O Acesso ao Conhecimento possui três componentes (analfabetismo, escolaridade e qualificação profissional) e seis indicadores. No Gráfico 13, a seguir, estão expressos os valores dos municípios nesses componentes, para os anos 2000 e 2010. Nota-se que o componente Analfabetismo apresentou uma grande dispersão e que os componentes, escolaridade e qualificação profissional, tiveram valores bem elevados.
No Analfabetismo, nenhum município regrediu, embora esse componente tenha chamado a atenção por sua dispersão, ou seja, há uma grande diferença entre o melhor e o pior município. O Gráfico 13, abaixo, mostra que, em 2010, havia quatro municípios com valor inferior a 20,00 (São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Imperatriz) e que a maioria se encontrava entre 30,00 e 50,00, sendo que cinco municípios apresentaram valor acima desse intervalo (Marajá do Sena, Fernando Falcão, Lagoa Grande do Maranhão, Arame e Brejo de Areia).
Gráfico 13 – Componentes da dimensão Acesso ao Conhecimento – 2000 e 2010
Fonte: IBGE
O componente Analfabetismo possui dois indicadores em cascata (C1. jovem e adulto analfabeto e C2. jovem e adulto analfabeto funcional), como descrito no Gráfico 14, logo à frente. No indicador C1, dois municípios regrediram por apresentarem um percentual
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 2010 2000 Alfabetismo Escolaridade Qualificação Profissional
de adultos analfabetos superior em 2010 (Cajari e São Pedro dos Crentes).
Apesar da melhora nos indicadores, os valores ainda estão extremamente altos. Mais da metade dos municípios apresentou um percentual de jovens e adultos analfabetos acima de 24,0%. Em se tratando de analfabetos funcionais, 129 municípios têm mais de 50,0% da população nessa condição (o maior percentual era em Fernando Falcão, com 79,3% e o menor, em São Luís, com 16,7%).
Gráfico 14 – Indicadores do componente analfabetismo – 2000 e 2010
Fonte: IBGE
Quando se analisa o analfabetismo apenas entre os jovens, percebe-se que o avanço foi mais significativo. Em 2000, os percentuais de jovens analfabetos e analfabetos funcionais eram de 14,6% e 41,6%, respectivamente. Em 2010, caíram para 5,9 e 24,2%, na mesma ordem.
Para combater ao analfabetismo, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2003, dentre outros, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA). O PBA é direcionado à alfabetização de jovens, adultos e idosos. Para se matricular, é preciso ter mais de 15 anos e não ter iniciado a alfabetização. “O programa é uma porta de acesso à cidadania e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade”. (MEC, 2013).
Os dados divulgados no portal do MEC mostram que dos 967 municípios atendidos pelo Brasil Alfabetizado entre 2008 e 2010, 73 eram do Maranhão. Nesse período,
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 2010 2000 C1 C2
213,5 mil jovens, adultos e idosos foram beneficiados pelo PBA no estado (MEC, 2012). Passando para o componente Escolaridade, constatou-se uma melhora em todos os municípios. Esse componente investiga o percentual de jovem/adulto com fundamental incompleto (C3), de jovem/adulto com secundário incompleto (C4) e de adulto sem educação superior (C5). Em relação aos indicadores, verificou-se também que nenhum município regrediu. Entretanto, partindo-se de um quadro com alto percentual de analfabetismo, como detectado no componente anterior, não se pode esperar uma alta escolaridade. O Gráfico 15, abaixo, mostra que, na maioria dos municípios, o percentual de jovens e adultos sem fundamental completo era superior a 50,0% da população nessa faixa etária. E, quando se analisou a população com secundário incompleto, a maior parte dos municípios se encontrava acima de 70,0%. Em apenas quatro munícipios, o percentual de jovens e adultos sem fundamental completo era inferior a 40,0% (São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Imperatriz).
Gráfico 15 – Indicadores do componente escolaridade – 2000 e 2010
Fonte: IBGE
Para as pessoas impedidas de concretizar seus estudos no período regular do sistema educacional, existe a possibilidade de matrícula nos programas de Educação de Jovens e Adultos, EJA59. (EJA, 2013). Esta modalidade integra a educação básica destinada
59 Fundamentada pela Lei 9.394, de 20/12/1996 – LDB e Parecer CNE/CEB nº. 11/2000. 20 30 40 50 60 70 80 90 100 20 30 40 50 60 70 80 90 100 2010 2000 C3 C4 C5
ao atendimento de alunos que não tiveram, na idade apropriada, oportunidade de acesso ou mesmo de continuidade nos estudos, no ensino fundamental e/ou médio. Tratada como um instrumento capaz de auxiliar na tarefa de eliminação das “discriminações e na busca de uma sociedade mais justa”, simboliza uma possibilidade real de reparação das dívidas sociais, estendendo a todos os interessados o acesso e o domínio da escrita e da leitura como bens sociais, dentro ou fora das instituições de ensino. (TECSAÚDE, 2013).
A Tabela 4, abaixo, mostra a evolução das matrículas no EJA no estado do Maranhão dos anos 2000 a 2012. Houve uma significativa expansão no número de vagas nesse período. Em 2012, em todo o estado, foram de 175,3 mil matrículas (presenciais e semipresenciais).
Tabela 4 – Matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no estado do Maranhão – 2000 a 2012
Fonte: Secretaria Estadual de Educação do Maranhão
Tratando-se agora de adultos sem educação superior, o percentual é significativamente elevado no Maranhão. Em 2010, o município com menor percentual era São Luís, com 85,8%, e o município com maior indicador era Governador Newton Bello, com 99,9%. Esses indicadores, por outro lado, representaram um avanço em relação a 2000, quando em 37 municípios não existia uma pessoa sequer com educação superior e nenhum se encontrava abaixo de 90,0%.
