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Dever de publicar

No documento Liberdade Informacao livro (páginas 55-60)

O Artigo 10.4.3 cria um dever geral para os órgãos públicos de fornecer à população informações sobre as atividades que realizaram no exercício de seu mandato. O Capítulo IV examina a divulgação proativa em detalhe. O Artigo 29 lista 34 categorias de informações que precisam ser divulgadas proativamente, entre as quais: dados estatísticos, informações e previsões orçamentárias e financeiras detalhadas, informações sobre pessoal, incluindo salários, informações sobre o meio ambiente, documentos jurídicos, documentos de planejamento, serviços prestados e – é importante assinalar – uma lista de documentos sigilosos. Trata-se de uma extensa lista progressista de obrigações de divulgação proativa.

O Artigo 30 prevê a divulgação pela internet, meios de comunicação social, publicações oficiais, bibliotecas e outros centros públicos de informação. O Artigo 31 determina, em linhas gerais, que a divulgação deve dar-se de maneira a permitir a todos o acesso a informação o mais rapidamente possível. Nos casos em que um meio especial de divulgação for cogitado por lei ou acordo internacional, este deverá ser respeitado. As informações relativas a uma ameaça à vida, saúde, propriedade, ao meio ambiente ou outras questões de interesse público significativo devem ser divulgadas imediatamente por meio dos meios de comunicação social e pela internet com o intuito de mitigar eventuais riscos.

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O Artigo 32 impõe uma obrigação aos órgãos públicos no intuito de que estes estabeleçam “recursos de informações” na internet (websites ou similares) para facilitar a divulgação das informações descritas no Artigo 29. Os órgãos privados que exercem funções públicas são também obrigados, consoante o Artigo 33, a tomar medidas para assegurar o acesso à informação pela internet, incluindo a disponibilização de informações atualizadas e “efetivas”.

Segundo o Artigo 12, os órgãos públicos são obrigados a estabelecer cadastros eletrônicos, de acesso público, de documentos essenciais sob seu controle, independentemente deles serem produzidos ou adquiridos pelo órgão em questão. Esta ferramenta pode ser bastante útil para quem deseja identificar informações. Não é necessário o cadastramento de uma série de documentos, tais como registros contábeis, saudações, correspondências e memorandos. A “respectiva autoridade executiva”, presumivelmente o ministro responsável pela Lei de Direito a Informação, deverá instaurar regras para a criação, manutenção e atualização do cadastro. Além do documento em si, as seguintes informações precisam ser registradas: o modo de recebimento e despacho do documento, nos casos relevantes; o tipo de documento; e, caso se aplique, limitações de acesso ao documento.

Exceções

Em geral, o regime de exceções da Lei de Direito a Informação, apesar de respeitar os padrões internacionais em certos pontos, é um dos aspectos mais deficientes da lei. Ela contém uma lista abrangente dos tipos de informações que devem ser mantidas em sigilo, dividida em duas categorias principais: uso oficial e uso privado. Ter-se-ia a impressão de que a lei também faz as vezes de lei de sigilo, no sentido de que as informações confidenciais não podem ser reveladas (além de a população não ter direito de acesso a elas). O Artigo 41, por exemplo, prevê que os órgãos públicos tenham a obrigação de tomar providências para proteger as informações destinadas ao uso oficial.

Não é muito clara a relação entre a Lei de Direito a Informação e a legislação sobre sigilo. Por um lado, o Artigo 4.2.1 diz que a Lei de Direito a Informação não se aplica a segredos estabelecidos por lei (o Artigo 21.1.1 reitera isso). Por outro lado, o Artigo 5.2 prescreve que outras leis não podem contradizer as exigências da Lei de Direito a Informação. Parece provável que o efeito combinado destas disposições é que a Lei de Direito a Informação não é extensiva a documentos expressamente assinalados como sigilosos, segundo outras legislações.

A Lei de Direito a Informação prevê certas exclusões gerais às quais simplesmente não se aplica. Entre elas estão propostas, reivindicações e queixas reguladas pela lei que rege as reclamações do povo, bem como limitações fixadas por acordos internacionais. A Lei de Direito a Informação tampouco se aplica a documentos que tenham sido arquivados em conformidade com a lei que rege os Arquivos Nacionais, muito embora presuma-se que a lei incorpore um sistema próprio de divulgação (Artigo 4.2).

