Capítulo I – Enquadramento Contextual
1.4. Diagnóstico de Necessidades
De forma a identificar as necessidades e interesses dos destinatários do presente projeto, bem como para possibilitar a sua execução, começou por fazer-se um levantamento de informações que caracterizassem a realidade onde se pretendia intervir.
Como é do conhecimento de todos, o envelhecimento demográfico da população está a tornar-se um fenómeno preocupante, na medida em que dele decorre um conjunto de problemas de ordem social e económica, que poucas soluções tem suscitado por parte da sociedade. Tendo em conta este fenómeno, começou por efetuar-se uma pesquisa bibliográfica sobre a intervenção com a população idosa, de forma a ter conhecimento do trabalho desenvolvido com e para esta população.
É cada vez mais evidente que a população mundial tem sido alvo de várias transformações demográficas, sendo que Portugal não é exceção. O concelho em questão não
foge a esta realidade, tendo sido apontado no Diagnóstico Social do Concelho, publicado para o ano de 2012, juntamente com o Plano de Desenvolvimento Social, um conjunto de problemas, como por exemplo a sobrelotação das respostas existentes e a ausência/escassez de respostas nas zonas periféricas do Concelho.
Para compreender as necessidades, os interesses e os recursos existentes, recorremos também à análise documental dos resultados da implementação do projeto AMIF (Avaliação Multidimensional dos Idosos Fafenses), na freguesia em questão. Assim, num total de 1706 residentes dessa freguesia (dados dos censos de 2011), dos quais 329 com idade igual ou superior a sessenta e cinco anos2, foi pré-sinalizada uma amostra de 40 pessoas (idosas), que
reúne as pessoas portadoras de mais fragilidades a nível económico, afetivo e/ou social.
Foi aplicado às pessoas pré-sinalizadas um inquérito, tendo-se chegado às conclusões apresentadas no gráfico seguinte.
Gráfico 1: Resultados da Avaliação consequente do Projeto AMIF
Como se pode verificar, num total de quarenta idosos pré-sinalizados para avaliação, catorze estavam dependentes, treze não acharam necessária a avaliação, dez vivem sozinhos e têm demasiado tempo livre, um apresenta outros problemas e por fim, 2 faleceram.
Mediante a análise dos resultados do Projeto AMIF, a DFCVP e a Junta de Freguesia, perceberam que um número significativo da amostra referiu não ter nenhum tipo de ocupação para o tempo de que dispunha, assim, um dos fatores que levou à aceitação do presente
2 Dados obtidos através da base de dados da população existente da Junta de Freguesia em Abril de 2011
Não acha necessária a avaliação Vive só e dispõe de tempo livre Dependente Outros problemas Faleceu 0 2 4 6 8 10 12 14 13 10 14 1 2
Resultados da Avaliação do Projeto AMIF
Não acha necessária a avaliação Vive só e dispõe de tempo livre Dependente
Outros problemas Faleceu
projeto, foi a perceção da falta de soluções que pudessem minorar a situação dos idosos abordados.
Objetivando-se o alargamento da área de intervenção do presente projeto considerou-se pertinente que para além da integração dos idosos avaliados pelo projeto AMIF, se integrassem também todos aqueles com idade igual ou superior a sessenta anos, que tenham disponibilidade e vontade de partilhar os seus conhecimentos e experiências.
Como só tinha sido avaliada uma amostra de quarenta idosos num total de 329 pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, foi necessário voltar ao terreno e realizar visitas e conversas informais com os idosos, de forma a conhecer melhor a comunidade onde o projeto ia decorrer. Se por um lado, alguns idosos estavam já familiarizados com a instituição, atendendo aos anteriores contatos no âmbito do projeto AMIF, outros não. Decidiu-se então utilizar a identificação institucional em todos os contatos efetuados, sendo necessário criar afinidade com as pessoas, para conseguir explicar quais as pretensões/objetivos do projeto, tendo sempre o cuidado de utilizar linguagem corrente e ao mesmo tempo cuidada, de forma a conseguir conscientizar 3 O público para a importância do projeto.
Através das conversas informais com os idosos, com o presidente da junta e com o pároco, podemos percecionar de perto a realidade dos idosos. Assim, conclui-se que grande parte destes vive sozinho, devido a situações de viuvez, outros vivem com os filhos, mas estes só estão em casa após o horário laboral, alguns recebem a visita das auxiliares de ação direta que pertencem à instituição que lhe presta o serviço de apoio domiciliário.4 Foi ainda possível
concluir, que a maioria dos idosos e/ou reformados dispõe de algum tempo livre ao longo do dia, e que não têm ideia de como o ocupar, uma vez que na freguesia não existe nenhuma resposta institucional. O seu tempo disponível é, por isso, ocupado a ver televisão, a dormir (ou até mais tarde da parte da manhã, ou após a refeição da hora de almoço), a cuidar do quintal, à varanda ou janela a ver quem passa e sobretudo, no caso das senhoras a desempenharem tarefas domésticas.
Também por meio da observação participante e de entrevistas não estruturadas, foi possível reunir, numa primeira fase, um conjunto de informações que nos pudessem indicar potenciais interessados no nosso projeto e avaliar as suas necessidades e interesses.
3 Dias, (2009, p.177)
Procedeu-se então à fase de divulgação do projeto através de editais da junta de freguesia, avisos do pároco nas missas, e folhetos deixados em locais públicos estratégicos e entregues em mão.
Após a divulgação, foram feitas duas sessões de esclarecimento durante as quais foi possível reunir informação sobre as necessidades e expectativas dos idosos. A maioria dos Seniores reconheceu a relevância do projeto, no entanto alguns deles (não só nas sessões de esclarecimento, mas também aquando as visitas domiciliárias) “desculpavam-se” referindo um conjunto de razões para não pertencer à Academia, ou porque achavam que não tinham tempo livre, ou porque referiam que “o quintal e a lida da casa” já lhes consumiam uma grande parte do tempo. Outros, ainda, apontavam a falta de recursos económicos para participar, pois achavam que seria um tipo de ocupação paga.
Porém, a maioria evidenciou que tinha vontade de partilhar e aprender algo novo, referindo que “enquanto somos vivos, estamos sempre a aprender”, e (contrariamente ao esperado) mostraram tempo disponível para participar chegando alguns a referir que “já estamos reformados, por isso temos o tempo que quisermos”, aproveitaram ainda para mencionar as áreas que gostariam de ver desenvolvidas.
Assim, foram agrupados os interesses evidenciados pelos Seniores da seguinte forma:
Atividades de caráter formativo/informativo;
Atividades de caráter lúdico;