CAPÍTULO 1 – UM SONHO QUE SE SONHA JUNTO
1.6 Dever de casa: a busca por escolas e salas para o Projeto
8 conhecimento de conteúdos jamais deveria ser mais importante do que a construção do caráter e valores de cidadão.
Figura 2 – Palestra com José Pacheco na Escola Classe 304 Norte – 25/11/2010.
Fonte: Da autora.
Antes de se despedir nos lembrou dos ensinamentos diários que tem com as crianças, fase em que a curiosidade e criatividade estão tão presente. Ao final nos deixou cheios de inspiração para mudar a realidade que vivíamos e como bom professor, nos deixou um dever de casa para que ele fosse mais presente: conseguir três escolas ou três salas para o começo prático do projeto.
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Depois da palestra do Pacheco na 304 a gente passou uma lista e pegou e-mail com pessoas interessadas em participar do projeto..Então a partir desse 1º movimento surgiram outras pessoas envolvidas...Aconteceu uma reunião ampliada e surgiu por exemplo o Bruno e a Natália que tinha um projeto de contraturno com algumas crianças...Teve um pessoal que passou rapidamente do Política na Escola e outras escolas parceiras...209 sul, uma do lago sul...e uma outra professora da 304 norte..Ah e o Pacheco...Acho que foi isso (PADILHA, Mônica. 16/05/2012.
Entrevista concedida a Rafaella Cerveira).
Várias ideias foram levantadas em uma reunião ampliada divulgada na palestra do Pacheco, e que aconteceu uma semana após a mesma. Das ideias sugeridas a mais impactante foi a busca de escolas junto as regionais de ensino onde poderíamos implementar o projeto.
Após a visita do Rodrigo Klobitz e do Dioclécio Luz em uma das regionais, o grupo descartou a prática por considerar extremamente burocrático, acreditando também que o desenvolvimento de uma nova atitude dentro da escola era mais uma busca do coletivo da escola do que um pedido das regionais, contudo as visitas serviram como divulgação do Autonomia. Em outra reunião os conspiradores da EC 304 Norte informaram que muitos professores seriam remanejados para outra função e/ou escola, com essa notícia começamos a busca para sistematizar lista de possíveis professores recém empossados pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal – SEDF que se interessariam em participar do projeto atuando na EC 304 Norte.
Apesar das últimas tentativas de unir educadores na mesma escola não terem sido efetivadas, o grupo estava crescendo. Tínhamos uma lista com e-mail de todos os presentes na Palestra do Pacheco na EC 304 Norte e decidimos convidá-los mais uma vez a se juntar ao grupo com objetivo de descobrir novas possibilidades de espaços para darmos o “pontapé inicial” com as três salas ou escolas, como o Zé Pacheco havia nos pedido.
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Quadro 4 – Contato convite.
“Olás,
Se você está recebendo esse email é porque foi na palestra do Pacheco na 304 norte.
Para não receber mais eu não tenho ideia de como fazer. Pode pedir pra mim diretamente, mas costumo me enrolar com tantas informações.
De outro modo, caso você tenha interesse em se tornar um conspirador, ou já seja um, coloco muita fé de que esse espaço é apropriado.
O projeto autonomia começou com o intuito de trazer um misto da escola da ponte e da vivendo e aprendendo para uma escola pública.
O projeto cresceu e com novas parcerias, como a escola da natureza, UnB e a própria 304 norte, ele está sendo amadurecido e algo novo, discutido na realidade da escola pública do DF está surgindo. Não melhor, não pior, mas do jeito que será.
Vamos nos juntar e conspirar de verdade por uma revolução no nosso ensino. Cada um de nós é extremamente importante para construir um caminho coletivo.
Temos uma pagina:
www.projetoautonomia.org
certamente organizaremos algumas coisas por lá, inscreva-se.
Mais abaixo apresento uma série de links interessantíssimos sobre educação e escola da ponte, vale a pena conferir!
Senhores,
vamos criar uma realidade?
fé e força, Koblitz”
Fonte: KLOBITZ, R. Projeto Autonomia [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por [email protected] em: 17/12/2010.
O coletivo estava cada vez maior, com integrantes de vários movimentos, havia representantes de Organização Não Governamental – ONG, pais com formações diversas, professores de associação, escolas públicas e particulares, pedagogos, estudantes universitários engajados em vários movimentos e pesquisadores. Com um grupo maior também houve a necessidade de repensar a forma de organização e pautas de discussão, um relator e mediador deveria ser escolhido no começo de todas as reuniões, a pauta deveria ser discutida pré-reunião por e-mail e divulgada a todos, dependendo do número de presentes se via necessidade de delimitar tempo para fala e de termos o cuidado de não terminarmos as reuniões sem direcionar ações por meio dos encaminhamentos. As reuniões começaram a serem realizadas em outros espaços, não apenas na EC 304 Norte, o grupo também se encontrou na UnB, Centro Educacional da Asa Norte, Escola Classe 102 Sul – EC 102 Sul e
