Recordamos que Q ∈ Mn×n(R) diz-se ortogonal se QTQ = I.
Observa¸c˜ao 6.37 i) Se Q ´e uma matriz ortogonal, ent˜ao Q ´e invert´ıvel, Q−1 = QT,
det(Q) = ±1 e a transposta QT tamb´em ´e ortogonal.
ii) Seja {v1, v2, · · · , vn} uma base ortonormada de Rn. Seja ainda Q a matriz cuja coluna i
´
e o vector vi (com i = 1, 2, · · · , n). Ent˜ao Q ´e ortogonal.
Teorema 6.38 Seja A ∈ Mn×n(R).
i) Ent˜ao temos hAu, vi = hu, ATvi para quaisquer u, v ∈ Rn,
ii) Se A fˆor sim´etrica, ent˜ao vectores pr´oprios associados a valores pr´oprios diferentes s˜ao ortogonais (e portanto linearmente independentes).
iii) Os valores pr´oprios de uma matriz sim´etrica s˜ao todos reais.
Observa¸c˜ao 6.39 Seja A = [aij] ∈ Mn×n(C). A matriz A∗ cuja entrada (i, j) ´e aji ´e
habitualmente designada pela matriz transconjudada de A – e de facto A∗ = AT. Diz-se que A ´e normal (respectivamente, hermitiana, unit´aria) se AA∗ = A∗A (respectivamente, A = A∗, A−1 = A∗). Claro est´a que se A tiver entradas em R, ent˜ao a matriz diz-se normal, sim´etrica, ortogonal, respectivamente.
Seja K os n´umeros reais R ou os complexos C. Ent˜ao podemos usar a defini¸c˜ao da matriz A∗ e concluir que
hAu, vi = hu, A∗
vi para quaisquer u, v ∈ Kn.
Valem as seguintes propriedades, f´aceis de estabelecer, relativas `a matriz A: 1. λ ∈ C valor pr´oprio de A, ent˜ao λ valor pr´oprio de A∗.
2. A normal se e s´o se hAu, Avi = hA∗u, A∗vi para quaisquer u, v.
3. A hermitiana se e s´o se hAu, vi = hu, Avi para quaisquer u, v. 4. A unit´aria se e s´o se hAu, Avi = hu, vi para quaisquer u, v. 5. A hermitiana, ent˜ao os valores pr´oprios de A s˜ao todos reais.
6. A unit´aria ent˜ao os valores pr´oprios de A tˆem modulo 1, isto ´e |λ| = 1 para qualquer valor pr´oprio de A.
Se A fˆor hermitiana ou unit´aria ent˜ao A ´e normal.
Mais geralmente, se E for um espa¸co euclidiano de dimens˜ao finita sobre R ou sobre C, e dada uma transforma¸c˜ao linear T : E → E, ent˜ao podemos definir um operador T∗ : E → E tal que para quaisquer u, v ∈ E:
hT (u), vi = hu, T∗(v)i.
Fixada ma base ortonormada em E, seja ela v1, ..., vn, ´e f´acil ver que essa transforma¸c˜ao
T∗ ´e dada necessariamente por
T∗(u) =
n
X
i=1
Tudo o que foi dito para matrizes acima poder´a ser provado para transforma¸c˜oes usando T∗.
Al´em disso, note-se que se E = Rn ou E = Cn ent˜ao dada uma matriz A, temos a
transforma¸c˜ao linear T definida por T (u) = Au que est´a associada.
Teorema 6.40 Seja T : E → E uma transforma c˜ao linear num espa¸co euclidiano E de dimens˜ao finita com coeficientes em K onde K = R ou K = C. Ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
1. Existe uma base ortonormada de E constitu´ıda por vectores pr´oprios de A. 2. T ´e normal e os seus valores pr´oprios pertencem a K.
Dem.: Prova de 1) ⇒ 2). Suponhamos que existe uma base de E formada por vectores pr´oprios de E, relativa a T —- seja v1, ..., vn essa base. Temos ent˜ao T (vi) = λi vi com
λi ∈ K. A matriz de T nessa base (ordenada) ´e portanto a matriz diagonal
D = λ1 · · · 0 .. . . .. ... 0 · · · λn
pelo que o polin´omio caracter´ıstico de T ´e
p(λ) = det(D − λI) = (−1)n(λ − λ1)(λ − λ2) · · · (λ − λn).
