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Em cada trimestre, a primeira parcela da base de cálculo da CSLL apurada com base no lucro presumido será determinada aplicando-se, sobre a receita bruta da atividade, o percentual a ela correspondente.

17.1. PERCENTUAIS APLICÁVEIS

Os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta da atividade, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, são os fixados pelo artigo 20 da Lei 9.249/95, e suas alterações.

Portanto, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido devem observar os seguintes percentuais para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL:

ATIVIDADE %

Revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural

12 Revenda de mercadorias

Venda de produtos de fabricação própria

Industrialização por encomenda (materiais fornecidos pelo encomendante) Atividade rural

Representação comercial por conta própria

Desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda. (ver subitem 17.1.2)

Construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra

Prestação de serviços de transporte, inclusive de carga

Serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia, terapia ocupa-cional, fonoaudiologia, radiologia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigeno-terapia hiperbárica, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a for-ma de sociedade empresária e atenda às norfor-mas da Anvisa (Agência Nacional de Vigi-lância Sanitária)

Outras atividades não caracterizadas como prestação de serviços

ATIVIDADE % Prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativos ao exercício de profissões le-galmente regulamentadas

32 Intermediação de negócios (inclusive representação comercial por conta de terceiros e corretagem de seguros, imóveis e outros)

Administração, locação ou cessão de bens móveis e imóveis (exceto a receita de alu-guéis, quando a pessoa jurídica não exercer a atividade de locação de imóveis) Administração de consórcios de bens duráveis

Cessão de direitos de qualquer natureza

Exploração de rodovia mediante cobrança de preço dos usuários, inclusive execução de serviços de conservação, manutenção, melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros defini-dos em contratos, em atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais, pelas concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos

32 Prestação de serviços de suprimento de água tratada e os serviços de coleta e trata-mento de esgotos deles decorrentes, cobrados diretamente dos usuários dos serviços pelas concessionárias ou subconcessionárias de serviços públicos

Construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura, no caso de contratos de concessão de serviços públicos, independentemente do emprego parcial ou total de materiais

Construção por administração ou por empreitada unicamente de mão de obra ou com emprego parcial de materiais

Coleta e transporte de resíduos até aterros sanitários ou local de descarte

Prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais

Atividades de operação de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de

crédito realizadas por Empresa Simples de Crédito (ESC) 38,4

17.1.1. Exportações Sujeitas a Preços de Transferência

O percentual identificado no quadro do subitem 17.1 será aplicado, quando for o caso, sobre a parcela das receitas de exportações de bens, serviços ou direitos para pessoa vinculada no exterior ou para pessoa, ainda que não vin-culada, residente ou domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da pessoa jurídica.

O disposto anteriormente também deverá ser aplicado às operações realiza-das entre pessoas jurídicas domiciliarealiza-das no País com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada no exterior, que, nos termos da legislação, gozem de regime fiscal privilegiado.

17.1.2. Receitas Financeiras das Atividades Imobiliárias

De acordo com a Lei 11.196/2005, artigo 34, que acrescentou o § 4º ao artigo 15 da Lei 9.249/95, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL aplica-se também sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terre-nos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando

decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato.

Deve-se observar que as receitas, inclusive as financeiras e variações mone-tárias, que compõem a incorporação imobiliária inscrita no RET (Regime Especial de Tributação), de que trata a Lei 10.931/2004 e alterações, não deverão ser computadas na receita bruta para efeito de apuração da CSLL, com base no lucro presumido, uma vez que já são tributadas em separado, de forma definitiva. Este mesmo tratamento será observado em relação às recei-tas das atividades de construção no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) tributada pelo RET, de que trata o artigo 2º da Lei 12.024/2009, com redação da Lei 13.970/2019.

17.1.3. Recauchutagem de Pneus

O Ato Declaratório Interpretativo 14 RFB/2016 definiu o percentual a ser apli-cado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL nas operações de recapeamento e reforma de pneumáticos usados (recauchuta-gem) mediante encomenda de terceiros.

Sujeita-se à aplicação do percentual de 32% na apuração da base de cálculo da CSLL das pessoas jurídicas tributadas pela sistemática do Lucro Presu-mido, quando as operações não forem consideradas como operações de industrialização, especialmente nas seguintes hipóteses:

– quando as operações forem executadas por encomenda direta do consu-midor ou usuário, em oficina ou residência, com preponderância do traba-lho profissional; e

– quando as operações forem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos.

O percentual de presunção será de 12% para a CSLL, nas operações conside-radas como de industrialização (ver subitem 8.1.7), especialmente na hipó-tese de o encomendante ser estabelecido com o comércio de pneumático usado recapeado e reformado.

17.1.4. Atividades Diversificadas

No caso de diversificação de atividades de uma mesma empresa, deverá ser adotado o percentual de lucratividade correspondente a cada uma delas.

