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DIETA DO CÉREBRO

No documento ExpPoderSuaMente_ (páginas 39-42)

O Que Comer Para Ser Inteligente!

O pesquisador Dr. Jean Marie Bourre, autor de diététique du cerveau, ensina como a alimentação pode tornar uma pessoa genial ou idiota.

O Alimento é vida. Mas também pode ser um veneno que mata ou que idiotiza. Felizmente, os alimentos têm na maior parte das vezes um efeito um efeito benéfico sobre a atividade cerebral. E, por conseqüência, para a inteligência. Mas só quando suficientemente variados e corretamente dosado.

Há substâncias que, em quantidade infinitesimal, se revelam indispensáveis ao funcionamento das células nervosas. É o caso do magnésio, absorvido em excesso, pode provocar uma parada respiratória! De um lado, pode ser perigoso alimentar o cérebro em detrimento de outros órgãos. Por outro, observa o DR. Jean-Marie Bourre, diretor de pesquisas médicas da França, “em virtude de inadaptação alimentar, somos todos em maior ou menor escala, estropiados do cérebro” donde a necessidade de uma diététique du cerveau ( dietética do cérebro), título da obra que ele acaba de publicar pelas edições Odile Jacob, Paris.

Sem Nutrientes Adequados, os 50 Bilhões de Neurônios

Podem Entrar em Curto-circuito

Inútil achar-se que esse pesquisador descobriu um receituário alimentar capaz de garantir uma inteligência infalível. Se engolir um pouco mais de aipo ou de peixe fosse garantia de genialidade, certamente este “ ovo de Colombo” já teria sido posto em pé. E todos seriam prêmios Nobel. Não adianta delirar: ainda se passará muito tempo antes que se possa provar a existência de uma relação direta entre o pensamento e a atividade de uma enzima. No entanto, sabe-se que a carência de certos nutrientes freia o desevolvimento da inteligência na criança. E que, no adulto, a quantidade de vida depende de uma melhor adequação entre as necessidades do cérebro e a alimentação.

O cérebro, explica o Dr. Bourre, é o “chefão do corpo”. Ele exige considerável energia para garantir a sobrevivência de suas 50 bilhões de células. Tantos neurônios quantas estrelas em nossa galáxia. As carências daquelas células são absolutamente prioritárias. Quando lhe falta uma substância nutritiva, o cérebro vai recupera-la em outros órgãos, que servem de estoque de reserva. Somente o cérebro consome uma parte das 2.500 quilocalorias alimentares absorvidas cada dia pelo corpo: uma energia capaz de elevar de 10 a 37 graus a temperatura de uma banheira cheia d’água. Apenas os alimentos judiciosamente escolhidos, insiste Jean- Marie Bourre, permitem ao cérebro se construir, se manter e trabalhar. Somente uma alimentação adaptada permite que o organismo funcione para ele. Que alimentos escolher ? De onde provém esta energia indispensável ?

Os Açúcares

À Semelhança do que ocorre para todas as células, o carburante dos neurônios é essencialmente produzido pela glicose encontrada em estado natural no mel, na uva, no amido. O cérebro é guloso desta substância. Tanto que consome cerca de 4 gramas/hora :o equivalente a um torrão de açúcar. Com tal voracidade, o cérebro não tolera a hipoglicemia ( insuficiência da taxa de açúcar no sangue). Tal carência pode levar ao desmaio, e mesmo ao coma. Felizmente, a química de açúcares do organismo é normalmente regulada para evitar esse tipo de colapso. Por tal razão, inútil se faz absorver mais açúcar,na boba ilusão de aumentar a energia cerebral. Nem mesmo a performance intelectual ganha com isto. Ao contrário do que ocorre com o corpo, que acaba irremediavelmente comprometido. Pois os açúcares rápidos, quando em excesso, se transformam em gorduras que destroem a silhueta. Outros açúcares, ditos “ lentos” encontrados no pão,nos feculantes, nas massas e no arroz são liberados, aos poucos, durante a digestão. O organismo é desta forma alimentado sem choques, e ao ritmo de suas necessidades habituais.

