PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS
DIETA E SAÚDE ORAL
Considerou-‐se premente a procura de associações estatísticas entre os
parâmetros de saúde oral utilizados neste trabalho (dentes cariados, dentes
obturados, dentes cariados+obturados, gengivite) com os parâmetros de higiene oral
incluídos no inquérito deste estudo (escovagem diária, utilização de escova manual,
utilização de escova elétrica, utilização de dentífrico). Não tendo sido encontradas
associações estatisticamente significativas os testes realizados estão apresentados em
tabelas no anexoM.
DIETA E SAÚDE ORAL
No âmbito dos objetivos particulares deste trabalho foram estudadas as
associações estatísticas entre os parâmetros aferidos da caracterização da dieta com
os de saúde oral. Seguidamente estão apresentadas as associações estatisticamente
significativas, sendo que as restantes estão incluídas em anexo (anexo N).
Comparação do nº de dentes cariados versus os que ingerem bebidas açucaradas:
O teste Mann-‐Whitney para amostras independentes revelou a não existência
as crianças que ingerem bebidas açucarada e as que não o fazem (z=1,659, valor p > 0,05). Figura 38
Figura 38-‐ Distribuição do nº de dentes cariados segundo ingestão de bebidas açucaradas
Comparação do nº de dentes cariados versus os que ingerem refrigerantes:
Conforme pode ser observado na figura 39 foram detetadas diferenças nas
distribuições do nº de dentes cariados para as crianças que ingerem refrigerantes, no
sentido que as crianças que ingerem refrigerantes apresentam, em média, maior nº de
dentes cariados do que as que não o fazem (p=0,040). O mesmo procedimento
estatístico não revelou existirem diferenças estatisticamente significativas no número
p>0,05)e dentes com gengivite devido à ingestão de bebidas açucaradas (z=-‐0,655,
valor p>0,05)
Figura 39-‐ Distribuição do nº de dentes cariados segundo ingestão de refrigerantes
Comparação do nº de dentes cariados versus o tipo de aporte proteico animal
Foram detetadas diferenças nas distribuições do nº de dentes cariados para as
crianças que têm na sua alimentação predomínio de carne, no sentido que as crianças
que não comem predominantemente carne apresentam, em média, maior nº de
Figura 40-‐ Distribuição do nº de dentes cariados segundo o aporte proteico animal diário
No âmbito do presente estudo foi avaliada a possível associação entre o tipo e
a duração da amamentação e os índices de saúde oral. Não tendo sido encontradas
associações e diferenças estatisticamente significativas, considerou-‐se que seria
adequado incluir as tabelas da análise estatística desta associação em anexo. (Anexo
O)
SÍNDROME METABÓLICA
Não existe uma definição consensual para síndrome metabólica infantil. Várias
entidades como a OMS, IDF, NCEP e AHA sugeriram critérios de diagnóstico diversos
Desta forma foi realizado o estudo de prevalência de síndrome metabólica
infantil na população da presente investigação utilizando as diferentes definições
anteriormente descritas. Na tabela 55 estão descritos os diferentes critérios utilizados
para cada definição.
OMS IDF NCEP AHA
'ůŝĐŽƐĞшϭϭϬŵŐͬĚ>ŽƵ DM ou hiperinsulinemia +2 dos seguintes fatores:
WшƉϵϬ 3 ou + fatores 3 ou + fatores
/DшƉϵϱ + 2 fatores WшƉϵϬ PC>p90 TG>105 < 10 anos d'хϭϯϲшϭϬĂŶŽƐ d'шϭϱϬ TG>110 TG>110 HDL<35 HDL<40 ,>чϰϬ HDL<p10 WƐшƉϵϱ WƐшϭϯϬŵŵ,' WĚшϴϱŵŵ,'
PAS ou PAD >p90 PAS ou PAD >p90
'ůŝĐŽƐĞшϭϬϬ 'ŝĐŽƐĞшϭϭϬ 'ůŝĐŽƐĞшϭϬϬ
CT aumentado -‐ -‐ -‐
Tabela 55-‐ critérios de diagnóstico de Síndrome Metabólica
Apesar de inicialmente estar definida a utilização dos critério da OMS para o
diagnostico de SM infantil constatou-‐se que, na presente amostra não existiam casos
ƋƵĞ ĂƉƌĞƐĞŶƚĂƐƐĞŵ ĂƐ ĐĂƌĂĐƚĞƌşƐƚŝĐĂƐ ĐŽŶƐŝĚĞƌĂĚĂƐ ͞ŽďƌŝŐĂƚſƌŝĂƐ͟ ƉĂƌĂ Ž ĚŝĂŐŶſƐƚŝĐŽ
segundo esta definição. Assim, por não existirem crianças com DM, valores de glicose
шϭϭϬ ŵŐͬĚ> ŽƵ ĐŽŵ ŚŝƉĞƌŝŶƐƵůŝŶĞŵŝĂ ŽƉƚŽƵ-‐se por não utilizar esta definição no
Síndrome Metabólica para a amostra em estudo em função dos diferentes critérios de
diagnóstico.
