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devolve a pergunta reforçando o que elas acham que elas próprias poderiam fazer nesse sentido.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA FASE DO CICLO VITAL DAS PARTICIPANTES.

P. devolve a pergunta reforçando o que elas acham que elas próprias poderiam fazer nesse sentido.

Destacam, então, a valorização do Feminino e o encontro com o Feminino sensual e delicado, não vulgarizado. Graça fala que as mulheres deixaram de ser femininas e dá um exemplo de algo que considera ser um sintoma social do afastamento das mulheres da essência feminna quando afirma: “Porque vocês acham que hoje

femininos do que as próprias mulheres! Acho que esse é um exemplo de um sintoma

desse afastamento da mulher da sua feminilidade” (sic.).

P. propõe, então que pensem em uma mulher que é um modelo para elas, que pode ser famosa ou alguma amiga ou parente.

Graça rapidamente responde: “Lady Di... eu me identifico com ela, ela não era

simplesmente um rosto bonito... ela fez muito pelos outros, ela chamou a atenção não por ser uma princesa, mas pela forma como tratava as pessoas... mesmo com o problema que ela tinha dentro de casa, ela não deixava de fazer o bem pelos outros,

então foi uma pena ela ter morrido...” (sic.).

Graça destaca o acolhimento, a bondade e vontade de ajudar os outros como as principais características da Princesa Diana. P. pergunta se essa é uma característica que ela possui ou se gostaria de ter. Responde: “Eu sempre busquei isso... como médica

consegui expressar isso sim...” (sic.). Expressa o seu lado bondoso, íntegro e de

solidariedade para com as pessoas; relata que ajudar os outros: “É uma coisa que eu

sinto que tenho que fazer, porque a minha criação foi essa, tenho que me manter íntegra primeiro para mim e depois para os outros. Eu não gosto que me tratem mal, por exemplo, então eu prefiro não fazer com as pessoas aquilo que eu não gostaria que fizessem comigo. Foi muito duro o que aconteceu comigo... então não quero que uma

pessoa passe pela mesma coisa” (sic.). Se emociona bastante nesse momento. P. e

Bianca procuram acolher e validar o sofrimento de Graça.

Muito emocionada, Graça conta o quanto essa situação interfere em toda a sua rede social e familiar e que sua filha está sofrendo muito com a queda do padrão financeiro da família.

P. retoma a colocação sobre a Lady Di expondo que, talvez, no momento ela se identifique mais com as pessoas que eram cuidadas pela Princesa do que com a própria. Graça concorda e afirma que é muito difícil aceitar que precisa ser cuidada. Bianca coloca que: “O problema é esperar que alguém um dia vá cuidar de você! Me dá uma

lá embaixo... não sei o que vai acontecer comigo, sinceramente não vai ter alguém para cuidar de mim, na família não vou ter! Talvez não porque não queira... porque não

pode mesmo...” (sic.).

P. comenta, então, sobre a importância de cada uma cuidar de sí próprias. Elas concordam.

Bianca comenta ter pensado na Madre Teresa de Calcutá: “Coitada de mim, não

chego nem aos pés dela, mas às vezes eu me identifico um pouco em relação a cuidar dos outros... eu me pergunto: será que um dia... às vezes eu fico revoltada, nervosa e falo: caramba, a minha vida inteira foi cuidar de todo mundo, desde os 12 anos de idade tive que trabalhar e cuidar de todo mundo! Será que um dia alguém vai cuidar de mim se eu precisar?! Eu me pergunto, então... às vezes eu falo: Pô, tá parecendo a Madre Teresa de Calcutá! Só cuida dos outros, só os outros... às vezes eu me ponho assim... imagina eu nem chego as pés, nem as pés da Madre... mas é uma identificação muito superficial, mas eu falo... pô... eu sei que ela nunca se perguntou sobre isso... ela fazia por amor, com amor mesmo, mas às vezes eu me pergunto se será que se eu cair um dia na cama, alguém vai cuidar de mim? Não sei pra onde ir se isso acontecer... não sei...” (sic.).

P. acolhe as falas das participantes.

Para encerrar o encontro, P. solicita que falem uma palavra que ficou sobre aquele encontro. Bianca fala esperança e Graça, coragem.

