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DILIGÊNCIAS

No documento MANUAL DE REGISTRO CANDIDATURAS (páginas 96-100)

I. Constatada qualquer falha, omissão, indício de que se trata de

candidatura requerida sem autorização ou ausência de documentos

necessários à instrução do pedido, inclusive no que se refere à

inobservância dos percentuais previstos no § 2º do art. 17 da Resolução

TSE nº 23.609/2019, o partido político, a coligação ou o candidato será

intimado para sanar a irregularidade no prazo de 3 (três) dias (Lei

nº 9.504/1997, art. 11, § 3º e Resolução TSE nº 23.609/2019, art. 36,

caput).

II. A intimação a que se refere o item supra poderá ser realizada de ofício

(Resolução TSE nº 23.609/2019, art. 36, § 1º).

[Leia a 5ª observação abaixo]

III. Se o Juiz Eleitoral constatar a existência de impedimento à

candidatura

inelegibilidade, DEVERÁ determinar a intimação do interessado para que

se manifeste no prazo de 3 dias (Resolução TSE nº 23.609/2019, art. 36,

§ 2º).

[Leia a 1ª até a 6ª observação deste item]

IV. ATENÇÃO!!!! A manifestação do interessado (partido, coligação

e/ou candidato), de que cuidam os itens I e III supra, salvo melhor juízo,

deve ser:

a)apresentada em meio eletrônico diretamente no PJe, nos mesmos autos

do pedido de registro respectivo;

b)

subscrita por advogado, devidamente constituído por procuração nos

autos, tendo em vista as disposições contidas nos arts. 103 e 104 do

Código de Processo Civil, que determinam a representação da parte

em juízo por advogado, porquanto os dispositivos do CPC, na

ausência de normas que regulem processos eleitorais, são aplicadas

supletiva e subsidiariamente, conforme expressamente estabelece o

art. 15 da Lei nº 13.105/2015;

[Sobre representação processual leia o item 20.3, IV, deste Manual]

Nota explicativa:

1) se o juiz partilhar do mesmo entendimento acima exposto, no mandado

de intimação de que tratam os itens I e III supra, além das informações

obrigatórias, deverá constar expressamente que a manifestação do

interessado:

a) seja subscrita por advogado, devidamente constituído por procuração

nos autos;

b) deve ser peticionada diretamente no PJe, nos mesmos autos do pedido

de registro.

2) se o juiz não partilhar do mesmo entendimento acima exposto, no

mandado de intimação de que tratam os itens I e III supra, além das

informações obrigatórias, deverá constar expressamente que a

manifestação poderá ser apresentada em meio físico diretamente ao Juízo

competente, que providenciará a sua inserção no PJe, certificando nos

autos o ocorrido, caso o interessado (representante do partido, coligação

e/ou o candidato) não seja advogado ou não esteja representado por este.

V. ATENÇÃO!!!! Embora não previsto pela Resolução TSE

nº 23.609/2019 que a manifestação do interessado seja feita mediante

advogado, entendemos ser imperiosa a atuação deste profissional, detentor

de conhecimento da técnica processual, porquanto a norma autoriza o

indeferimento do pedido de registro, ainda que não tenha havido

impugnação, quando constatado pelo juiz eleitoral a existência de

impedimento à candidatura, conforme estabelece o parágrafo único do art.

50 da mencionada Resolução.

VI. Sobre representação processual leia o item 20.3, IV, deste Manual.

VII. Segundo o parágrafo único do art. 50 da Resolução TSE nº

23.609/2019, o pedido de registro deve ser indeferido quando constatado

pelo juiz eleitoral a existência de impedimento à candidatura, desde que

assegurada a oportunidade de manifestação prévia. Mas qual é o alcance

da expressão “existência de impedimento à candidatura”? Leia a

resposta no item 22.1 deste Manual.

VIII. Abaixo seguem alguns exemplos de falhas ou omissões no pedido de

registro suscetíveis de diligências relacionadas:

a)à comprovação da situação jurídica do partido político na

circunscrição;

b)à convenção realizada;

c)à legitimidade do subscritor para representar o partido político ou a

coligação;

d)à observação dos percentuais de gênero para as candidaturas

proporcionais;

e)à regularidade do preenchimento dos formulários DRAP e RRC, bem

como RRCI, quando for o caso;

f) às condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade;

g)à regularidade da documentação apresentada;

h)à validação do nome, número do candidato, cargo, partido político,

gênero e da qualidade técnica da fotografia.

Observações:

1ª. Em regra, a diligência é utilizada quando o partido, coligação ou

candidato não apresenta o pedido de registro de candidatura instruído com

toda a documentação exigida pela lei. Porém, em outras situações

também deve ser diligenciado, como por exemplo:

a) quando ocorrer a hipótese descrita pelo § 2º do art. 36 e parágrafo

único do art. 50, da Resolução TSE nº 23.609/2019 (quando constatada

pelo juiz a existência de impedimento à candidatura que não tenha sido

objeto de impugnação ou notícia de inelegibilidade, de modo a assegurar

a oportunidade de manifestação prévia); e

b) nas hipóteses descritas pelo art. 28, da Resolução TSE

nº 23.609/2019, sempre que detectada irregularidade.

