6.Deveres do Homem Ético e Político do Desporto
11. Dignidade e Finalidade do Homem Profissional
Neste capítulo tratar-se-á das questões centradas na dignidade e na finalidade na profissão. Relativamente ao homem político e gestor do desporto e à dignidade e finalidade enquanto homem profissional importa mencionar três aspetos fundamentais, a dignidade, a preparação e a responsabilidade profissional.
Há necessidade de abordar a conceção de dignidade humana e da sua relação com o contexto social, político e profissional que é muitíssimo relevante para este estudo pois está na génese da nobreza da preparação profissional, da qual depende a responsabilidade na respetiva profissão. Neste caso pretende- se estudar apelando a uma compreensão no ramo da gestão e política do desporto.
Da dignidade na profissão no âmbito político e profissional resulta a imperiosa necessidade de admitir que sendo igualmente dignas as profissões intelectuais, liberais, burocráticas, técnicas, mecânicas, manuais, assim como as atividades noutros tempos designadas por servis, cumpre ao homem em plena harmonia servi-las todas com dignidade. Da forma como cada um as servir, assim essas profissões se elevarão ou abaixarão.
Seja qual for a atividade desempenhada, no âmbito da gestão e política do desporto, é indispensável que cada um proceda mais do que com honestidade, com probidade, ou seja, com retidão e honestidade, porque ser “probo” é mais, muito mais do que ser honesto. Cumpre ao homem político do desporto em plena harmonia servi-la com dignidade, da forma como cada um a servir, assim a profissão se elevará ou abaixará.
O honesto evita o mal, esclarece Renato Kehl (1958) que cumpre os deveres, respeita as leis e preconceitos, prova inteligência e argúcia. O probo tem o culto natural da dignidade, da perfeição, graças à potência hereditária do que se dominou “talento moral”.
Quanto mais elevada for a posição do profissional do desporto e quanto maiores forem as suas responsabilidades, tanto mais se lhe deve exigir uma
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conduta proba, “a técnica, desacompanhada da probidade, só pode criar profissionais desonestos, tanto mais perigosos, quanto mais hábeis forem”, afirmou Pires de Lima (1953).
Para Viana (1989) o profissional é um zelador de duas dignidades, ou seja, a dignidade da profissão e a dignidade da sua pessoa. Le Bon (1914) esclarece a este respeito, que o sentimento de honra é uma necessidade de dignidade pessoal, que leva a evitar certos atos e a realizar outros, mesmo contrários aos nossos interesses, com o único objetivo de conservar a estima própria e a estima dos nossos semelhantes, da sociedade, da polis.
Para desempenhar qualquer profissão na área da gestão e da política do desporto importa ao homem ter-se preparado para ela. A preparação para ser um digno gestor desportivo variará, como é óbvio, conforme a maior ou menor dificuldade ou transcendência do trabalho por ela exigida.
Decorre deste facto a seguinte lição conduzida por Viana (1989), “aquele que ingressa em qualquer profissão sem a necessária preparação, pratica um ato malicioso reprovável, a menos que se trate de um ato irresponsável. Porém, neste caso, o indivíduo revela não ser verdadeiramente humano”, pois, e segundo Romero (1953), o homem é, em primeiro lugar, uma “consciência intencional” em que sem ela não há homem.
Da mesma maneira, torna-se crucial abordar a posição a este respeito de Lopes de Sá (1998, p.181) que orienta o seu pensamento ao encontro de Viana (1989) e afirma, “aquela profissão cuja preparação exija mais tempo ou mais estudo ou aquela profissão cuja preparação exija mais aptidões ou mais responsabilidades, tem de ter retribuição proporcional à graduação destes valores. Semelhante facto não pode, eticamente, conferir-lhe qualquer privilégio, além dos inerentes à própria liberdade e dignidade da função. Não podem existir profissões-castas intangíveis. Se o profissional não cumprir os deveres éticos, ficará sujeito às leis, como qualquer outro”.
