PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL:
7.1. DIÁLOGO INTERINSTITUCIONAL
O diálogo permanente entre as várias instituições da União faz parte integrante da aplicação das políticas comunitárias. As políticas estruturais não são, naturalmente, excepção a este princípio. O intercâmbio pode assumir um carácter formal (por exemplo, sessões do Parlamento Europeu ou das suas comissões temáticas, reuniões ministeriais) ou informal (seminários ou grupos de trabalho conjuntos). Em 1999, como no ano anterior, o principal tema abordado foi a reforma dos Fundos e, nomeadamente, a aplicação da nova programação.
7.1.1 Diálogo com o Parlamento Europeu
O diálogo com o Parlamento Europeu decorre essencialmente no quadro das comissões parlamentares sectoriais.
Após as eleições de 13 de Junho de 1999, a Comissão da Política Regional fundiu-se com a Comissão dos Transportes, passando a constituir a Comissão da Política Regional, dos Transportes e do Turismo. Esta fusão conduziu a uma certa preponderância das questões relativas aos transportes.
O primeiro semestre de 1999 foi marcado, essencialmente, pela preparação dos novos regulamentos dos Fundos. Foram dedicadas a este tema quatro sessões ordinárias e uma reunião extraordinária. A Comissão esteve representada ao mais alto nível. Foi assim que a Comissária M. Wulf-Mathies, à data responsável pela política regional, assistiu por várias vezes às deliberações da comissão parlamentar, nomeadamente em Janeiro, para fazer o ponto da situação dos trabalhos, e em Março, para expor os resultados do Conselho de Berlim. A reforma dos Fundos estruturais deu lugar à elaboração de numerosos relatórios. As orientações da Comissão para o novo período de programação foram igualmente apresentadas pela Comissária M. Wulf-Mathies. Por outro lado, a comissão parlamentar tomou conhecimento do 6º relatório periódico sobre a situação e o desenvolvimento económico e social das regiões, que foi objecto de uma exposição do Director-Geral da Política Regional. Após a nomeação da nova Comissão, teve lugar a audição dos seus membros pelo Parlamento.
Logo após a sua nomeação, na reunião de Outubro, o Comissário M. Barnier apresentou pessoalmente os projectos de orientações para as iniciativas comunitárias INTERREG III e URBAN, que acabavam de ser aprovadas pela Comissão. Por último, e a pedido da comissão parlamentar, foi organizado, à margem da reunião de Outubro, um seminário técnico sobre a política regional, dirigido aos novos membros.
É essencialmente o novo código de conduta relativo à execução das políticas estruturais, assinado em 6 de Maio de 1999 pelos presidentes da Comissão, J. Santer, e do Parlamento Europeu, J. M. Gil Robles, que determina actualmente as relações com o Parlamento Europeu, nomeadamente com a sua comissão responsável pela
refere à programação, às iniciativas comunitárias, às acções inovadoras, à política de parcerias, à avaliação, à execução financeira, aos regulamentos de aplicação e aos relatórios anuais.
Em 1999, o Fundo Social Europeu manteve relações muito estreitas com a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu. No quadro do novo código de conduta, a Comissão reuniu por diversas vezes com o secretariado da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do PE, a fim de definir as modalidades e o funcionamento prático deste acordo - que, de facto, permite ao Parlamento um maior envolvimento nos vários domínios relativos ao Fundo Social Europeu. Ao mesmo tempo, o FSE reuniu com os parlamentares recentemente eleitos, no âmbito do grupo de trabalho ad hoc, para analisar os vários aspectos relacionados com o novo período de programação 2000– 2006. Nestas reuniões, foram analisados temas gerais relativos aos vários aspectos da reforma do FSE, bem como a utilização das disponibilidades financeiras, as acções inovadoras e as orientações relativas a EQUAL.