17.2. DEMAIS VALORES INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Após determinar a parcela examinada nos subitens 17.1 a 17.1.3, a pessoa jurí-dica deverá acrescer à base de cálculo da CSLL, dentre outros, os seguintes valores:

a) os ganhos de capital, nas alienações de bens e direitos do Ativo Não Circu-lante, classificados como Investimentos, Imobilizados e Intangíveis;

b) os ganhos de capital decorrentes de aplicações em ouro não caracterizado como ativo financeiro;

c) os ganhos de capital auferidos nas alienações de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas e de participações societárias que permanecerem no Ativo da pessoa jurídica até o término do ano-calendário seguinte ao de suas aquisições;

d) os ganhos de capital auferidos na devolução de capital em bens ou direitos;

e) os ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em bol-sas de valores, de mercadorias e de futuros e no mercado de balcão organi-zado;

f) os rendimentos auferidos nas operações de mútuo, inclusive as realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoas físicas;

g) os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável;

h) a receita de locação de imóvel, quando não for este o objeto social da pessoa jurídica, deduzida dos encargos necessários à sua percepção;

i) os juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, acumulada mensalmente, relativos a impostos e contribuições a serem restituídos ou compensados;

j) as variações monetárias ativas;

k) os juros sobre o capital próprio de que a empresa seja beneficiária;

l) os juros ativos, não decorrentes de aplicações financeiras;

m) as multas ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato;

n) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução do patrimônio;

o) os valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica compro-var não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime do lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime do lucro presumido, lucro arbitrado, Simples ou Simples Nacio-nal;

p) a diferença de receita, auferida pela mutuante, correspondente ao valor calcu-lado com base nas taxas a que se refere o artigo 22 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 12.766/2012, e regulamentado pela Instrução Normativa 1.312/2012, e o valor contratado, quando este for inferior, seja realizado com mutuária defi-nida como pessoa vinculada domiciliada no exterior;

q) lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (exclusiva-mente empresas optantes pelo Refis);

r) no 1º período de apuração do ano-calendário, os saldos dos valores com tri-butação diferida, independemente da necessidade de controle na parte B do e-Lacs, caso a pessoa jurídica tenha sido tributada com base no lucro real no ano-calendário anterior. Este tratamento aplica-se inclusive aos valores con-trolados por meio de subcontas referentes às diferenças positivas e/ou nega-tivas das contas do ativo e/ou do passivo verificadas na data de adoção inicial dos efeitos da Lei 12.973/2014 (extinção do RTT), e à avaliação de ativos ou passivos com base no valor justo;

s) demais receitas, ganhos de capital e resultados positivos não integrantes da receita bruta da atividade.

Relativamente às parcelas a serem acrescidas à base de cálculo da CSLL, ver também os subitens 8.3.1 a 8.3.7 deste trabalho.

Crédito Presumido do IPI – Solução de Consulta 102 SRRF 10ª RF/2002 e 10 SRRF 6ª RF/2007

A pessoa jurídica que utilizar crédito presumido do IPI deve adicionar o valor do mesmo à base de cálculo da CSLL no trimestre em que for utilizado.

17.3. CÔMPUTO DAS RECEITAS

Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as receitas serão computadas pelo regime de caixa ou competên-cia, conforme opção adotada pelo Imposto de Renda na forma do subitem 8.2.2.

17.3.1. Valores não Tributáveis

Aplica-se às receitas e rendimentos constantes do subitem 8.4 o mesmo trata-mento de não incidência da CSLL sobre as referidas parcelas.

17.3.1. Sociedades Cooperativas

As sociedades cooperativas, quanto aos atos não cooperados, utilizarão os percentuais de acordo com a natureza de suas atividades.

Conforme Lei 10.865/2004, artigo 39, as sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, estão isentas da CSLL.

Sobre o tratamento tributário das sociedades cooperativas ver trabalho divul-gado no Livro 10 do Curso Prático de IRPJ/2019.

17.4. ALÍQUOTA DA CSLL

A alíquota básica da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é de 9% para as pessoas jurídicas não financeiras, inclusive para as administradoras de mercado de balcão organizado, as bolsas de valores e de mercadorias e futu-ros e para as entidades de liquidação e compensação. Para as pessoas jurídi-cas administradoras de cartões de crédito e associações de poupança e empréstimos, a alíquota básica é de 15%.

17.5. CRÉDITOS DA CSLL SOBRE DEPRECIAÇÃO

De acordo com a Lei 11.051/2004 e alterações, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que adquiriu, no período de 1º de outubro de 2004 a 31 de dezembro de 2010, máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacio-nados no Anexo do Decreto 6.909/2009, destirelacio-nados ao Ativo Imobilizado e empregados em seu processo industrial, poderá beneficiar-se do crédito da CSLL, calculado à razão de 25% sobre a depreciação contábil dos referidos bens.

O benefício do crédito ocorrerá a partir do mês em que o bem entrar em opera-ção até o final do quarto ano-calendário subsequente àquele a que se referir o mencionado mês.