Nos dias de hoje questiona-se muito a responsabilidade de alguém numa determinada área técnica, mas é indispensável salientar que ela varia bastante em função das diversas profissões. Além da responsabilidade legal e
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administrativa, há uma responsabilidade comutativa segundo Viana (1989), de natureza essencialmente moral, que depende do tipo de atividade desempenhada, e por tal apresenta-se uma responsabilidade individual e uma coletiva ou solidária como o mesmo autor a classifica.
Conforme se trata de uma ou de outra, ou de ambas conjuntamente, assim devem ser impostas obrigações morais ajustadas a cada serviço, não podendo ninguém desobrigar-se a elas.
Mas Viana (1989) acrescenta a esta tese, tendo por base o seu pensamento da ética profissional, que estas responsabilidades têm que ser consideradas sob um outro ângulo, e por tal, acrescenta as responsabilidades de vidas, de haveres e as de reputações.
A vida depende muito de um profissional, dirigente ou não, depende de um ou muitos homens e pode depender de muitos profissionais, por exemplo, de médicos, engenheiros, arquitetos, gestores ou políticos.
O mesmo pode dizer-se relativamente aos bens económicos como são os casos das sociedades anónimas. Finalmente, a reputação e o bom nome dos homens da polis depende da maneira como atuarem certos profissionais, como os professores, administradores, gestores ou políticos.
Em alguns casos a responsabilidade pode ser múltipla e abranger as várias hipóteses consideradas, pois a vida tem um enorme valor, dado que a perda económica pode arrastar à morte, porque a desonra e a vergonha injusta e indevida podem causar doença e desespero, que segundo Viana (1989) “são vestíbulos da morte”.
Urge, por consequência, atribuir à responsabilidade profissional na gestão do desporto a maior atenção no plano ético, porque o mais grave, o mais nocivo, o mais destruidor de todos os males que afrontam a vida portuguesa, como já Simões (1945) referia, é a falta de dignidade profissional, ou melhor, a não dignificação das profissões.
Para dignificar a profissão, neste caso a da gestão desportiva importa conhecer a responsabilidade que esta implica e cumpri-la integralmente em todas as
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ocorrências e no dia-a-dia, com heroica obstinação, indo ao encontro da fundamentação de Viana (1989).
O referido autor fundamenta este pensamento e acrescenta que o prestígio não se improvisa, vai-se criando lentamente, através de uma atuação irreprimível, eficiente e contínua.
Com este pensamento podemos referir que não há profissão ou ocupação, seja qual for o seu tipo, da gestão à política, na qual seja possível adquirir prestígio a não ser mediante este esforço consciencioso, que para o mesmo autor “implica muitas vezes a renúncia ao triunfo fácil mas efémero, e pressupõe sensaborias inevitáveis, quando há o propósito de realizar um trabalho de fôlego, não obstante as dificuldades que se oponham e o tempo que exija.” Tendo por base esta conceção, a responsabilidade profissional em qualquer sector da gestão à política desportiva deve ser avaliada além da capacidade, pelo empenho que se aplica para prestar em todos os casos um serviço honesto, nunca inferior ao prometido. Quando não se tem a certeza de poder realizar qualquer trabalho, não deve ninguém admiti-lo como possível, o homem profissional do desporto consciente deve analisar friamente as possibilidades de realização da operação que se propõe executar.
Se considerar viável deve declará-lo e se julgar o contrário, também o deve dizer, mesmo quando tal signifique a perda de um negócio, de um contrato para um evento desportivo ou de um ato de intervenção política no seio da sociedade.
A dignidade na profissão da gestão desportiva irá depender muito da dignidade do homem político do desporto na sua vertente individual. O problema da dignidade do homem é analisado em função do lugar central que este ocupa no universo, ponto de referência de toda a realidade.
Houve sempre uma preocupação em valorizar o homem na sua condição terrestre e tal ponto é bem patente em certos autores humanistas, tais como, Gianozzo Manetti, discípulo de Ambrogio Traversari, que lembrou o homem e a sua dignidade ao realçar o valor da atividade humana, mas só na medida em que esta lhe era conferida pelo Criador.
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Contudo foi com Giovanni Pico Della Mirandola, um dos homens a quem os “vindouros” reconheceram a marca de génio, que a valorização humana atingiu a máxima expressão.
