O autocuidado apoiado
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Fonte: Adaptado de Lorig et al. (2006)
As condições crônicas, especialmente, as doenças crônicas, vêm acompanhadas de sintomas. Em geral, não podem ser percebidos por outras pessoas e são difíceis de serem descritos, em sua singularidade, mesmo pelos profissionais de saúde. Os principais sintomas são fadiga, estresse, dificuldade de respiração, dor, raiva, depressão e problemas de sono que interagem entre si e se retroalimentam.
Esses sintomas, contudo, manifestam-se de forma muito especial em cada portador de condição crônica. Por isso, o autocuidado apoiado deve envolver a capacidade das pessoas de gerenciarem os seus sintomas. Isso é feito por meio de métodos de solução de problemas, como se viu no plano de ação do autocuidado. Primeiro, é fundamental identificar o sintoma que se sente. Depois, é preciso tentar determinar a causa do sintoma em cada momento em que se manifesta e isso não é fácil porque os sintomas das condições crônicas são numerosos, complexos e inter-relacionados. Por exemplo, a fadiga pode ser causada por uma condição crônica, por inatividade física, por alimentação inadequada, por descanso insuficiente, por problemas emocionais (estresse, ansiedade, medo e depressão) e por certos medicamentos. Um meio para alcançar esse
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passo é escrever um diário sobre como se manifestam os sintomas. Uma vez identificada a causa é mais fácil usar técnicas de manejo do sintoma. Por exemplo, no caso estresse podem ser utilizadas, rotineiramente, diferentes técnicas de relaxamento muscular e de meditação (Lorig et al., 2006).
O autocuidado apoiado envolverá, algumas vezes, a provisão de recursos materiais para que seja implantado. É o caso de medicamentos e equipamentos de saúde. Mas o mais significativo consiste na mobilização dos recursos comunitários que existem nos clubes, nas igrejas, nas escolas, nas associações de portadores de condições crônicas e em outros movimentos sociais.
Há evidências de que o autocuidado apoiado apresenta resultados favoráveis no controle das condições crônicas.
A Organização Mundial da Saúde (2003) afirma categoricamente, em documento sobre os cuidados para as condições crônicas: “Há evidências substanciais, em mais de 400
estudos sobre autocuidado, de que os programas que proporcionam aconselhamento, educação, retroalimentação e outros auxílios aos pacientes que apresentam condições crônicas estão associados a melhores resultados”.
O Boxe em seguida descreve sucintamente um dos manuais mais conhecidos e utilizados sobre o autocuidado apoiado, produzido pela Universidade de Stanford nos Estados Unidos.
BOXE
Vivendo uma vida saudável com condições crônicas: um manual de desenvolvimento do autocuidado apoiado
A proposta de desenvolvimento do autocuidado apoiado, exposta em um livro para utilização pelos portadores de condições crônicas, foi elaborada a partir do estudo de autocuidado nas condições crônicas da Universidade de Stanford, Califórnia, Estados Unidos.
O objetivo do manual é possibilitar aos portadores de condições crônicas viver uma vida saudável, com autonomia e prazer pela vida, com base em ações de autocuidado.
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O autocuidado é definido pelo seguinte raciocínio lógico: a condição crônica tem longa duração ou é permanente; as pessoas convivem com a condição todo o tempo de sua vida; os profissinais de saúde cuidam do portador de condição crônica por poucas horas no ano; logo, é impossível manejar bem a condição crônica sem o autocuidado apoiado.
O autocuidado apoiado implica o conhecimento das causas da condição crônica, do que pode ser feito e de como a condição ou as intervenções clínicas afetam a vida das pessoas. O autocuidado apoiado não significa que os portadores de condição crônica devam assumir, exclusivamente, a responsabilidade por sua saúde, mas que conheçam a sua condição e co- participem da elaboração e do monitoramento do plano de cuidado, juntamente com a equipe de saúde, numa relação colaborativa.
Uma característica do autocuidado é a necessidade e a busca de apoio. Por isso, fala-se de autocuidado apoiado. O apoio deve vir da equipe de saúde, mas, também, da família, dos amigos e/ou da comunidade. Recursos importantes para o autocuidado apoiado são organizações comunitárias como as associações de portadores de condições crônicas específicas, grupos religiosos da comunidade, comunidades virtuais, organizações sociais e o acesso a informações, especialmente na Internet.
As condições crônicas apresentam sintomas que necessitam de ser manejados no autocuidado. Os sintomas mais comuns são: a fadiga, o estresse, as dificuldades respiratórias, as dores, os desconfortos físicos, as raivas, as depressões e os distúrbios do sono.
As ações de autocuidado apoiado relativas às condições crônicas e aos seus sintomas envolvem : as técnicas de relaxamento e meditação; os exercícios físicos regulares; o desenvolvimento da flexibilidade por meio de alongamentos; a comunicação com outras pessoas e com a equipe de saúde; a busca de uma sexualidade positiva; o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis; a capacidade de lidar com a questão da morte; e o autocuidado em relação aos medicamentos.
Alguns capítulos do livro são dedicados a condições crônicas singulares como as doenças respiratórias crônicas, a hipertensão e as doenças cardiovasculares, as artrites e o diabetes.
Fonte: Lorig et al. (2006)
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