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DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES: Historia Ambiental e Vaquejada Vaquejada.

4.CONHECENDO UM POUCO DA VAQUEJADA ENQUANTO ESPORTE EM PIRANHAS-AL

4.1. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES: Historia Ambiental e Vaquejada Vaquejada.

Não poderia concluir a História da Vaquejada sem mencionar a questão ambiental, implícita e explícita na pratica desse esporte. Buscamos compreender também, o outro lado da vaquejada, a dimensão dos atores principais do esporte, os animais, e o modo como alguns ambientalistas discutem esse esporte. E para melhor entender fundamentei alguns conceitos no autor Enrique Leff, (2011) com o livro “Saber Ambiental racionalidade, complexidade, poder”, onde de início Leff (2011) comentando sob “a degradação ambiental” informando as causas resultantes da crise da globalização mundial, outros fatores que também são reflexos dessa degradação é o rápido crescimento da pobreza e a desigualdade social. Leff (2011) entende a sustentabilidade como resultado da falha da humanidade. Leff (2011) relata ainda que:

O saber ambiental emerge de uma reflexão sobre a construção social do mundo atual, onde hoje converge e se precipitam os tempos históricos que já não são mais os tempos cósmicos, da evolução biológica e da transcendência histórica. É a confluência de processos física, biológicos e simbólicos reconduzidos pela intervenção do homem- da economia, da ciência e da tecnologia- para uma nova ordem geofísica, da vida e da cultura. ( LEFF, ano 2011, PG 09)

Leff (2011) acredita que o processo de sustentabilidade inicia com o surgimento contextual da globalização, como uma forma de mudança e de reorganização no modo de vida da população. Pois a crise ambiental buscou mostrar que houve um aumento económico , para esse aumento acontecer ouve a degradação da natureza, e como um modo de solucionar esse

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problema, vem a sustentabilidade ecológica com o objetivo de reconstruir o meio económico, e para possibilitar a continuação da sobrevivência humana, como uma forma de prosseguir com a produção, mais agora de modo sustentável, buscando um modo de unir a natureza e o homem onde o homem aprenda a crescer sem danificar a natureza proporcionando assim um ambiente saudável para as demais gerações.

Leff (2011) ainda discute a crise ambiental se mostrou mais forte nos anos 60, como reflexo de um período marcado pela “irracionalidade ecológica” dos modos que dominavam os meios produtivos e económicos, dando ênfase ao desenvolvimento económico, e com base nesse desenvolvimento surge estudos e políticas, que valorizavam a natureza buscando uma forma de conservar atuante as “ externalidades sócio ambientais” para isso foi criado planos de desenvolvimento, onde se buscou uma forma consciente dos recursos, tendo como base o “eco desenvolvimento”.. É válido ressaltar que na década de 1960 mesmo com discussão ambiental, as práticas da vaquejada em Piranhas só surgem em 1982 e a regulamentação do esporte só é efetivada em 2007 pela ABVAQ - Associação Brasileira de Vaquejada. Nesse sentido, é necessário compreender qual discurso está associado a regulamentação do esporte, que recentemente sofridos coerção jurídica. No ano de 2016 os ativistas ambientais e juízes tentaram deslegitimar a prática como esporte e indenitária. Entretanto, é fato que diante das mobilizações a vaquejada foi considerada patrimônio imaterial do Brasil.

Assim buscamos fundamentar as concepções de Leff (2011) que afirma:

O discurso do desenvolvimento sustentável foi sendo legitimado, oficializado e difundido amplamente com base na conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente e o desenvolvimento, celebrada no Rio de Janeiro em 1992. Mas a consciência Ambiental surgido nos anos 60 com a primavera silenciosa de Rachel Carson, e se expandiu nos anos 70 depois da conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente humano, celebrada em Estocolmo, em 1972. Naquele momento é que foram assinalados os limites da racionalidade económica e os desafios da degradação ambiental ao projeto civiliza-tório da modernidade. (LEFF, 2011,PG 16)

Leff (2011) comenta sobre a crise ecológica, onde segundo ele foi com o conhecimento dessa crise que, se buscou uma ideia de meio ambiente, algo fundamental para o desenvolvimento do ser humano, onde o homem busca seguir unido com a natureza, onde mesmo com o crescimento desenfreado da modernidade já não deveria agredir a natureza como antes. Com esse conceito o ambiente surge trazendo novas visões de diversidade,

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étnicos, estéticos e valores culturais, onde com processos intermináveis se buscava criar um mundo sustentável, possibilitando uma certa harmonia entre o homem e o meio natural.