Outros argumentos gerais para a recusa de fornecimento de informações são apresentados no Artigo 21, incluindo os seguintes casos: o requerente “não está devidamente autorizado a adquirir” as informações, o requerente já recebeu as informações, a resposta à solicitação comprometeria a capacidade do órgão público de cumprir suas obrigações devido ao volume de informações desejadas, a resposta à solicitação é inviável naquele momento ou a resposta ao pedido requer “sistematização, exame e documentação” das informações (o que pode levar à suposição de que não há a posse das informações como tais, mas que poderiam ser criadas pelo órgão público a partir de documentos existentes). Parece que alguns destes argumentos dão imensa liberdade aos órgãos públicos para recusar-se a processar as solicitações, em particular, a regra de inviabilidade de resposta a uma solicitação em um dado momento.

Muitas dessas exceções não incorporam um teste de nocividade mas, em vez disso, definem categorias gerais de informações que não podem ser divulgadas. Paralelamente a isso, a maioria dessas exceções inclui um prazo interno para o sigilo. Por exemplo, as informações coletadas “durante a vigência de controle estatal” somente são sigilosas até a tomada de uma decisão. No caso das exceções que, de fato, incluem teste de nocividade, o padrão normalmente é baixo, com o emprego frequente do verbo “ir” ou “poder”. O efeito combinado disto é que as informações podem ser confidenciais, mesmo quando a divulgação

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não causaria dano algum, muito embora não por muito tempo em condições habituais. A lei não cogita a emissão de certificados de confidencialidade, mas pode ser que estes estejam previstos em outras leis. Parece que o Artigo 35.4 prevê algo como o oposto da prevalência de um interesse público, determinando que a confidencialidade das informações possa ser mantida, quando o dano causado pela divulgação supera o interesse público do acesso as informações. Contudo, como a aplicação da noção é limitada a “informações oficiais”, conforme definido pelo Artigo 35.2 (em outras palavras, informações que são confidenciais prima facie), pode, na verdade, tratar-se de verdadeira prevalência do interesse público. O Artigo 39.1 de fato prevê prevalência limitada do interesse público em relação a informações sobre acidentes ou crimes, contanto que isso não obstrua uma investigação.

Quando apenas parte de um documento está sujeita a divulgação, o Artigo 22.2 permite a separação desta parte para divulgação, sendo mantida a confidencialidade do restante. Esta regra é repetida no Artigo 39.3 em relação a informações que não podem ser consideradas confidenciais sob argumentos de uso oficial (ver abaixo).

Segundo o Artigo 40, as informações destinadas ao uso oficial somente podem ser confidenciais se os argumentos para tanto permanecerem por cinco anos e nunca por período mais longo. No caso de informações privadas, o período da limitação é de 75 anos, ou 30 anos após a morte da pessoa em questão ou, conforme uma regra um tanto curiosa, 110 anos após o nascimento da pessoa, caso não haja comprovação de morte.

A Lei de Direito a Informação define duas categorias principais de informações que podem ser tratadas como confidenciais: “informações destinadas ao uso oficial” e informações privadas e informações acerca da vida familiar. O Artigo 35 apresenta extensa lista de categorias de informações que se enquadram no âmbito da primeira, incluindo as seguintes:

• informações sobre crimes penais ou administrativos, até que o caso seja protocolado na justiça ou encerrado;

• informações coletadas “durante a vigência de controle estatal”, até a tomada de decisão;

• informações cuja divulgação possa impedir a formulação de políticas, até a tomada de decisão; • informações cuja divulgação possa comprometer testes ou auditoria financeira, até a conclusão dos

processos;

• informações cuja divulgação possa comprometer o livre e espontâneo intercâmbio de ideias no âmbito de um órgão público;

• informações cuja divulgação possa causar efeito adverso à gestão da economia, até a conclusão da atividade em questão;

• informações cuja divulgação possa comprometer a administração da justiça, até a tomada de decisão;

• documentos considerados confidenciais por Estados estrangeiros e organizações intergover- namentais;

• informações cuja divulgação possa prejudicar o meio ambiente;

• informações cuja divulgação possa prejudicar os interesses do órgão público;

• quando a confidencialidade foi acordada com um órgão privado exercendo funções públicas; • projetos de decretos, resoluções e ordens, até a sua apresentação para aprovação; e

• documentos legais sobre as obrigações de órgãos privados que adotam práticas monopolistas, até a sua assinatura.