A partir do quinto ano-calendário subsequente ao ano em que se iniciou o incentivo, a pessoa jurídica deverá adicionar o crédito anteriormente utilizado à CSLL devida nesse período. Portanto, o crédito deduzido no primeiro ano deverá ser adicionado no quinto ano, o do segundo ano no sexto e assim sucessivamente até serem tributados todos os valores anteriormente utiliza-dos a título de crédito.

A parcela a ser adicionada será devida pelo seu valor integral, ainda que a pes-soa jurídica apure, no período, base de cálculo negativa da CSLL.

A pessoa jurídica que deixar de ser tributada com base no lucro real e optar pelo lucro presumido deverá adicionar os créditos aproveitados anteriormente no pri-meiro período de apuração do novo regime.

17.6. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL

As pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) poderão benefi-ciar-se do bônus de 1% instituído pelo artigo 38 da Lei 10.637/2002.

O bônus de adimplência fiscal será calculado em relação aos 4 trimestres do ano-calendário, aplicando-se o percentual de 1% sobre a base de cálculo da CSLL, determinada segundo as normas examinadas nos itens 17 a 17.3 deste trabalho.

Esse assunto encontra-se examinado de forma mais detalhada no Volume 12 do Curso Prático do IRPJ/2019, no item 3 do trabalho “Provisão para a CSLL”.

17.7. COMPENSAÇÃO DA CSLL RETIDA

Da CSLL apurada com base no lucro presumido, a pessoa jurídica poderá com-pensar a CSLL retida nos recebimentos de outra pessoa jurídica de direito pri-vado, decorrentes da prestação de serviços de limpeza, conservação, manuten-ção, segurança, vigilância, transporte de valores, locação de mão de obra, assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, admi-nistração de contas a pagar e a receber, inclusivefactoringe pela prestação de serviços profissionais.

Sobre o assunto, ver trabalho sob o título Tributação na Fonte – Retenção de Contribuições, divulgado no Volume 10 do Curso Prático do IRPJ/2019.

17.7.1. CSSL Retida por Órgãos e Entidades Públicos

A CSLL retida por órgãos e entidades da administração pública federal tam-bém poderá ser compensada com a contribuição apurada a partir do mês da retenção. Sobre este assunto, ver Orientação divulgada nos Fascículos 24 e 25 do Colecionador de IR/2016.

Da mesma forma, poderá ser compensada a CSLL retida, na forma do artigo 33 da Lei 10.833/2003, sobre os pagamentos efetuados pelos órgãos e entida-des públicos do Distrito Federal, dos estados e municípios, que firmarem con-vênio com a União nos termos da Portaria 1.454 SRF/2004.

17.8. COMPENSAÇÃO DA PARCELA EXCEDENTE DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR

O saldo do imposto pago no exterior que exceder o valor compensável com o Im-posto de Renda devido no Brasil poderá ser compensado com o valor devido em virtude do cômputo, na base de cálculo da CSLL, dos lucros disponibilizados e dos rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, até o limite acrescido em decorrência desses valores, no período em que a pessoa jurídica foi subme-tida ao Refis.

17.9. COMPENSAÇÃO DE CSLL PAGA INDEVIDAMENTE OU A MAIOR

A pessoa jurídica pode deduzir, da CSLL apurada em cada trimestre, os valores recolhidos ou pagos indevidamente ou a maior em períodos anteriores, devida-mente respaldados em Darf, bem como efetuar outras compensações em confor-midade com a Instrução Normativa 1.717 RFB/2017.

Os valores a compensar poderão ser acrescidos de juros na forma da legislação vigente.

17.10. CSLL A COMPENSAR SUPERIOR À CSLL DEVIDA

Os saldos negativos da CSLL, apurados trimestralmente, poderão ser restituí-dos ou compensarestituí-dos a partir do encerramento do trimestre, acrescirestituí-dos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o mês ante-rior ao da restituição ou compensação e de 1% relativamente ao mês em que a compensação ou restituição estiver sendo efetuada.

Nesse caso, da mesma forma do subitem 15.1, a compensação após o encerra-mento do respectivo ano-calendário fica condicionada a apresentação da ECF.

17.11. ISENÇÃO RELATIVA AO PROUNI

A instituição privada de ensino superior enquadrada no Refis, autorizada pela legis-lação pertinente a optar pelo lucro presumido, pode excluir da CSLL apurada no período o valor da isenção dessa Contribuição calculada sobre o lucro da explora-ção das atividades de ensino superior relativas aos cursos de graduaexplora-ção ou de cur-sos sequenciais de formação específica, exploradas durante o período de vigência do termo de adesão ao Prouni (Programa Universidade para Todos), nos termos da Lei 11.096/2005 e da Instrução Normativa 1.394 RFB/2013.

Sobre o assunto ver o subitem 1.4 do trabalho sobre o Lucro da Exploração exa-minado no Volume 9 do Curso Prático do IRPJ de 2019.

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