Para Leff (2011) a destruição ambiental é vista como um problema criado pela civilização, onde se buscava o crescimento produtivo e não se buscava entender a importância dos recursos naturais, já que o meio ambiente era visto como um problema para as bases produtivas, pois para conciliar esses dois recursos era preciso desconstruí teorias económicas presentes na modernidade, para se construí novas visões de um futuro diferente onde o homem deveria buscar a modernidade mais agora seguindo as leis da natureza. Para isso foi necessário a criação de novos meios de produção e modos de vidas de acordo com o sistema ecológico presente em cada lugar, onde se buscou integrar a população na administração dos recursos. Leff (2011) afirma ainda que:

As estratégias de apropriação dos recursos naturais no processo de globalização económica transferiram assim seus efeitos para o campo teórico e ideológico. O ambiente foi caindo no nas malhas do poder do discurso do crescimento sustentável. Porém, o conceito de ambiente cobra um sentido estratégia no processo político de supressão das “externalidades do desenvolvimento”- a exploração económica da natureza a degradação ambiental, a desigual distribuição social dos custos ecológicos e a marginalização social que persistem apesar da ecologização dos processos produtivos e da capitalização da natureza. (LEFF, ano 2011 PG 18 e 19)

Leff (2011) comenta também sobre a criação da comissão mundial referente ao meio ambiente, onde caberia a esse projeto avalia os diferentes passos de destruição de recursos naturais, e buscar entender de que modo as políticas ambientais estavam tentando resolver esse impasse, onde segundo Leff (2011) com a duração de pesquisa equivalente a três anos, foi chegada á conclusão que, todos os povos deveriam se unir enfim de conservar o planeta, já que o planeta é a casa comum de todos, onde o autor afirma:

Busca, entretanto, um terreno comum onde propor uma política de consenso, capaz de dissolver as diferentes visões e interesses de países povos e classes sociais, que plasma o campo conflitivo do desenvolvimento. Assim começou a configurar-se uma estratégia política para a sustentabilidade ecológica do processo de globalização e como condição para a sobrevivência do género humano, através do esforço compartilhado de todas as nações do orbe. ( LEFF, 2011 PG 19)

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Leff (2011) enfatiza que a sustentabilidade foi criada com a propósito de proteger a natureza para que as gerações atuais possam viver de modo saudável, podendo proporcionar as novas gerações o mesmo conforto que se tem na atualidade com natureza, e para isso ouve a criação de novas políticas para resolver os problemas entre o desenvolvimento e o meio ambiente. Com a criação da teoria da sustentabilidade o propósito seria, conciliar um crescimento económico sustentável, ajuda dos mercados. Leff (2011) comenta também que:

O informe Bruntland oferece uma perspectiva renovada á discussão da problemática, ambiental e do desenvolvimento. Com base nisso foram convocados todos os chefes de Estado do planeta á conferencia das nações unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento, celebrada no rio de Janeiro, em junho de 1992. Nessa conferencia foi elaborado e aprovado um programa global (conhecido como agenda 21) para regulamentar o processo de desenvolvimento com base nos princípios da sustentabilidade, desta forma foi sendo prefigurado uma política para a mudança global que busca dissolver as contradições entre meio ambiente e desenvolvimento. (LEFF, ano 2011, PG 20 e 21)

Mas Leff (2011) destaca que a aceitação do processo de sustentabilidade não foi tão fácil, já que foi encontrado algumas dificuldades, uma delas foi para conseguir acordos internacionais, pois muitos países do Norte se recusaram a concordar juridicamente de modo obrigatório para a conservar de modo sustentável as florestas. Com isso houve manifestações com a aprovação da “convenção referente a diversidade biológica”. Pois eles buscavam os direitos de se apropriarem da natureza. Mas devido ao grande debate referente a sustentabilidade, onde ouve o avanço de uma economia sustentável, mas que estabelecia de modo ilusório as determinações ecológicas, pois na verdade se buscava “ estabelecer limites e condições a apropriação e transformação capitalista da natureza” (PG: 22 a 23).