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As categorias desta lista são, em sua maioria, reconhecidas como confidenciais em diversas leis de direito a informação. Entretanto, a ausência, na presente lei, de um teste de nocividade completo ou simplificado torna essa listagem muito ampla.

Todos esses documentos precisam estar marcados como confidenciais e deve haver uma indicação da data de vencimento dessa confidencialidade (Artigo 36). A lei também contém extensa lista de tipos de documentos que não podem ser considerados confidenciais, incluindo um conjunto de informações econômicas e financeiras, sobre eventuais benefícios oferecidos à população, pesquisas de opinião, informações sobre desastres, meio ambiente, saúde etc., e uma lista das informações consideradas sigilosas (lista que, conforme observado acima, está sujeita à divulgação proativa). Os órgãos privados que formam monopólio não podem manter em sigilo as condições de ofertas, preços de bens e serviços ou as alterações em relação a estas condições, ao passo que os órgãos privados que funcionam com subsídios públicos não podem, também, manter em sigilo as condições ou o uso dos subsídios (Artigo 37).

O Artigo 38 lista informações, cuja confidencialidade pode ser mantida sob o argumento de serem privadas ou dizerem respeito à vida familiar, incluindo as seguintes categorias:

• informações sobre opiniões políticas ou religiosas, origem étnica ou racial, saúde, características e aptidões pessoais, ou deficiências intelectuais ou físicas;

• informações coletadas como parte da investigação de um crime ou outro delito, até a emissão do julgamento, para proteger crianças, a moralidade, privacidade, vítimas ou testemunhas, ou conforme exigido para a execução do julgamento;

• solicitações de proteção ou serviços sociais, registro de estado civil, ou adoção; • informações fiscais, exceto no tocante a dívidas em aberto; e

• informações acerca da vida sexual ou familiar.

As categorias listadas são um tanto peculiares. Pode muito bem acontecer, por exemplo, de uma pessoa tornar pública suas opiniões religiosas ou políticas, caso em que não seriam tipificadas como informações privadas.

Aos indivíduos é permitido o acesso as suas próprias informações, exceto quando isto revele a origem de um menor de idade, comprometa a prevenção de crime ou a apreensão de um infrator, ou quando as informações tenham sido coletadas para fins de segurança do Estado. Ademais, amplo leque de indivíduos tem permissão de acesso a informações privadas e familiares, incluindo pais e professores de crianças e adolescentes; professores de pessoas com deficiência; servidores, conforme o necessário para o exercício das obrigações do cargo, funcionários de empresas privadas e todos aqueles que trabalhem por contrato legal de trabalho nas áreas de educação, saúde e cultura na medida do necessário para realizar os serviços. O Artigo 8.3 também prevê a correção de dados pessoais. Isto constitui, efetivamente, uma espécie de miniregime de proteção de dados. Esta é uma área complexa do direito, de modo que são necessárias regras bem mais detalhadas para fazer-lhe a devida justiça. Seria preferível se, assim como ocorre em muitos outros Estados, estas disposições não fossem incluídas na lei de direito a informação mas, em vez disso, fossem incorporadas a uma lei específica de proteção de dados.

Recursos

Qualquer pessoa pode registrar uma reclamação no comissariado da informação ou em um tribunal, relativa à alegação de descumprimento de uma solicitação de informações. O recurso deve incluir o nome e endereço do reclamante, informações sobre a solicitação e uma descrição do delito, com documentação comprobatória, incluindo, se relevante, eventuais respostas à solicitação dadas pelo órgão público em questão (Artigo 49). O comissário da informação deverá examinar a reclamação em dez dias úteis, embora este prazo possa ser prorrogado por mais dez dias úteis mediante aviso por escrito ao demandante,

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nos casos em que esclarecimentos, explicações ou documentos adicionais sejam necessários para o processamento da apelação (Artigo 50).