1 Escola Classe 209 Sul – EC 209 Sul.
Após um breve recesso o coletivo voltou a conspirar e desenhar as parcerias construídas até o início de 2011. Ficou claro que o Projeto estaria aberto aos grupos que estivessem dispostos a ajudar de alguma forma. Entre os pontos mais discutidos nessa retomada foi a necessidade de um espaço de formação do grupo voltado para os professores que começariam o Projeto Autonomia. Esses professores eram a chave principal do projeto, visto que direcionariam essa mudança de gestão de conhecimento e relações dentro da sala e da escola. Não sabendo ao certo como ocorreria essa formação, algumas ideias foram colocadas para discussão, pensou-se em mediar a formação pela Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação – EAPE, que tem como missão promover a formação dos profissionais da educação da rede pública do Distrito Federal, essa proposta foi guardada para posteriormente. O grupo enxergou que inicialmente seria importante um círculo de estudos apenas dos interessados no Projeto Autonomia para fortalecimento da prática da proposta e depois uma articulação mais estruturada com a EAPE, no intuito de um curso para toda rede de educação.
Houve questionamentos sobre a escolha das escolas que participavam do Projeto, entretanto foi esclarecido que era aberto aos interessados, porém os que apareceram foram do Plano Piloto como expresso no e-mail do Dioclécio Luz:
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Quadro 5 – Diálogo 3.
Nosso foco tem sido o plano piloto apenas por razões contingenciais: até o momento somente (salvo exceções) apareceram interessados do plano o que facilitou os encontros. mas isso foi o início. hoje a gente nota que a ideia do Autonomia está espalhada pelo DF e pode chegar ao entorno, temos tido contato com as mais diversas pessoas.
Como disse na reunião o projeto não está acabado, ele é uma proposta. que não tem dono, tampouco é para uma escola específica, a 304 norte. ele é para onde for possível. como a 304, que já tem um projeto avançado, foi a primeira escola a nos ouvir e abrir as portas para uma discussão, estamos mais próximos dela.O projeto não é para determinado grupo de pais ou professores. ele não é de um grupinho ou para um grupinho. mas de quem ousar implementá-lo.Como não está acabado, e por ser uma proposta, o projeto autonomia se permite correções, ajustes, adequações, por todos e todas.
Existem propostas mais ousadas que esta elaboradas por pais ou educadores. Ou somente pensadas. o importante é considerarmos que buscamos um ensino de qualidade e que estamos juntos de todas as boas propostas. Eu, particularmente, não apoio nenhuma proposta ruim e muito menos um educador ruim.
Queremos o melhor em educação pública. e devemos brigar por isso. e estamos brigando por isso.
A educação pública deve ser de qualidade e extensiva a todos e todas. não podemos abrir mão dessa meta. por isso o projeto autonomia apresenta uma boa proposta de educação. e por isso todos aqui acreditaram nele, ou no que é possível fazer sobre ele. De qualquer modo, há algo não visível no projeto autonomia. que é o fato dele lembrar - como tantas outras propostas modernas - que a educação não é a sala de aula, ou um professor, ou um quadro, ou o aluno, ou a direção, ou a escola, ou os pais. educação é responsabilidade de todos.
Mais eu já falei muito, Dioclécio
Fonte: LUZ, D. Re: Projeto Autonomia [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por [email protected] em:
25/01/2011.
Apesar das reuniões presenciais, o e-mail continuava como uma forma de articulação essencial ao coletivo. Como o grupo era grande sempre existia a preocupação de não se esquecer de encaminhar ou responder a todos uma mensagem, então foi decidido e criado a primeira lista de e-mail do Projeto Autonomia: [email protected].
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Quadro 6 – Criação da primeira lista de discussão.
Car@s,
Conforme conversamos ontem na reunião, criei esta lista de discussão para facilitar a prosa. Assim não precisamos ficar mandando o email para um monte de gente, que inclusive não é uma boa prática, pois expõe o email das pessoas. Peço que confirmem que estão recebendo esta mensagem e que a partir de agora mandem as mensagens para esse endereço: [email protected] .
Se vocês quiserem adicionar ou remover alguém peçam aqui na lista que eu faço isso.
Como não precisamos mais colocar o título da mensagem como Projeto Autonomia, peço também que todos tenham a atenção de colocar títulos nas mensagens que sejam relativos aos assuntos tratados. Caso uma pessoa queira tratar de outro assunto, não responda uma mensagem e sim crie outra nova com o título de acordo com o assunto que quer tratar. Isso facilita muito para buscarmos o que foi tratado depois e também para que as pessoas escolham o assunto que querem acompanhar.
Em breve mando a Ata da reunião de ontem.
Bom fim de semana para todos.
Bruno”
Fonte: REIS, B. Criação da lista do grupo. Disponível em: [email protected] 28/01/2011.