• Nenhum resultado encontrado

6 DISCUSSÃO

6.3 DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA SEGUIMENTO DAS

É possível realizar um paralelo entre as dificuldades apresentadas pelos gestores e pelos profissionais. Os problemas anunciados trouxeram aproximações em alguns quesitos, porém percepções diferentes acerca da contextualização desses problemas com reconhecimento de algumas necessidades que permeiam uma realidade um pouco distante da que o profissional normalmente está habituado a perceber.

Destaque aos problemas elencados pelos profissionais relacionados: ao turno de trabalho, falta de capacitação frequente e falta de acesso e divulgação dos protocolos. Ênfase à dificuldade que os profissionais do turno noturno possuem de participar dos treinamentos, bem como pela pouca atuação dos profissionais na tomada de decisão, atualização e elaboração dos protocolos institucionais.

Vale salientar ainda que por vezes, esses protocolos sofrem mudanças num curto intervalo de tempo, antes mesmo que se consiga capacitar toda a equipe, causando um desconforto por parte dos mesmos.

Essas variações, eventualmente enxergadas de uma forma negativa, denotam a dinamicidade do conhecimento, das descobertas e práticas a partir da vasta quantidade de novos estudos, ensaios clínicos e recomendações publicadas que sugerem mudanças, impulsionadas pelo avanço das tecnologias e chamam a atenção para a capacidade de resiliência e adaptação desses profissionais.

Dessa forma, nem sempre é possível acompanhar ou estar à frente da ciência nas descobertas, mas é fundamental entender que essas variações estão embasadas em práticas baseadas em evidência; as quais visam melhorar a assistência, findam por exigir mais do profissional para acompanhar a evolução nos processos de trabalho e assistência à saúde.

Em contrapartida, a gestão trouxe a lembrança de que as capacitações do noturno apresentam barreiras que podem ser relacionadas aos embates junto ao gerenciamento de recursos humanos para driblar os obstáculos oriundos da permanência desses funcionários pós jornada de trabalho para participar dos treinamentos gerando excesso de carga horária intrajornada. Além disso, existe, ainda, a pouca disponibilidade dos facilitadores, ou mesmo gestores e coordenadores para dividirem suas atuações nos diferentes horários, inclusive noturno.

O desabastecimento também foi uma dificuldade bastante pontuada pela gestão, porém foi tratada sob uma perspectiva e contextualizações sobre os entraves na disponibilização e utilização de insumos. Relacionadas desde problemas com a legislação de compra de insumos até embates com fornecedores e falta de um software adequado para controle de estoque.

A questão do fluxo e profissionais foi tratada como um problema de grande amplitude, nos dois momentos da pesquisa. As queixas apresentadas pelos profissionais foram consentidas pela gestão, marcado pela relação direta à indisposição física da unidade e dificuldade de manutenção dos protocolos organizacionais e as práticas de prevenção frente a uma quantidade de circulantes no ambiente.

Outra questão relevante, diz respeito ao fato de se estar diante de um Hospital vinculado a uma instituição de ensino superior responsável pela formação de alunos dos mais diversos cursos de graduação e pós-graduação, que exige do mesmo espaço para campo de estágio para suprir a necessidade formadora. Além disso, existe uma crescente oferta de vagas periodicamente o que reflete no aumento de alunos circulantes, além do quadro de funcionários que atuam no setor.

Diante do que foi exposto, surgem algumas reflexões. Inicialmente por se tratar de um setor com equipe diferenciada, a qual precisa ser constantemente estimulada e valorizada dentro de suas necessidades. As dificuldades quando trazidas com peso e representação dentro do grupo podem traduzir ou refletir no processo de motivação desses profissionais, comprometendo ainda mais a perpetuação das boas práticas. Em princípio, essa falta de motivação da equipe não foi relatada, mas, mesmo assim, não pode ser desconsiderada em vigência da permanência dessas dificuldades.

O que se considera atualmente é que uma atuação mais efetiva da gestão está relacionada a redução de eventos adversos na assistência hospitalar. Assim, mesmo diante de seus maiores entraves, é ela quem precisa apontar soluções e mostrar-se mais próxima e envolvida com as equipes para construção de uma assistência segura e promoção de uma cultura de segurança enquanto política institucional e melhoria dos processos (BATISTA; 2018; SERRA; BARBIERI; CHEADE, 2016).

Um estudo que analisou a percepção dos profissionais de UTI sobre os fatores restritivos para sua atuação apresentou achados semelhantes. De acordo com ele, o déficit dos treinamentos e capacitações em serviço foi apontado pelos profissionais como uma barreira para execução das ações multidisciplinares no ambiente de trabalho (ARAÚJO NETO et al., 2016).

Essas capacitações são atividades que necessitam de pouco investimento e possuem alto impacto se trabalhadas com coesão às demandas nacionais e internacionais para um cuidado seguro. Dessa forma, é preciso haver sincronismo entre o rastreamento dos principais eventos adversos presentes na unidade para se ter concordância entre a realidade e as temáticas selecionadas para os treinamentos. O intuito é evitar capacitações pontuais que não

traduzam uma mudança de comportamento e apreensão de novos conhecimentos pelos profissionais (SERRA; BARBIERI; CHEADE, 2016; SOUZA; SILVA, 2014).

Além disso, dificuldades como falta de estrutura adequada e de recursos materiais também são reportados na literatura como responsáveis por interferir diretamente no desenvolvimento dos trabalhos das equipes e de melhores práticas. Somados a isso, a utilização de protocolos e de decisões baseadas em evidências tendem a favorecer as rotinas e podem estar relacionados a redução de gastos desnecessários dentro de uma instituição (SIMAN; BRITO; 2016; SERRA; BARBIERI; CHEADE, 2016).

Chama a atenção relatos semelhantes quanto à falta de divulgação dos poucos protocolos institucionais e da participação dos profissionais na elaboração dos mesmos, além de outras limitações como, ausência de liderança atuante em segurança do paciente; recursos materiais escassos e falta de incentivos e motivação também são apresentados por outros autores, constituindo barreiras para a segurança do paciente (OLIVEIRA et al., 2014; QUES; MONTORO; GONZÁLEZ, 2010).

Assim, mesmo reconhecendo que a resolução desses problemas demandaria tempo ou poderiam esbarrar em questões externas ao alcance de resolução dos gestores institucionais, parte-se da lógica que as dificuldades desvendadas pelos profissionais e discutidas entre os representantes institucionais são pertinentes dentro do contexto das estratégias para se alcançar melhores resultados na prevenção das infecções, devem ser consideradas e dependem da atuação e intervenção, seja direta ou coadjuvante, dos líderes e gestores.

6.4 A GESTÃO INSTITUCIONAL E O ENFRETAMENTO DAS NECESSIDADES E