A reclamação pode ser rejeitada quando é anônima, não tem relação com as atividades do órgão público em questão, é “repetida, infundada e tendenciosa”, uma decisão judicial sobre o caso já tiver sido emitida ou o reclamante não tiver feito uso dos mecanismos disponíveis para retificar o problema internamente. Em todos os outros casos, o reclamante tem direito a uma decisão arrazoada sobre o recurso (Artigo 51).

O Artigo 43 da Lei de Direito a Informação prevê a nomeação de um “agente autorizado para assuntos da informação” (comissário da informação), a ser eleito pelo Milli Mejlis (parlamento) entre três pessoas indicadas pelo ministro competente. Um cidadão ou uma cidadã com educação superior, experiência na área da educação e “moralidade extrema” poderá ser eleito(a) comissário(a) da informação. Diversas exceções são previstas na lei, incluindo o indivíduo que exerce cargo remunerado que não seja em área científica, pedagógica ou criativa; que tenha obrigações perante Estados estrangeiros; condenado à prisão, mas ainda não absolvido ou declarado incapaz por um tribunal. O comissário da informação não poderá se envolver em política, representar partidos políticos e exercer cargo em ONGs. O indivíduo eleito para o cargo de comissário de informação tem sete dias para estar de plena conformidade com estas regras. O mandato é de cinco anos, com possibilidade de reeleição por uma única vez. Segundo o Artigo 44, o cargo tem status legal e é custeado pelo orçamento do Estado e o eleito controla sua própria equipe. Ele deverá submeter-se aos regulamentos, presumivelmente a serem adotados pelo ministro responsável, embora isto não esteja explicitado de maneira clara.

O Artigo 45 permite a exoneração prematura do comissário de informação, que será levada a cabo pelo parlamento, mediante solicitação feita pelo ministro responsável. Isto pode acontecer quando o comissário deixa de cumprir suas obrigações previstas na Lei de Direito a Informação, carece de capacidade para cumprir seus deveres, morre ou abandona o cargo, ou mediante ordem judicial. Quando o comissário é destituído do cargo, um substituto deve ser providenciado em quinze dias. Em geral, estas regras garantem boa proteção para a independência do comissário de informação no exercício de suas funções, apesar de que a explícita possibilidade de envolvimento da sociedade civil no processo fortaleceria mais ainda esta situação.

O comissário de informação tem o poder geral de assegurar que os órgãos públicos respeitem suas obrigações perante a Lei de Direito a Informação.

Ele pode instaurar uma investigação ao receber uma reclamação ou por iniciativa própria. A investigação pode averiguar amplo leque de questões: se uma solicitação foi devidamente registrada, se os procedimentos aplicáveis foram respeitados, se eventuais recusas de divulgação de informações são legítimas, se são adequados os prazos sobre a confidencialidade de documentos, se um órgão público cumpriu suas obrigações de divulgação proativa e se providências apropriadas foram tomadas para a difusão de informações pela internet (Artigo 46). Assim, o comissário de informação tem vastíssimos poderes para apurar descumprimentos da Lei de Direito a Informação por parte dos órgãos públicos. Na condução de uma investigação, o comissário de informação terá o poder de solicitar e receber documentos e esclarecimentos de quaisquer órgãos públicos, incluindo documentos confidenciais (Artigo 48). O comissário deverá comunicar as decisões provenientes de uma investigação ao órgão público em questão e ao reclamante, e deverá, também, disponibilizar a decisão na internet (Artigos 47.2 e 47.3). O órgão público competente deverá acatar quaisquer instruções do comissário de informação, solucionar o problema em cinco dias e notificar o comissário por escrito acerca das providências tomadas. A notificação deverá ser disponibilizada na internet. No entanto, o órgão público poderá recorrer de uma decisão do comissário de informação em juízo (Artigo 53). Quando o órgão público não toma as medidas necessárias de forma tempestiva, o comissário de informação pode formalizar uma petição na instância dirigente máxima do órgão público, ou protocolar, judicialmente, os documentos relevantes. No primeiro caso, a instância dirigente deverá examinar a questão e prestar conta das medidas tomadas ao comissário de informação (Artigos 48 e 54).

