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DIFICULDADES E FACILIDADES PARA A SUSTENTABILIDADE DA

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.6 DIFICULDADES E FACILIDADES PARA A SUSTENTABILIDADE DA

Para efetivação da estratégia DOTS torna-se importante conhecer os empecilhos para sua implementação na percepção dos profissionais que desenvolvem essas ações.

Os profissionais desse estudo indicaram como dificuldades, a demora nos resultados dos exames, falta de treinamento para os profissionais da ESF, falta de envolvimento dos pacientes de TB ao tratamento.

Eles estão conscientes da necessidade de reduzir o tempo de demora do diagnóstico e iniciar o tratamento o mais precocemente possível. Estão sentindo também a necessidade de uma maior qualificação por parte da Secretaria Municipal de Saúde no DOTS para o fornecimento de subsídios técnicos e científicos.

Essa qualificação está relacionada a processos pedagógicos que ajudem a entender a determinação social da saúde-doença, de forma a transformar a própria visão de mundo, com reflexos para os portadores da doença e para a população em geral (SANCHEZ, 2007).

Ainda segundo a autora, a efetividade das práticas educativas requer que estejam acopladas à realidade de vida das pessoas. Assim, a educação em saúde transcenderia para a compartilha solidária, procurando o envolvimento dos sujeitos, como participantes ativos desse processo.

Khan et al (2006) defendem que os formuladores de políticas e trabalhadores da saúde estejam conscientes da necessidade de desenvolver ações educativas que informem a respeitos da enfermidade, seu tratamento, assim como os efeitos adversos e outras questões que podem emergir do diálogo aberto com os doentes.

Portanto, a simples introdução da estratégia DOTS não trará os benefícios ao doente e nem repercutirá positivamente no controle da tuberculose se não tiver qualidade nos treinamentos e supervisões das equipes de saúde, bem como atendimento humanizado, estabelecimento de vínculos com o paciente e acessibilidade desses aos serviços prestados (SNYDER; CHIN, 1999).

No entanto essa agilidade não depende somente dos profissionais e sim de como o processo de coleta, encaminhamento e retorno é realizado.

Bertolozzi e Terra (2008) também abordaram em seu estudo as limitações ou dificuldades na implementação do DOTS como a burocracia da estratégia, não sendo oferecida pela totalidade dos profissionais de saúde, a falta de conhecimento sobre a estratégia entre os profissionais de saúde e a irregularidade no fornecimento dos incentivos acarretando problemas nas relações entre profissionais de saúde, doente e os familiares, uma vez que se imputa a esses últimos essa falha.

Arcêncio (2006) verificou, em estudo realizado para analisar a organização do tratamento supervisionado em municípios considerados como prioritários do Estado de são Paulo, em função dos preocupantes indicadores relacionados à tuberculose, que o vínculo e o acolhimento, manifestos nas relações de solidariedade, respeito e autonomia que se estabelecem entre a equipe da saúde e os doentes são fundamentais para a adesão.

Ademais, apontou-se que o TS não possibilita que o doente se responsabilize pelo seu tratamento, ficando esse encargo com a equipe de saúde que, portanto, carrega o doente (BERTOLOZZI; TERRA, 2008).

No tocante ao fornecimento de medicamentos, os profissionais do estudo de Natal/RN relataram que não há falta desse recurso, o que mostra o apoio dado à ESF pelos gestores municipais nesse quesito.

Santos et al (2009) citam dificuldades para a implantação do DOTS, como a manutenção de incentivos e recursos, principalmente para a alocação de pessoal preparado e em número suficiente para efetivar as ações de controle da TB e de viaturas para as visitas domiciliares.

Sanchez (2007) aponta a partir do seu estudo, limitações como falta de equipes interdisciplinares, restrição dos incentivos frente às necessidades do doente, resistência de alguns funcionários para o atendimento ao doente, deficiências na infra-estrutura das unidades, sobrecarga de trabalho, em decorrência das ações burocráticas, dentre outras limitações.

No tocante às relações interdisciplinares na estratégia DOTS, Almeida e Mishira (2001) advogam a necessidade de um melhor relacionamento entre as diferentes profissões no interior das unidades de saúde, respeitando a autonomia de cada profissional portador de saberes e competências próprias de sua formação. Segundo as autoras, no processo de trabalho em saúde há uma interação social.