No que se refere ao desenvolvimento rural, o diálogo com o Parlamento Europeu foi marcado pela aprovação do novo Regulamento (CE) nº 1257/1999, em relação ao qual o Parlamento emitiu parecer em 6 de Maio. Por outro lado, a Comissão participou no debate sobre LEADER+ organizado pela Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, do PE, em 29 e 30 de Novembro, e no debate sobre o documento "Coordenação dos Fundos estruturais e de Coesão", da mesma comissão, realizado em 6 e 7 de Dezembro.
No domínio da pesca, o Parlamento Europeu aprovou, na sua reunião plenária de 6 de Maio de 1999, uma resolução sobre duas propostas de regulamentos do Conselho. Seguimento dado às observações do Parlamento Europeu sobre o anterior relatório anual dos Fundos estruturais (1998) :
O relatório do Deputado M. Turco (Comissão da Política Regional, dos Transportes e do Turismo) sobre o 10º relatório anual dos Fundos estruturais (1998), emite observações e convida a Comissão a explicitar determinados aspectos ou a desenvolver novas acções. O presente capítulo propõe-se retomar as principais questões colocadas pelo Parlamento e dar-lhes resposta.
• Parlamento "apela à Comissão e aos Estados-Membros no sentido de acelerarem
a sua actual programação (2000-2006)". A Comissão deu início ao processo de
programação para o período 2000-2006 quando foram aprovados os novos regulamentos dos Fundos estruturais. Foram difundidas orientações aos Estados-Membros, para os ajudar a um melhor cumprimento das prioridades comunitárias para o conjunto do período de programação. Os primeiro planos (projectos de programas) referentes aos objectivos nº 1 e nº 3 foram recebidos pela Comissão no final de 1999, e os do objectivo nº 2 foram escalonados entre Janeiro e Junho de 2000. Logo após a análise de admissibilidade pelos serviços da Comissão (10 dias úteis), tiveram início as negociações com as entidades responsáveis de cada Estado-Membro. Os primeiros documentos de programação foram aprovados em Abril de 2000. Aliás, independentemente da data de aprovação de um programa, as despesas relativas a esse programa são elegíveis a partir da data de recepção do plano pela Comissão, desde que seja considerado admissível.
• Parlamento convida a Comissão a melhorar a coordenação e a convergência estratégica entre os objectivos. A simplificação introduzida no novo período de
programação permite responder a esta preocupação: com efeito, a existência de 3 objectivos, em vez dos 7 do período 1994-1999, permitirá, de facto, uma melhor coordenação entre eles. Por outro lado, o texto dos programas exige que haja uma ligação entre as acções do FSE previstas no objectivo nº 3 (horizontal), a título dos planos nacionais de emprego, e as acções previstas nos programas do objectivo nº 2 (regionalizadas).
• Parlamento pretende ser informado do estado e da avaliação dos pactos
territoriais para o emprego. O segundo relatório intercalar sobre os pactos
territoriais, concluído em Novembro de 1999, foi transmitido ao Parlamento Europeu, que foi igualmente convidado para a conferência de divulgação dos resultados (à qual assistiram numerosos deputados).
• Parlamento "solicita à Comissão que nas acções de desenvolvimento regional seja garantida a protecção dos lugares considerados de importância comunitária". Para que os programas possam ser aprovados pela Comissão, é necessário que os Estados-Membros forneçam previamente as listas dos sítios protegidos a título da directiva NATURA 2000 e se comprometam a fornecer a lista dos sítios complementares, num prazo não superior a 6 meses após a aprovação do respectivo programa.
• Parlamento exorta a Comissão a criar instrumentos que permitam controlar com
maior precisão a observância da adicionalidade. No período 2000-2006, a
verificação do princípio da adicionalidade será efectuada em três momentos-chave da programação: uma verificação ex ante, apresentada pelo Estado-Membro no seu plano; uma verificação intercalar, a meio do período; e uma verificação pouco antes do fim do período. Por outro lado, as modalidades de verificação foram igualmente simplificadas: a verificação será efectuada nos moldes habituais no caso dos programas do objectivo nº 1, que não levantam problemas metodológicos, mas, no caso dos objectivos nº 2 e nº 3, tomados no seu conjunto, será efectuada sobre uma amostra de medidas activas do mercado do trabalho.
