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5.4 Preparo do xampu base, xampu base com cetoconazol 2% p/v e xampu

5.5.3 Determinação das viscosidades

A viscosidade é outro parâmetro importante, que constantemente é relacionada com a qualidade do produto, muito embora tal relação nem sempre seja válida. Por essa razão, o comportamento reológico deve ser adequado a formulação, de modo a garantir uma fácil espalhabilidade no couro cabeludo, sem escorrer das mãos durante a aplicação (CASTELI et al., 2008; FERREIRA, 2008). As viscosidades dos xampus analisados apresentam-se na tabela VIII.

Tabela VIII – Resultados da viscosidade das amostras analisadas.

Amostra de xampu Viscosidade (cP) ± DP

Xampu base sem cetoconazol Xampu base com cetoconazol

3100 ± 100 1150 ± 25 Xampu microemulsionado com cetoconazol 887 ± 17

O pH ácido das formulações de xampu pode provocar instabilidade dos tensoativos, resultando em alteração da viscosidade do produto final (WILKINSON E MOORE, 1990), informação evidenciada quando se confronta os valores de pH e viscosidades presentes nas tabelas VII e VIII. No entanto, esta alteração pode ser corrigida com o uso de agentes de viscosidade sendo utilizado o sepigel® nas formulações desenvolvidas nesta pesquisa.

Outro fator importante na alteração da viscosidade pode ser a incorporação de ativos como o cetoconazol, pois no momento do preparo da fórmula contendo o fármaco livre notou- se que houve uma redução da consistência do produto imediatamente após sua adição, fato que pode ser observado quando se compara o xampu base com o xampu base acrescido de cetoconazol. No caso específico do xampu microemulsionado, a alta concentração de etanol presente na microemulsão proporciona uma diminuição considerável da viscosidade, o qual necessita de uma quantidade suficiente de espessante para ajustar a viscosidade em torno do ideal.

Corroborando estas observações, Pons Junior (2011) desenvolveu xampus contendo nanocápsulas, micropartículas e cetoconazol livre, os quais apresentaram baixas viscosidades estando em torno de 295 e 784 cP. Fujiwara et al. (2009) prepararam diferentes formulações de xampu de cetoconazol tendo, em sua maioria, viscosidades abaixo de 1400 cP.

Os xampus de tratamento, em especial os anticaspa, devem apresentar uma viscosidade que permita uma boa aderência ao couro cabeludo facilitando a ação antimicrobiana, todavia deve permitir um fácil escoamento da embalagem, o que não ocorre quando a viscosidade é exageradamente alta. Para melhorar o desempenho do xampu é necessário que o consumidor deixe o produto agir por alguns minutos antes de enxaguar. (CUNHA, SILVA E CHORILLI, 2009).

5.6 Determinação da taxa de incorporação do cetoconazol nos sistemas microemulsionados e taxa de recuperação do ativo no xampu base com cetoconazol

Substituindo os valores de absorção da solução metanólica de cetoconazol (0,603±0,007), da microemulsão contendo cetoconazol (0,093±0,013) e do xampu microemulsionado com cetoconazol (0,030±0,004) na equação 10, obteve-se uma taxa de incorporação do cetoconazol na microemulsão de 84,6% e no xampu microemulsionado de 95%. Este aumento na taxa de incorporação do cetoconazol no xampu em relação à microemulsão pode ser explicado pela presença de agentes tensoativos em sua composição,

havendo uma estabilização adicional do sistema microemulsionado convergindo em uma maior solubilização e consequente incorporação do cetoconazol.

Vários estudos encontrados na literatura revelam que as MEs conseguem incorporar grandes quantidades de diversos fármacos. Em estudo realizado por Franzini (2006) utilizando MEs e subemulsões para incorporação de Anfotericina B encontrou-se uma taxa de incorporação do fármaco de 90,8%. Sposito (2008) conseguiu incorporar em torno de 95% de cetoconazol em nanoemulsões. Silva et al. (2009b) obtiveram uma eficiência de encapsulação do diclofenaco de dietilamônio de 101%, mostrando uma completa incorporação do fármaco numa ME em forma de gel. Nemen e Lemos-senna (2011) obtiveram uma taxa de incorporação em torno de 80% de resveratrol em ME conseguindo uma eficiência de encapsulação de 94%.

No caso especifico do xampu base com cetoconazol 2% p/v foi calculada a taxa de recuperação do princípio ativo uma vez que o mesmo encontra-se livre na formulação. Levando em consideração as absorbâncias do espectro (0,382±0,014) e substituição na equação 11, a taxa de recuperação do cetoconazol foi de 63%, mostrando que a solubilização do cetoconazol em água acidificada para posterior incorporação no xampu promove uma perda considerável do ativo. Tal comportamento foi evidenciado com o preparo de uma solução aquosa acidificada acrescida de cetoconazol (0,358±0,010) onde obteve-se o resultado de 59% de recuperação do ativo.

