ValordoPIB neamento
DIMENSAO DA SUSTENTABILIDADE ACAO A SER REALIZADA
Geração de emprego e aumento do número de postos de trabalho qualificado;
Promover e facilitar a implantação de empresas que visem ao desenvolvimento sustentável;
ECONÔMICA
Mobilização do potencial endógeno do território; Qualificar o espaço urbano e industrial;
Promover o ensino de qualidade e facilitar o acesso a toda população;; Promover a saúde de qualidade e o facilitar o acesso da população; Minimizar os fatores de risco para a saúde pública;
Garantir segurança e habitação;
Promover a integração social de pessoas carentes, vulneráveis e em risco;
SOCIAL
Promover e facilitar o acesso a atividades sócio-culturais, desportivas e juvenis;
Promover o uso eficiente da água;
Garantir a operacionalidade dos sistemas de drenagem de águas pluviais e residuais;
Auxiliar nos processos de redução de resíduos sólidos urbanos e no aumento de processos de reciclagem;
Auxiliar na preservação dos valores naturais e da biodiversidade;
AMBIENTAL
Incentivar o comportamento ambiental e cívico
Elaborar políticas que auxiliem na democratização da informação;
INSTITUCIONAL
Captar, fixar e desenvolver conhecimento, competências e criatividade;
Contudo, pequenas ações, tais como este trabalho, tendem a reverter, ao longo dos anos, o cenário hierárquico das decisões atuais, auxiliando assim num processo participativo em que as necessidades comunitárias sejam identificadas e solucionadas a partir da contribuição de todos os envolvidos, não só os órgãos governamentais, com decisões
verticalizadas, mas horizontalizadas pela participação de toda a sociedade, pela identificação dos benefícios que possam ser obtidos de processos de planejamento participativos oriundos das necessidades identificadas pelo próprio grupo.
5.6 - Considerações finais do capítulo
Neste capítulo, discutiram-se os resultados obtidos pelo trabalho no que se refere à identificação dos indicadores de sustentabilidade selecionados em um processo participativo pela comunidade universitária e que podem auxiliar a Província de Luanda na percepção de seu estágio de sustentabilidade, bem como dos limites decorrentes da defasagem em que se encontram hoje os dados que alimentam esses indicadores, além das dificuldades para implantação de uma Agenda 21 Local, levando-se em consideração a cultura pouco participativa do povo angolano, de uma maneira geral, nas decisões que afetam diretamente o seu dia a dia e sua vida ao longo dos tempos.
Inicialmente, ficou clara, pela identificação dos indicadores de sustentabilidade e sua causalidade quanto a pressão, estado e resposta diante das diferentes dimensões da sustentabilidade, que os indicadores de pressão, na atualidade, têm apresentado uma força muito maior no ambiente do que a capacidade de resposta a esses fatores.
Contudo, a fragilidade na coleta das informações que alimentam esses indicadores mostra-se como uma das principais barreiras atuais para a geração de um conjunto de dados confiáveis e capazes de embasar a implantação de um processo de gestão ambiental e de uma Agenda 21 Local.
Algumas das modificações necessárias para a reversão desse quadro vinculam-se tanto aos órgãos públicos, como aos centros privados (neste caso, a própria Universidade de Tecnologia e Ciências que, por meio de seu corpo docente e sua infra-estrutura, possa dar início à construção de banco de dados consistentes) que auxiliem os gestores locais na implantação de programas e projetos eficientes que visem a diminuir as pressões sobre o local no sentido de torná-lo mais sustentável ao longo dos anos.
Contudo, percebe-se que a realidade atual na Província não vai de encontro aos propósitos desta Agenda, na medida em que umas das premissas essenciais refere-se à participação comunitária nos processos de tomada de decisão, fato que se sabe, não ocorre no país e parece pouco propenso a mudanças.
De uma maneira geral, foi colocada pela comunidade universitária a total falta de informação da população local sobre o que seja uma Agenda 21 além da falta de uma cultura democrática participativa por parte da sociedade e do governo, para que ela possa ser implementada em sua integridade e cumprir seus propósitos.
Por outro lado, como também levantado pela própria comunidade acadêmica, trabalhos como este, mesmo sendo iniciativas individualizadas, tendem a gerar anseios por parte daqueles que auxiliaram em sua construção e, consequentemente, a proporcionar a multiplicação de pensadores que buscam na participação comunitária e no atendimento de
suas necessidades básicas a proliferação do conhecimento e da busca pelo desenvolvimento sustentável.
Com isso, apresentam-se no próximo capítulo as principais conclusões obtidas com a pesquisa realizada.
6 - CONCLUSÕES
A discussão sobre o conceito de desenvolvimento sustentável, processos participativos comunitários, Agenda 21 Local, indicadores de sustentabilidade e seus limites, conduz esta tese e seu autor a algumas considerações importantes.
Primeira, a de que se deve reforçar, a todo momento, que a abordagem sistêmica e participativa mostrou-se fundamental nos métodos trabalhados para responder aos objetivos propostos. Facilitou a compreensão de conceitos utilizados para o estabelecimento do domínio comum de linguagem, tais como desenvolvimento sustentável, Agenda 21, planejamento participativo, indicadores de sustentabilidade, dentre outros.
O cumprimento do primeiro objetivo do trabalho e a compreensão dos conceitos anteriormente citados auxiliou a comunidade universitária na percepção da necessidade de harmonização das variáveis econômicas, ambientais, sociais e institucionais quando o que se tem em foco é a busca da sustentabilidade das gerações presentes e das gerações futuras. Viu-se que a uniformização de informações e conceitos mostra-se como uma importante estratégia na busca da identificação da percepção de uma comunidade sobre um determinado assunto.
