• Nenhum resultado encontrado

DIMENSÕES DO AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM E SEUS

3. CAMINHOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

3.1 DIMENSÕES DO AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM E SEUS

Hoje vivemos a “era digital” em que, segundo Kenski (2012a, p. 33), “A convergência das tecnologias de informação e comunicação para a configuração de uma nova tecnologia, a digital provocou mudanças radicais”. É nesse contexto que surgem os ambientes virtuais. Os ambientes digitais reúnem a computação, as comunicações e diversos tipos, formas e suportes em que estão os conteúdos. O avanço das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICS) possibilitam, com a articulação da informática e das telecomunicações, o intercâmbio entre pessoas em qualquer lugar. A lógica das redes e a sua função de interatividade possibilitam novas relações entre as pessoas em toda(s) a(s) instância(s) social(is). Assim, é na Educação como um todo e na modalidade a distância.

Silva e Leal (2018) referem-se que do uso da televisão analógica à incorporação do computador na EaD, a partir da década de 1990 a utilização da rede de computadores mundial, a internet, para a criação de ambientes virtuais de aprendizagem é uma realidade. Assim, “A educação se processa de forma multidirecional, pois os educandos podem participar de chats, fóruns e constituírem suas próprias redes sociais, como blogs e página do facebook, para o desenvolverem seu aprendizado” (SILVA; LEAL, 2018, p. 83-87). Sobre os usos das tecnologias, afirmam que:

O uso de tecnologias móveis na educação a distância pode otimizar o uso efetivo do tempo, permitindo ao aluno organizar-se dentro da sua rotina nos diferentes espaços físicos aos quais está inserido. A compreensão deste novo modelo de educação com o tempo e espaço, transforma a relação dos estudantes como o uso da tecnologia e a sua inserção nos ambientes de aprendizagem, virtuais e presenciais.

Kenski (2013) considera os ambientes virtuais como um novo espaço de atuação docente, “[...] um espaço que precisa ser explorado, conhecido, compreendido e dominado pelos seus mais novos ocupantes: os professores”

(KENSKI, 2013, p. 122). A autora refere como caminho o entendimento das mudanças no espaço e no tempo da ação educativa, a partir do acesso ao AVA.

Kenski (2013) constata que o AVA é propriamente o ciberespaço. Assim, entendida essa dimensão do AVA, não há porque restringir-se ao espaço do AVA disponível, mas ampliar o leque de possibilidades pedagógicas para além dele.

Dessa forma, concorda com Santos (2003, p. 4), quando ela diz que:

O ciberespaço é muito mais que um meio de comunicação ou mídia. Ele reúne, integra e redimensiona uma infinidade de mídias e interfaces.

Podemos encontrar desde mídias como: jornal, revista, rádio, cinema, tv bem como uma pluralidade de interfaces que permitem comunicações síncronas e assíncronas a exemplo dos chats, listas e fórum de discussão, blogs dentre outros. Neste sentido o ciberespaço além de se estruturar como um ambiente virtual de aprendizagem universal que conecta redes sociotécnicas do mundo inteiro, permite que grupos/sujeitos possam formar comunidades virtuais fundadas para fins bem específicos, a exemplo das comunidades de e-learning.

Santos (2003, p. 4) descreve que:

A aprendizagem mediada por AVA pode permitir que através dos recursos da digitalização várias fontes de informações e conhecimentos possam ser criadas e socializadas através de conteúdos apresentados de forma hipertextual, mixada, multimídia, com recursos de simulações. Além do acesso e possibilidades variadas de leituras o aprendiz que interage com o conteúdo digital poderá também se comunicar com outros sujeitos de forma síncrona e assíncrona em modalidades variadas de interatividade:

um-um e um-todos comuns das mediações estruturados por suportes como os impressos, vídeo, rádio e tv; e principalmente todos-todos, própria do ciberespaço.

Santos, sobre as modalidades de comunicação no ciberespaço, ressalta que

“As possibilidades de comunicação todos-todos caracterizam e diferem os AVA de outros suportes de educação e comunicação mediadas por tecnologias” (SANTOS, 2003, p. 4).

Mattar (2012, p. 77) explica que o ambiente virtual de aprendizagem, Moodle, foi criado em 2001 e adotado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). Já Kenski (2013) aborda sobre ambientes mais abertos que, como o Moodle, “[...] oferecem oportunidades de desenvolvimento de projetos educacionais participativos e plenos de interação. Eles também se ajustam a concepções mais rígidas e formais de ensino-aprendizagem, com limitações nos papéis dos alunos e em condições de interação e comunicação” (KENSKI, 2013, p. 125).

Carlos e Francelino (2016, p. 2), sobre a EaD e especialmente sobre o AVA, comentam que:

A implantação da EAD nas instituições de ensino constitui importante instrumento de ensino-aprendizagem como expansão da própria educação. Promove a formação continuada dos profissionais envolvidos no processo para compreender o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e as ferramentas interativas. Pode verificar se essas ferramentas promovem uma relação humana no ambiente colaborativo e também diagnosticar quais interfaces proporcionam melhor viabilização na promoção da humanização do AVA para tornar o ambiente cooperativo, dinâmico, interativo e eficaz no ensino-aprendizagem.

Carlos e Francelino (2016, p. 2), a partir de sua pesquisa cuja hipótese se fez no sentido de que a EaD instrumentaliza o processo ensino e aprendizagem e assim o AVA apresentar-se como um ambiente de aprendizagem frio e desumano se comparado com o ensino presencial, concluem que:

[...] todo processo de comunicação e interação no AVA deve ser permanente, mediado e estimulado em todas as ações que envolvam a interatividade. É importante a comunicação todos-todos para evitar frequência de situações desmotivadoras. Logo, todos devem ficar atentos às ocorrências no AVA para detectar as falhas e solucionar os problemas apresentados [...] “A ‘frieza’ instituída pela máquina é rompida pela afetividade, acolhimento e valorização dos seus pares veiculadas na motivação dialógica todos-todos, tutor online-discentes.

Considerando a rede complexa de relações que permeiam a EaD, especialmente o AVA, meio pelo qual se dão as relações entre o professor-tutor e estudantes no processo ensino-aprendizagem, entendemos a importância de um cuidado para a humanização nesse contexto. A humanização dá o tom para o sentido da vida na sociedade em que estamos inseridos. Ela possibilita a consciência do homem e da mulher frente às criações e recriações, frutos da sua própria ação no mundo, seus benefícios e prejuízos para o futuro do mundo (MORIN, 2005, p. 47-61). Assim, como diz Levy (2010), “A técnica não é boa, nem má (isto depende dos contextos, dos usos e dos pontos de vista)” (LEVY, 2010, p.

26). E reafirma Tono (2017) que “A internet pode subsidiar a produção do conhecimento humano quando usada com equilíbrio, responsabilidade e segurança para registro, manipulação e exibição de dados e informações” (TONO, 2017, p.

24).

4. O CUIDADO, A HUMANIZAÇÃO E A RELAÇÃO PROFESSOR-TUTOR NA