Quanto às facilidades para a sustentabilidade da Estratégia DOTS, citam- se o envolvimento da equipe de saúde da família e o fornecimento de medicamentos por parte da Secretaria Municipal de Saúde.

Esses profissionais percebem os aspectos fortes do DOTS na sua unidade como o trabalho em equipe e a segurança percebida com relação a medicação fornecida.

O constante fornecimento de medicamento mostra o compromisso do governo para se ter o controle da TB

De acordo com a OMS (2003), os tomadores de decisão desempenham um papel fundamental para mudar a forma de pensar sobre os cuidados prestados, bem como provocar mudanças também nas estratégias de intervenção adotadas nos sistemas de saúde.

Conforme Monroe (2005), para o manejo da TB nos sistemas municipais, é necessário que os gestores de saúde garantam as condições materiais

necessárias ao adequado funcionamento e desempenho dos serviços que desenvolvem as ações de controle da doença.

A falta de recursos materiais (dentre eles os medicamentos) ou dificuldade de acesso aos mesmos merece atenção dos dirigentes, pois criam obstáculos ao desenvolvimento de atividades (COPQUE; TRAD, 2005), comprometendo a capacidade resolutiva dos serviços de saúde, bem como o alcance dos compromissos sanitários assumidos pelos municípios, dentre eles as metas de cura e detecção da TB (MONROE, 2005).

Da mesma forma o compromisso da equipe mostra um esforço coletivo nessa forma de atenção primaria à saúde.

6.CONCLUSÃO

Foi possível concluir com a aplicação deste estudo, pontos relevantes sobre a organização do DOTS no Distrito Sanitário Oeste, Natal/RN, como abordarão os parágrafos seguintes.

A experiência dos profissionais na Estratégia de Saúde da Família é relativamente recente, apesar da longa vivência na Atenção Básica e do longo tempo de formação profissional.

A maioria dos profissionais refere trabalhar e conhecer o DOTS, apesar de não entenderem que essa estratégia não se resume à supervisão do TS, diagnóstico dos sintomáticos respiratórios e administração de medicamentos.

A maioria dos enfermeiros e ACS referiu ter recebido capacitações para o trabalho no DOTS, no entanto, mais da metade dos agentes recebeu-a como forma de capacitação, palestras. Mais preocupante ainda foi o fato de a maioria dos médicos e auxiliares/ técnicos de enfermagem não ter recebido nenhum tipo de capacitação.

Apesar da carência de treinamentos para os profissionais da ESF do Distrito Sanitário Oeste, foi unânime a opinião dos sujeitos de que os gestores municipais contribuem para a sustentabilidade do DOTS ao fornecerem recursos materiais e medicamentos.

Quanto à Busca Ativa dos Sintomáticos Respiratórios todos os sujeitos referiram que ela é realizada nas campanhas e como rotina de trabalho nas unidades de saúde.

O diagnóstico utilizado pelos sujeitos é o exame de baciloscopia, sendo o tempo de divulgação deste demasiadamente longo, ao comparar com outro estudo.

O exame de Radiografia (Raio X) também foi indicado por parte dos profissionais médicos para diagnosticar os casos de TB.

As supervisões do TS são realizadas na unidade de saúde e nas residências dos pacientes, ficando as notificações sob a responsabilidade do enfermeiro.

A maioria dos profissionais refere conhecer os esquemas medicamentosos que integram a tratamento destinado aos portadores de TB, sendo imprescindíveis as atualizações nesse quesito.

Quanto às facilidades a maioria referiu o envolvimento da equipe e o fornecimento de medicamentos por parte da Secretaria Municipal de Saúde. As dificuldades ou limitações se relacionaram à demora no resultado dos exames, à falta de treinamentos para a equipe e à falta de envolvimento ou compromisso dos pacientes de TB com o tratamento.

Portanto, entendemos que as ações realizadas pelos profissionais da ESF do Distrito Sanitário Oeste se organizam mais no Tratamento Supervisionado, fato esse observado nas suas percepções acerca do DOTS.

Pretende-se com esse estudo contribuir cientificamente para a construção do conhecimento sobre a detecção dos casos de TB, oferecendo subsídios para futuras pesquisas. Sugere-se a implementação de estudo de caso observacional no referido distrito sanitário.

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