Como segunda consideração, merece destaque a metodologia de trabalho baseada no Método Pressão - Estado - Resposta, que permitiu a identificação, pela comunidade da UTEC, dos desafios a serem enfrentados para a construção de indicadores de sustentabilidade, especialmente pela escassez atual de dados disponíveis na Província de Luanda, assim como a potencialidade de sua utilização, fatos reforçados pelos anos de guerra e o atual estágio de reorganização em que se encontra o país.
Como terceira consideração a ser feita, citam-se os indicadores de sustentabilidade selecionados pela comunidade como capazes de interpretar sua realidade, principalmente os indicadores econômicos.
Por meio dos indicadores identificados, perceberam-se algumas das principais vulnerabilidades que devem ser superadas na atualidade pela Província de Luanda, com destaque para as deficiências no atendimento das condições básicas de sobrevivência, como saúde, educação e saneamento básico, sem esquecer a necessidade de explorar as potencialidades locais para redimensionar as atividades e o peso dado a cada um dos fatores econômicos, sociais, ambientais e institucionais.
Verificou-se que a utilização de um sistema de indicadores constitui como um importante elemento legitimador na determinação da agenda pública e social para o desenvolvimento, iniciando um processo eficaz de mudança de prioridades e de comportamento dos atores sociais.
De maneira geral, viu-se que a comunidade envolvida está disposta a participar, discutir e encontrar alternativas para os conflitos que mais a afligem na atualidade.
Acredita-se que os indicadores levantados no trabalho servirão de parâmetro a ser seguido para a elaboração e monitoramento do planejamento social, evidenciando as
disparidades existentes nas diferentes dimensões da sustentabilidade, bem como para a tomada de decisões políticas, pela proposição de estratégias e mensuração de propostas e objetivos. Estes planejamento e ações, contudo, só serão válidos caso os citados indicadores possam ser atualizados a partir de uma base de dados confiável.
Verificou-se, por parte da comunidade universitária, a necessidade de uma preocupação maior com as questões sociais, ambientais e institucionais, além da econômica, pois, do contrário toda a sociedade continuará vítima de um crescimento desumano e desequilibrado.
Como quarta consideração, há que se mencionar os limites e as potencialidades de utilização dos indicadores de sustentabilidade com base no que se tem disponível nos dias atuais.
Percebe-se a expectativa do uso de indicadores de sustentabilidade para o monitoramento e avaliação das atividades de gestão pública do meio ambiente como um modo de informação resumida e de fácil compreensão, capaz de aumentar o grau de participação e envolvimento.
Percebeu-se um engajamento positivo da comunidade universitária, participando pela primeira vez nesse tipo de estudo, que tende a favorecer a Província no sentido de auxiliar no processo de tomada de decisão por parte dos agentes responsáveis pela administração pública, bem como no de possibilitar à comunidade local perceber o atual estilo de crescimento adotado e, na medida do possível, reverter essa situação em busca de um modo de crescimento sustentável.
Em relação ao questionamento central do trabalho, conclui-se, do ponto de vista da comunidade universitária, que a utilização dos indicadores de sustentabilidade construídos por
meio de um processo participativo é a melhor forma de se alcançar o desenvolvimento sustentável na Província de Luanda ao longo dos tempos, com a adoção de planos e estratégias voltadas para o atendimento das necessidades presentes e futuras. Contudo, necessita-se com urgência de uma atualização das informações que alimentam esses indicadores para que os mesmos possam responder com precisão às demandas da sociedade nos dias de hoje.
Por fim, apresenta-se a quinta consideração desse estudo, para ressaltar que a comunidade percebe a importância da abordagem sistêmica e participativa e dos indicadores de sustentabilidade como balizadores para o processo de implementação da Agenda 21 local e da gestão ambiental local. Ela também está ciente de que a carência de dados sistemáticos e registros recentes constituem elementos limitadores ao planejamento e gestão nos dias atuais, assim como um obstáculo à implantação de uma Agenda 21 Local, com vistas à percepção das tendências do desenvolvimento sócio-econômico e da caminhada rumo à sustentabilidade.
Neste ponto, reforça-se a importância da universidade como parceira de órgãos públicos no sentido de fornecer a gestores as variáveis necessárias para o aperfeiçoamento das condições ambientais.
Quanto à implantação de programas participativos voltados ao atendimento dos anseios e necessidades socioeconômicos e ambientais, não se acredita que ocorrerão mudanças nessa direção a curto prazo.
Contudo, este trabalho serviu para fazer com a comunidade universitária tomasse consciência da necessidade de modificação de atitudes atuais para possibilitar uma melhoria das condições de vida futuras.
Acredita-se que a implantação de uma Agenda 21 Local na Província de Luanda, neste momento, não seja possível, mas existem pequenas ações como a que está ocorrendo na Universidade, com a implantação de uma Agenda 21 Universitária, na intenção de manter internamente sua sustentabilidade, e que, servirá, num futuro breve, de exemplo para a comunidade da Província de Luanda como um todo, por meio da definição de medidas que beneficiem sua realidade e o entorno do qual faz parte.
Cumprido os objetivos propostos neste trabalho, conclui-se que um longo caminho ainda há de ser percorrido para que se possa implantar um processo de construção de uma Agenda 21 Local e de um sistema de gestão, mas é por meio de iniciativas como esta e da conscientização comunitária que as transformações tendem a começar e a gerar frutos positivos para o desenvolvimento sustentável da Província de Luanda e de Angola.