5o encontro:

(03/09/07). Havia sido programado que a partir do quarto encontro os movimentos da dança seriam realizados no início; entretanto, diante à demanda por falar e trocar experiências e sentimentos, P. deixou a atividade para o final, procurou acolher as demandas trazidas, para tanto, também foi necessário suspender uma atividade planejada, relativa a questões de gênero. A atividade que havia sido planejada e que seria discutida era a seguinte: “Imagine que você trocou de sexo: quais as diferenças

vida? O que você fará de diferente agora que seu sexo mudou? Como você se sente em relação a essas modificações? Continue a explorar sua experiência de pertencer ao sexo oposto por mais um tempo... Agora volte e entre em contato com seu corpo e com seu sexo verdadeiro. Compare a experiência de ser você e de pertencer a outro sexo. O que você experienciou enquanto estava no outro sexo que não experiencia agora? Foram agradáveis ou não? O que experiencia agora que não sentiu quando era do

outro sexo? Continue a explorar a sua experiência mais um pouco...

Bianca relatou estar com muita dor naquele dia e que a tempos sua dor vem aumentando, o que a deixou preocupada. Faz a associação do aumento da dor com o aumento da carga de trabalho, porém afirma que se ficar sem trabalhar morre (sic.), admite que o trabalho tem uma função muito importante no sentido em que: “Eu me

enterro muito no trabalho, uma porque eu tenho que trabalhar, outra porque eu gosto muito, mas eu sei que por um lado é uma fuga. Apesar de me aliviar muito, sei que uso do meu trabalho como uma fuga para os meus problemas. Eu percebo... às vezes eu páro e me analiso... de final de semana que eu fico sozinha eu fico o dia inteiro em cima

de trabalho para extravasar! Então eu fico pensando: será que isso é bom também?

(sic.). Conta que embora não tenha feito uma faculdade tem o dom para costurar, diferente de pessoas formadas que vão fazer curso com ela e não conseguem modelar “Elas conseguiram se formar, mas não conseguem modelar! Cada um tem o seu... eu

nasci para isso” (sic.).

P. ressalta que, ao mesmo tempo, em que o trabalho de Bianca a conforta, também aumenta a dor, sobrecarregando-a. Demonstra que seria interessante que pensasse em uma opção de ‘válvula de escape’ que não a sobrecarreguasse tanto. Bianca conta que algumas vezes vai caminhar para esquecer dos problemas, que alivia mas, que muitas vezes, não sente vontade de sair.

Graça pergunta aonde Bianca costuma caminhar, pois se fosse em Santos poderiam caminhar juntas. Graça se queixa de falta de companhia para caminhar, relembra saudosamente os tempos em que corria no Ibirapuera e que fizera uma turma de amigos, e conta que a única opção que encontra agora, para não se sentir muito sozinha ao caminhar, é comprar um MP3 player. Conta que está fazendo uma escultura

de arame, à qual dedicou todo o final de semana. Chamou de Êxtase e se trata de um casal fazendo sexo; seus corpos formam um só: de um lado é a perna de um e a do outro fica do lado oposto, com os braços também ocorre a mesma integração. Afirma que depois do acidente incorporou outros materiais na sua arte, como o arame.

Quando questionada sobre como passou a semana, Graça afirma: “Passei bem,

fiquei fazendo essa escultura então, me distraí bastante... com relação à dor... ela tá aí

né, sempre, só que aí nessas horas a gente a deixa para lá...” (sic.).

P. pergunta como Elisa passou a semana, responde: “Eu passei sem sentido” (sic.), P. pede para explicar mais e ela conta que limpou a casa devido a uma visita da irmã e que está muito preocupada com um exame que tem que fazer (eletroneuromiografia), pois teme sentir muita dor, diz: “Ai, enquanto eu não fizer,

enquanto isso não passar, acho que não vou ficar tranqüila” (sic.). Tem medo de ter

que fazer outra cirurgia. Fala que se angustia ao parar e pensar que não fez nada do que gostaria de ter feito neste ano, P. pergunta o que gostaria de ter feito e ela responde: “Queria ter viajado mais, ter mais ânimo, sabe assim... nunca viajei sozinha... mas aí