• Parlamento exorta a Comissão a reforçar o controlo da execução dos programas.
A actividade de controlo é parte integrante do funcionamento dos Fundos estruturais. A este título, ela é considerada pela Comissão como uma prioridade para o novo período 2000-2006. Em 1998, infelizmente, algumas missões de controlo no terreno, por parte dos serviços gestores dos Fundos estruturais, tiveram de ser anuladas por falta de pessoal suficiente. Entretanto, o número de missões de controlo efectuadas pelo FEDER aumentou sensivelmente em 1999 (36 missões, contra 22 em 1998). A nova responsabilidade atribuída à Comissão pelos novos regulamentos em matéria de controlo deveria permitir dar resposta a esta preocupação: de facto, a primeira responsabilidade dos controlos cabe ao Estado-Membro; a Comissão, por seu turno, é responsável pelo controlo dos sistemas existentes em cada Estado-Membro. Por outro lado, a criação do OLAF (Organismo Europeu de Luta Antifraude) permitirá reforçar a actividade de controlo.
assinado no mês de Junho de 2000 entre a Comissão e o Parlamento, relativo à transmissão de documentos, passou a enquadrar de forma mais clara a difusão deste tipo de documentos entre as duas instituições.
7.1.2 Pareceres dos Comités dos Fundos estruturais
Em 1999, o Comité para o desenvolvimento e reconversão das regiões (CDRR), com competência relativamente aos objectivos nº 1, nº 2 e nº 6, reuniu cinco vezes, a primeira em 12 de Março, na sua anterior composição enquanto comité consultivo, e mais quatro vezes depois da reforma dos Fundos estruturais. Por força do novo regulamento geral dos Fundos, o CDRR teve, segundo os casos, funções de comité de gestão ou de comité consultivo. A título da sua função de gestão, o CDRR analisou, nomeadamente, antes do fim do ano, as iniciativas comunitárias INTERREG e URBAN, sem, todavia, emitir parecer formal; na sua função consultiva, pronunciou-se sobre a delimitação das zonas elegíveis para o objectivo nº 2 na Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Finlândia e Alemanha. Desenvolveu igualmente trabalhos relativos a três regulamentos de aplicação decorrentes do artigo 53º do regulamento geral, a saber, a utilização do euro na execução orçamental dos Fundos estruturais, as acções de informação e publicidade a desenvolver pelos Estados-Membros em relação às intervenções a título dos Fundos estruturais e a elegibilidade de despesas no âmbito de operações co-financiadas pelos Fundos estruturais. O comité de gestão para as iniciativas comunitárias reuniu pela última vez em 23 de Abril de 1999.
O Comité FSE reuniu-se três vezes em 1999. Em todas as reuniões, os membros do comité foram mantidos ao corrente da evolução da estratégia europeia de emprego e receberam todos os documentos sobre a matéria. Foram também mantidos ao corrente do desenvolvimento das discussões e do alcance do novo regulamento do FSE, que estava em discussão. Na reunião de Setembro, vários Estados-Membros apresentaram os domínios prioritários e os aspectos políticos tidos em conta no âmbito da nova programação, concentrando-se no quadro de referência, no conteúdo do programa do novo objectivo nº 3 e na ligação entre o FSE e a estratégia europeia de emprego. A nova iniciativa comunitária EQUAL foi igualmente analisada em várias reuniões. Na reunião de Dezembro de 1999, após longas discussões sobre os vários aspectos e implicações do texto em análise, o comité emitiu um parecer sobre EQUAL. Os indicadores utilizados na avaliação ex ante dos novos programas, bem como os respectivos controlos, foram também amplamente debatidos no comité FSE. O comité emitiu igualmente um parecer sobre o projecto de regulamento de aplicação, da Comissão, relativo à utilização do euro, bem como um outro parecer sobre o regulamento de aplicação relativo à informação e à publicidade. Na reunião de Dezembro, iniciou-se a discussão sobre o regulamento de aplicação relativo à elegibilidade de despesas; esta discussão continuará em 2000.
