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Dificuldades em implementar algoritmos inspirados nas evidências

3.4 Evidências biológicas da stereopsis

3.4.3 Dificuldades em implementar algoritmos inspirados nas evidências

As evidências biológicas citadas da stereopis são importantes informações do processo estéreo em seres vivos, porém, para descrever algumas destas evidências na forma de um algoritmo não é uma tarefa simples nem tão pouco direta.

As evidências biológicas de compatibilidade e seletividade direcional são relativamente simples de serem descritas na forma de um algoritmo, uma vez que qualquer tipo de filtro passa-alta, aplicado ao par de imagens estereoscópicas, poderá detectar bordas de intensidade, e então a estas, associar suas polaridades e direções.

A polaridade de uma borda de intensidade é obtida através do gradiente de intensidade (na direção x e na direção y) e a sua direção através da função arco-tangente do gradiente na direção y dividido pelo gradiente na direção x.

Outra evidência biológica relativamente simples de ser descrita na forma de um algoritmo é a área fusional de Panum, uma vez que, dado um ponto em uma imagem, está evidência biológica delimita um intervalo fixo permitido de busca sobre a linha epipolar do ponto homólogo na outra imagem.

Uma maneira de descrever a evidência biológica de processos cooperativos na forma de um algoritmo é utilizar técnicas de rotulação por relaxação (ROSENFELD et

al., 1976; HUMMEL & ZUCKER, 1983; PRICE, 1985; HAKEN, 1995; WU, 1995).

A rotulação por relaxação é razoavelmente um modelo geral proposto por ROSENFELD et al., (1976) para rotulação de imagens. No processo estéreo, a relaxação consiste basicamente em identificar pontos ou feições de interesse em cada uma das imagem e a partir destes (ou destas), assinalar rótulos únicos para cada par de pontos ou feições ditas homólogas.

Para cada par de matches, uma probabilidade de matching é determinada iterativamente dependendo da probabilidade dos matches vizinhos, de tal maneira que fortes matches vizinhos aumentam a probabilidade de um fraco match e fracos matches vizinhos diminuem a probabilidade de um forte match. O item 3.5.4 traz um resumo do algoritmo cooperativo de MARR & POGGIO (1976) baseado em rotulação por relaxação. Outra referência sugerida sobre este assunto é BARNARD & THOMPSON, 1985.

A evidência biológica de gradiente de disparidade pode ser descrita na forma de um algoritmo utilizando as definições para o gradiente de disparidade citadas em 3.4.1, porém, a utilização destas definições, apesar de corretas, é inviável e contraditória (se algumas considerações não forem feitas).

Segundo a definição de AYACHE (1991) para o gradiente de disparidade (citada em 3.4.1), este é a derivada parcial da função disparidade em relação a profundidade. A contradição desta definição está justamente em calcular a derivada da função disparidade em relação a profundidade, uma vez que a função disparidade e consequentemente a profundidade, são as incógnitas deste problema, e portanto, ainda desconhecidas.

A segunda definição citada em 3.4.1 para o gradiente de disparidade, diz que este é determinado entre dois objetos próximos no campo visual como a diferença entre suas disparidades dividida por sua separação no espaço ciclopeano. O principal problema para implementar está definição é que o gradiente de disparidade seria determinado apenas entre objetos próximos, e portanto, a grande maioria da cena continuaria sem ter estes valores de gradiente determinados.

Outra implicação desta definição está em determinar quando dois objetos estão aceitavelmente próximos, ou seja, um conceito de proximidade deve ser definido. No caso de nenhum par de objetos estar relativamente próximo, o gradiente de disparidade não poderia ser determinado em nenhuma região da imagem no espaço ciclopeano. A figura 3.10 ilustra algumas direções para as quais seria possível calcular o gradiente de disparidade.

o

1

γ(o

1

,o

3

)

o

2

o

3

o

4

γ(o

1

,o

4

)

γ(o

1

,o

2

)

Na figura 3.10, o1, o2, o3 e o4 representam objetos no espaço ciclopeano, γ(o1,o2),

γ(o1,o3) e γ(o1,o4) representam as direções possíveis para calcular os gradientes de

disparidade a partir de o1 em relação a o2, o3 e o4, respectivamente, desde que estes

objetos atendessem o conceito de proximidade estipulado.

As dificuldades encontradas para descrever a evidência biológica de movimento de vergência dos olhos na forma de um algoritmo também são várias e complexas, mesmo porque, o mecanismo que o sistema visual dos seres vivos utiliza para controlar este movimento é ainda desconhecido.

A possível explicação que poderia ser dada sobre o mecanismo de controle do movimento de vergência dos olhos (citado em 3.4.2) também é contraditório para ser descrito na forma de um algoritmo, pois, a região para a qual o limite de gradiente de disparidade fosse excedido não poderia ser determinada devido a função de disparidade (e portanto o gradiente de disparidade) ser ainda desconhecida.

Uma possível solução para descrever o movimento de vergência dos olhos na forma de um algoritmo sugerida por MARR & POGGIO (1979) consiste em utilizar a correlação de grandes janelas no domínio espacial para controlar este movimento, uma vez que, grandes janelas tendem a possuir performances mais estáveis (via o teorema de limite central) do que pequenas janelas em processos de correlação.

O problema inerente a esta sugestão de MARR & POGGIO (1979) é devido a grandes janelas serem fortemente afetadas pelos problemas da visão estéreo citado em 3., principalmente em relação aos efeitos de oclusão e transformações geométrica ocorridas entre o par de imagens estereoscópicas. A figura 3.11 mostra um par de imagens estereoscópicas com um par de linhas epipolares homólogas destacadas em preto.

A figura 3.12 mostra o gráfico das intensidades das linhas epipolares homólogas ao longo do eixo x das imagens.

Fig. 3.12 - Gráfico de intensidades ao longo das linhas epipolares homólogas.

Na figura 3.12 é possível visualizar claramente os efeitos de oclusão e com mais dificuldade a variação de escala entre os dois gráficos. Estes efeitos podem resultar em falsos matches mesmo para grandes janelas.

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