ASSESSORIA, CONSULTORIA, SUPERVISÃO E AVALIAÇÃO
2.1 DETERMINAÇÕES CONCEITUAIS A RESPEITO DO PLANEJAMENTO
2 CONCEITO DAS FERRAMENTAS
FIGURA 1 – REPRESENTAÇÃO DAS FASES DO PLANEJAMENTO ENQUANTO PROCEDIMENTO RACIONAL E DE SEUS ENCADEAMENTOS
FONTE: A autora
Desse modo, podemos observar, a partir da Figura 1, que o planejamento, analisado enquanto método racional, sistematiza-se através dessas etapas e se interligam. A seguir, exibiremos um abreviado conceito de cada uma dessas fases:
• Refl exão: acena a respeito do conhecimento, estudo e análise dos fatos e/ou demandas que dependem de uma ação por meio de projeto, plano ou programa.
• Decisão: faz referência à escolha de alternativas, ou seja, quais demandas serão escolhidas para futura execução de ações, defi ne-se prazos, entre outros.
• Ação: é o momento em que se executam as atividades para atender à demanda que foi escolhida.
• Retomada da refl exão: ponderação com criticidade dos processos executados e seus efeitos, com vistas ao fundamento de um novo planejamento para atos futuros.
Essas fases dirigem e determinam que os assistentes sociais, por exemplo, necessitam desenvolver uma apreciação aprofundada sobre qual é a intencionalidade que move e guia o profi ssional, bem como os procedimentos de decisão, a base ética-política e a dimensão técnica operativa que dirigirá todo o implemento das ações antevistas no planejamento.
Planejamento sem conhecimento da realidade concreta: é todo aquele tipo de planejamento que não se pondera à realidade de vida dos indivíduos, evidencia não ter sido feito um estudo da realidade do território e confi a-se que os indivíduos necessitam aceitar e participar das ações, independentes de ser alguma coisa importante para suas vidas.
Planejamento social com conhecimento da realidade concreta: é todo modo de planejar, reverenciando as especifi cidades do público que será proposto à ação e à realidade territorial. São ações que se dirigem para ir além da demanda pontual manifestada no dia a dia e, ainda, procurar ocasionar uma expressiva modifi cação na realidade dos sujeitos.
Nesse ritmo, o planejamento necessita ser compreendido pelos profi ssionais na perspectiva da dimensão política, pois versa sobre um procedimento contínuo de tomada de decisões que estão inerentes às relações de poder.
É indispensável que, além da análise e compreensão da realidade frente ao que se almeja desenvolver uma intervenção, necessita ainda apreciar a real situação de modo concreto e no mesmo compasso de maneira subjetiva.
Os profi ssionais necessitam avaliar e compreender a realidade tanto da vida das pessoas e famílias atendidas pelas estratégias das políticas públicas sociais como a realidade institucional em que os profi ssionais estão inseridos, os jogos de poderes, as alianças existentes, as incompatibilidades desses sujeitos uns com os outros, a vontade política, entre outros fatores que possam se contornar relevantes.
Desse modo, exercitando e considerando a dimensão política do planejamento, os profi ssionais terão condições de notar se as sugestões que estão sendo planejadas poderão ser acolhidas pelos membros do alto escalão da gestão, ou seja, aqueles que tomam decisões na instituição, além disso, terão condições para dirigir difi culdades que possa haver e de tal modo, estabelecer parcerias e compartilhar as responsabilidades com a ação que está em andamento o planejamento.
Tendo essa compreensão do planejamento como um processo político, exibimos um diagrama (Figura 2) que explana as atividades que os profi ssionais desenvolvem em todo método de planejamento, quando considera a dimensão política.
FIGURA 2 – REPRESENTAÇÃO DAS ETAPAS DO PLANEJAMENTO ENQUANTO UMA EXPRESSÃO POLÍTICA
FONTE: A autora
Após a apresentação da fi gura anterior, delineamos, de forma objetiva, o conceito de cada uma dessas etapas do planejamento a partir da sua dimensão política:
• Equacionamento – Conjunto de subsídios expressivos para adotar a decisão, além disso, essa fase oportuniza fornecer elementos fundamentais das circunstâncias, bem como as reais demandas. Por fi m, auxilia a adotar um posicionamento político e compreender o indivíduo na sua totalidade.
• Decisão –Exibe o coefi ciente de abarcamento do profi ssional planejador na atividade, envolve-se com as necessidades da população no sentido puramente estrito profi ssional, por exemplo: apresentar a sensibilidade de tomar uma decisão a partir da participação e das opiniões do público-prioritário a respeito do que necessitam para sanar suas demandas.
• Operacionalização – Acena para o detalhamento minucioso das atividades fundamentais com objetivo de concretizar o que foi decidido.
Nessa ocasião, o profi ssional responsável pelo planejamento irá consubstanciar o que foi decidido a partir de algumas ferramentas do
planejamento, como: planos, programa, serviços e projetos, para que, em seguida, tudo possa ser implantado.
• Ação – A ação na dimensão política do planejamento está relacionado a ações de acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações em execução, para assim, conexo à retomada da refl exão – racionalidade do planejamento – e, dessa forma, possa realimentar um novo circuito ou decompor o que possivelmente vier a ser indicado nesse momento para uma próxima execução.
Outro ponto basilar do procedimento de planejamento é avultá-lo também como procedimento técnico. Afi nal, o que isso signifi ca? Constitui que os profi ssionais envolvidos em processos de planejamento necessitam delimitar a ação enquanto um objeto de intervenção, isto é, qual o objeto que se almeja demarcar para alargar o planejamento e, assim, delineá-lo como projeto, programa, serviço ou plano para pôr em execução.
