3.6 A RELAÇÃO ENTRE AS DIMENSÕES DOS MODELOS MENTAIS DOS
3.6.5 Dimensão Estratégia e Dimensão Conhecimentos
A ênfase ao significado de estratégia na administração aconteceu na década de 50, a partir das constantes mutações no ambiente externo das organizações e com o crescente nível de competitividade. A aceleração destas mudanças converteu-se em um fator influenciador na
configuração interna do ambiente organizacional. Consequentemente, criou a necessidade de algo que tivesse a função de guiar e orientar os objetivos e caminhos da organização no seu ambiente, buscando a melhor adaptação ao surgimento de novos desafios, ameaças e oportunidades (HAYASHI; NAKAMURA; ESCRIVÃO FILHO, 1995; PORTER, 2004).
No entanto, Farah et al. (2008) dizem que não basta somente perceber a oportunidade de um negócio; é necessário agir para concretizá-la. Essa particularidade é fundamental na personalidade de um empreendedor, já que reúne a percepção da oportunidade para um novo negócio e o senso prático da ação, no sentido de tornar realidade o que era apenas uma ideia, seja esta para um novo negócio, seja um novo método de produção, seja um novo modelo de operação.
É oportuno, então, destacar as pesquisas aplicadas em pequenas empresas, Freitas e Hoffmann (2012) concluíram que elas utilizavam algum tipo de estratégia, mesmo não havendo um plano formalmente estabelecido. Assim, percebe-se que essas pequenas empresas aplicam uma estratégia genérica, mesmo sem um plano formal determinado, já que identificam informalmente que a diferenciação de produtos e/ou serviços é um atrativo para seus clientes, e que pode originar melhores resultados para sua organização.
Ainda conforme entendimento de Freitas e Hoffmann (2012), os pressupostos teóricos do estudo aplicado partiram da observação de que para empresa alcançar vantagens em seu mercado, ela necessita compreender como a complexidade e turbulência no ambiente externo influencia nas suas decisões. Uma das conclusões dos autores foi que visão do tomador de decisão se expande na medida em que seu grau de instrução aumenta. O que pode constituir uma baliza para as pequenas organizações, e a preparação de sua mão-de-obra gerencial.
Para Baron e Shane (2007), uma das estratégias praticadas pelos empreendedores é a de proteger os lucros da exploração de oportunidade. Em geral, eles retêm os lucros de explorar oportunidades de duas maneiras. Primeiro, eles evitam outros de aprender a respeito das oportunidades ou de perceber suas ideias de negócio para explorá-las. Os empreendedores fazem isso mantendo sigilo sobre as informações que lhes permitiram encontrar a oportunidade e dificultando aos outros entenderem seus processos de exploração. Eles utilizam quatro tipos de barreiras: gerenciar os recursos, constituir barreiras legais contra a imitação, estabelecer a reputação de satisfazer os consumidores e inovar constantemente para manter-se à frente da concorrência.
Por isso, segundo entendimento de Carvalho e Laurindo (2007), a escola do empreendedorismo foca o processo no principal gestor da organização. Entretanto, de maneira
diversa, fundamenta o processo de percepção criativa de um líder visionário e na sua habilidade de gerenciar a implementação de ideias. Esta escola surgiu nos anos 80 (ainda hoje se desenvolve), tomando como base a capacidade de compreender processo mental dos indivíduos, na forma como a realidade é percebida. Recentemente, o foco está sendo em uma abordagem subjetiva, no sentido interpretativo ou construtivista do processo da construção da estratégia.
Para o processo da construção das estratégias, é necessário que toda equipe esteja “alinhada”, isto é, quando um grupo de pessoas funciona como um todo, desperta uma unicidade de direção, e as energias dos indivíduos se harmonizam, assim existe menos desperdício de energia. Desse modo, desenvolve-se uma sinergia, os indivíduos apresentam um propósito comum, uma visão compartilhada e o entendimento de como integralizar os esforços dos outros. Os membros não sacrificam seus interesses individuais em prol da visão maior do grupo; ao contrário, a visão compartilhada converte-se em uma extensão de suas visões pessoais (SENGE, 2012).