Sendo ent˜ao {λ1, .., λn} os valores pr´oprios de T , que est˜ao em K. Admitindo agora que essa
base v1, ..., vn ´e ortonormada, temos que para u = ξ1v1 + ... + ξnvn e v = η1v1+ ... + ηnvn
(com os coeficientes em K): hT (u), T (v)i = hξ1T (v1) + ... + ξnT (vn), η1T (v1) + ... + ηnT (vn)i = = hξ1λ1v1+ ...ξnλnvn, η1λ1v1+ ...ηnλnvni = n X i,j=1 ξiλiλ¯j¯ηjhvi, vji = n X i=1 ξiλi¯λi¯ηi.
Por outro lado, usando a equa¸c˜ao (5) temos: hT∗(u), T∗(v)i = n X i=1 hu, T (vi)i vi, n X j=1 hv, T (vj)i vj = n X i,j=1
hu, T (vi)ihv, T (vj)ihvi, vji = n X i=1 hu, T (vi)ihv, T (vi)i = n X i=1 hu, λiviihv, λivii = n X i=1 λiλihu, viihv, vii = n X i=1 λiλihξ1v1+ ... + ξnvn, viihη1v1+ ... + ηnvn, vii = n X i=1 λiλiξiηi.
Ou seja hT (u), T (v)i = hu, vi e portanto T ´e normal.
Prova de 2) ⇒ 1). Suponhamos agora que a transforma¸c˜ao linear T ´e normal e que todos os seus valores pr´oprios pertencem a K. Vamos mostrar, utilizando o m´etodo de indu¸c˜ao, que existe uma base pr´opria de E, relativa a T que ´e ortonormada.
Se dim(E) = 1, n˜ao h´a nada a provar. Suponhamos que o enunciado ´e v´alido para dim(E) = n − 1 6= 0 e vamos provar que o resultado tamb´em ´e v´alido para dim(E) = n. Seja λ1 ∈ K um valor pr´oprio de T e seja v1 6= 0 tal que T (v1) = λ1v1 e ponha-se w1 = ||vv1
1||; pelo que ||w1|| = 1. Seja F = L({v1})⊥ o complemento ortogonal do espa¸co gerado pelo vector
v1 em E; portanto dim(F ) = n − 1. Provamos que T (F ) ⊆ F (para tal basta verificar que
hT (v), v1i = 0 para todo v ∈ F ). Pelo que a restri¸c˜ao T |F ´e uma transforma¸c˜ao linear de F
para F . Ora essa restri¸c˜ao T |F continua a a ser uma transforma¸c˜ao linear normal, pelo que
pela hip´otese de indu¸c˜ao, existe uma base ortonormada w2, ..., wnde F formada por vectores
pr´oprios de T |F. ´E claro que ent˜ao w1, w2, ..., wn ´e uma base ortonormada de E de vectores
pr´oprios de T .
O seguinte resultado ´e uma f´acil consequˆencia do teorema 6.40.
Teorema 6.41 Seja A ∈ Mn×n(R) sim´etrica A = AT, ent˜ao existe uma matriz ortogonal
Q e uma matriz diagonal D tal que D = QAQT.
Observa¸c˜ao 6.42 (a) Se A ∈ Mn×n(R) ´e sim´etrica, ent˜ao existe uma base ortonormal de
Rn constitu´ıda por vectores pr´oprios de A.
(b) Se uma matriz real A ´e ortogonalmente diagonaliz´avel, ent˜ao A ´e sim´etrica, dado que se D = QAQT com Q matriz ortogonal e D diagonal, ent˜ao A = QTDQ. Daqui conclu`Imos que A ´e sim´etrica!
Procedimento para diagonalizar uma matriz A ∈ Mn×n(R) sim´etrica
1. Encontre uma base para cada espa¸co pr´oprio de A.
2. Aplique o processo de ortogonaliza¸c˜ao de Grame-Schmidt a cada uma das base (de espa¸cos pr´oprios) para produzir uma base ortogonal de Rn constitu´da por vetores
pr´oprios de A. Normalize esta base, construindo assim uma base {v1, ..., vn} ordenada
e ortonormal de Rn constitu´ıda por vetores pr´oprios.
3. Seja QT a matriz cujas colunas s˜ao formadas pelos vectores {v
1, ..., vn} colocados em
coluna e D a matriz diagonal cuja entrada (i, i) ´e o valor pr´oprio de A associado ao vector pr´oprio vi, com i ∈ {1, ..., n}.