Nesse sentido, consideramos que o planejamento ainda consiste em sistematizar ações que tem por fi nalidade intervir de maneira satisfatória na vida de pessoas e/ou uma determinada comunidade ou grupo.
Uma ação muito bem planejada em todo seu procedimento reverenciando as fases mencionadas anteriormente, seguramente apresentará mais êxito no cumprimento da atividade e conseguirá os resultados que se aspira para se alterar uma verifi cada realidade.
Para Bertollo (2016), o planejamento, a execução e a avaliação das atividades concretizadas são atividades que estabelecem uma coerência com o que se espera da gestão social.
Assim, também é basal que o profi ssional saiba trabalhar de modo a demarcar o seu objeto de intervenção técnica. A partir disso, se o profi ssional trabalha, por exemplo, em um programa ou serviço que atende mulheres em situação de violência doméstica e almeja planejar atos para esse público, seu objeto será a condição e/ou circunstância em que essas mulheres se deparam e não as mulheres em si.
O objeto de intervenção deriva da realidade e o assistente social necessita sempre atentar-se que essa realidade não é estática, mas está em constante movimento e transformação.
Por isso, é fundamental sugerir ações que de fato vão ao encontro das fi dedignas demandas e necessidades dos indivíduos para que possam conseguir
Prezado aluno, como forma de cooperar com o processo de ensino-aprendizagem e, dessa forma, oferecer elementos para o aprimoramento do conhecimento a respeito do assunto tratado no presente capítulo, apresentamos, como sugestão, alguns textos que são artigos acadêmicos e livros essenciais para o exercício profi ssional dos assistentes sociais.
O artigo a seguir proporciona uma avaliação a propósito de o planejamento enquanto atribuição e aptidão do assistente social, buscando evidenciar as tensões e os desafi os na operacionalização dessa técnica.
Um dos pontos básicos que se recomenda é distinguir o planejamento enquanto atuação técnica, todavia, ainda como É necessário que o assistente social tenha um saber aprofundado a respeito do objeto que está planejando intervir e, do mesmo modo, dos sujeitos de vivenciam essas circunstâncias. É basilar, ainda, apropriar-se de leis, políticas, decretos e teóricos que versam sobre a situação objeto para ofertar coerência e embasamento ao planejamento e, desse modo, a ação a ser executada.
Por fi m, consideramos também que o modo como se apreende esses importantes conhecimentos devem ser feitos de forma a superar limites e sempre apresentar possibilidades de intervenção consistente e nunca a apreensão de conhecimento necessitará ser de contorno mecânico, irrefl etida, imediatista e assistencialista.
Baptista (2013) conceitua que o momento em que se realizou a refl exão e tomou-se a decisão pelo o que executará de ação voltada ao público escolhido, é chamado por ela de planifi cação, ou seja, ocasião em que se principia o trabalho de sistematização das ações e das metodologias imprescindíveis para a obtenção das consequências esperadas.
Essa sistematização de todo o planejamento será organizada em plano, programa ou projeto dependendo da natureza das atividades em que foi planejada.
Destarte, com base nos procedimentos já citados a respeito das dimensões que abarcam todo o processo de planejamento, já sabemos os pressupostos elementares para desenvolver um bom planejamento para uma futura ação interventiva junto aos diversos públicos atendidos.
uma ação político e ético na prática profi ssional dos assistentes sociais em qualquer espaço sócio-ocupacional em que se encontra agindo, disponível em: https://www.repositorio.ufop.br/
handle/123456789/7076.
O segundo material, que está disponível a seguir, acena para um trabalho de conclusão de curso de graduação em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ), que tem por objetivo apresentar a forma pela qual os profi ssionais de serviço social compreendem e utilizam planejamento.
Esse material teórico parte da conjectura de que o planejamento efi caz possibilita a materialização da ruptura com as tendências assistencialistas imediatas. Apresenta, ainda, de forma resumida e suscita, os atributos de como os profi ssionais de serviço social trabalham com supervisão de estágio e empregam o planejamento enquanto instrumento de trabalho, disponível em: https://app.uff.
br/riuff/bitstream/1/4676/1/TCC%20MICHELLE%20FINAL%20 16.08.16%20IMPRIMIR%20-%20Formatado%20%281%29.pdf.
Indicamos, o livro da professora Myriam Veras Baptista, que é uma grande pesquisadora e professora do serviço social brasileiro e que muito cooperou com o método de planejamento social para a profi ssão do serviço social.
O livro é referência para concursos públicos no campo do serviço social, bem como um importante instrumento para orientar os vários assistentes sociais a elaborar planos, programas e projetos através de um procedimento de planejamento bem refl exivo, baseado e, por decorrência, bem implantado.
FIGURA – LIVRO PLANEJAMENTO SOCIAL:
INTENCIONALIDADE E INSTRUMENTAÇÃO
FONTE: <https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/41Aqz18lReL._
Apresentamos, por fi m, o último livro que discute, com embasamento nas teorias da administração, assuntos que auxiliarão a abarcar os subsídios e os aspectos mais basilares do planejamento no âmbito do serviço social.
A presente obra aborda assuntos como gestão social, tipos e níveis de planejamento, metodologias e o planejamento de políticas públicas. Certamente, esse livro irá auxiliá-lo a como aplicar esses conhecimentos na sua prática profi ssional enquanto assistentes sociais.
FIGURA – LIVRO PLANEJAMENTO EM SERVIÇO SOCIAL
FONTE: <https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/51jYBxcYx+L._
SX339_BO1,204,203,200_.jpg>. Acesso em: 23 abr. 2021.