3. RESULTADOS
3.2 Diferenciação espacial e temporal da comunidade
As estações AV153 (rio das Velhas a jusante do Ribeirão da Mata) no alto curso, MV138 (rio das Velhas município de Santa Luzia) no médio curso e TR147 (rio Bicudo, Corinto) no baixo curso, obtiveram a riqueza máxima encontrada de 20 espécies de ciliados planctônicos no período seco (Figura 2).
Figura 2 – Gráfico da riqueza de espécies de protistas ciliados planctônicos referentes as duas amostragens, seca e chuva no rio das Velhas e tributários, MG.
As diferenças observadas em termos da riqueza total (Figura 3), de acordo
Figura 3 – Gráfico box splot da riqueza total de ciliados planctônicos nos diferentes períodos sazonais.
Em termos da riqueza total nas regiões da bacia do rio das Velhas não houve diferença e o Alto Velhas foi a que apresentou maior riqueza, com 31 táxons registrados. O Baixo Velhas obteve a segunda maior riqueza, com 30 táxons contra 28 no Médio Velhas (Figura 4).
Figura 4 – Gráfico da riqueza total de espécies de ciliados
Alto Velhas Médio Velhas Baixo Velhas
n espécies
Região
Riqueza total por região
p= 0,0026
Os valores médios de riqueza de espécies apresentaram uma tendência de maiores valores na região do Médio Velas, observados no período seco (Figura 5), com 8,29 táxons, seguida do Baixo Velhas com 7,6 táxons e Alto Velhas com 4,91 táxons por estação. No período chuvoso, o Baixo Velhas foi a região na qual registrou-se maior número de táxons, com média de 3 espécies por estação, contra 1,8 para o Alto Velhas seguido do Médio Velhas com 1,4 táxons por estação.
Figura 5 – Gráfico da riqueza média de protistas ciliados planctônicos por região da bacia do rio das Velhas, MG, outubro de 2009 e julho de 2010.
As diferenças observadas em termos da riqueza total entre as porções da bacia (Figura 6), considerando os períodos seco e chuvoso, não foram significativas (ANOVA Two Way, p= 0,5852) demostrando uma homogeneidade da densidade ao longo do rio.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Alto Velhas Médio Velhas Baixo Velhas
n espécies
Regiões
Riqueza média por regiões
chuva seca
Figura 6 – Gráfico box splot da riqueza total de ciliados planctônicos entre as regiões do rio das Velhas, MG.
Considerando a riqueza de táxons e as classes correspondentes, oito classes do grupo dos ciliados foram representadas. Observou-se que Olygohymenophorea foi a mais especiosa, com 21 táxons no período seco e 9 no período chuvoso.
Spirotrichea foi a segunda mais representada, com 12 espécies no período seco e 6 no chuvoso. Karyorelictea e Nassophorea, ocorreram apenas no período seco, representadas por um táxon (Figura 7).
Figura 7 – Gráfico da riqueza de protistas ciliados planctônicos por classe, rio das Velhas e tributários, MG, período seco e chuvoso.
0
Em termos da densidade de ciliados planctônicos, esta foi maior no período seco, e o valor máximo registrado foi observado na estação MV138 (16.111 ind./L), seguida da estação AV153 (11956 ind./L) (Figura 8) e a menor, obtida em AV139 (28 ind./L).
No período chuvoso, as maiores densidades foram observadas em AV063 (10.125 ind./L) seguida da estação MV156 (500 ind./L). A menor densidade obtida foi de 33,3 ind./L, registrada para as estações AV153, MV137, MV150, MV152.
O período chuvoso foi marcado por um maior número de estações com densidade zero (AV139, AV083, AV105, MV138, BV141, BV142) enquanto que no período seco o mesmo ocorreu apenas em duas estações (AV013 e AV035).
Entretanto, diferentemente da riqueza, o efeito sazonal não foi significativo na diferenciação da densidade entre as estações (ANOVA Two Way, p= 0,2300) (Figura 9).