IDF
Frequência Percentagem Percentagem válida Percentagem cumulativa Nº fatores de risco ,00 62 56,4 56,4 56,4 1,00 36 32,7 32,7 89,1 2,00 7 6,4 6,4 95,5 3,00 5 4,5 4,5 100,0 Total 110 100,0 100,0
Tabela 56-‐ prevalência de SM segundo critérios da IDF
NCEP
Frequência Percentagem Percentagem válida Percentagem cumulativa Nº fatores de risco ,00 40 36,4 36,4 36,4 1,00 26 23,6 23,6 60,0 2,00 25 22,7 22,7 82,7 3,00 15 13,6 13,6 96,4 4,00 4 3,6 3,6 100,0 Total 110 100,0 100,0
Tabela 57-‐prevalência de SM segundo critérios do NCEP
AHA
Frequência Percentagem Percentagem válida Percentagem cumulativa Nº fatores de risco ,00 40 36,4 36,4 36,4 1,00 27 24,5 24,5 60,9 2,00 24 21,8 21,8 82,7 3,00 15 13,6 13,6 96,4 4,00 4 3,6 3,6 100,0 Total 110 100,0 100,0
Após a análise das tabelas anteriormente apresentadas e determinando os
respetivos intervalos de confiança a 95%, obtiveram-‐se os seguintes resultados:
x De acordo com a definição da IDF para a presente amostra existe uma prevalência de 4,5% de SM com intervalo de confiança a 95% [1,5%; 10,3%];
x De acordo com a definição do NCEP para a presente amostra existe uma prevalência de 17,2% de SM com intervalo de confiança a 95% [10,7%; 25,7%];
x De acordo com a definição da AHA para a presente amostra existe uma prevalência de 17,2% de SM com intervalo de confiança a 95% [10,7%; 25,7%];
A maior parte dos estudos realizados para determinar a prevalência de
Síndrome Metabólica nas crianças incidem sobre populações de crianças com excesso
de peso e obesidade. Assim, considerou-‐se importante a aferição nos grupos com
excesso de peso e obesidade da prevalência de Síndrome Metabólica na presente
amostra. Na tabela 59 estão apresentadas as prevalências de Síndrome Metabólica
para as diferentes classificações nos grupos de crianças com excesso de peso e
obesidade.
Classificação_IMC
Normal Sobrepeso Obesidade Total
N % N % N % N %
IDF ,00 50 78,1% 11 42,3% 1 5,0% 62 56,4%
1,00 13 20,3% 11 42,3% 12 60,0% 36 32,7%
2,00 1 1,6% 3 11,5% 3 15,0% 7 6,4%
Total 64 26 20 110 NCEP ,00 33 51,6% 6 23,1% 1 5,0% 40 36,4% 1,00 16 25,0% 4 15,4% 6 30,0% 26 23,6% 2,00 11 17,2% 11 42,3% 3 15,0% 25 22,7% 3,00 4 6,2% 3 11,5% 8 40,0% 15 13,6% 4,00 0 0,0% 2 7,7% 2 10,0% 4 3,6% Total 64 26 20 110 AHA ,00 33 51,6% 6 23,1% 1 5,0% 40 36,4% 1,00 16 25,0% 5 19,2% 6 30,0% 27 24,5% 2,00 11 17,2% 10 38,5% 3 15,0% 24 21,8% 3,00 4 6,2% 3 11,5% 8 40,0% 15 13,6% 4,00 0 0,0% 2 7,7% 2 10,0% 4 3,6% Total 64 26 20 100,0% 110
Tabela 59-‐ prevalência de SM nas crianças com excesso de peso e obesidade.
Da análise da tabela anterior e construindo os respetivos intervalos de
confiança a 95%, obtiveram-‐se os seguintes resultados:
x De acordo com os critérios do IDF, para a amostra de crianças com excesso de peso existe uma prevalência de 3,8% de Síndrome Metabólica com intervalo de
confiança a 95% [0,1%; 19,6%];
x De acordo com os critérios do NCEP, para a amostra de crianças com excesso de peso a prevalência foi de 19,2% com intervalo de confiança a 95% [6,7%;
39,4%];
x De acordo com os critérios da AHA, para a amostra de crianças com excesso de peso a prevalência de SM foi de 19,2% com intervalo de confiança a 95% [6,7%;
39,4%];
x Segundo os critérios do NCEP para as crianças com obesidade a prevalência de Síndrome Metabólica é de 50% com intervalo de confiança a 95% [27,2%;
72,8%];
x Com os critérios da AHA para a população de crianças obesas foi encontrada uma prevalência de 50% com intervalo de confiança a 95% [27,2%; 72,8%].