Se o conhecimento tácito for visto como uma alta individualidade e apenas puder ser realizável através das experiências pessoais, difundi-lo parecerá impossível (Augier e Vendelo, 1999). Em contrapartida a esta argumentação, outros pesquisadores propõem uma atitude mais positiva para difundir o conhecimento tácito (Nonaka e Konno, 1998, Leonard e Sensiper, 1998), onde estas dificuldades podem ser relacionadas como: percepção e linguagem, tempo, valor e distância.
Percepção e linguagem são consideradas as principais dificuldades em compartilhar o conhecimento tácito. Perceptivelmente, a característica da inconsciência gera o problema das pessoas de não serem atentas à extensão dos seus conhecimentos
(Herrgard, 2000). O conhecimento explícito é fácil de ser reconhecido, mas o sentimento da perda de ligação ou elemento de intuição é difícil de se detectar. Esta espécie de conhecimento é então internalizada que posteriormente, e com uma certa freqüência, torna- se parte natural de nossos comportamentos ou caminhos de pensamento.
A dificuldade com a linguagem é encontrada no fato dos conhecimentos tácitos serem apoiados em formas não-verbais. Para muitas pessoas articularem alguma coisa que se pareça com o natural e o obvio é muito difícil. Muitas experiências e conhecimentos ocultos guiam para o conhecimento tácito mostrando uma grande dificuldade em articular estes conhecimentos. Um problema que segue isto pode ser o aumento das dificuldades com a experiência para expressar o conhecimento tácito (Herrgard, 2000).
Outro problema que aparece está entre a relação de pessoas novas e experientes, pois existe um problema em encontrar uma linguagem apropriada para ser compartilhada. A diversidade de terminologias ou jargões existentes entre diferentes grupos de ocupações e linhas de negócio e um compartilhamento de todas as formas de conhecimento dependem da união de linguagens. Este jargão pode, contudo também ser a fonte da externalização do conhecimento tácito e na tentativa para externalizar o conhecimento tácito, a criação de novas expressões pode acontecer onde freqüentemente se incluem dimensões tácitas (Herrgard, 2000).
O tempo também aumenta a dificuldade para compartilhar conhecimento tácito, pois a internalização desta forma de conhecimento requer um longo período para formar conhecimentos individuais e organizacionais (Augier e Vendelo, 1999). Como a velocidade dos negócios atualmente está aumentando e o tempo para reflexão está se tornando escasso para os novos empreendimentos, o tempo de introdução é freqüentemente insuficiente e poucos empreendimentos têm tempo excedente para atender a esta introdução.
A rápida mudança nos ciclos de trabalhos está levando para um aprendizado contínuo e muitas pessoas são forçadas a ter cuidado com a necessidade do aprendizado, mas poucas organizações têm reservado tempo para aprender a alcançar este conhecimento. Com uma maior pressão nos empregados e um menor número de empregos, aumenta-se o risco dos empregados não terem tempo suficiente para obter seus conhecimentos tácitos (Herrgard, 2000).
Uma forma organizacional do conhecimento tácito pode ser encontrada em rotinas, na cultura organizacional e no esquema cognitivo. Neste caso, pode-se dizer que é necessário a externalização do conhecimento tácito, pois o aprendizado da cultura organizacional, ou modelos mentais ocorrem sobre o tempo e através da participação ativa e da interação na organização (Leonard e Sensiper, 1998). Quando um modelo é utilizado para compartilhar a cultura organizacional, ele nem sempre está atento para o compartilhamento de conhecimentos, mas mesmo não havendo a externalização do conhecimento tácito, ele pode ser compartilhado, e por isso, neste caso, a socialização é mais importante que a externalização (Herrgard, 2000).
O valor é outro campo com dificuldades em compartilhar o conhecimento tácito, bem como o conhecimento explícito. Muitas formas de conhecimento tácito, tais como a intuição, não tem sido valorizados (Zack, 1999). A intuição não corresponde para o negócio pelo fato de existirem conceitos tais como racionalidade e a lógica com muito mais ênfase, e por isso ela logo não é preferida. O valor é freqüentemente associado com alguma forma de medida e atualmente temos aprendido a valorizar coisas incomensuráveis tais como o conhecimento, embora que coisas mais intangíveis, semelhante ao conhecimento tácito, sejam incomuns hoje em dia.
A frase “Conhecimento é poder”, está firmemente embutida em nossas mentes, especialmente na sociedade de hoje, pois o conhecimento tem se tornado um ativo valioso
no trabalho do marketing. Sendo este poder coletivo na organização, isto pode ser muito bom, mas se muito destes conhecimentos se referirem a um poder individual, isto pode ser perdido por ser utilizado apenas para o uso próprio. Neste caso, a organização irá apenas ser um campo de batalha para explorar o conhecimento de colegas em busca de conhecimentos próprios, e isto não é benéfico para a organização.
Outra dificuldade é que não é apenas o conhecimento valioso e benéfico que é compartilhado como verdade organizacional ou conhecimento tácito pessoal. Como por exemplo, na cultura organizacional, tais coisas como maus hábitos e comportamentos obsoletos são difundidos e uma vez compartilhados e internalizados esses maus hábitos tendem a ser difíceis de se reparar. Uma solução para este problema pode ser não permitir que eles sejam disseminados, mas é muito difícil se gerenciar e controlar o que é compartilhado e o que deve ser compartilhado.
Por último, a distância também aumenta as dificuldades nos dias de hoje. A necessidade de uma interação face a face é freqüentemente percebida como um pré- requisito para a difusão do conhecimento tácito (Holtshouse, 1998; Leonard e Sensiper, 1998). Quando organizações tendem a se dispersar para maiores distâncias ou para formas 0mais virtuais ou globais (Bennet e Gabriel, 1999), a interação face a face torna-se mais uma exceção do que uma regra, e isto tem gerado uma grande dificuldade para poder compartilhar o conhecimento tácito. Atualmente, pode se valer da tecnologia moderna de informações para difundir conhecimento explícito, mas o conhecimento tácito é muito difícil de ser difundindo eletronicamente. Talvez no futuro a tecnologia possa facilitar a difusão pela interação face a face feita artificialmente através de diferentes formas de reuniões em tempo real e com diferentes visões e formas de simulação (Herrgard, 2000).