4. A teoria garante que D = QAQT.
Exemplo 6.43 Seja A = 4 2 2 2 4 2 2 2 4
. Com A ´e sim´etrica sabemos que existe uma matriz ortogonal Q e uma matriz diagonal D tais que D = QAQT. Vamos ent˜ao construir QT, D
e naturalmente Q = (QT)T.
1) o polin´omio caracter´ıstico de A ´e
p(λ) = det(A − λI) = det 4 − λ 2 2 2 4 − λ 2 2 2 4 − λ = ... = (λ − 2)2(λ − 8),
pelo que os valores pr´oprios de A s˜ao λ = 2 (raiz dupla) e λ = 8 (raiz simples). O espa¸co pr´oprio associado a λ = 2 ´e E2 = N (A − 2I) cujos vectores u1 = (−1, 1, 0), u2 = (−1, 0, 1)
forma uma base de E2. O espa¸co pr´oprio associado a λ = 8 ´e E8 = N (A − 8I) e o vector
u3 = (1, 1, 1).
2) Aplicando o processo de Gram-Schmidt `as bases {u1, u2} e {u3} e depois normalizando,
obt`Em-se os seguinte abase de R3:
v1 = − 1 √ 2, 1 √ 2, 0, v2 = − 1 √ 6, − 1 √ 6, 2 √ 6, v3 = 1 √ 3, 1 √ 3, 1 √ 3. 3) Ent˜ao temos D = 2 0 0 0 2 0 0 0 8 , QT = −√1 2 − 1 √ 6 1 √ 3 1 √ 2 − 1 √ 6 1 √ 3 0 √2 6 1 √ 3
e podemos verificar que
D = QAQT.
Observa¸c˜ao 6.44 No caso geral, se A ∈ Mn×n(C), ent˜ao podemos construir uma matriz
diagonal D e uma matriz unit´aria U tais que D = U AU∗.
Produto Externo e Misto
Sejam u = (a1, a2, a3), v = (b1, b2, b3) vectores de R3 e {e1, e2, e3} a base can´onica de R3. O
produto externo entre u e v ´e um vector de R3, que designamos por u × v e ´e definido
como: u × v = det e1 e2 e3 a1 a2 a3 b1 b2 b3 = det a2 a3 b2 b3 e1− det a1 a3 b1 b3 e2+ det a1 a2 b1 b2 e3 = (a2b3− a3b2, a3b1− a1b3, a1b2− a2b1).
Produto misto ´e hu, v × wi = det u1 v1 w1 u2 v2 w2 u3 v3 w3 . Teorema 6.45 a) u × v = −v × u e u × u = 0,
b) Se u, v s˜ao ortogonais e n˜ao nulos , ent˜ao {u, v, u × v} ´e uma base ortogonal de R3,
c) u× ´e ortogonal a u e a v,
d) ||u × v|| = ||u|| ||v|| sin(θ) onde θ ´e o ˆangulo entre u e v, e) ||u × v|| ´e a ´area do paralelogramo definido por u e v,
f) O valor absoluto |hu, v × wi| de hu, v × wi ´e o volume do paralelip´ıpedo formado pelos vectores u, v e w.
g) hu, u × vi = hu, v × ui = 0, hu, v × wi = hu × v, wi.
h) V = |hu, v × wi| ´e o volume do paralelip´ıpedo formado pelos vectores u, v e w. Note que
V = ||u × v||
| {z } ´
area da face determinada por u e v
||w|| |cos(θ)|
| {z }
altura
6.4
Exerc´ıcios
E 6.1 Identifique as aplica¸c˜oes h, i : Rn× Rn→ R que definem um produto interno, Em R2: (a) h(x1, x2), (y1, y2)i = x1y1+ x2y2. (b) h(x1, x2), (y1, y2)i = x1y1+ x1y2+ x2y2. (c) h(x1, x2), (y1, y2)i = −2x1y1+ 3x2y2. (d) h(x1, x2), (y1, y2)i = x1x2y1+ x2y2. (e) h(x1, x2), (y1, y2)i = x2y1y2+ x1y2. Em R3: (f) h(x1, x2, x3), (y1, y2, y3)i = x1y1+ x2y2+ x3y3. (g) h(x1, x2, x3), (y1, y2, y3)i = x1y1+ 2x1y2 + x2y2+ 3x1y3+ x2y3+ x3y3. (h) h(x1, x2, x3), (y1, y2, y3)i = x3x1y2+ x1y2.
E 6.2 Determine um produto interno de R2 tal que h(1, 0), (0, 1)i = 2. Ser´a ´unico?
