4-ÉPOCA DO RENASCIMENTO:
B- Sinais Positivos ou Transformativos:
I- Diagnóstico da data de morte em cadáveres recentes:
Pode-se fazer o diagnóstico baseando-se essencialmente em quatro tipos de sinais: a)- Sinais paramédicos:
Na altura do levantamento cadavérico o perito pode demonstrar a sua capacidade de bom observador e génio, ao basear-se numa serie de elementos que irá recolher para melhor determinar a data da morte que qualquer técnica laboratorial - por exemplo observando o estado em que se encontra o solo onde repousa o cadáver, se está seco e o corpo húmido levará a concluir que o cadáver estava aí quando choveu, etc.
b)- Sinais de vida residual:
Estes são conhecidos desde a antiguidade, mas a sua contribuição para a data da morte é limitada, citaremos alguns exemplos: (1)- a mobilidade dos espermatózoides persiste até 34-36 horas póst-mortem. (2)- a pupila reage á luz até 4 horas após a morte, é capaz de reagir a administração da pilocarpina e atropina 2 a 4 horas após a morte.
c)- Sinais devido à cessação das funções vitais:
As função fisiológicas interrompidas devido morte podem ser medidas. São consideradas do ponto de vista Académico como a melhor forma de estabelecer a
data da morte, porque não sofrem alterações, contudo a sua valorização é discutível actualmente. (1)- Estado de enchimento da bexiga: baseia-se no facto de que a filtração renal é uniforme e é hábito das pessoas antes de se deitarem urinarem. Se encontrarmos no cadáver a bexiga cheia de manhã, poderemos deduzir de que a morte decorreu 6 horas antes de se deitar; ou, se estiver vazia, a morte terá ocorrido pouco depois de se deitar. (2)- Comprimento dos pêlos da barba: o crescimento dos pêlos da barba cessa logo que se instala a morte. O seu crescimento médio é de 0,5 mm/dia segundo Balthazard; se sobermos quando foi a última vez que o indivíduo se barbeou, poderemos deduzir a hora em que morreu. (3)- Fase da digestão e evolução do trânsito: o dado útil que poderemos obter é que na autópsia poderemos reconstruir o menu e associarmos a data (hora) da morte com a presença ou ausência de comida distinguivel no estômago.
d)- Sinais de morte molecular:
São os sinais que se observam no cadáver após a morte, são os sinais negativos ou abióticos. Estes sinais são em principio a chave da cronotanatodiagnóstico, visto que são fenómenos inertes influenciados basicamente por circunstâncias ambientais.
Desidratação: pode estar localizada ou generalizada no cadáver. A desidratação localizada em particular ao nível do olho tem grande relevância para a
determinação da data da morte: (1)- Turvamento da córnea: se o cadáver permaneceu com os olhos abertos este
fenómeno ocorre entre 2 a 4 horas após exitus ou morte. Se o cadáver ficou com os olhos fechados o turvamento da córnea é tardia, estabelece- se 24 horas depois da morte. (2)- Tensão intraocular: diminui rapidamente logo após a morte, com a deformação da pupila - sinal de Ripauld. Após 2 a 3 horas não é possível medir a tensão intraocular. (3)- Transparência das coróides: é observada através da esclerótida devido ao seu adelgazamento pós mortem - sinal de Sommer-Larcher, é uma mancha negra que surge entre 10 a 12 horas após a morte se o cadáver tiver permanecido com os olhos abertos.
Lividez cadavérica: pode ser generalizado ou localizado no cadáver. A Lividez ou Hipostase cadavérica generalizada têm importância para
cronotantodiagnóstico pois permite baseando-se no Esquema de B. Muller conhecer o
seu inicio, evolução e generalização: 0-1 hora - pequenas manchas na face posterior do pescoço.
1- 5 horas - lividez abundante na áreas de declive; e, palidez total se mudar a posição do cadáver na face oposta. 5 - 8 horas - desaparecimento da lividez a pressão; difusão da hemoglobina e focos de hemolíse. 8 - 14 - horas palidez a pressão não desaparece totalmente; não há desaparecimento da lividez ao se mudar a posição do cadáver; hemólise intravascular com infiltração da
hemoglobina (Hb) no epitélio. + de 14 horas - não há palidez a pressão (fixação da mancha hipostática).
Esfriamento: O esfriamento dos pés, mãos e face é perceptível 2 horas após a morte ao tacto; e nas partes cobertas do corpo é perceptível ao tacto depois de 4 a 5 horas. Por meio do termómetro pode-se estudar a curva do esfriamento, mediante a formula de Glaister e Rentoul: Tempo póst morte = 36, 9 - temperatura rectal./0,8.
Actualmente existem fórmulas mais complexas das quais se destacam a de Marshall e Hoare.
Rigidez cadavérica: É um processo de contracção muscular por anaerobiose, governado por alterações
bioquímicas que afectam a ATP-ATPase, Ca/Mg, glucogénio, fosfo-creatina. O estudo da evolução da rigidez cadavérica por meio da analise dos componentes
bioquímicos não fornecem elementos de avaliação para estimar a data da morte. As etapas da rigidez cadavérica que fornecem elementos para estimar a data da morte são: fase de inicio, generalização, restauração e lise. Com base no esquema de Niderkorn a rigidez cadavérica: Começa entre 2 a 4 horas após a morte. Está completa entre 6 a 8 horas após a morte. Atinge sua máxima expressão 13 horas após a morte. Começa desaparecer à partir das 36 horas após a morte. A rigidez cadavérica é um fenómeno bioquímico influenciado por factores endógenos e exógenos segundo a Lei de Nysten.
Transformações físico-químicos no sangue: De grande importância Académico, vários autores estudaram o hematócrito, o ponto crioscópico, índice de refracção, queda do potencial redox, etc.
Manifestações bioquímicas: Também de grande importância Académica, foram estudados vários componentes bioquímicos no cadáver tais como fósforo, potássio, etc.
Relógio Póst Mortem de Fatteh os elementos ou dados mais importantes são: temperatura rectal do cadáver; temperatura ambiente no momento do levantamento cadavérico e do período anterior; peso do cadáver; saber se o cadáver estava despido ou não; recolher a amostra do humor vítreo de ambos olhos para determinar o nível de potássio e o estado dos fenómenos ou sinais cadavéricos.