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nos casos em que esclarecimentos, explicações ou documentos adicionais sejam necessários para o processamento da apelação (Artigo 50).

A reclamação pode ser rejeitada quando é anônima, não tem relação com as atividades do órgão público em questão, é “repetida, infundada e tendenciosa”, uma decisão judicial sobre o caso já tiver sido emitida ou o reclamante não tiver feito uso dos mecanismos disponíveis para retificar o problema internamente. Em todos os outros casos, o reclamante tem direito a uma decisão arrazoada sobre o recurso (Artigo 51).

O Artigo 43 da Lei de Direito a Informação prevê a nomeação de um “agente autorizado para assuntos da informação” (comissário da informação), a ser eleito pelo Milli Mejlis (parlamento) entre três pessoas indicadas pelo ministro competente. Um cidadão ou uma cidadã com educação superior, experiência na área da educação e “moralidade extrema” poderá ser eleito(a) comissário(a) da informação. Diversas exceções são previstas na lei, incluindo o indivíduo que exerce cargo remunerado que não seja em área científica, pedagógica ou criativa; que tenha obrigações perante Estados estrangeiros; condenado à prisão, mas ainda não absolvido ou declarado incapaz por um tribunal. O comissário da informação não poderá se envolver em política, representar partidos políticos e exercer cargo em ONGs. O indivíduo eleito para o cargo de comissário de informação tem sete dias para estar de plena conformidade com estas regras. O mandato é de cinco anos, com possibilidade de reeleição por uma única vez. Segundo o Artigo 44, o cargo tem status legal e é custeado pelo orçamento do Estado e o eleito controla sua própria equipe. Ele deverá submeter-se aos regulamentos, presumivelmente a serem adotados pelo ministro responsável, embora isto não esteja explicitado de maneira clara.

O Artigo 45 permite a exoneração prematura do comissário de informação, que será levada a cabo pelo parlamento, mediante solicitação feita pelo ministro responsável. Isto pode acontecer quando o comissário deixa de cumprir suas obrigações previstas na Lei de Direito a Informação, carece de capacidade para cumprir seus deveres, morre ou abandona o cargo, ou mediante ordem judicial. Quando o comissário é destituído do cargo, um substituto deve ser providenciado em quinze dias. Em geral, estas regras garantem boa proteção para a independência do comissário de informação no exercício de suas funções, apesar de que a explícita possibilidade de envolvimento da sociedade civil no processo fortaleceria mais ainda esta situação.

O comissário de informação tem o poder geral de assegurar que os órgãos públicos respeitem suas obrigações perante a Lei de Direito a Informação.

Ele pode instaurar uma investigação ao receber uma reclamação ou por iniciativa própria. A investigação pode averiguar amplo leque de questões: se uma solicitação foi devidamente registrada, se os procedimentos aplicáveis foram respeitados, se eventuais recusas de divulgação de informações são legítimas, se são adequados os prazos sobre a confidencialidade de documentos, se um órgão público cumpriu suas obrigações de divulgação proativa e se providências apropriadas foram tomadas para a difusão de informações pela internet (Artigo 46). Assim, o comissário de informação tem vastíssimos poderes para apurar descumprimentos da Lei de Direito a Informação por parte dos órgãos públicos. Na condução de uma investigação, o comissário de informação terá o poder de solicitar e receber documentos e esclarecimentos de quaisquer órgãos públicos, incluindo documentos confidenciais (Artigo 48). O comissário deverá comunicar as decisões provenientes de uma investigação ao órgão público em questão e ao reclamante, e deverá, também, disponibilizar a decisão na internet (Artigos 47.2 e 47.3). O órgão público competente deverá acatar quaisquer instruções do comissário de informação, solucionar o

No documento Liberdade Informacao livro (páginas 55-60)