E 6.3 Usando o produto interno usual e os vectores u = (1, 1, 2, 2) e v = (−2, −2, −1, −1), calcule:
(a) ||u||, (b) ||v||, (c) ||u|| − ||v||, (d) ||u − v||, (e) ||||u||u ||, (f) projvu, (g) projuv, (h)
](u, v).
Ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt
E 6.4 Usando o produto interno usual, verifique quais dos seguintes conjuntos constituem uma base ortogonal de R3.
(a) {(1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1)}, (b) {(1, 1, 1), (−2, 1, 1), (0, −1, −1)}, (c) {(1, 1, 1), (−2, 1, 1), (0, 1, −1)},
(d) {(1, 1, 1), (−2, 1, 1)} (f) {(0, 0, 0), (1, 1, 1), (−2, 1, 1)}.
E 6.5 Determine uma base ortogonal para cada espa¸co linear E que se segue.
(a) E = R2 (b) E = {(x, y) : x + y = 0} (c) E = L({(1, −1, 1), (−2, 2, 2), (1, 1, 1)})
(d) E = {(x, y, z) ∈ R3 : x+y = 0} (e) E = L({(1, 1, 1, 1, 1), (1, 0, 1, 0, 1), (0, 0, 0, 1, 1)}.
(f) E = {(x, y, z, w) ∈ R4 : x + y + z + w = 0, z − 2w = 0}. E 6.6 Considere o produto interno em R2 definido como se segue:
h(x1, x2), (y1, y2)i = x1 x2 2 0 0 3 y1 y2 .
(a) Verifique se os vectores u1 = (1, 1) e u2 = (1, −1) s˜ao ortogonais para este produto
interno.
(b) Use o processo de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt para encontar uma base ortogonal de R2 usando os vectores u1 e u2 de (a).
Complementos e projec¸c˜oes ortogonais; equa¸c˜oes cartesianas de
planos e rectas
E 6.7 Considere R3 munido com o produto interno usual e F = L({u
1}) onde u1 = (1, 1, 1).
(b) Determine uma base para o complemento ortogonal F⊥ de F .
(c) Determine uma base ortonormal para o complemento ortogonal de F , i.e. base ortonormal para F⊥.
E 6.8 Seja F = {(x, y, z, w) ∈ R4 : x + y + z + w = 0, z − 2w = 0}.
(a) Determine uma base para o complemento ortogonal de F .
(b) Determine uma base ortogonal para o complemento ortogonal de F .
E 6.9 Considere R4 munido com o produto interno usual e F = {(x, y, z, w) ∈ R4 : x−y = 0}.
(a) Calcule uma base ortogonal para F⊥.
(b) Determine a projec¸c˜ao ortogonal de p = (1, 1, 1, 1) sobre F e sobre F⊥. (c) Calcule d(p, F ) e d(p, F⊥).
E 6.10 Seja F = {(x1, x2, ..., x100) ∈ R100 : x1+ x2+ ... + x100 = 0}.
(a) Calcule dim(F ) e dim(F⊥).
(b) Seja p = (1, 2, 3, ..., 99, 100) ∈ R100. Calcule a diatˆancia entre p e F⊥. E 6.11 Seja W o plano de R3 definido pela equa¸c˜ao x − 2y + z = 0.
(a) Determine a(s) equa¸c˜oes (cartesianas) da recta perpendicular a W que passa pelo ponto p = (1, 0, 0).
(b) Determine a equa¸c˜ao cartesiana do plano paralelo a W que passa no ponto p = (1, 0, 0). E 6.12 Considere a recta (1, 1, 1) + L({(1, 2, 3)}). Encontre equa¸c˜oes cartesianas desta recta. E 6.13 Seja P o plano tal que (−1, 0, 4), (1, −4, −2), (1, 0, 6) ∈ P.
(a) Determine a equa¸c˜ao cartesiana de P. (b) Determine as equa¸c˜oes param´etrica de P. (c) Determine as equa¸c˜ao vectorial de P.
(d) Determine a equa¸c˜ao cartesiana do plano paralelo a P e que passa em (1, 1, 1).
E 6.14 Seja p + F um k-plano em Rn. Prove que p + F ´e um subespa¸co linear de Rn se e s´o
se p ∈ F .
E 6.15 Considere em R4 o produto interno usual.
(a) Determine uma base para o complemento ortogonal E⊥de E = L({(1, 0, 0, 0), (1, 0, 0, 1)}). E uma base ortogonal para E⊥.