O Comité das estruturas agrícolas e do desenvolvimento rural (Comité STAR) teve 19 reuniões em 1999 e emitiu 102 pareceres favoráveis; uma das consultas resultou numa ausência de parecer. Estes pareceres incidiram, principalmente, nas modalidades do controlo financeiro a efectuar pelos Estados-Membros, nas medidas visadas pelo Regulamento (CE) nº 950/97 relativo à melhoria da eficácia das estruturas agrícolas, pelo Regulamento (CE) nº 2078/92 relativo a métodos de produção agrícola compatíveis com as exigências da protecção do ambiente e pelo Regulamento (CE) nº 951/97 relativo à transformação e comercialização dos produtos agrícolas. O comité procedeu igualmente a uma troca de pontos de vista
sobre diversos assuntos, como o regulamento de aplicação relativo à utilização do euro, as orientações para a avaliação ex post dos programas do objectivo nº 5b, da iniciativa LEADER II e das medidas relativas aos Regulamentos (CE) nº 950/97 e (CE) nº 2078/92, as regras transitórias para a aplicação do artigo 53º do regulamento do desenvolvimento rural para o período 2000-2006, a repartição financeira pelos países candidatos no âmbito do SAPARD, o projecto de regulamento relativo às normas de execução do Regulamento (CE) nº 1268/1999, relativo ao SAPARD, e as orientações para a nova iniciativa LEADER+.
7.1.3. Diálogo com o Comité Económico e Social
A Comissão continuou a acompanhar atentamente os trabalhos do Comité Económico e Social (CES). No domínio da política regional, e para além dos pareceres sobre os relatórios anuais relativos aos Fundos estruturais e ao Fundo de Coesão, que permitiram elaborar um balanço conjunto, o interesse do CES incidiu sobretudo no 6º relatório periódico sobre a situação e o desenvolvimento económico e social das regiões da União Europeia, bem como sobre as iniciativas comunitárias INTERREG III e URBAN. A respeito desta última, importa referir que o CES emitira, por sua própria iniciativa, um parecer sobre o desenvolvimento urbano sustentável.
Por outro lado, o CES emitiu um parecer, na sua sessão de Maio de 1999, sobre a proposta de regulamento do Conselho que define as modalidades das acções estruturais da pesca.
7.1.4. Diálogo com o Comité das Regiões
Globalmente, a actividade do Comité das Regiões em matéria de política regional, em 1999, consistiu na elaboração de 22 pareceres. O diálogo com a Comissão centrou-se em três temas principais:
– as orientações para o novo período de programação 2000-2006, em relação às quais o Comité aprovou uma resolução sobre o princípio de parceria e a sua aplicação na reforma dos Fundos. Esta resolução reafirma o empenhamento do Comité em relação ao princípio de parceria. O Comité emitiu também um parecer favorável sobre as orientação para as iniciativas comunitárias de 2000-2006, após consulta às organizações europeias de poderes regionais e locais. Nessa ocasião, o Director-Geral da Política Regional interveio perante o Comité, insistindo na necessidade de mobilização dos actores locais, da simplificação da gestão dos programas e de uma ampla divulgação das experiências;
– as questões relacionadas com a coesão e o ordenamento do território, em relação às quais foram emitidos pareceres referentes às medidas de incentivo ao investimento, à comunicação da Comissão "Coesão e Transportes" e, por último, à estratégia europeia de ordenamento das zonas costeiras;
– os relatórios regulamentares sobre os Fundos estruturais, tendo o Comité emitido pareceres sobre o relatório anual do Fundo de Coesão (1997) e sobre o 6º relatório periódico sobre a situação das regiões.
implicações para as políticas estruturais da União" e ao "Quadro de acção para um desenvolvimento urbano sustentável".
Por último, o Comité aprovou um parecer sobre a proposta de regulamento relativo às acções estruturais no sector da pesca, bem como sobre a proposta de regulamento do Conselho que define os critérios e condições das acções estruturais no domínio da pesca.