As Gorduras

Paradoxalmente, o cérebro jamais sofre de obesidade. No entanto, ele é o órgão onde a concentração de lipídios (corpos graxos) é mais rica. Os lipídios constituem os tijolos do edifício cerebral. Eles provém de 39

duas substâncias vitais,dois ácidos graxos ditos essenciais de nomes ácido linoléico e ácido alfalinoléico. Em caso de insuficiência destes dois elementos, o indivíduo simplesmente morre! Caso um deles deixe de existir por exemplo, o ácido alfalinoléico, a eficiência intelectual fica comprometida. Sobretudo as faculdades de aprendizado. Isto ficou demostrando nas pesquisas realizadas pela equipe do Dr. Jean-Marie Bourre em seu laboratório do hospital Fernandwidal, em Paris. E tão importante foi esta descoberta que determinou a modificação dos leites destinados aos bebês. Todos os leites maternizados sofriam, até hoje,de uma carência em ácido alfalinoléico. As crianças que há cerca de 30 anos foram alimentadas com tais leites certamente perderam de 1 a 2 pontos de Q. I. E isto foi ainda mais grave no caso de crianças prematuras. Felizmente, tudo foi agora corrigido com o acréscimo do ácido alfalinoléico que faltava. De qualquer forma, teremos de esperar os resultados escolares do ano 2000 para saber se tal providência melhorou sensivelmente a qualidade de aprendizado. Estes lipídios são indispensáveis ao cérebro. A cada dia, para termos um cérebro bem azeitado, temos de absorver 2 gramas de ácido alfalinoléico ( óleo de girassol e de milho ) e 10 gramas de ácido linoléico (óleo de colza e de soja). Daí o interesse industrial pelos óleos mistos. Apenas um daqueles óleos não fornece todos os requisitos exigidos, afirma o Dr. Bourre.

O Colesterol

Corpo graxo por excelência, o colesterol está particularmente presente na mielina, esta membrana que protege as células nervosas. Aos olhos dos dietistas, esta substância é responsável por todos os males, especialmente pela placa de ateroma que estreita as artérias. Por isso, move-se uma guerra sem trégua ao colesterol. a melhor atitude é negociar, precisa o Dr. Bourre. Já que tentar acabar com o colesterol pode ser perigoso para o cérebro. Portanto, os miúdos,em particular miolos, não devem ser mais bandidos. Somente miolos de boi, de porco e de carneiro fornecem ao cérebro a justa proporção de ácidos aminados. Lipídios e ácidos graxos essenciais necessário das membranas celulares. O cérebro mito da consubstancialidade que remete a crenças primitivas, estabelecia que o guerreiro vencedor devorava o cérebro de seu inimigo para se apropriar da coragem e da inteligência do derrotado. Magia hoje comprovada pela ciência: O melhor meio de ganhar músculo é comer carne. E, para o cérebro, tem-se de comer miolo .

As Vitaminas

Auxiliares fundamentais de todas as engrenagens da vida, as vitaminas, afirma o Dr. Bourre, são nutrientes essenciais a todos os órgãos, especialmente o cérebro. O sistema nervoso é particularmente sensível às carências em vitaminas do grupo B,A, B1, por exemplo, acaba sendo deficitária nos regimes de emagrecimento que privilegiam uma só categoria de alimentos: atitude alimentar responsável por sérias depressões. As necessidades em B6 - encontrada na levedura de cerveja e no presunto são maiores nas mulheres grávidas e nas que tomam pílula anticoncepcional. Uma carência em B6 pode levar a perturbações nervosas. No que toca a vitamina A, ela é tida como excelente para a visão. No, entanto, os louros da popularidade coroam a vitamina C. Saudada a princípio como um antídoto ao escorbuto, ela é prescrita para combater os estados gripais. Mas não sem provocar algum estrago. “além do patamar de saturação”, explica o Dr. Bourre, o excedente de vitamina C cai para a urina e visto seu alto custo faz do pipi um líquido carismático.

DO PONTO DE VISTA MÉDICO, O CRETINO É UM POBRE

DE ESPÍRITO POR CARÊNCIA DE IODO

Ora, por que ser avarento quando pode ser confirmado que a vitamina C possui outras virtudes insuspeitas? Já se observou uma relação entre a taxa de vitamina C e o quociente intelectual: este último avança 4 pontos quando a concentração de vitamina C aumenta de 50%! Seria precipitado concluir-se, estima o Dr. Bourre, que quanto mais se toma vitamina C mais inteligente se fica. Mas é quase certo que, quanto menos se ingere, menos se é esperto.

Metais e Oligo Elementos

Do ponto de vista médico, o cretino é um pobre de espírito por carência de iodo. Não se poderia ilustrar melhor a influência que certos elementos dos alimentos exercem sobre o intelecto. Mesmo que estejam eles estejam presentes em quantidades mínimas, como é o caso do iodo, habitualmente encontrado nos produtos marinhos: crustáceos e moluscos. Outrora, nas regiões distantes do mar, a falta de iodo resultava com freqüência em cretinismo. Este fenômeno felizmente desapareceu no dia em que se passou a acrescentar iodo ao sal de cozinha. Mesmo assim, ele não dispensa o consumo de elementos iodados, mesmo que a absorção

deste elemento se dê a níveis mínimos. Para o iodo, também vale a regra da vitamina C e do ácido alfalinoléico: quando eles são ausentes, a pessoa pode se tornar estúpida; mas doses cavalares não garantem mais inteligência. Só o estado de carência é significativo.