tem aquela coisa... sai mais caro... mas aí eu poderia ir de excursão... tem outras pessoas, eu faço amizade fácil, mais aí eu penso... ai, pra quê? Só pra ir, ler jornal e voltar para casa? Eu tô fugindo de uma colega... aí porque depois eu me meto em rolo e aí não dá! Não quis sair, quis ficar na minha casa e só. Sabe... tem horas que eu aceito, tem horas que não aceito, agora o meu braço direito tá começando a doer, ai penso, ai... mas eu não deixo de fazer as minhas coisas. Tenho que dar um jeito, porque tem horas que não dá e eu não quero deixar de fazer, sabe, que nem limpar a casa... se o pessoal vai na minha casa e ela tá suja eles não vão entender que é porque eu tô com dor, vão achar que eu sou uma preguiçosa... aí não dá né! Tenho que pelo menos tentar botar as coisas em ordem. Vamos ver se semana que vem eu marco outras atividades

para fazer... porque as pessoas me cobram muito...” (sic.). Queixa-se também da falta

de motivação.

Graça comenta que é preciso um “empurrãozinho”, mas que na maioria das vezes são elas próprias que têm que se dar esse incentivo. Conta que nos momentos em que se sente muito sozinha procura se distrair com a arte e esquecer por um momento

dos problemas. Quando questionada se consegue tal distração responde: “Tem que

esquecer né, de que adianta revirar o passado? Ele não vai voltar. Não dá para

comprar uma coisa nossa entendeu... perdeu, perdeu!” (sic.). Fala das dificuldades que

estão passando e que hoje quem está sofrendo mais é a filha, pois não pode ter as coisas que quer e também por ter que se afastar dos primos, devido a conflitos familiares: “(...)

no começo foi muito duro pra nós, mas a gente acabou se adaptando, agora é ela quem ta sofrendo, porque quando é menor se contenta, mas quando é adolescente... quer confrontar, é difícil!” (sic.).

P. valida e acolhe o sofrimento de Graça.

Com relação à parte prática, P. a dividiu em dois momentos, no primeiro solicitou que as participantes permaneçam sentadas. Deu as instruções, afirmando que o exercício seria dividido em duas fases: na primeira, elas ficariam com os olhos fechados, escutando a música, deixando a mente livre para a ocorrência de imagens e prestando atenção nos sentimentos e sensações suscitados. Após essa primeira fase as vivências foram discutidas.

Bianca inicia a discussão afirmando que sua experiência foi ótima. Graça comenta ter visto a imagem de dançarinas e Bianca fala que viu a imagem da cultura, de forma geral.

Graça conta ter visto duas dançarinas: uma de Dança do Ventre, outra de Dança Indiana. Afirma já ter visto apresentações desses dois estilos e considera-os similares. Diz que na imagem uma complementava os movimentos da dança da outra, conclui ter sido muito belo. P. indaga-a sobre como foi ver essas imagens e ela responde que o que lhe ocorreu foi a beleza, tanto da forma dos movimentos quanto do ritmo.

Já Bianca, relata ter ‘viajado’ para o Oriente durante a vivência: “Eu vi muita

coisa... eu vivenciei lá! Foi muito bom... foi uma viagem sabe... fui para o deserto, vi camelos, sabe aquela feira muito louca deles? Consegui ver muitas coisas e vivenciar a

situação. A dança também consegui vivenciar, foi uma delícia! Muito bom, nossa, uma

(sic.). Comenta ter sido maravilhoso, ainda mais por adorar viajar. Participantes afirmam ser um lugar que gostariam de conhecer.

P. aponta para um elemento interessante que Bianca possui, que é através da imaginação ir para outros lugares. Comenta que esta pode ser uma boa ferramenta para aqueles momentos em que deseja sair de casa, espairecer mas, que nem sempre encontra ânimo para isso, desta forma, pode ser uma boa ferramenta. Bianca concorda.

