Georgescu-Roegen (1954) discutiu a abordagem marginalista ao processo de
escolha, que seria toda baseada no estabelecimento de uma hierarquia de
preferências e em um encadeamento lógico.
Assim, para três produtos, C
1,C
2, C
3, se C
1é preferível a C
2, formalizado
como C
1P C
2, e se C
2é preferível a C
3, formalizado como C
2P C
3, então: C
1P C
3.
A partir daí a questão a colocar é se seria possível estabelecer algum tipo de
referência que definisse uma grandeza escalar capaz de transformar as relações de
preferência em variáveis de um sistema universal de valor econômico
(GEORGESCU-ROEGEN, 1954 p.522)
Mas como as percepções de preferência, utilidade e valor, ou as “distâncias”
entre a duas ou mais preferências são sujeitas a distorções e vieses psicológicos,
ou mesmo à mudança contínua à qual todo indivíduo está sujeito, qualquer tentativa
de estabelecer uma grandeza escalar que se aproxime da utilidade abstrata seria
impossível.
Já a abordagem da teoria da informação ao processo de escolha prevê as
probabilidades de uma trajetória em uma árvore de decisões no qual o agente
econômico tem sempre a possibilidade de consumir ou não consumir um dado
produto. Então, para um conjunto de produtos com K diferentes itens, o número de
escolhas possíveis será 2
k(KHOSHNEVISAN, p. 6)
60 Production in a market governed by free competition is an operation by which the [productive] services may be combined in products of appropriate kind and quantity to give the greatest possible satisfaction of needs within the limits of the double condition that each service and each product have only one price in the market, at which supply and demand are equal, and that the prices of the products are equal to their costs of production
Para estes autores, a utilidade marginal clássica pode ser denominada como
utilidade intrínseca, mas o processo decisório é afetado pelo poder de escolha que o
exercício da posse sobre o bem confere ao agente econômico. A isso eles
denominam Utilidade Extrínseca. Sob esta ótica, todo produto tem alguma utilidade,
de forma que a crítica que Georgescu-Roegen levanta, ao princípio de Gossen, que
seria inválido para a utilidade marginal igual a zero, torna-se inválida, já que sempre
haverá uma utilidade marginal extrínseca positiva.
Eles exemplificam com o caso da roupa de lã no verão (KHOSHNEVISAN, p.
5):
A utilidade não é mensurável apenas intrinsecamente pela
capacidade de um produto em satisfazer uma necessidade de
um indivíduo, mas também pela disponibilidade desse da
produto em particular, em uma dado momento e numa
localização específica que permitam ao indivíduo agir em
consonância com suas intenções. Voltando ao nosso exemplo
do casaco de lã, ainda que a utilidade intrínseca dessa peça de
roupa no verão seja praticamente zero, a utilidade extrínseca
resultante da informação da sua disponibilidade é suficiente
para sustentar um efeito de substituição
61Assim, para a j-ésima utilidade marginal 𝑀𝑈
𝑗definida por:
𝑀𝑈
𝑗= 𝜕𝑈
𝜕𝐶
𝑗𝜕𝑈
𝜕𝐶
𝑗− 𝜆𝑃
𝑗= 0 ⇒
𝜕𝑈
𝜕𝐶
𝑗𝑃
𝑗= λ
61 Utility is not only to be measured by the intrinsic want-satisfying capacity of a commodity for an intending individual, but also by the availability of the particular commodity at that point in space and time to enable that individual to act according to his or her intention. Going back to our woolen jacket example, though the intrinsic utility of such a garment in summer is practically zero, the extrinsic utility afforded by its where availability can nevertheless suffice to up hold the law of substitution.