(b) Determine uma base para o complemento ortogonal de N ( 1 1 1 1 ). (c) Calcule o ˆangulo entre v = (1, 1, 1, 1) e w = (1, 0, 0, 0).
E 6.16 Determine uma base para o complemento ortogonal de N ( 0 0 0 0 1 0 0 1 2 0 0 2 ).
E 6.17 Considere a estrutura de espa¸co euclidiano em P2 induzida pelo produto interno
hp, qi = Z 1
−1
p(t)q(t) d(t).
(a) Determine uma base ortogonal de P3 usando o processo de Gram-Schmidt aplicado `a
base can´onica.
(b) Calcule uma base para U⊥, onde U = {p ∈ P2 : p(1) = 0}.
E 6.18 No espa¸co linear E = M2×2(R) considere o produto interno hA, Bi = tr(ABt), e o subespa¸co linear F = { x y z w ∈ M2×2(R) : x + w = 0, y − z = 0}.
(a) Encontre uma base para F . (b) Encontre uma base para F⊥. (c) Calcule d(A, F ) onde A = 0 1
1 0
.
E 6.19 Considere o espa¸co linear R3 munido com o produto interno
h(x1, x2, x3), (y1, y2, y3)i = 2x1y1+ x1y3+ 2x2y2+ x3y1+ 2x3y3
e V = L({(1, 1, 0), (1, 0, −2)}) o subespa¸co linear de R3gerado pelos vectores (1, 1, 0), (1, 0, −2). (a) Determine u ∈ V e v ∈ V⊥ tais que (1, 1, 1) = u + v.
(b) Calcule a distˆancia entre (1, 1, 1) e V .
E 6.20 Considere o espa¸co linear R3munido com o produto interno usual e V = L({(1, 1, 0), (1, 0, −2)}).
(a) Determine u ∈ V e v ∈ V⊥ tais que (1, 1, 1) = u + v. (b) Calcule a distˆancia entre (1, 1, 1) e V .
E 6.21 Sejam u = (4, 3, 7), v = (2, 5, −3) ∈ R3. Determine os produtos externos u × v, v × u, u × u e v × v.
E 6.22 Calcule a ´area do triˆangulo de v´ertices u, v, w, com u = (0, 1, 1), v = (2, 0, −1) e w = (3, 4, 0).
E 6.23 Prove que ||u × v||2 = hu, uihv, vi − hu, vi2.
E 6.24 Dado v ∈ R3, seja T : R3 → R3 definida por T (u) = u × v. Ser´a T uma transforma¸c˜ao
linear? Nesse caso, determine a representa¸c˜ao matricial de T na base can´onica. Diagonaliza¸c˜ao ortogonal
E 6.25 Para cada aplica¸c˜ao h, i : Rn × Rn → R definido no Problema 6.1, determine uma
matriz A tal que hu, vi = uAvT.
(a) Em que casos ´e esta matriz A ´e sim´etrica e tem todos os valores pr´oprios estritamento positivos? Compare esta resposta com a solu¸c˜ao do Problema 6.1.
E 6.26 Das seguintes matrizes indique as que s˜ao as matrizes hermiteanas: 1 2 2 3 , 1 2 −2 3 , 1 i −i 3 , i i −i 3 , onde i =√−1. E 6.27 Seja A ∈ Mn×n(R).
(a) Usando o produto interno usual, prove que hAu, vi = hu, ATvi para quaisquer u, v ∈ Rn,
(u e v escritos como vectores verticais).
E 6.28 Seja T : Cn→ Cntransforma¸c˜
ao linear do espa¸co euclidiano Cn e T∗ a transforma¸c˜ao definida usando a equa¸c˜ao hT (u), vi = hu, T∗(v)i, u, v ∈ Cn.
(a) Calcule T∗(vi), onde vi = (0, ..., 0, 1, 0..., 0) ´e o vector i da base can´onica de Cn.
(b) Fixando uma base B de Rn, ser´a que M (T∗; B; B) = A∗ onde A = M (T ; B; B)? (c) Se λ for valor pr´oprio de T , ent˜ao λ ´e valor pr´oprio de T∗?
E 6.29 Seja A ∈ Mn×n(C) e A∗ a matriz transconjudada de A cuja entrada (i, j) ´e ¯aji o
complexo conjugado da entrada (j,i) de A.
(a) Usando o produto interno usual de Cn, prove que hAu, vi = hu, A∗vi para quaisquer
u, v ∈ Cn.