A expansão no acesso à educação superior se deve, entre outros fatores, à ampliação no número de vagas e à interiorização das Universidades públicas e das Faculdades particulares. A interiorização deu-se tanto com a implantação de novos pólos, como através da
Fundamental Médio Fundamental Médio
2000 93.264 75.672 17.592 - - 2001 136.874 120.258 16.616 - - 2002 183.754 168.621 14.280 853 - 2003 294.006 274.631 17.828 1.547 - 2004 237.831 225.038 12.793 - - 2005 239.495 221.776 16.270 910 539 2006 247.709 225.883 18.800 1.890 1.136 2007 209.920 184.384 18.809 4.535 2.192 2008 203.435 172.968 25.144 3.777 1.546 2009 205.070 171.758 28.710 2.628 1.974 2010 196.208 162.783 28.892 2.695 1.838 2011 188.326 155.954 30.001 1.325 1.046 2012 175.342 142.526 29.920 2.617 279
criação de novas modalidades de ensino. Dentre essas novas modalidades, pode-se citar o Programa de Qualificação de Docentes60 (PQDs), que vem incentivando a qualificação de professores, e o ensino à distância, com aulas virtuais e/ou semipresenciais. A facilidade de financiamento nas Faculdades particulares também tem facilitado o acesso ao ensino superior, com programas como o ProUni61 e o FIES62.
No que se refere à qualificação profissional, com exceção do município Governador Eugênio Barros, todos os demais melhoraram (Gráfico 16, abaixo). Essa melhora, entretanto, não foi suficiente para se considerar que uma boa parcela da mão de obra no Maranhão esteja qualificada, pois dos 217 municípios do estado, apenas quatro têm um percentual de trabalhadores sem qualificação média ou alta inferior a 60,0% da população (São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Imperatriz).
Gráfico 16 – Indicador do componente qualificação profissional – 2000 e 2010
Fonte: IBGE
60 Programa de Qualificação de Docentes (PQD), antigo Programa de Capacitação de Docentes (PROCAD), é desenvolvido desde 1993, pela Universidade Estadual do Maranhão, em parceria com Secretaria Estadual de Educação, com o objetivo de implantar uma política de recursos humanos voltada para os docentes do sistema educacional do Estado, que nos anos 90 apresentavam baixo nível de formação para o exercício do magistério. (DUARTE, 2007). Atualmente, o PQD está presente em 111 municípios do Maranhão (UEMA, 2012).
61 O ProUni (Programa Universidade para Todos) é um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que concede bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de ensino superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior. (BRASIL, 2013).
62 O Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) é um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior de estudantes matriculados em instituições não gratuitas. Podem recorrer ao financiamento os estudantes matriculados em cursos superiores que tenham avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação. (BRASIL, 2013).
30 40 50 60 70 80 90 100 30 40 50 60 70 80 90 100 2010 2000 C6
Embora todos os municípios, no geral, tenham melhorado no acesso à escola, os dados revelaram que ainda há um longo caminho a prosseguir. Em 2011, o Governo do Maranhão criou o Maranhão Profissional63, cujo objetivo é “promover a formação profissional da população maranhense para garantir o seu acesso às oportunidades de emprego e renda advindos dos empreendimentos em implantação no Estado”. Até o ano de 2016, estão previstos R$ 122,6 bilhões em investimentos públicos e privados no estado com previsão de geração de 245,6 mil novos postos de trabalhos. (MARANHÃO PROFISSIONAL, 2013).
O que se pode concluir ao analisar a dimensão Acesso ao Conhecimento é que o gargalo maior da escolaridade dos maranhenses está nas fases iniciais de educação, inclusive no combate ao analfabetismo, o qual, sobretudo, é uma decisão política, como pondera o Relatório Educação para Todos de 2011:
A falta de compromisso político é amplamente citada como uma razão para o lento progresso na alfabetização – e com razão. [...] Quando os líderes políticos reconhecem a necessidade de combater o analfabetismo, o progresso rápido é possível. (UNESCO, 2013, p. 14).
Durante a solenidade em que aderiu ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), a Secretaria de Educação do Maranhão (SEDUC/MA) veiculou em uma entrevista, a um Jornal do Maranhão, que, paralelamente a esse Pacto, atuará também no combate ao analfabetismo clássico (jovens/adultos com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler nem escrever), através do EJA e de outros programas estaduais em parceria com sociedade civil organizada.
A análise a seguir é sobre a dimensão Acesso ao trabalho. O Mapa 5, a seguir, mostra que boa parte dos municípios apresentou um pior resultado no ano de 2010, relativamente ao ano de 2000 (mais precisamente, 87 municípios regrediram). Percebe-se que os mapas pouco se diferiram nos dois anos, demonstrando o mau resultado dos municípios nessa dimensão. Essas informações são preocupantes, uma vez que “o acesso ao trabalho representa a oportunidade que uma pessoa tem de utilizar sua capacidade produtiva. Trata-se de um dos casos mais típicos de oportunidade para a utilização de meios.” (BARROS, et al, p. 19, 2006).
63 Os níveis de educação previstos no Programa são: Formação Inicial e Continuada, Capacitação Técnica, Capacitação Tecnológica, Graduação e Pós-Graduação. O programa prevê ainda: a formação de docentes, o fortalecimento da estrutura física da rede de educação formal e do sistema de ciência, tecnologia e inovação do Estado. (MARANHÃO PROFISSIONAL, 2013).