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4 O ESTUDO DE CASO NA EMPRESA MMM

4.3 O RESULTADO DO DIAGNÓSTICO

4.3.2 Gestão do Design – Etapa 1

4.3.2.5 Dimensão Processo – Etapa 1

QUADRO 19 – DIMENSÃO 5: PROCESSO – ETAPA 1 DIMENSÃO 5: Processo

Considera a extensão na qual uma organização segue uma gestão e processo profissional e eficaz, considerando também o momento em que o design é implantado).

Q1 – Papel e lugar

Q2 – Passos do processo de design Q3 – Avaliação e monitoramento

FONTE: A autora (2017).

Q1 - Papel e lugar: com relação ao lugar do design no processo de desenvolvimento de um novo produto ou serviço e ao momento em que os designers começam a ser envolvidos nesse processo, metade dos respondentes respondeu que o processo funciona como um método de trabalho adaptado e integrado desde o início, sendo uma abordagem multidisciplinar, com contribuição de especialistas em

design. A outra metade dos respondentes descreveu o papel do design como um aspecto central, como uma forma de encorajar a inovação e a condução do processo de desenvolvimento. A síntese desta questão pode ser observada no Gráfico 22:

GRÁFICO 22 – PAPEL DO DESIGN NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

FONTE: A autora (2017).

O resultado desta questão acaba por contradizer o que vinha sendo verificado em relação à construção de processos consistentes de design. É possível que esta divergência se deva ao que a empresa compreenda como processo de desenvolvimento de novos produtos e processos de design, os quais possivelmente foram interpretados e aplicados como processos iguais.

Segundo Kotler e Rath (1984 apud WOLFF, 2010), os designers são inseridos tardiamente no processo de desenvolvimento de novos produtos, quando o correto é que participassem desde o início, e não ao longo do processo, promovendo investigações para objetos específicos antes do conceito final ser determinado. Além disso, Wolff (2010) considera que, dentro do processo de DNP, o designer contribui ainda com o processo de determinação do ciclo de vida do produto, considerando as etapas anteriores à introdução, crescimento, maturidade e declínio.

Com relação ao DPN, Mozota (2011) aponta que o design está relacionado a questões fundamentais do seu sucesso, alinhado com fatores cruciais também para a gestão da inovação, tais como: vantagem competitiva, compreensão das necessidades do usuário e sinergia entre a inovação e os pontos fortes da empresa.

O autor acrescenta que o design cria valor e adiciona qualidadade ao processo de DPN com a definição da estratégia de produto e da qualidade das equipes de novos produtos. Essa contribuição pode ser medida por três variáveis: redução do tempo

de colocação do produto no mercado, inovação da rede e melhoria no processo de aprendizagem.

Q2 – Passos do processo de design: com relação à frequência da utilização dos passos do processo de design quando da criação de um projeto, os mais utilizados são: reuniões regulares de acompanhamento e revisão;

compreensão do design, com parceiros internos e externos; realização de testes de protótipos; realização de pesquisas para conceituação de produto/serviço; e elaboração de briefing. Os passos menos utilizados são: definição clara dos objetivos de design; incorporação de um processo de levantamento de requisitos;

definição de uma estratégia de design; definição de um plano de projeto e seus marcos principais; seleção adequada de designers (internos ou externos); realização de pesquisas para conceituação dos produtos/serviços. Embora com menor frequência, também são considerados novos cenários para favorecer um ambiente de criatividade e inovação, assim como avaliadas as correlações entre as estratégias do novo produto/serviço e as estratégias da empresa. No Gráfico 23, apresenta-se a síntese desta questão:

GRÁFICO 23 – PASSOS DO PROCESSOS DO DESIGN

FONTE: A autora (2017).

Corroborando a questão anterior, avalia-se que o processo de projeto de design é estruturado na empresa, além do departamento de design, e avaliado no diagnóstico (marketing, compras e qualidade). Essa análise pode indicar que estes outros setores participam do processo de design. Best (2012) descreve que os designers, para fundamentar seu processo, levam em conta as necessidades específicas do usuário, assim como os processos necessários para conduzir o produto ao mercado, com várias técnicas e abordagens que lhes permitem conhecer melhor o usuário, o uso dos materiais e os processos de produção. Para Mozota (2011, p. 31), o processo de design “é um processo de conhecimento por meio do qual um design é adquirido, combinado, transformado e incorporado”.

Q3 – Avaliação e monitoramento de design: quanto à avaliação do desempenho de design antes ou depois do lançamento, dois recursos expuseram que são feitos testes rigorosos antes do lançamento e acompanhamento pós lançamento de projetos de sucesso. Um recurso apontou que o desempenho é avaliado via feedback dos clientes, através do atendimento e de depoimentos. Outro respondente descreveu que é executado o mínimo de avaliação e monitoramento, de forma inconsistente, através dos projetos, e que os requisitos de avaliação não são claros. Um segundo profissional apontou que não existe tempo para avaliar ou monitorar o desempenho de design. Por fim, o último respondente alegou que são acompanhadas todas as amostras e lotes de produtos, assim como as vendas, semanalmente. No Gráfico 24, apresenta-se a síntese da questão:

GRÁFICO 24 – MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

FONTE: A autora (2017).

A incompatibilidade entre as respostas demonstra que no processo de design a avaliação e monitoramento dos produtos não é consistente. Contudo observas-se que existe a preocupação e a intenção de realizar a atividade, ainda que de forma empírica, sem a determinação de processos e ferramentas de mensuração de resultados de lançamento. Se considerarmos que a Gestão do Design contribui para o fortalecimento da marca e para a comunicação da estratégia e objetivos da empresa, traduzida em produtos e serviços inovadores (WOLFF, 2010; MARTINS; MERINO, 2011; MOZOTA, 2011; BEST, 2012), é essencial que existam métricas para avaliar o quanto o design contribuiu para a consecução das metas organizacionais, promovendo assim seu amadurecimento e inserção na organização.

O diagnóstico apresenta o fator PROCESSO como aquele com o menor grau de influência no resultado geral entre todas as dimensões, porque considera que, para que haja um processo definido e consistente, os demais fatores devem estar correlacionados. Assim, nesta dimensão a empresa ficou com Nível 3, no qual Santos (2011) afirma que o processo de design é realizado consistentemente e no início do processo de desenvolvimento, a organização tem um processo formal de Gestão do Design que impulsiona seu desempenho (documentado e com avaliações regulares).

O resultado da última dimensão (Quadro 20) é incoerente com o restante do resultado do diagnóstico. Contudo avaliasse a importância de salientar que a existência de processos de design não necessariamente indica a existência de uma Gestão do Design em nível estratégico.

QUADRO 20 – SCORE FINAL DA DIMENSÃO PROCESSO – ETAPA 1

PROCESSO SCORE

Q1 3,50

Q2 3,80

Q3 3,33

TOTAL Nível 3

FONTE: A autora (2017).