A utilização dos sistemas microemulsionados mostra-se como uma excelente alternativa para solubilização eficiente do cetoconazol, garantindo uma alta taxa de incorporação. O presente trabalho demonstra que o xampu base com solubilização do cetoconazol em meio ácido, proporciona uma perda do ativo que pode interferir na sua atividade terapêutica, uma vez que apresenta concentração final de cetoconazol de 1,2%. Desta forma, o xampu microemulsionado mostra-se como uma promissora forma cosmética para este principio ativo, por proporcionar solubilização adequada do cetoconazol, necessitando, no entanto, comprovar o teor de cetoconazol presente e a eficácia microbiológica deste xampu.

As MEs podem ainda modificar intensamente a velocidade de liberação de fármacos, oferecendo melhorias como aumento da solubilidade e absorção e controle da biodisponibilidade. Podem alterar parâmetros farmacocinéticos diminuindo a toxicidade e aumentando a eficácia terapêutica de fármacos (FRANZINI, 2006).

Experimentos conduzidos por Oliveira et al (2004) mostraram que ME O/A, contendo miristato de isopropila como fase interna e mistura de brometo de hexadeciltrimetilamonio

(CTAB)/etanol (1:1) como tensoativo, aumentam significativamente a solubilidade do antiinflamatório não esteróide naproxeno e sua atividade antiinflamatória em ratos foi expressivamente mais intensa com ME como veículo, em relação ao naproxeno veiculado em sistema tampão.

Chen et al. (2004) estudaram o uso das microemulsões para a administração transdérmica da triptolida, fármaco com atividade antidepressiva, anti-fertilidade e anti- câncer. Várias formulações de microemulsão foram preparadas usando o ácido oléico como óleo, o tween 80 como tensoativo e o propilenoglicol como cotensoativo. A microemulsão com a triptolida mostrou uma permeação in vitro por peles de rato comparável a de uma solução aquosa de propilenoglicol a 20%, contendo 0,025% de triptolida, sem causar nenhum irritação local. Os resultados indicaram que os sistemas estudados em microemulsão, podem ser veículos promissores para a administração transdérmica da triptolida

Dalmora, Dalmora e Oliveira (2001) estudaram o perfil de liberação in vitro do piroxicam em tampão fosfato pH 5,5, em ME e em ME contendo polímero carboxivinílico (Carbopol 940®), demonstrando que a incorporação do piroxicam na ME catiônica interfere muito significativamente no processo de liberação in vitro, produzindo inibição significativa da velocidade de liberação.

Franzini (2006), desenvolveu MEs acrescidas de Anfotericina B, as quais modularam a velocidade de liberação do fármaco, tornando-a mais lenta e, portanto, prolongada.

6 CONCLUSÃO

Este estudo tem extrema importância no desenvolvimento tecnológico de formas cosméticas e/ou farmacêuticas, visto que, diversas substâncias ativas não apresentam solubilidade desejada para incorporação em formas clássicas. Os dados obtidos permitiram concluir que:

 A dosagem do cetoconazol por espectrofotometria propicia linearidade, exatidão e precisão suficientes, conforme os resultados da validação divulgados;

 O teste de solubilidade do cetoconazol revelou uma solubilização suficiente do ativo apenas em metanol;

 O diagrama de fases pseudoternário apresentou-se como importante ferramenta para delimitação das regiões de ME;

 O estudo de solubilização do cetoconazol por microemulsão mostrou-se válido, pois, a formulação selecionada apresentou uma excelente eficiência na solubilização do cetoconazol, obtendo-se uma solubilidade máxima de 40mg/mL de principio ativo na microemulsão contendo MT 90%, FO 4% e FA 6%, resultando em uma concentração de 20mg/mL no xampu microemulsionado;

 Os parâmetros físico-químicos foram aceitáveis para as formulações de xampu manipuladas, precisando de ajustes apenas na viscosidade do xampu microemulsionado;

 A taxa de incorporação do cetoconazol na microemulsão e xampu microemulsionado fora satisfatória, com valores de incorporação superiores a 80%. Em contrapartida, a taxa de recuperação do cetoconazol no xampu base foi de apenas 63%, mostrando que a solubilização em meio ácido promove uma perda do ativo, o que pode interferir na eficácia anticaspa do xampu.

Como perspectivas futuras, pretende-se avaliar a estabilidade acelerada e eficácia microbiológica do xampu microemulsionado, uma vez que, a microemulsão pode influenciar

na evolução estrutural da formulação durante o armazenamento. Bem como, utilizar novos constituintes para preparo das microemulsões e desenvolver a metodologia para determinação do teor de cetoconazol na microemulsão e xampu microemulsionado.

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