaços socialmente construídos. É bom lembrar que mesmo os países desenvolvidos possuem em seu território desigualdades entre seus espaços subnacionais. O que passa a ser caracterizado e analisado de forma mais intensa segundo Costa (2009), ao fazer referência aos estudos de Lacoste, a partir da Segunda Guerra Mundial.

No entanto, Lacoste (apud COSTA 2009) considerou imprescindível diferenciar subdesenvolvimento entre recortes nacionais, ou seja, entre países, e o

subdesenvolvimento que caracteriza espaços subnacionais. Ainda para o referido autor, o subdesenvolvimento de espaços subnacionais em países desenvolvidos precisa ser considerado de forma distinta do “subdesenvolvimento” que assola espaços subnacionais em países periféricos.

Desenvolvimento e subdesenvolvimento são situações históricas distintas, porém derivadas de um mesmo impulso inicial – faces de uma mesma dinâmica – com o subdesenvolvimento se constituindo em um processo histórico autônomo e heterogêneo de conformação estrutural, produzido pela forma como se propagou o progresso tecnológico no plano internacional, e derivado de más formações sociais e econômicas durante o processo de difusão do sistema capitalista na periferia. Ou seja, o subdesenvolvimento deve ser entendido como uma formação social específica, necessariamente dependente e periférica, na medida em que o subdesenvolvimento é uma criação da situação de dependência e um desequilíbrio na assimilação dos avanços tecnológicos produzidos pelo capitalismo industrial a favor das inovações que incidem diretamente sobre o estilo de vida. (COSTA, 2009, p. 2).

Essas diferenças são marcadas por relações complexas e não podem ser analisadas por uma visão meramente econômica. Pois, o modo de produção capitalista produz e reproduz desigualdades em diferentes esferas da vida e para além da perspectiva econômica (BRANDÃO, 2007).

Costa (2009) descreve que “uma das principais características do subdesenvolvimento é a fragilidade das relações econômicas, sociais, culturais, políticas e institucionais intra-regional e entre sub-regiões de uma mesma área geográfica na medida em que boa parte da dinâmica econômica e social é ditada por uma relação direta com o setor externo. Ou seja, os mais importantes centros decisórios estão desconectados das necessidades da coletividade que habita a região, e esse processo acaba engendrando uma dinâmica espacial fragmentada” (COSTA, 2009, p. 3).

Sobre essa questão, Brandão (2007), nos chama atenção para o fato de que o capitalismo desenha e redesenha “novas geografias” produzindo novas escalas, novos pontos nodais, rearranjando as forças da polarização, da heterogeneidade e das dominações regionais e que, portanto, as relações entre as regiões dominantes e a regiões subordinadas tem se transformado rapidamente, na medida em que o sistema capitalista aperfeiçoou uma série de instrumentos técnicos, organizacionais etc., que lhe permitiu avançar em sua seletividade geográfica. O que torna nos tempos atuais essas relações de desigualdades características de um sistema mais dinâmicas e complexas.

Todas essas questões nos dão suporte para o entendimento de como o Estado do Pará, um subespaço nacional de um país considerado subdesenvolvido, está posicionado em escala mundial, sendo o nosso próximo passo entender a dinâmica de suas desigualdades internas e o pensamento que norteiam as políticas públicas implementas para a superação desse problema.

Neste sentido, no subdesenvolvimento, a produção da dinâmica sócio espacial acontece, como já vimos, de forma fragmentada. Vários fatores são apontados como responsáveis por essa questão no espaço brasileiro, dentre elas, Costa (2009) destaca a inserção tardia do Brasil na nova ordem mundial e a inexistência de uma funcional política de desenvolvimento regional articulada em múltiplas escalas e pactuada com a população no mesmo período, além da penetração de ideias neoliberais que estimularam uma dinâmica socioeconômica e espacial vinculada sobremaneira às exigências do setor externo, inserindo os espaços subnacionais nessa dinâmica como plataformas de produção destituídas de contorno, criando condições necessárias para perpetuação do quadro de subdesenvolvimento e dependência, bem como a formação de enclaves produtivos.

Costa (2009) entende que em um estado com graves disparidades entre as suas sub-regiões e para com o restante do território nacional, como é o caso do Pará, a validação indiscriminada de políticas localistas de desenvolvimento representaria um retrocesso no processo de construção de um sistema econômico regional e nacional. Para ele na direção contrária às visões localistas, o desenvolvimento econômico das partes só se sustenta na medida em que o rumo das decisões esteja centrado em um projeto social, sendo o todo estabelecido em função da própria questão estadual, e, consequentemente, nacional. Destacam-se neste sentido, algumas políticas públicas elaboradas recentemente no âmbito federal, como o Plano Amazônia Sustentável (PAS), a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), a Política Nacional de Ordenamento Territorial (PNOT), o Programa Territórios da Cidadania, o Programa das Mesorregiões Diferenciadas (PROMESO) e o Programa de Desenvolvimento das Faixas de Fronteira (PDFF); e no estadual vale destacar o Programa Pará, Terá de Direitos e a Política Estadual de Integração Regional.

Não se trata de condenar arbitrariamente esforços reflexivos no intuito de estimular o crescimento econômico de uma determinada localidade ou sub- região. A intenção é ressaltar que há espaço para a formulação de políticas

de desenvolvimento em diferentes escalas geográficas, desde que a orientação dessas políticas responda a um projeto maior - uma agenda estadual, macrorregional e nacional - capaz de determinar as bases materiais e institucionais para o processo de superação do subdesenvolvimento da nação e de suas partes (COSTA, 2009, p. 2).

Portanto, a partir desta análise que nos possibilita compreender como se dá o processo de desenvolvimento e subdesenvolvimento em determinados espaços passaremos para a experiência da descentralização no Estado do Pará.

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