(b) Se A fˆor uma matriz unit´aria, ent˜ao prove que ||Au|| = ||u||, para qualquer u ∈ Cn.
E 6.30 Considere as seguintes matrizes reais
A = 0 0 0 0 0 1 10 −4 4 , B = 1 0 1 2 0 2 3 0 3 , C = 1 1 1 1 1 1 1 1 1 .
a) Indique as matrizes normais (isto ´e verifique se AAT = ATA, etc.) e as matrizes sim´etricas.
b) Identifique as matrizes X ∈ {A, B, C} diagonaliz´aveis, construindo para cada X uma matriz P−1 tal que D = P XP−1 (onde D ´e uma matriz diagonal).
c) Identifique as matrizes diagonaliz´aveis atrav´es de um sistema de coordenadas ortonormais, e para cada matriz X nessa situa¸c˜ao, construa uma matriz ortogonal Q tal que D = QXQT.
E 6.31 Seja T : R2 → R2 uma transforma¸c˜ao linear tal que qualquer vector (n˜ao nulo) ´e
vector pr´oprio de T . Prove que existe um escalar λ tal que T = λI.
E 6.32 Seja P : Rn → Rn a projec¸c˜ao ortogonal sobre um subespa¸co V de Rn de dimens˜ao
k. Determine o polin´omio caracter´ıstico de P e prove que P ´e diagonaliz´avel.
E 6.33 Considere o espa¸co euclidiano Rn. Seja T : Rn → R uma transforma¸c˜ao linear.
Mostre que existe um e um s´o u0 tal que T (u) = hu, u0i, para todo o u ∈ Rn.
E 6.34 (Desafio) Ser´a que existe uma matriz A = [aij] sim´etrica 10 × 10 tal que
σA= {3d + 1, 10 − 3d, 1, 1, −1, −1, −1, −1, −1, −1}, com d = 3+ √
13
2 e aij ∈ {0, 1, 2, 3, 4, 5}???
7
Algumas Aplica¸c˜oes
7.1
Formas quadr´aticas
Formas quadr´aticas ´e uma fun¸c˜ao Q : Rn→ R que pode ser escrita na forma
Q(u) =
n
X
i,j=1
aijxixj, com u = (x1, ..., xn), aij ∈ R. (6)
Classifica¸c˜ao das formas quadr´aticas Seja Q forma quadr´atica; Q ´e • definida positiva se Q(u) > 0, ∀u ∈ Rn, u6= 0,
• definida negativa se Q(u) < 0, ∀u ∈ Rn, u6= 0,
• semidefinida positiva se Q(u) ≥ 0, ∀u ∈ Rn,
• semidefinida negativa se Q(u) ≤ 0, ∀u ∈ Rn,
• indefinida se existem u e v tais que Q(u) > 0 e Q(v) < 0.
A equa¸c˜ao (6) pode ser escrita na forma Q(u) = uAuT, com A = [a
ij]; mas podemos
tamb´em escrever Q(u) = u A+A2 T uT com a vantagem de A+A2 T ser uma matriz sim´etrica.
Exemplo: Q : R2 → R tal que Q(x
1, x2) = a11x21 + a12x1x2+ a21x2x1+ a22x22. Temos Q(x1, x2) = x1 x2 a11 a12 a21 a22 x1 x2 = x1 x2 a11 a12+a2 21 a12+a21 2 a22 x1 x2 . Teorema 7.1 Seja Q(u) = uAuT forma quadr´atica com A sim´etrica. Ent˜ao:
• Q definida positiva se e s´o se todos os valores pr´oprios de A forem positivos. • Q definida negativa se e s´o se todos os valores pr´oprios de A forem negativos.
• Q semidefinida positiva se e s´o se todos os valores pr´prios de A forem n˜ao negativos. • Q semidefinida negativa se e s´o se todos os valores pr´prios de A forem n˜ao positivos. • Q indefinida se e s´o se A tiver pelo menos um valor pr´oprio positivo e outro negativo. Supondo que A ´e uma matriz real e sim´etrica, ent˜ao Q(u) = uAuT ´e uma forma quadr´atica
definida positiva se e s´o hu, vi = uAvT define um produto interno em Rn.
Exemplo: Seja Q(x1, x2) = 2x21+ 4x1x2+ 2x22. Ent˜ao A =
2 2 2 2
, cujos valores pr´oprios s˜ao λ1 = 0 e λ2 = 4. Assim, Q ´e uma forma quadr´atica semidefinida positiva.