Gianozzo Manetti não visiona o alcance ontológico e ético da valorização do homem em que tal intuição está reservada ao referido Giovanni Pico Della Mirandola.
Para o Conte di Concordia, ou seja, Pico Della Mirandola, esta questão surge como uma abordagem muito mais elaborada, podendo detetar-se na temática da dignidade do homem a articulação de três níveis de compreensão, isto é, de clareza, um problema da razão, um problema da liberdade humana e um problema de ser.
Segundo o autor é a capacidade racional que permite ao homem tomar consciência da sua dimensão como ser livre. A abordagem do antropocentrismo Piquiano, isto é, a função que o assunto da dignidade ocupa no cerne do universo vem alicerçada a partir da consideração da liberdade humana, direcionada para a ação ética, portanto, com alcance prático. Mas articulando um nível ontológico, ou seja, existencial e para se perceber o sentido ontológico da ética, isto é, da força criadora da palavra é fulcral compreender-se como o homem aborda as questões da consciência ética e do valor moral, neste caso, na sua profissão.
Pico Della Mirandola fundamenta na sua obra “Discurso sobre a Dignidade do homem” que “o homem é o ser mais digno da Criação de Deus, porque foi colocado no centro do Universo e porque de tudo quanto foi criado ele possui as sementes”. (XXIII)
Segundo o mesmo, ser ontologicamente de natureza indeterminada, permite distinguir-se por tal facto tanto do mundo natural como do mundo angélico (dos anjos), distingue-se ainda devido a ser o artesão ou operário de si mesmo, tal como referiu Patrício, o homem é a escultura a ser trabalhada, a pedra dessa escultura, a ferramenta da mesma escultura e o escultor da mesma escultura. O homem é responsável pela direção da sua existência, pelo seu destino, pelas marcas que deixará na sua profissão e na sua sociedade e pelos trilhos que
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pretende seguir de tal modo que para Pico Della Mirandola o problema da sua natureza não se pode pôr a priori, mas tão-só à posteriori.
Enquanto o animal, devido à natureza que lhe é dada à partida, só pode ser animal e o anjo só pode ser anjo, o homem tem quase o poder divino de se constituir segundo aquilo que quiser ser, de ser um ótimo gestor e político do desporto e digno da sua vocação ou profissão dando o melhor de si para o seu povo, para a sua sociedade, a sua polis, ou simplesmente, ignorar a honradez e desprezar a sua profissão.
Pode degenerar até aos brutos e pode regenerar-se até aos anjos, mas a possibilidade de viver como os animais ou como os seres espirituais depende inteiramente de si mesmo, isto é, da sua escolha.
Pico Mirandola fundamenta que o homem ser da natureza indeterminada e indefinida, “ está condenado à liberdade, por parte de Deus. E porque tem de escolher, o homem é fautor do seu destino. Eis o grande milagre”. (XXV)
O homem não se deve contentar com as coisas medíocres, mas deve aspirar às mais altas. Deverá preocupar-se por alcançar de uma forma digna a imortalidade e a transcendência no exercício da gestão e da política do desporto.
Pico Della Mirandola refere que há um compromisso ético diferente do dado ontológico pois encontra-se perante uma ética do poder ser, em que o homem, orientado pela razão e desde que seja possível age com vista à obtenção dos mais altos valores espirituais. Esta é uma outra forma de a sua superioridade se expressar relativamente a todos os outros seres criados.
Mas esta dignidade do homem tem também um alcance ontológico. Pico Della Mirandola alerta para o facto de o homem se constituir como um ser de natureza indefinida e indeterminada não apontar para uma pobreza ontológica, mas para uma riqueza como sublinha “porque em si estão colocadas todas as sementes dos seres criados, há no homem uma superabundância que lhe é conferida à partida e que lhe compete, mediante a escolha, fazer frutificar”. (Discurso sobre a dignidade do homem, XXIII)
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O homem possui, então, o poder de se autodeterminar e deste modo coloca-se acima do mundo físico biológico, isto é, apresenta um alcance cultural inscrevendo-se aqui o problema da responsabilidade moral.
