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Deve reconhecer que toda autoridade procede de Deus

No documento AUTORIDADE ESPIRITUAL (páginas 74-77)

CAPÍTULO 12 - Aqueles a quem Deus delega autoridade

1. Deve reconhecer que toda autoridade procede de Deus

Cada pessoa que é chamada para ser uma autoridade delegada deveria se lembrar que "não há

autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas" (Rm. 13:1).

Ela mesma não é autoridade, nem ninguém pode constituir-se uma autoridade. Suas opiniões, idéias e pensamentos não são melhores do que os dos outros. São totalmente sem valor. Só aquilo que vem de Deus constitui autoridade e merece a obediência do homem. Uma autoridade delegada deve representar a autoridade de Deus, jamais presumir que também tenha autoridade.

Nós mesmos não temos a menor autoridade no lar, no mundo, ou na igreja. Tudo o que podemos fazer é executar a autoridade de Deus; não podemos criar autoridade por nós mesmos. O guarda e o juiz executam autoridade e aplicam a lei, mas não devem eles mesmos escrever a lei.Do mesmo modo, aqueles que são colocados em posição de autoridade na igreja simplesmente representam a autoridade de Deus. Sua autoridade se deve ao fato de estarem numa posição representativa, não porque em si mesmos têm algum mérito mais excelente do que os demais.

Estar em posição de autoridade não depende de ter idéias ou pensamentos; antes, depende de conhecer a vontade de Deus. A medida do conhecimento que uma pessoa tem da vontade de Deus é a medida de sua autoridade delegada. Deus estabelece uma pessoa como sua autoridade delegada totalmente com base no conhecimento que essa pessoa tem da vontade de Deus. Nada tem a ver com as idéias abundantes, fortes opiniões ou nobres pensamentos que possa ter. Na verdade, tais pessoas que são fortes em si mesmas, devem ser grandemente temidas na igreja.

Muitos irmãos e irmãs jovens ainda não aprenderam a reconhecer a vontade de Deus; por isso Deus os colocou sob autoridade. Aqueles que estão em posição de autoridade são responsáveis pela instrução desses jovens no conhecimento da vontade de Deus. Contudo, em toda e cada ocasião em que lidar com eles, é imperativo que a autoridade delegada saiba sem nenhuma dúvida qual é a vontade do Senhor naquele caso em particular. Então pode agir como representante e ministro de Deus com autoridade. Fora de tal conhecimento, não tem autoridade para exigir obediência.

Ninguém é capaz de constituir autoridade delegada por Deus se não aprender a obedecer à autoridade de Deus e compreender sua vontade. Vamos exemplificar. Se um homem representa determinada companhia que vai negociar um contrato, antes de assinar o contrato deve primeiro consultar seu gerente geral; não pode assinar o acordo independentemente. Do mesmo modo, aquele que age como autoridade delegada por Deus precisa primeiro conhecer a vontade e o caminho de Deus antes de ter capacidade de pôr em efeito a autoridade. Jamais deve dar aos irmãos e irmãs uma ordem que Deus não tenha dado. Se disser aos outros o que devem fazer sem que seja reconhecido por Deus, estará representando a si mesmo e não a Deus. Por isso exige-se dele que primeiro conheça a vontade de Deus para agir em nome de Deus. Então sua ação ficará sob a aprovação de Deus. Só o julgamento reconhecido por Deus tem autoridade; seja o que for que venha do homem, é inteiramente vazio de autoridade, pois só pode representar a si mesmo.

Por causa disto temos de aprender a nos elevarmos e a nos aprofundarmos nas coisas espirituais.

Precisamos de um conhecimento mais abundante da vontade e caminhos de Deus. Deveríamos ver o que os outros não viram e atingir o que outros não atingiram. O que fazemos deve vir daquilo que aprendemos diante de Deus, e o que dizemos deve emanar daquilo que experimentamos com ele. Não há autoridade exceto a de Deus. Se nada vimos diante de Deus, então não temos absolutamente nenhuma autoridade diante dos homens. Toda autoridade depende do que aprendemos e conhecemos diante de Deus. Não pense que por ser mais velho alguém pode ignorar o mais jovem, ou por ser irmão, pode oprimir as irmãs, ou por ser genioso, subjugar o mais calmo. Tentar isto não resultará em sucesso. Todo aquele que deseja que os outros se sujeitem à autoridade deve ele mesmo aprender a reconhecer a autoridade de Deus.

