As escolas de assentamentos frente as desafios que tem enfrentado e, ainda vem enfrentando, na perspectiva de garantir o funcionamento do seu projeto pedagógico, garantindo em sua aplicabilidade filosófica, pedagógica e metodológica, visa interagir e superar os desafios que vão surgindo, considerando a relação de desvalorização da Educação do Campo em detrimento à implementação da Escola
Viva, como ressalta o Secretário de Educação, Haroldo Rocha13 [...] tenho certeza que as Escolas Vivas estarão muito acima das escolas de meio turno.
Baseando nesse pressuposto contextual e nas relações vivenciais de política pública da Educação do Campo, o entrevistado número 2 ressalta que:
Um dos principais desafios que devemos superar para recuperar a nossa política pedagógica é nós nos rearticular e fortalecer internamente, unificar forças com outras organizações parceiras, que ofertam a Educação do Campo, em busca da essência do atendimento das famílias camponesas.
Visando fundamentar essa contextualização os movimentos sociais organizados por meio do Comitê Estadual da Educação do Campo do Espírito Santo- COMECES, reivindicaram junto à Sedu, no início de 2016, um reconhecimento da proposta pedagógica das escolas de assentamentos, em virtude de não perder a essência da Pedagogia da Alternância, fato não reconhecido pelo governo de Estado, considerando que um dos entrevistados (pesquisa de campo) destaca que: a politica da educação do Estado é pensada para atender um determinado modelo, pensado para o estado. É uma proposta de atendimento do Estado Mínimo.
Nesse sentido um dos entrevistados (entrevistado 1)14 para a pesquisa ressalta que:
O Estado do Espírito Santo reafirma a mercantilização da educação, pois ela é pensada por um economista; ela tem que dar lucro ou menos gastos para o Estado, tudo está baseado em cálculos, em rendimentos financeiros. As obras numa escola tem que apresentar uma atração para os alunos de outra escola, visando o seu esvaziamento, em virtude do seu fechamento, futuramente. Nesse sentido o corte na carga horária é uma possibilidade de diminuir gastos.
Ao implementar os princípios da Escola Viva, o Estado reafirma os mesmos princípios das escolas do campo, como afirma o entrevistado 1 da pesquisa:
As escolas de assentamentos e/ou as que ofertam a pedagogia da alternância conseguem ser referências, inclusive para as escolas vivas, nas quais o profissional tem um diferencial de salário, uma estrutura adequada, benefícios que não têm nas demais escolas. Além disso, o que essas escolas apresentam como inovador, nas nossas escolas já fazemos há muito tempo, como por exemplo, o processo da auto-organização - o que
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Disponível em: http://es-acao.org.br/wp-content/uploads/2018/03/Relat%C3%B3rio-Gest%C3%A3o- ES-EM-A%C3%87%C3%83O-2017_280x220mm-media-qualidade.pdf – p. 4; acesso em 25 out 2018 14 Educador da EEEF “27 de Outubro”, município de São Mateus/ES e representante do Setor
para eles é “líder” para nós é o “coordenador”. Aquilo que é inovador para o Estado nas escolas vivas para nós é uma prática pedagógica negada pelo próprio Estado.
A Escola Viva adquiriu uma supervalorização em detrimento às demais escolas do Estado, como ressalta o Secretário de Educação do Estado, o Sr. Haroldo Rocha, em entrevista ao relatório do ES em Ação15 (Rocha, 2018)
A escola de Ensino Médio e Fundamental na Escola Viva é radicalmente diferente da escola que todos conhecem, da escola de meio expediente, que é super rígida e não se comunica, não valoriza os projetos de vida dos estudantes.
Diante desses pressupostos, o entrevistado de número 216, afirma que a partir da tentativa de ajustes da proposta, fica claro que:
Todas ofensivas do governo com as escolas do campo (redução de carga horária, redução do quadro técnico nas superintendências, fechamento de escolas, enturmação, ...) é uma estratégia para ir se extinguindo o campo aos poucos, fragmentando e/ou esvaziando o pensamento político e filosófico das pessoas. Essa prática tem se dado a partir do momento em que o governo vem dificultando o diálogo com as lideranças do Setor de Educação e com os demais setores sociais organizados da sociedade.
Segundo a entrevistada número 417 é um governo que não tem diálogo com ninguém, implementa uma educação baseada em valores mercantis, ou seja, tudo vira mercadoria/economia. Mesmo assim, de acordo o entrevistado número 2, diante de todas as ofensivas do governo com a Educação do Campo, diversas escolas do campo conseguem ser referência, tanto na prática pedagógica quanto em resultados das provas externas, apresentando um bom Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, em relação as demais escolas, seja estadual e/ou municipal. Diante do exposto, Giroux (1997, p. 214) complementa que:
As escolas estão atualmente sendo vistas dentro dos parâmetros estreitos da teoria de capital humano. Em palavras simples, o relacionamento tradicional de distância entre as escolas e os negócios está atualmente sendo desmantelado com o propósito de alinhar as escolas mais intimamente com os negócios e interesses corporativos a curto e médio prazo.