Numa outra perspetiva pode-se analisar o tema sobre a dignidade do homem e perceber que a mesma é uma qualidade intrínseca, inseparável de todo e qualquer ser humano, é característica que o define como tal.
A conceção de que em pensamento da sua condição humana e independentemente de qualquer outra particularidade, o homem é titular de direitos que devem ser respeitados pelo Estado e pelos seus semelhantes, pela sociedade. É, por tal, um atributo tido como inerente a todos os homens e configura-se como um valor próprio que o identifica e pode trazer-se a esta discussão a visão antropológica de Leonardo Boff, transcrita por Oliveira (2005), aquando do insulto da dignidade:
“Nada mais violento que impedir o ser humano de se relacionar com a natureza, com seus semelhantes, com os mais próximos e queridos, consigo mesmo e com Deus. Significa reduzi-lo a um objecto inanimado e morto. Pela participação, ele se torna responsável pelo outro e como cria continuamente o mundo, como um jogo de relações, como permanente dialogação.”
(in Fé e Política: Fundamentos)
Todo o ato que promova a degradação da dignidade atinge o cerne da condição humana, promove a desqualificação do homem político do desporto como homem profissional e agride também o princípio da igualdade, dado que, a meu ver, é inconcebível a existência de maior dignidade nuns do que noutros. Pode trazer-se à colação a explicação de Silva (1998) acerca do conceito de dignidade da pessoa humana, a fim de se entender o significado para além de qualquer conceção, neste caso política, posto que a dignidade é, como referido, condição inerente ao homem, atributo que o caracteriza como tal, “a dignidade da pessoa humana não é uma criação constitucional, pois ela é um
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desses conceitos a priori, um dado preexistente a toda experiência especulativa, tal como a própria pessoa humana”.
A explicação de Silva (1998) vai ao encontro do pensamento e entendimento de Malheiros (2003) ao focar sobre as dificuldades de uma definição precisa e razoável de dignidade humana. E como relembra este autor, foi Kant quem definiu o entendimento de que o homem, por ser pessoa, constitui um fim em si mesmo e, então, não pode ser considerado como simples meio, de modo que a instrumentalização do ser humano é vedada.
Tal definição tem inspirado os pensamentos filosóficos e políticos na contemporaneidade. A dignidade não pode ser renunciada, de tal forma que não se pode falar na pretensão de um homem de que lhe seja concedida dignidade, dado que o atributo lhe é inerente dada a própria condição humana. Desta posição destaca-se a capacidade do homem agir e intervir em prol da sua sociedade e profissão, contribuindo para o bem-estar social dando o melhor de si, dignificando de uma forma nobre a gestão e política do desporto. Para o estudo da dignidade humana e na sua aplicação ao homem profissional da gestão desportiva não devemos afastar-nos do ponto de vista ontológico da ética. É fulcral compreender-se como o homem aborda as questões da consciência ética e do valor moral.
A consciência ética corresponde a uma decisão proclamada por cada um de nós sobre o valor moral dos nossos atos, isto é, enquanto os julgamos louváveis (louvor) ou reprováveis (reprovação), bons ou maus, em conformidade com uma regra, norma ou princípio que nos transcende.
Enquanto o cientista apenas afirma a verdade que julga descobrir, com base no princípio de causalidade e perante a objetividade, o artista exprime e traduz as emoções que a beleza, enquanto ramo estético, nele despertou, o homem moral e ético do desporto sente-se interiormente vinculado a um imperativo que lhe dita o que deve fazer.
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Segundo Freitas (2000) se a vontade não pode impor diretamente a verdade pois não depende dela, nem a beleza porque é objeto de sensibilidade e de gosto, nem sequer o amor dado, porque se trata de uma fonte oculta, indica e prescreve uma obra a fazer, uma tarefa a cumprir.
Ao contrário da restante animalidade (irracional), a vida do homem político do desporto, o seu impulso e a sua disposição de vida atinge um nível superior, caracterizando-se pela espontaneidade interior sempre em desenvolvimento e em expansão, proveniente de decisões livres e refletidas de quem pode escolher os princípios, meios e os fins (o sentido axiológico) que a eles conduzem.