Elisa conta que viu uma claridade e sentiu-se tranqüila, relata ter visto: “(...) uma

montanha que eu ficava me olhando... parada no tempo... (ri)... como uma reflexão”

(sic.) P. pergunta sobre essa reflexão, “Parecia uma coisa assim muito vaga, sabe? Não

sei... tranqüilidade mesmo... parecia que eu precisava ficar naquele lugar, quietinha, pensando... e foi isso que consegui. Tava precisando encontrar esse cantinho” (sic.). Interessante esta fala de Elisa, pois nos últimos encontros ela queixa-se de não conseguir encontrar uma paz, isto parece apontar para um caminho nesta direção.

P. inicia a segunda parte da atividade, solicitando que se levantem. Realiza o aquecimento da musculatura. Solicita que realizem os movimentos da dança com a mesma música da primeira parte da atividade. Foi orientado para fazerem-nos da forma como preferissem: com os olhos abertos ou fechados. Também foi instruído que deixassem a imaginação solta, atendo-se às possíveis reações físicas e emocionais suscitadas. Revisa os movimentos anteriormente passados e introduz um movimento de rotação de tronco. Discussão.

Elisa comenta que fazer os movimentos foi similar a apenas ouvir a música, no sentido em que a sensação mais evocada foi a de tranqüilidade. Graça concorda e afirma que fazer esses movimentos: “Acalma a gente” (sic.). Bianca relata: “Pra mim... como

eu tava com os olhos fechados... eu consegui... é como se eu estivesse mesmo dançando, eu não ví ninguém, como se estivesse no local... engraçado, era um lugar escuro! Era

um lugar meio avermelhado, laranja, não sei se é por causa do reflexo do sofá (risos).

Era um lugar bem escuro...” (sic.). P. indica a fala de Bianca, a qual disse que parecia

que estava dançando; P., portanto, retruca que não apenas parecia, mas que ela estava dançando! Bianca ri bastante e comenta que estava sozinha, como se estivesse dançando

para ela própria, fala que o sentimento que lhe veio foi muito bom. Graça destaca que o ambiente comentado parece um cenário da “Arábia” (sic.), da novela O Clone, na qual existia uma cena do pôr-do-sol no deserto. Bianca comenta: “Olha só que gozado... é

verdade... era meio preto, vermelho e alaranjado... era meio quente também... me vi até

de roupa... o que você tá pensando! (risos). Mas era assim eu tava com uma roupa

como se fosse uma cigana... uma cigana, olha que gozado!” (sic.). Graça retruca:

“Olha... quem sabe você não precisa investir mais nessa dança pra encontrar essa

cigana?”, Bianca responde: “É né, quem sabe...” (sic.).

Graça fala que não viu nenhuma imagem, pois não fechou os olhos devido ao desequilíbrio mas, conta ter sentido muita paz e tranqüilidade.

Graça: “Parece que a gente consegue fazer com que o corpo se separe... é essa a

impressão que dá” (sic.). Interessante essa fala, pois a separação do corpo é um dos princípios da Dança do Ventre, que busca movimentar uma parte do corpo por vez: quando movimenta-se o quadril, o tronco não é movimentado, e vice-versa. Entretanto, isso não foi passado (verbalmente) para elas.

Para Graça, fazer os movimentos desta dança: “É muito prazeroso, tem alguns

movimentos que são mais difíceis, mas nenhum me dá dor, dá uma sensação muito boa na verdade, dá pra fazer em casa até... eu tenho o CD do Clone, fico colocando e

fazendo em casa... tem sido muito bom para mim” (sic.). Elisa e Bianca também

comentam que treinam os movimentos em casa.

Elisa diz sentir dificuldades com os movimentos: “Eu costumo fazer Tai Chi,

mas eu tenho dificuldade assim de mexer a cintura... meu corpo é terrível mesmo... sou

muito dura...” (sic.). P. interfere e fala que não percebe essa dificuldade de Elisa, apesar

desta frisar bastante que se considera dura, as outras participantes concordam com a colocação de P. e Elisa então, diz: “É mas acho que devo ter melhorado mesmo... depois

que eu consegui fazer semana passada fui fazer em casa na frente do espelho... e

pensei... nossa que coisa impressionante!” (sic.). Comenta ter ficado surpresa por

conseguir fazer esses movimentos que considera belos. Acrescenta, então: “Nossa... que

rápido e, eu, queria acompanhar... mas não conseguia (risos)” (sic.). Todas riem e Bianca fala: “O beleza! A Elisa vai sair bailarina daqui!” (sic.).