Ao complementar sua ideia, Senge (2012) destaca que a aprendizagem em equipe é o recurso de alinhamento e desenvolvimento da aptidão do conjunto como um todo, com objetivo de atingir os resultados que seus membros almejam. Ela é fundamentada na disciplina do desenvolvimento da visão compartilhada, e no domínio pessoal, já que as equipes talentosas são constituídas de indivíduos talentosos. Por outro lado, ter visão compartilhada e talento não são o suficiente. Algumas organizações possuem equipes com pessoas talentosas, que compartilham uma visão durante algum tempo, mas que não desenvolvem a aprendizagem. No cenário atual, faz-se necessário o empreendedor ou gestor principal mediar a aprendizagem em sua organização.
Na visão de Nonaka e Takeuchi (2002), o conhecimento está atrelado a crenças e compromissos, ou seja, é o desenvolvimento da atitude, perspectiva ou intenção, com a finalidade de atingir determinado objetivo. Sendo assim, os autores asseguram que a criação do conhecimento organizacional está relacionado à capacidade que uma organização tem de criar o novo conhecimento, disseminá-lo, e incorporá-lo aos seus produtos, serviços e sistemas.
Para Fialho et al. (2006), o conhecimento representa aquilo que os empreendedores sabem, entendem ou discernem a respeito de si mesmos e o que está relacionado ao seu ambiente organizacional. O conhecimento é intensamente influenciado pelo ambiente ao qual a pessoa faz parte, podendo ser pela estrutura psicológica, social, política, ambiental, processos fisiológicos e pelas necessidades e experiências anteriores de cada indivíduo. A
união de conhecimento é resultante de processos de aprendizagem que acontecem por meio do tempo, modificando-se continuamente ao longo das suas experiências, provocando modificações no comportamento do indivíduo.
Spender (2001) diz que o termo conhecimento deve ampliar-se e ir além das patentes ou do conhecimento inserido nos artefatos humanos, ele deve abranger o ato de conhecer, revelado na solução de problemas, como também nas práticas produtivas dos membros ou grupos na organização. Assim, Pacharapha e Ractham (2012) enfatizam que, embora a aquisição de conhecimento pessoal seja um fator essencial para organização, ele não pode ser forçado ou obrigatório. Cabe ao empreendedor, por meio da sua percepção e gestão estratégica, promover o compartilhamento de conhecimento da equipe, aplicando fatores que a influenciam.
Segundo Ponchirolli e Fialho (2005), traçar estratégias constitui o processo de entrelaçamento de tudo o que é necessário para administrar uma empresa. Logo, torna-se fundamental que as organizações direcionem suas estratégias para as competências essenciais intelectuais e de serviços, e alavanquem as estratégias fundamentadas em conhecimento. O estudo desenvolvido pelos autores teve a finalidade de investigar alguns fundamentos e novas perspectivas abertas pela gestão estratégica do conhecimento, como parte integrante da estratégia empresarial. Portanto, eles observaram que a gestão estratégica do conhecimento trata da prática de acrescentar valor à informação e de disseminá-la, tendo como objetivo central o aproveitamento dos recursos existentes na companhia.
Sendo assim, Lopes et al. (2013) dizem que o conhecimento tem se consolidado como o principal ativo estratégico, permeando as atividades desenvolvidas pelas organizações e estabelecendo, em todos os níveis de gestão, a identificação e a proteção dos conhecimentos críticos para o negócio. Cabe considerar que, a ligação entre estratégia e conhecimento passa pela importância da essencialidade dos excedentes cognitivos, sua mobilização nos contextos capacitantes, seu aporte no delineamento de estratégias que conduzam à transformação do conhecimento disponível em valor. Porter (1999) acrescenta que, efetuado o delineamento das estratégias, cabe ao empreendedor, com base no seu conhecimento, supervisionar as funções independentes e a eficácia operacional das estratégias, é desta forma que desempenho relativo da organização será determinado. Com base nesses pressupostos teóricos, esta pesquisa propõe a última hipótese de pesquisa:
H13 – O delineamento das estratégias tem um impacto significativo no conhecimento do