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Aula 10 Despesas com pessoal e com seguridade social
Despesas com pessoal e com seguridade social quer dizer os gastos com os servidores públicos em atividade, bem como com aqueles inativos, ou seja, aposentados e pensionistas. Esse será o assunto da nossa aula hoje.
10.1 Limites de gastos com pessoal
ativo e inativo
Os gastos com os servidores públicos em atividade, bem como com aqueles inativos (aposentados e pensionistas), também há limite de gastos. A LRF trata dessas despesas em seus artigos 18 e seguintes.
Figura 10.1: Despesa com pessoal
Fonte: http://www.mcampos.br Figura 10.2: Despesas com seguridade socialFonte: http://guiadodinheiro.powerminas.com
Conforme o artigo 18 da Lei de Responsabilidade Fiscal, entende-se como
despesa total com pessoal o somatório dos gastos do ente da Federa- ção com os ativos, os inativos e os pensionistas.
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como des- pesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos ele- tivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência.
A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos onze imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência.
O regime contábil adotado pela lei é o de competência (art. 18, §2°, parte final).
§2° A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realiza- da no mês em referência com as dos onze imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência.
Regime de competência se verifica “quando, na apuração dos resultados do exercício, são consideradas as receitas e despesas nas datas a que se referi- rem, independentemente de seus recebimentos ou pagamentos”. (NEVES, 2000, p. 23)
Não se pode comprometer a receita pública arrecadada com o pagamento de pessoal, uma vez que não restará suficiente para a execução dos serviços públicos necessários. Trata-se de comando constitucional, senão vejamos:
Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites es- tabelecidos em lei complementar.
A lei complementar comentada pelo artigo 169 é justamente a Lei de Res- ponsabilidade Fiscal, que, no seu artigo 19, estabelece os limites para a União Federal, os Estados e os Municípios.
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita cor- rente líquida, a seguir discriminados:
I - União: 50% (cinquenta por cento); II - Estados: 60% (sessenta por cento); III - Municípios: 60% (sessenta por cento).
No entanto, não são todas as despesas que são computadas no cálculo.
Indenização por demissão de servidores ou empregados e a despesa para a convocação extraordinária do Congresso Nacional, em caso de urgência ou interesse público relevante (art. 57, §6°, II, da Constitui- ção Federal), não são incluídos no cômputo.
Art. 19.
§1° Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas:
I - de indenização por demissão de servidores ou empregados; II - relativas a incentivos à demissão voluntária;
III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do §6° do art. 57 da Constituição;
IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período ante- rior ao da apuração a que se refere o §2° do art. 18;
V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Ro- raima, custeadas com recursos transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional n° 19;
VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custe- adas por recursos provenientes:
a) da arrecadação de contribuições dos segurados;
b) da compensação financeira de que trata o §9° do art. 201 da Cons- tituição.
As despesas com pessoal decorrentes de decisões judiciais não serão incluí- das no limite do respectivo Poder ou órgão.
A esse respeito, manifestou-se o Superior Tribunal de Justiça, em casos re- centemente julgados pela 5ª Turma, in verbis:
SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. PAGAMENTO DE DIFERENÇA SALARIAL. CONVERSÃO DA MOEDA EM URV. INTERESSE DE AGIR. PRETENSÃO RESISTIDA. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO À LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. 1. Apesar da Assembléia Legislativa de Minas Gerais reconhecer o direito dos servidores à diferença salarial decorrente da conversão da moeda em URV, ela exige a realização de acordo extrajudicial, condicionada à concor- dância com a forma de pagamento e o valor do débito.
2. Está caracterizado o interesse de agir da parte que faz a opção de não celebrar o acordo oferecido, por rejeitar os valores oferecidos pela Admi- nistração.
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3. A Lei de Responsabilidade Fiscal não é óbice para o reconhecimento de direito relativo aos vencimentos de servidor público, porquanto excetua, no art. 19, § 1º, dos limites determinados para gasto com pessoal as des- pesas correntes de decisão judicial.
4. Agravo regimental improvido.
(STJ - AgRg no Ag 1215445/MG. Relator Ministro Jorge Mussi. Órgão Julgador Quinta Turma. Data do Julgamento 02/03/2010. Data da Publi- cação/Fonte DJe 29/03/2010)
RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. VANTAGENS PESSOAIS. LEI COMPLEMENTAR Nº 68/92 DO ESTADO DE RONDÔNIA. PAGAMENTO. RECUSA. LIMITES ORÇAMENTÁRIOS. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL.
INAPLICABILIDADE. ART. 19, § 1º, INCISO IV, DA LRF.
I – Conforme entendimento já esposado por este c. STJ, o art. 100 da Lei Complementar Estadual nº 68/92 assegurava ao servidor público do Estado de Rondônia, investido em cargo em comissão ou função gratifi- cada por período superior a 5 (cinco) anos, a incorporação – a título de vantagem pessoal, e à razão de 1/5 (um quinto) por ano subsequente de exercício – da diferença entre o vencimento básico do cargo efetivo e a remuneração do cargo comissionado. Precedente: RMS 21.570/RO, 5ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJ de 22/10/2007.
II - A Lei de Responsabilidade Fiscal, que regulamentou o art. 169 da Constituição Federal de 1988, fixando limites de despesas com pessoal dos entes públicos, não pode servir de fundamento para elidir o direito dos servidores públicos de perceber vantagem legitimamente assegurada por lei. Precedentes deste e. Superior Tribunal de Justiça e do c. Supremo Tribunal Federal. Recurso ordinário provido.
(STJ - RMS 30428/RO. Relator Ministro Felix Fischer. Órgão Julgador Quinta Turma. Data do Julgamento 23/02/2010. Data da Publicação/Fonte DJe 15/03/2010)
Por órgão, deve-se entender o Ministério Público, as respectivas casas e o Tribunal de Contas da União, no Poder Legislativo Federal, a Assembleia Legislativa e os Tribunais de Contas, no Poder Legislativo Estadual, a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal, no Poder Legislativo do
Distrito Federal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Municí- pio, quando houver, no Poder Legislativo Municipal, e os Tribunais Federais e Estaduais, relativamente ao Poder Judiciário.
Art. 20.
§2° Para efeito deste artigo entende-se como órgão: I - o Ministério Público;
II - no Poder Legislativo:
a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de Contas da União; b) Estadual, a Assembleia Legislativa e os Tribunais de Contas;
c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal;
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Mu- nicípio, quando houver;
III - no Poder Judiciário:
a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da Constituição; b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando houver.
O artigo 20, por sua vez, detalha pouco mais a repartição dos limites globais de despesas com pessoal nas esferas federal, estadual e municipal.
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais:
I - na esfera federal:
a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para o Execu- tivo, destacando-se 3% (três por cento) para as despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Cons- tituição e o art. 31 da Emenda Constitucional n° 19, repartidos de forma proporcional à média das despesas relativas a cada um destes dispositivos, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar;
d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público da União; II - na esfera estadual:
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado;
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b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo; d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados; III - na esfera municipal:
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver;
b) 54% (cinquenta e quatro por cento) para o Executivo.
De forma resumida, pode ser colocado da seguinte forma:
FEDERAL PERCENTUAIS %
Legislativo, inclusive Tribunal de Contas da União ... 2,5 Judiciário ... 6 Executivo ... 40,9 Ministério Público da União ... 0,6
TOTAL ... 50