O mesmo ocorre com o zinco. Experiências britânicas mostraram uma correlação entre a concentração deste metal no cérebro e as capacidades de aquisição da linguagem e do aprendizado da leitura. A taxa média de zinco observada nos indivíduos disléxicos correspondida à metade encontrada nas pessoas normais. Caso os resultados desta pesquisa sejam confirmados, isto poderá conduzir ao aprimoramento escolar de algumas crianças.

As deficiências em ferro também podem ocasionar um enfraquecimento das funções cerebrais. Para reparar a carência, deve-se comer mexilhões, morcela e chocolate. O espinafre não é tão rico quanto se pensa. Um erro cometido por um cientista dos anos 30 no tocante à dosagem de ferro no espinafre se encontra na base da reputação, usurpada, do legume fetiche do marinheiro Popeye. O cobre, consumido através do fígado de vileta ou de carneiro, é muito necessário ao cérebro.

Um distúrbio de seu metabolismo pode provocar convulsões e retardamento intelectual (doença de Menkes). Agora, finalmente o cérebro que durante tanto tempo foi ignorado pela dietética conquista o direito de cuidados especiais por aquela disciplina. Também não é inútil se saber que a noz-moscada, saborosa especiaria, contém um alucinógeno que em alta concentração, pode provocar curtos-circuitos nos influxos nervosos. Não se deve no entanto resvalar na dietética moralizadora imposta pelos terroristas da alimentação científica, previne o Dr. Bourre. O dia em que a ciência sistematizar todas as refeições conclui ele o mundo deixará de rodar, pois terá perdido a alegria de viver.

Não devemos esquecer o mais importante: o cérebro também é o órgão que permite o prazer estético da gastronomia.

O CÉREBRO É UM GLUTÃO DEVORADOR DE AÇÚCARES LENTOS E

RÁPIDOS, PROTEÍNAS, GORDURAS, VITAMINAS E OLIGOELEMENTOS. NA

QUANTIDADE CERTA, ESTES NUTRIENTES REVITALIZAM AS FUNÇÕES

CEREBRAIS E NÃO PROVOCAM DANOS À SILHUETA.

O Fast Food Nefasto: Coma Rápido e Intoxique o Cérebro

O comer sem ter de preparar o alimento é o sonho da humanidade. Só que o barato e prático alimento industrializado acaba saindo caríssimo: os conservantes não deixam a comida se estragar, mas poluem o organismo e levam ao desequilíbrio nutricional. O fast food, por exemplo, é o inimigo número 1 da humanidade. Essa comida rápida e as bebidas gasosas, acusa o Dr. Jean Marie Bourre, estão fabricando milhões de obesos, e vem provocando a morte prematura ao induzir as pessoas ao erro alimentar do excesso de gorduras e açúcares. Um hambúrguer pode ser apetitoso, mas é um antialimento: os ingredientes que entram na broinha macia não têm nada a ver com o verdadeiro pão, e o bifinho de carne moída pode conter até 30% de proteínas vegetais. A boca sente gosto de carne, mas o corpo se ressente da falta de vitaminas, do ferro e dos lipídios essenciais do grelhado.

Essa alimentação rápida e rasteira já provoca em países como Canadá e EUA síndromes neurológicas que lembram o beribéri e a pelagra. Por quê? Ora,o leite, o pão, os frutos cítricos (e não as essências artificiais servidas) e os legumes não figuram nos menus das cadeias de lanchonetes e assim o usuário compulsivo da refeição rápida fica carente da vitamina B1, o que acarreta lesões degenerativas da membrana de mielina dos neurônios, gerando a polinevrite. Por mais big que seja o hambúrguer e o cheesebúrguer, ambos são nulos em vitamina B3: a falta desta vitamina faz surgir a pelagra, que se manifesta por distúrbios psíquicos, tais como depressão, estados de confusão, demência progressiva.

Um horror ainda agravado pelas bebidas que o acompanham: as sodas gasosas, cujos nomes evocam drogas ilícitas, e com teor de açúcar de 120 gramas por litro, o equivalente a 30 torrões de açúcar! Com tanta doçura, adeus esbeltez! Ora, dirão, para isso existem as bebidas light. Elas não têm nada de natural. Não passam de pura química. O médico ainda desfere golpe mortal nos regimes vegetarianos de escaqueiras nutricionais: as melhores proteínas para o ser humano são as dos animais. O vegetarianismo carece de ácidos animados. Sem estes últimos, o cérebro pode até entrar em colapso.

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