Rancho de Desenvolvimento Sustentável, utilizado pelos pescadores para abastecimento de embarcação ou pela comunidade para lavar roupa. Foto: Miriam
Cunha. Agosto/2008.
A primeira visita de campo correspondeu ao reconhecimento visual da área com um sobrevôo de helicóptero com apoio da PETROBRAS, no dia 04 de fevereiro de 2007, com objetivo de observar a hidrodinâmica costeira, referente ao efeito das marés e a eficiência dos canais de maré na baixa e preamar, sobre a área de interesse, como também, o registro através de fotografia oblíqua de baixa altitude para constituir o banco de imagens, sendo assim realizado parte do monitoramento preliminar.
Figura 3.9 – Composição RGB 321 de imagem ikonos 2001 que possibilitou o reconhecimento
das áreas propícias para instalação do projeto piloto para o plantio de espécies vegetais tipo mangue. A área está representada no mapa em tom verde defronte a Salina Soledade.
Durante o mapeamento das áreas lamosas em visita de campo, observou-se a evolução natural da deposição dos bancos lamosos, que quando estabilizado, criam-se condições físico- químicas e biológicas para a instalação de florestas de manguezais. O mapa da área areno-lamosa é essencial no entendimento da ecologia de manguezais. Neste caso, é descrito na Figura 3.10A sedimentos areno-lamosos da planície estuarina de Barreiras/Diogo Lopes, no segundo plano canal de maré paralelo a linha de Costa. A Figura 3.10B mostra detalhe da área a ser implantado o projeto piloto de restauração de manguezal e a Figura 3.10C representa a planície estuarina recoberta por esteiras algálicas (Bagnolli,1988), além da vegetação de mangue nas áreas lamosas. A Figura 3.10D mostra banco de lama exposto na maré baixa, exibindo intensa colonização de Ostras em estágio avançado na área protegida da Ilha Ponta do Tubarão. Na Figura 3.10E observa-se a planície flúvio estuarina com o desenvolvimento de níveis de ecossistema manguezal à medida que o canal de maré migrava leste-oeste, as áreas lamosas ficavam abrigadas e possivelmente fixando a vegetação naturalmente. A Figura 3.10F mostra depósitos de mangue, com destaque para as zonas de supramaré, intermaré e inframaré, encontrados na planície estuarina da RDSEPT, em condições de maré baixa com sobrevôo realizado a 450 pés (1.476m), ao centro observa-se a presença de paleo-ilhas barreiras. O ecossistema manguezal do canal de maré da Casqueira, com destaque para a Rhizophora Mangle (Mangue Sapateiro/Vermelho) é representado na Figura 3.10G. Os canais de maré permitem circular correntes, transportar nutrientes e fixar sedimentos argilosos/arenosos ou vegetação de mangue
(Figura 3.10H). Na Figura 3.10 observa-se o canal de maré localizado a sudoeste da Ilha das Conchas, apresentando-se meandrante, de baixa energia e de baixa competência, assim sendo, são assoreados pela migração das dunas móveis.
e-.Requisitar AE - Autorização Especial junto ao Órgão Ambiental (IDEMA):
Realizado o diagnóstico da área e a confecção do projeto de Restauração, para implantar o projeto, é necessária, a obtenção do pedido de autorização especial ao Órgão Ambiental, no caso do Rio Grande do Norte, o IDEMA. Para isso, deverá ser encaminhado um projeto e mapa de localização da área a ser desenvolvido o projeto.
A partir desta etapa, deve-se iniciar a coleta de dados (coleta de água e sedimento). Durante a visita é definida também, a área referência e área de coleta das espécies vegetais. O envolvimento da comunidade no entorno tem como objetivo repassar metodologia para que as populações implantem projetos similares e assim possam contribuir para a sustentabilidade das zonas costeiras.
f- Coleta, análise de dados e Integração em SIG:
Na coleta de dados para subsidiar a restauração costeira é feita coleta de sedimento e água, através de análise físico-química, é avaliado a qualidade ambiental do ambiente. Os dados quando consolidados junto ao levantamento bibliográfico, cartográfico, técnica de restauração costeira acoplado a dados meteo-oceanográfico, subsidiarão a geração de cenários para tomada de decisão.
Após cada análise de acordo com o cronograma a ser desenvolvido, integrar todos os dados na plataforma SIG do BDAG – Banco de Dados Geoambientais do GEOPRO- Laboratório de Geoprocessamento, apresentado na proposta do Gerenciamento Costeiro Integrado, Figura 3.6.
g- Reintrodução e propagação das espécies vegetais:
Para o desenvolvimento desta etapa, é necessário que todos os dados levantados sejam fotografados, analisados e integrados em ambiente SIG. Para realizar a reintrodução das espécies para a área piloto, é necessário o cumprimento das etapas a seguir:
g.1- Seleção de espécies vegetais: Para viabilizar o projeto, três fatores contribuíram para a escolha da área da coleta das espécies vegetais aquáticas no estuário do Canal de maré da Casqueira. Inicialmente, por esta área sofrer um processo de migração de dunas móveis, assoreamento e mortandade da espécie vegetal tipo mangue (Fotos 3.21 e 3.22); por ocorrer próximo ao sítio a ser restaurado; e por apresentar abundância e diversidade de espécies. Nesta área, foram identificadas quatro espécies de vegetação de mangue disponíveis na área do entorno, sendo elas: Rhizophora mangle (Mangue sapateiro/vermelho), Avicennia schaueriana (Mangue canoé), Laguncularia racemosa (Mangue branco/tinteira), Conocarpus erectus (Mangue botão).
g.2- Coleta de mudas tipo mangue: Deverá ser priorizada a coleta de espécies localizadas em áreas sob influência do assoreamento das dunas móveis e espécies vegetais adaptadas as condições físico-químicas do sítio a ser transplantado.
g.3- Mudas cultivadas em viveiro: Após a obtenção da autorização especial do órgão ambiental deverá ser transplantado para o viveiro a ser construído próximo a área piloto. Nos estudos apresentados anteriormente, reflorestar a partir de mudas é a melhor opção da área, devido à alta energia do ambiente e disponibilidade de espécies vegetais em abundância. Este mesmo estudo diz que a depender do tipo de planta utilizada no projeto pode estar à eficácia e sucesso do mesmo.
g.4- Plantio de acordo com o cronograma:
Por se tratar de uma área inundável durante a variação de maré, o plantio deverá ser realizado durante a baixa-mar e seguir metodologia de transplante a partir de mudas em tubo PVC, desenvolvida por Riley e Kent (1999) por se tratar de um ambiente de alta energia. Também, com objetivo de tornar o projeto economicamente viável e adotar o conceito da reciclagem de material, utilizar a garrafa PET (Roman, 2007), tipo refrigerante de 2 litros para proteger de espécie faunística e da energia de correntes de maré existentes na área, como também, desenvolver metodologia mais acessível para as populações do em torno.
O trabalho desenvolvido por Lewis (2000 e 2001), com o uso da espécie Avicennia
Schaueriana (Mangue Canoé), vem mostrando os melhores resultados nas áreas com processo
por serem mais abundantes na região e de acordo com a literatura mais susceptíveis a processos erosivos.
Foto 3.21 - Planície estuarina do Canal de maré da
Casqueira, devido migração do campo de dunas móveis, esta área está em processo de assoreamento. Sugere-se como ponto de coleta após realizar estudo ambiental. Foto: Miriam Cunha. Março/2008.