Onde é constante e é a máxima utilidade marginal por preço. Mas para que
isso funcione a utilidade marginal extrínseca é maior que zero, para qualquer valor
de j : {𝑀𝑈
𝑗> 0 ∀ 𝑗}
𝑆
𝑚𝑎𝑥= 𝑚á𝑥
𝑛[𝑟(𝐶
𝑛) ∙ 𝑝(𝑈𝑟
(𝑐)> 0) ∙ 𝑝(𝑟(𝐶
𝑛))] , 𝑛 ∈ 𝑁
+𝑝(𝑈𝑟
(𝑐)> 0) ∙= {0,1} ⇒ 𝑆
𝑚𝑎𝑥= 𝑚á𝑥
𝑛[𝑟(𝐶
𝑘) ∙ 𝑝{𝑟(𝐶
𝑘)}]
Utilidade intrínseca 𝑈𝑟
(𝑐), definida por :
𝑈𝑟
(𝑐)= ∑ 𝑟(𝐶
𝑗) ∙ 𝑝{𝑟(𝐶
𝑗)}
𝑘𝑗=1
𝑜𝑛𝑑𝑒 𝑗 ∈ 𝑁
+𝑒 𝑘 ∈ 𝑁
−Utilidade extrínseca 𝑈
𝑋, as escolhas adicionais que se tornam possíveis a
partir da simples existência da opção 𝐶
𝑗Para um conjunto onde 𝑝(𝐶) = 1 ⇒ 𝑘 = 0
“Expressando a frequência de escolhas alternativas em termos da
probabilidade de obter o resultado rj ao fazer a escolha Cj , a função generalizada
da utilidade extrínseca pode ser descrita como uma versão modificada da função da
entropia de Shannon, como se segue:
𝑈
𝑥= −𝐾 ∑ 𝑝(𝑟(𝐶
𝑗))
𝑛𝑗=1
log
2𝑝(𝑟(𝐶
𝑗))
Onde: j=1,2,...,2
Ke onde o multiplicador –K=-n(0) é um fator escalar análogo
à constante de Boltzmann da termodinâmica clássica, mas com o sinal invertido.”
Assim sendo, a maximização da utilidade geral extrínseca se reduz ao
seguinte problema de programação não linear:
max 𝑈
𝑥= − 𝐾 ∑ 𝑝(𝑟(𝐶
𝑗))
𝑛𝑗=1
Sujeito às restrições:
{
∑ 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) = 1
𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) ≥ 0
𝑗 = 1,2, … , 2
𝐾𝑜𝑢
𝑗 = 2
0, 2
1, … , 2
𝐾Colocando a função objetivo na forma usual do multiplicador lagrangeano,
tem-se:
𝑍 = −𝐾 ∑ 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))
𝑛 𝑗=1log
2𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) + 𝜆(∑ 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) − 1
𝑛 𝑗=1Agora, pela condição de maximização de primeira ordem temos:
𝜕𝑍
𝜕𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))= 0
𝜕𝑍
𝜕𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))=
𝜆
𝐾 − 1
O que significa que:
log
2𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) = 𝜆
𝐾 − 1
Assim, para um valor pré-estabelecido de K, 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) é independente de j ,
isto é, todas as probabilidades são necessariamente iguais ao valor constante:
𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))
∗= 2
−𝐾no ponto de máxima utilidade extrínseca, Ux e é também
intuitivamente claro que, quando 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) = 2
𝐾para j=2
0,2
1,...,2
K, o indivíduo tem a
máxima possibilidade de escolha em termos dos objetos dentro do seu conjunto de
opções.
Ou seja, se a probabilidade p
ré constante e igual para todos os valores de
r(C
j), a quantidade de informação é mínima, de forma que as escolhas são
indiferentes entre si, mas não em relação às escolhas deixadas de fora.
Para a escolha de um único objeto em um conjunto finito de opções, a
utilidade extrínseca será dada como:
𝑈
𝑥= −𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) . log
2𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) − [1 − 𝑝(𝑟(𝐶
𝑗)) log
2(1 − 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))]
E a inclinação da utilidade marginal extrínseca será dada por:
𝑑
2𝑈
𝑥𝑑𝑝(𝑟(𝐶
𝑗)
2< 0
E isso, adicionalmente serve como uma base alternativa para derivar a curva
descendente e é portanto um valioso resultado adicional teórico.
Dessa forma, ainda que a expectativa matemática do prêmio, r, resultante de
duas escolhas mutuamente exclusivas possa ser o mesmo e, portanto, confira a
elas a mesma ordem em termos de utilidade intrínseca do prêmio esperado, o
conteúdo de informação esperado como resultado de duas escolhas poderá ser
bem diferente, dadas as diferentes probabilidades relativas aos demais prêmios.
Eles afirmam que o vetor a seguir fornece uma medida da utilidade total
esperada do conjunto de commodities:
𝑈 = [𝑈
𝑟, 𝑈
𝑥] = [∑ 𝑟(𝐶
𝑗) . 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗)) , −𝐾 ∑ 𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))
𝑛𝑗=1
log
2𝑝 (𝑟(𝐶
𝑗))]
Para j=2
0,2
1,...,2
KCom base nessa definição da utilidade total, eles retiram a restrição básica
do modelo, que é a limitação da probabilidade ser igual a 0 ou 1:
𝑝 (𝑈
𝑟(𝐶𝑗)