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Disponível em: http://es-acao.org.br/wp-content/uploads/2018/03/Relat%C3%B3rio-Gest%C3%A3o- ES-EM-A%C3%87%C3%83O-2017_280x220mm-media-qualidade.pdf – p. 4; acesso em 25 out 2018 16Educador da EEPEF “Vale da Vitória”, município de São Mateus/ES e Coordenador Estadual do
Setor de Educação do MST/RS
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Educadora da EEEF “Margem do Itauninhas”, município de Pinheiros/ES e representante do Setor Estadual de Educação do MST/ES
Nesse sentido compreendemos que a educação capixaba, no âmbito da Educação do Campo tem perdido muito em sua essência, devido a fragmentação da prática pedagógica em virtude de um atendimento fragmentado, em que o político se encontra desvinculado do pedagógico, ou seja, o principal foco da educação, principalmente a educação integral, de acordo a BNCC (2018, p. 14) é a formação e
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho procurou diagnosticar os principais desafios que as escolas de assentamentos do MST vivenciaram e ainda vivenciam para implementar as suas práticas pedagógicas nessa 2ª era da gestão do governo Paulo Hartung (2015/2019), em detrimento a uma política de sucateamento da Educação do Campo e de falta de ações dialógicas com movimentos e entidades organizadas, que caracterizam a Pedagogia da Alternância como promoção do ensino aprendizagem, no norte do Estado do Espírito Santo.
No Capítulo I, contextualizamos sobre a concepção da educação na perspectiva da Reforma Agrária, adentrando na interface do governo PH para com a Educação do Campo, promovendo uma interlocução fundamentada nas bases legais da educação brasileira, a partir de um recorte da Proposta Pedagógica das escolas de assentamentos do MST.
A análise dessa interlocução proporcionou compreendermos que a realidade vivenciada nas escolas do campo no norte capixaba, principalmente no âmbito dos princípios pedagógicos das escolas de assentamentos é que a política do governo PH está centrada num processo de desigualdade social, onde a proposta de educação defendida pelo governo visa a formação do desenvolvimento humano, ou seja, uma formação do ser humano para atender as demandas do mercado de trabalho da sociedade o que difere dos princípios da Educação do Campo que apresenta a Pedagogia da Alternância como proposta da formação integral do ser humano, valorizando o ser humano a partir da sua realidade.
No Capítulo II ao tratar sobre as concepções de educação e o campo de disputa torna perceptível que a base da política do governo PH está centrada na terceirização, pois atribui a “Escola Viva” como modelo da educação no estado em detrimento às demais escolas públicas da rede, compreendendo uma educação subsidiada pelas grandes empresas multinacionais.
Nesse contexto concebe-se que a escola, a partir da organização educacional do MST, com um Projeto Político Pedagógico próprio, não tem garantias legais de
funcionamento, mesmo o estado reconhecendo algumas práticas pedagógicas, existem outras que necessitam ser regulamentadas e oficializadas, como no caso da aprovação das Diretrizes da Educação do Campo, bem como o reconhecimento da Pedagogia da Alternância. De acordo a BNCC (2018, p. 60), a compreensão dos estudantes como sujeitos com histórias e saberes construídos nas interações com outras pessoas [...] fortalece o potencial da escola como espaço formador e orientador para a cidadania consciente, crítica e participativa. Em virtude disso, acreditamos que é necessário que o MST garanta os seus princípios pedagógicos e filosóficos para fundamentar a prática dos elementos da Pedagogia da Alternância no cotidiano escolar, compreendendo a práxis como princípio da formação humana. No terceiro capítulo traçamos uma pouco da contextualização da vivência e dos desafios frente à realidade da Educação do Campo nos dias atuais, promovendo uma interlocução os princípios filosóficos das escolas de assentamentos e com representantes do Setor de Educação do MST, na perspectiva de interagir e refletir sobre as diferentes visões de fundamentações de fortalecimento e resistência para a manutenção e continuidade da Pedagogia da Alternância frente aos desafios de uma política pautada nos princípios do atendimento ao capitalismo.
Baseado nas proposições dos entrevistados e numa perspectiva de embasamento das fundamentações de fortalecimento e resistência da continuidade da Pedagogia da Alternância nas escolas do campo há uma unanimidade de manutenção dos princípios filosóficos e pedagógicos do MST, o fortalecimento da unidade entre os movimentos e entidades sociais (Comitês – estadual e municipais, Setor Estadual de Educação do MST, CEFFAs, CPT, UFES, dentre outros).
Diante desse contexto e considerando a desproporcionalidade hegemônica do Estado para com a Educação do Campo, concebemos as impressões registradas a partir das experiências empíricas, advindas das vivências nas relações entre o Estado e o MST frente ao cenário político e econômico, em defesa da Educação do Campo, uma vez que o cenário da educação capixaba, frente ao governo PH tem demonstrado uma política voltada para o atendimento do desenvolvimento humano para atender ao mercado de trabalho e não às classes sociais, demostrando um dos governos mais indiferentes à causa desse e demais movimentos sociais.
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