O homem político do desporto deverá aspirar a um equilíbrio interior, a uma harmonia para viver bem consigo próprio, alcançados graças a uma decisão pessoal inteligente e livre. Para Freitas (2000) as nossas ações, de forma alguma nos poderão ser indiferentes pois obedecem a uma lei que, por um lado, ditamos a nós mesmos (autonomia) e, por outro lado, reconhecemos não depender só de nós (heteronomia).
Nesta nunce, a consciência moral equivale a uma sentença proferida por cada um de nós sobre o valor moral dos nossos atos, isto é, enquanto os julgamos louváveis ou reprováveis, bons ou maus, em conformidade com uma regra, uma norma ou um princípio que nos transcende.
Segundo Kant, relativamente à consciência moral e retirado da obra “ Para uma fundamentação ontológica da ética” de Freitas (2000, p. 19) “ duas coisas enchem o meu coração de admiração e de veneração sempre novas e sempre crescentes na medida em que a reflexão nelas incide e a elas se aplica: céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim…A experiência moral eleva infinitamente o meu valor como inteligência, pela minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma radical independência em relação à animalidade e mesmo a todo o mundo sensível”.
Transpondo para a gestão e política do Desporto, o valor moral mostra-se irredutível e desmedido com qualquer outro valor e suas possíveis combinações que caraterizam o ato do homem político como tal, enquanto livre
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e conscientemente colocado, nunca podendo ser assumido como meio ou instrumento para a realização de outros valores, pois é fim de si mesmo, vale por si só.
Se a vida é condição necessária para a realização do valor moral, o mesmo valor impõe-se, por sua vez, como razão de ser da própria vida, como sentido do ser, e ao mesmo tempo, o seu significado e sua direção.
Freitas (2000) acrescenta que assentando-se como valor próprio da pessoa, o valor moral apresenta-se como universal, e portanto, o que é moralmente bom para mim, sê-lo-á também para todos os que se encontrem nas mesmas condições.
Encarnar o valor moral nas nossas atitudes e comportamentos é para nós uma promoção, tal como se pretende no homem ético do desporto como homem político, traí-lo é um “atentado” à nossa dignidade de seres racionais, uma desistência. Mas não é o aperfeiçoamento que nos faz morais, mas sim a moralidade que nos torna perfeitos.
A experiência do “remorso” e do “arrependimento” sublinha a eminente dignidade do valor moral e o seu cumprimento ou incumprimento despertam sentimentos de satisfação (alegria) ou de desgosto (tristeza) que constituem o que habitualmente designamos por boa ou má consciência e esta ontologia da ética, a força da criação da palavra ética reveste-se no desporto e no homem político do desporto e no homem profissional.
Para Martins (2000) só há moralidade para o homem que se “sabe duplo e dividido”, que aspira a unir-se, a ser “um. Se o “Eu” tende a reunificar-se no arrependimento, começa a obrigar-se no dever e a condenar-se no remorso. O arrependimento define o estado de uma consciência unificada que, reprovando a falta, deseja firmemente emendar-se e o outro, ou seja, o remorso, apresenta a obscuridade de uma consciência dividida entre o apego à falta e a vergonha que lhe provoca. Há uma pressão meramente intelectual, classificada por Martins (2000) como o homem enquanto ser de intelecto, tensão causada por uma apreensão da inteligência, a compreensão do que é bom ou do que é mau.
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Sem a intervenção da inteligência o nosso ato seria cego ou brioso, sem a intervenção da vontade não se produziria e a dignidade na profissão não existiria.
Martins (2000, p 29) foca o seu pensamento em Pascal e aponta “que a razão ordena-nos muito mais imperiosamente do que um senhor, porque desobedecendo a um é-se infeliz, desobedecendo à outra, é-se parvo. O pensamento constitui a grandeza do homem.”
Urge iniciar um percurso de pensamento sóbrio, definido, delineado perante as diretrizes do bem e assente nos pilares políticos de reflexão e de intervenção para uma correta gestão do desporto e mais do que tudo, para elevar com base