Elisa comenta que a mulher que viu era muito bonita e que: “Ela jogava assim o

corpo e eu pensei... ai meu corpo é tão duro, será que eu consigo fazer isso,será que

consigo acompanhar ela? Mas não consegui acompanhar...” (sic.). P. fala que sim, que

Elisa, de alguma forma, estava conseguindo acompanhar esta moça, caso contrário ela não teria aparecido desta forma, indicando, portanto, um potencial dela com o qual já está entrando em contato. Concordam.

P. amarra as informações e encerra o encontro.

6o encontro:

(10/09/07). Chegaram bastante eufóricas, trocando a roupa e tirando os sapatos com agilidade. Iniciou-se, portanto, com os movimentos da dança, retomando todos os anteriores. As instruções para a atividade também incluíam o exercício de conscientização sobre as reações suscitadas pela prática.

P. pergunta para as participantes sobre a idéia que tinham da Dança do Ventre.

Bianca: “Eu não tinha nenhuma idéia assim formada... achava bonito mas

nunca fui atrás para fazer... pensava que não era pra mim... afinal já passo dos 50 anos, tenho dor... mas percebi que não é bem assim. Eu não tinha visto nenhuma apresentação assim pessoalmente, só pela televisão e eu achava muito bonito mas pensava que seria muito difícil fazer tudo aquilo, ainda mais porque tenho dor né!” (sic.).

Graça: “Eu fiz um tempo né, mas foi bem diferente do que você tá passando

aqui... lá era só dança e aqui você passa o que está por trás da dança, mesmo sem falar pra a gente... o que é engraçado, mas a informação chega da mesma forma... mais pela nossa vivência né... e também aqui a gente vê como que ela pode nos ajudar. Eu não sei explicar mas acho que existe uma magia muito grande por detrás dessa dança... não sei bem o que que é. Mas lá aonde eu faço Yoga tem Dança do Ventre também, né, e como

é um espaço aberto, a professora sempre puxa uma lona pra elas não ficarem tão

expostas, mas não adianta muito porque a lona é transparente (risos), mas é

impressionante: é começar a tocar a música que já junta um monte de gente em volta... e não é só homem não, as mulheres também ficam de olho, acho que elas ainda não encontraram coragem de ir lá dançar, mas ao mesmo tempo não perdem uma só aula... ficam sempre lá assistindo... e engraçado porque tem tudo quanto é tipo de mulheres fazendo essa aula, tem gorda, magra, feia, bonita, bem nova, mais madura e quando elas estão dançando você nem percebe sabe, que fulana é mais gordinha ou que siclana é feia... parece que elas se transformam. No começo elas ficavam morrendo de vergonha, ficavam constrangidas, mesmo, de dançarem com todas aquelas pessoas olhando, mas hoje... ah hoje elas não têm mais vergonha, não estão nem aí se tem platéia! Mas vou te falar uma coisa... é impressionante... quando a música começa e

elas chacoalham aquelas moedinhas, tudo pára! É muito bonito” (sic.). Acrescenta que

só de olhar a aula dessas mulheres se sente realizada: “(...) só de olhar parece que eu

estou dançando...” (sic.). Comenta que há tempos tem vontade de voltar para a Dança

do Ventre, mas que não procurou por causa da dor e que quando foi comentado no primeiro encontro que utilizaríamos esta dança como instrumento, ficou maravilhada, pois: “Eu tinha certeza que eu ía gostar muito, porque você teve o tempo inteiro a

preocupação de fazer uma coisa que a gente pudesse acompanhar... você levou em consideração a nossa dor, o que não acontece lá fora né e eu imaginava que seria bem

assim mesmo...” (sic.).

Elisa diz que nunca havia pensado em fazer tal dança, pois: “(...) sempre me

achei muito dura, desajeitada... nunca me achei muito feminina, daí achava que seria muito estranho fazer essa dança. Mas eu sempre achei bonito... foi uma surpresa muito

boa ver que eu consigo fazer e que eu sou feminina sim!” (sic.). Bianca complementa