2. Deve negar-se a si mesmo. Até que uma pessoa saiba qual é a vontade de Deus deve manter sua boca fechada. Não deve exercer a autoridade levianamente. Aquele que vai representar a Deus deve aprender do lado positivo o que é a autoridade de Deus e, do lado negativo, como negar-se a si mesmo.

Nem Deus nem os irmãos vão dar grande valor aos seus pensamentos. Provavelmente você é o único em todo

o mundo que considera sua opinião a melhor.

Pessoas com muitas opiniões, ideias e pensamentos subjetivos devem ser temidas Gostam de dar conselhos a todo mundo. Apossam-se de cada oportunidade para impor suas idéias aos outros.

Deus não pode jamais usar uma pessoa tão cheia de opiniões, ideias e pensamentos para representar a sua autoridade. Por exemplo, quem jamais empregaria um perdulário como seu contador? Fazê-lo seria dar lugar a profundos sofrimentos. Deus também não empregará um homem cheio de opiniões como sua autoridade delegada para não vir também a sofrer danos.

Se não formos totalmente quebrantados pelo Senhor não estaremos qualificados como autoridade delegada por Deus. Deus nos convoca para representarmos sua autoridade, não para a substituirmos. Deus é soberano em sua personalidade e posição. Sua vontade é sua. Ele jamais consulta o homem nem permite que alguém seja o seu conselheiro. Consequentemente, aquele que representa a autoridade não pode ser uma pessoa subjetiva.

Isto não implica dizer que para ser usado por Deus deve reduzir-se a não ter nenhuma opinião, nenhum pensamento e nenhum julgamento. De modo nenhum. Significa simplesmente que o homem deve ser verdadeiramente quebrantado; sua inteligência e suas opiniões e seus

pensamentos devem todos ser quebrantados.

Aqueles que são naturalmente comunicativos, dogmáticos e presunçosos precisam de um tratamento radical, um amansamento básico. Isto é algo que não pode ser nem doutrina nem imitação. Tem de constituir feridas na carne. Só depois que uma pessoa é açoitada por Deus começa a viver em temor e tremor diante dele. Não se atreve a abrir a boca inadvertidamente. Se a sua experiência não passar de doutrina ou imitação, com o passar do tempo as folhas da figueira logo secarão (Gn. 3:7) e seu estado original reaparecerá. É fútil controlarmo-nos por nossa própria vontade. No muito falar logo nos

esqueceremos de nós mesmos e revelaremos o ego verdadeiro. Como é preciso que sejamos derrubados pela luz de Deus! Como Balaão em Números 22:25, temos de ser empurrados de encontro à parede para que nosso pé seja esmagado. Então sentiremos dor ao nos movimentarmos e não teremos mais coragem de falar levianamente. Não é necessário aconselhar a pessoa que teve o seu pé esmagado que ande devagar. Só através de tão dolorosas experiências como esta é que seremos libertados de nós mesmos.

Na posição de autoridade delegada não devemos expressar nossos próprios pontos de vista nem desejar ardentemente interferir nos negócios dos outros. Alguns parecem se considerar cortes supremas de justiça. Imaginam que sabem tudo na igreja e tudo no mundo. Têm opinião pronta sobre tudo e todos, prontamente apresentando seus ensinamentos como se fossem o evangelho. Uma pessoa subjetiva jamais aprendeu a disciplina, nem jamais passou por um tratamento sério. Sabe tudo e pode fazer tudo. Suas opi-niões e métodos são incontáveis como os muitos itens de uma mercearia. Tal pessoa é básicamente desqualificada como autoridade, porque a exigência básica para ser autoridade delegada por Deus é não abrigar nenhum pensamento ou opinião que seja sua própria.

No documento AUTORIDADE ESPIRITUAL (páginas 74-77)