2ª. Constando na informação do Cartório Eleitoral, de que trata o art. 35,

inciso II, da Resolução TSE nº 23.609/2019, irregularidade sobre

qualquer um dos requisitos legais referentes à filiação partidária,

domicílio, quitação eleitoral e de inexistência de crimes eleitorais, por

serem aferidos com base nas informações constantes dos bancos de dados

da Justiça Eleitoral e por estarem os candidatos dispensados de sua

apresentação (art. 28), deverá a Justiça Eleitoral, com fulcro nos arts. 9º e

10 do novo CPC e art. 36, § 2º, da Resolução TSE nº 23.609/2019,

intimar o interessado (candidato, partido ou coligação) para

manifestação sobre a irregularidade apontada, no prazo de 3 (três) dias, a

fim de evitar alegação de cerceamento de defesa em eventual recurso.

[Leia a 5ª observação abaixo]

3ª. Quando constatado pelo juiz ou relator a existência de impedimento à

candidatura, ainda que não tenha havido impugnação ao pedido de

registro, deverá o Juiz Eleitoral, com fulcro no parágrafo único do art. 50

da Resolução TSE nº 23.609/2019 e nos arts. 9º e 10 do novo CPC,

determinar a intimação do interessado (candidato, partido ou coligação)

para manifestação prévia sobre a inelegibilidade ou ausência de condições

de elegibilidade, no prazo de 3 (três) dias, a fim de evitar alegação de

cerceamento de defesa em eventual recurso (Resolução TSE

n° 23.609/2019, art. 50, parágrafo único, c.c. art. 36). Desse modo, deverá

determinar a intimação quando o candidato for inelegível, não atender a

qualquer das condições de elegibilidade, nas hipóteses relacionadas às

incompatibilidades e às condições de registrabilidade, descritas no item 3

deste Manual.

4ª. ATENÇÃO!!!! ATENÇÃO!!!! Por fim, com fundamento no parágrafo

único do art. 50 da Resolução TSE nº 23.609/2019 e nos arts. 9º e 10 do

CPC, sempre que o juiz for INDEFERIR o pedido de registro, por

qualquer que seja a hipótese, deve ser oportunizada a manifestação

prévia do interessado.

5ª. ATENÇÃO!!!! ATENÇÃO!!!! Via de regra a intimação deve ser

feita ao partido ou coligação, que é parte no pedido coletivo de registro

de candidatura, bem como nos de substituição e em vagas remanescentes.

Todavia, sempre que a finalidade da intimação estiver relacionada a

um requisito de natureza pessoal, o CANDIDATO obrigatoriamente

deverá ser intimado.

6ª. Seguem abaixo, decisões do TSE sobre o tema, relativas a pleitos

anteriores:

1) Recurso Especial Eleitoral nº 386436 - RN

Relator: Min. Marcelo Ribeiro Julgamento: 01.9.2010

Ementa: RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. DEPUTADO

ESTADUAL. ART. 11, § 8º, I, DA LEI Nº 9.504/97. JUNTADA POSTERIOR DE CERTIDÃO DE QUITAÇÃO ELEITORAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO OU PARCELAMENTO DA DÍVIDA REGULARMENTE CUMPRIDO. DILIGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.

1. Se admissível em grau de recurso eleitoral a juntada de documentos, cuja falta tiver motivado o indeferimento do registro e quando não oportunizado o suprimento do defeito na instrução do pedido, com mais razão deve ser admitida dentro do prazo de diligências conferido pelo relator do processo, nos termos em que dispõe o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.504/97.

2. Não é razoável a exclusão de candidato do processo eleitoral por mera irregularidade formal, sem que lhe seja possível suprir o vício, se, na data em que protocolizado o pedido de registro, o candidato reunia todas as condições de elegibilidade.

3. Interpretação do art. 11, § 8º, I, da Lei nº 9.504/97 que mais se coaduna com as normas que regem o processo de registro de candidatura.

4. Recurso especial a que se nega provimento.

2) Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 32061 - PA

Relator: Min. Joaquim Barbosa Julgamento: 09.12.2008

Ementa: ELEIÇÕES 2008. 1. Agravo regimental no recurso especial. Registro de candidatura. Vereador. Documentação incompleta. Conversão do feito em diligência (art. 33 da Res.-TSE nº 22.717/2008). Juntada após as 72 (setenta e duas) horas. Intempestividade. Precedentes. A jurisprudência desta Corte admite a juntada de documentos faltantes até a oposição de embargos de declaração na instância ordinária, desde que não tenha o Juízo Eleitoral aberto prazo para tanto. 2. Documento de natureza pessoal. Necessidade de intimação pessoal. Impossibilidade de reexame de provas (súmula 279 do STF). Precedente alegado diverso do contexto fático dos autos. Agravo a que se nega provimento.

3) Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 31578 - SP

Relator: Min. Arnaldo Versiani Julgamento: 21.10.2008

Ementa: Registro. Filiação partidária.

1. Não há falar em cerceamento de defesa, se o Juízo Eleitoral, em diligência no processo de registro, possibilitou à candidata comprovar a regularidade de sua filiação partidária.

2. Para modificar o entendimento do Tribunal a quo, no sentido de que a candidata não se encontrava com regular filiação partidária, seria necessário o reexame de fatos e provas, vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula nº 279 do egrégio Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental a que se nega provimento.

No documento MANUAL DE REGISTRO CANDIDATURAS (páginas 96-100)