Terceiro Capítulo
3. A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA EMPRESA
3.2 Dimensões da RSE
3.2.1 Dimensão Externa da RSE
A dimensão externa da gestão empresarial socialmente responsável , revela-se nas interacções da empresa com as comunidades locais, na capacidade de gerar benefícios
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“Clear Advantage: Building Shareholder Value” , in Global Environmental Managment Initiative, GEMI, Washington, p.5 e ss.
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Direccionado para o público externo através de estratégias de comunicação que visam o desenvolvimento de tecnologias sociais focados na redução das desigualdades por incremento de políticas de inclusão.
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Actividade de promoção que relaciona o pr oduto/serviço a causas sociais numa perspectiva de parceria entre empresas e ONG’s ou outras organizações da sociedade civil com benefício mútuo aliando o poder de determinada marca a um fim altruísta.
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Através de acções pontuais junto da comunidade envol vente mediante a afectação de uma percentagem do lucro como de doação financeira, a angariação de fundos pra um dado projecto social ou uma aposta no voluntariado.
em termos de salubridade, estabilidade e prosperidade no meio físico em que está inserida.
A RSE concretiza-se na acumulação de capital social perante potenciais consumi dores, mas também no exemplo dado a fornecedores e no incentivo de formas de concorrência positiva entre empresas.
Estas medidas visam não apenas o lucro no sentido económico clássico do termo, de curto prazo, mas também a internalização nas políticas de g estão de externalidades sociais e ambientais, como investimentos com resultados mensuráveis a médio/longo prazo, através da recuperação de passivos ambientais e sociais, numa óptica de solidariedade comunitária e transgeracional.
Resumindo, trata-se de incrementar a “escolha da qualidade (...) como critério de competição, que é, em princípio, favorável ao progresso e ao bem -estar social” (Fernandes, 2002, p.46).
Insere, pois, uma perspectiva de longevidade e estabilidade fundada na confiança dos consumidores e no equilíbrio num mercado dinâmico sem fronteiras, assim como no impulsionar a concorrência socialmente legítima.
Em termos sucintos, podemos referir -nos à dimensão externa como a interacção com os parceiros em que tanto se integram as entidades in stitucionais (governamentais e municipais) como os referidos consumidores, fornecedores e as ONG, de que deve resultar um relacionamento dinâmico estável que permita, por um lado, garantir uma vantagem competitiva na criação de valor, mas por outro acautel ar a sua aceitação e da permeabilidade na comunidade envolvente134.
Ora, é essencial que a empresa assuma uma atitude pró -activa que lhe permita, a cada momento, responder quando não suplantar as expectativas em si depositadas, revelando uma reciprocidade a montante e a jusante do ciclo produtivo.
No fundo, implica um equilíbrio entre a sua actividade vinculada e o domínio discricionário das decisões estratégicas ao nível da gestão empresarial.
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De referir que o conceito de comunidade envolvente por vezes não pode ser restringido a um a determinada parcela territorial, como sucede por exemplo no caso das multinacionais, cuja actividade se divide entre os mais variados pontos do globo pelo que devem considerar -se todas as áreas que contribuam para o desenvolvimento do negócio.
A comunicação pública das acções de responsabilidade empresaria l é fundamental para o seu reconhecimento e diferenciação positiva, contribuindo para a criação de uma imagem de prestígio da organização135.
Em termos económicos a dimensão da responsabilidade empresarial reflecte -se nos indicadores de mercado e nos impacto s que a empresa apresenta a nível local, regional, nacional e em alguns casos internacional, o que é determinado pelo posicionamento da empresa no mercado como enriquecimento do sistema económico em que se insere, mediante a prossecução de políticas de sus tentabilidade relativa ao seu bom funcionamento.
Consoante o peso da empresa, pode ainda significar um incentivo à criação de pequenos negócios de fornecimento de bens e serviços, instrumentais à sua actividade. Está ainda relacionada com políticas de pre ços, negociadas de forma transparente e estável com os fornecedores locais, ou até mediante apoio a projectos locais e à informação divulgada aos clientes sobre o produto.
Muito embora, no curto prazo, seja difícil determinar o peso concreto da adopção de medidas orientadas para a sustentabilidade no valor económico da empresa, no que se prende com impactos indirectos na vida da comunidade é possível analisar a importância de determinadas medidas para a qualidade de vida da região em que a empresa opera ou detém uma unidade de produção.
A reputação é ainda um outro aspecto relacionado e não descurável neste âmbito, já que é em si mesma um factor de atracção de novas oportunidades de negócio, propicia o estabelecimento de parcerias e o bom relacionamento com as entidades reguladoras, e traduz-se em ganhos de motivação e de confiança para a empresa se for capaz de, através de uma aposta em políticas de investigação e desenvolvimento, espelhar uma imagem de inovação para o exterior.
No domínio ambiental consid eram-se os efeitos produzidos pela actividade empresarial e/ou dos seus bens/serviços nos ecossistemas, solos, água e atmosfera e a
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Em Portugal referimos enquanto divulgação de casos de RSE o livro Responsabilidade Social das
Empresas Portuguesas 25 casos de referência, Carlos Corrêa Gago, Eduardo Gomes Cardoso, José
Torres Campos, Luiz Moura Vicente e Mário Cardoso dos Santos da Companhia da s Letras, Lisboa, 2004, em que se registam os casos de grandes empresas de capital estrangeiro e nacional que podem servir de inspiração e modelo neste tipo de políticas.
responsabilização assumida publicamente de minorar esses impactos ou promover a recuperação do passivo ambiental.
Neste âmbito é relevante aferir da compatibilização do bom desempenho económico com a eficiência ambiental.
Esta preocupação, nomeadamente, em matérias como a produção de resíduos e emissão de gases poluentes, a poupança de energias e matérias -primas bem como o rec urso a fontes renováveis, mesmo aliadas a políticas de redução de custos, com a implantação de sistemas de tratamento e reciclagem ou com a eliminação de resíduos revelam -se importantes.
A protecção da saúde pública e a contribuição para um ambiente salub re na e em redor da fábrica, bem como a preservação dos recursos naturais evidenciam uma articulação entre a vertente social e ambiental no domínio da RSE.
Também nesta área se reflectem os efeitos da interacção das empresas com as partes interessadas.
As ONG, para além de grupos privilegiados de pressão, detêm uma função instrumental
de “guardiães” dos recursos no âmbito da solidariedade transgeracional, visando
garantir o acesso contínuo no futuro aos mesmos. A possibilidade de estabelecer parcerias com as empresas pode determinar e garantir um activo intangível que facilite e impulsione o cumprimento de níveis elevados de protecção do ambiente, como de recuperação do passivo ambiental, mas ainda por contribuir para a consolidação de uma boa imagem junto das partes acima referidas.