Os animais como parte integrante da biodiversidade, devem ser considerados de suma importância no trato e nas práticas que os envolvem, assim torna-se perceptível após os anos 1970 que as preocupações ambientais permeiam várias dimensões dentre elas o cuidado com o ambiente natural. Compreendendo a vaquejada um esporte caraterístico do sertão, envolvido em uma paisagem própria e obedecendo várias dimensões, principalmente a lógica sazonal das estações do ano, e evidente a interferência em relação com a problemática ambiental.

Leff (2011) comenta que com o tempo se buscou unir a natureza com o capital. O estabelecimento dos custos ambientais referente ao progresso, buscando ainda colocar o homem, a cultura e a natureza como parte de um mesmo capital.

As vaquejadas no Brasil têm uma representatividade econômica, social, cultural e identitária. Na perspectiva econômica o esporte movimenta aproximadamente de 62 milhões

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de reais anualmente, isso só no Estado de Alagoas, no cenário nacional esse valor chega a ultrapassar 600 milhões de reais, e gera aproximadamente 720.000 empregos diretos com a realização das festas, dados informados através da Associação Alagoana de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ALQM).

Mesmo tentado impor a sustentabilidade, limitando o homem a uma degradação mínima da natureza, mas uma vez as grandes indústrias conseguem driblar de modo Maquiavel os acordos de sustentabilidade, onde a desculpa que agora seria criado um capital natural, mas que de um nodo ou de outro estava levando o planeta a uma catástrofe.

Segundo Leff (2011) o conceito de sustentabilidade não foi levado a sério, e em boa parte do planeta continuou a degradação ambiental, a solução agora encontrada seria que com as novas tecnologias pudessem reverter esse processo, onde o mesmo crescimento tecnológica que destruiu parte do meio natural agora trabalharia para reverter essa situação nos meios de produção, onde se estabeleceria uma forma diferente de matéria e de energia. A ideia era que “Os sistemas ecológicos reciclariam os rejeitos; a biotecnologia inscreveria a vida no campo da produção; o ordenamento ecológico permitiria localizar e dispersar os processos produtivos, entendendo o suporte territorial para um maior crescimento económico” (p 27).

Leff (2011) relata também que: “O neoliberalismo ambiental busca debilitar as resistência da cultura e da natureza para subsumi-las dentro da lógica do capital”(p.29). É notório que enquanto algumas instituições envolvidas com o esporte, enfatizam a questão econômica, os princípios identitários e culturais muitas vezes são soterrados, ou mesmo invisibilizados. Com essa ideia Neoliberal o que se buscava mesmo era que diminuísse os conflitos referente a apropriação da terra, e que os indígenas recebessem um valor em dinheiro para o seu território se torna-se um capital natural administrada pelas empresas de biotecnologia, pois essa empresa seria a responsável pela administração dos “bens comuns” proporcionando o equilíbrio ecológico, das gerações atuais e futuras. Mas segundo Leff (2011) não só os indígenas, mas também os camponeses não aderiram a essa ideia, e ouve grande resistência pois preferias que suas terras se tornassem reservas etnológicas pois assim podiam continuar com a sua identidade cultural.

Nesse sentido, o processo de territorialização dos Parques de Vaquejadas perpassam a dimensão econômica, e atingem a perspectiva cultural, indentitária e por que não afirmar no diálogo ambiental.

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Outro autor que se refere ao meio ambiente é Reinaldo F. L. de Mello onde ele discute que o homem pode ter dois modos de comportamento com a natureza, uma amigável onde os responsáveis são as sociedades tradicionais e tribais e outro lado devastador que busca apenas o progresso industrial não se importando com a devastação ambiental.