Figura 8 – Gráfico da densidade de espécies de protistas ciliados planctônicos referentes as duas amostragens, seca e chuva no rio das Velhas e tributários, MG.
1 10 100 1000 10000
AV013 TR035 AV037 AV210 AV139 AV063 AV067 AV083 AV105 TR135 AV153 MV137 MV138 MV156 MV141 MV142 MV150 MV152 BV146 TR147 BV151 BV148 BV149
Ind./Llog.-1
Estações
Densidade
chuva seca
Alto Velhas Médio Velhas Baixo Velhas
Densidade
Figura 9 – Gráfico box splot da densidade de ciliados planctônicos nos diferentes períodos sazonais. Fonte: elaborado pelo autor.
Ao se considerar os valores médios da densidade ao longo das regiões da bacia, verificou-se que o Alto Velhas foi a que apresentou a maior densidade média, com 979 ind./L e a menor, foi observada para a região do Médio Velhas, com 85,7 ind./L, considerando o período chuvoso (Figura 10). No período seco, o comportamento da densidade média foi diferente. Os valores médios observados foram de 2696,3 ind./L no Médio Velhas, seguido do Alto Velhas, com 1635,9 ind./L e Baixo Velhas, com 373,3 ind./L.
p =0,2300
Figura 10 – Gráfico da densidade total média de protistas ciliados planctônicos por região, referente as duas amostragens, seca e chuva no rio das Velhas e tributário, MG.
As diferenças observadas nos valores da densidade não foram significativas entre as porções da bacia. Apesar deste resultado pode-se observar que há uma diferenciação espacial na riqueza em função do trecho da bacia e observa-se uma concentração maior de ciliados planctônicos nas regiões do alto e médio curso (Figura 11).
Figura 11 – Gráfico box splot da densidade total média de protistas ciliados planctônicos por região da bacia do rio das Velhas, MG, outubro de 2009 e julho de 2010.
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
Alto Velhas Médio Velhas Baixo Velhas
Densidade ind./L
Regiões
Média das densidades
chuva seca
p =0,6589 Média das densidades
Temporalmente, dentre as classes representadas no estudo, Oligohymenophorea apresentou, de maneira geral a maior densidade para o período seco, com 25.666 ind./L, seguida de Spirotrichea com 11.122 ind./L e foram as que apresentaram também as maiores densidade no período chuvoso, 10.653 ind./L e 637 ind./L respectivamente.
No período seco, a classe com menor densidade foi Karyorelictea, representada apenas pela espécie Loxodes striatus, com densidade igual a 67 ind./L. O mesmo foi observado para Nassophorea, com 89 ind./L, representada por Nassula sp., conforme no figura 12.
Figura 12 – Gráfico da densidade total de protistas ciliados planctônicos por classe, referente as duas amostragens, seca e chuva no rio das Velhas e tributário, MG.
Oligohymenophorea e Spirotrichea apresentaram o mesmo padrão espacial e temporal e foram as mais abundantes durante o período chuvoso e seco.
No período chuvoso, Oligohymenophorea e Phyllopharyngea apresentaram as maiores abundâncias, 92% e 3,5% dos organismos, na região do Alto Velhas e
No período seco, Oligohymenophorea e Spirotrichea foram as mais representativas nas três regiões da bacia. Assim como o observado no período anterior, Spitrotrichea foi a mais importante, e representou 59% dos organismos registrados no Baixo Velhas (Figura 14).
Figura 13 – Gráfico da densidade das classes de ciliados planctônicos por região da bacia do rio das Velhas, MG, período chuvoso.
Figura 14 - Densidade das classes de ciliados planctônicos por região da bacia do rio das
Alto Vélhas Médio Velhas Baixo Velhas
Densiade relativa (%)
Alto Vélhas Médio Velhas Baixo Velhas
Densidade relativa (%)
Região
Densidade relativa - período seco
OLIGOHYMENOPHOREA