juntores
A intera¸c˜ao com os org˜aos reguladores e/ou normatizadores visa padronizar o pro- jeto dentro os limites aceitos pelos org˜aos nacionais [?] e internacionais [Rosenberg 2004]. Dimensionar um circuito ´e definir a se¸c˜ao m´ınima dos condutores [Procobre 2006], de forma a garantir que os mesmos suportem satisfatoriamente e simultaneamente as con- di¸c˜oes de:
1.Limite de Temperatura, determinado pela Capacidade de Condu¸c˜ao de Corrente;
2.Limite de queda de tens˜ao;
3.Capacidade dos Dispositivos de Prote¸c˜ao contra Sobrecargas;
4.Capacidade de Condu¸c˜ao da Corrente de Curto-Circuito por tempo limitado. A Figura A.2 mostra partes de um projeto de instala¸c˜oes el´etricas, evidenciando o circuito 1 contendo cargas de ilumina¸c˜ao (1, 2 e 3) e o circuito 2 com tomadas para conectar poss´ıveis aparelhos eletrodom´esticos, por exemplo os aparelhos a e b. Os s´ımbolos utilizados neste projeto s˜ao apresentados na Tabela A.1.
2 2 1 1 66 3 3 5 5 4 4 2 2 1 1 1 1 2 2 1 1 1 2 1 2 2 2 2 2
Figura A.2: Uma instala¸c˜ao el´etrica t´ıpica. Tabela A.1: Tabela de S´ımbolos El´etricos. S´ımbolo Descri¸c˜ao
Caixa Octagonal ou lˆampada no teto Quadro de Distribui¸c˜ao - QD - Tomada
Condutor fase
A.1 O Planejamento da Instala¸c˜ao 121
Destacando o circuito 2 com as cargas devido aos eletrodom´esticos, onde ´e nova- mente mostrado na Figura A.3 para analise e modelamento usando teorias de circuitos el´etricos. 2 2 R(d1) R(d2) R(d2) Za Zb
V
2 R(d1) SFigura A.3: Um circuito da instala¸c˜ao modelado com componentes de circuitos el´etri- cos.
Este circuito ´e formado por uma fonte de tens˜ao Vs localizada no quadro de distri-
bui¸c˜ao QD e duas cargas Za e Zb com ˆangulos de fator de potˆencia φ1 e φ2, potˆencias
aparente N1 e N2, respectivamente. As cargas est˜ao localizadas a uma certa distˆancia
d do QD. Para verificar a extens˜ao do grafo de restri¸c˜oes aplicado `a instala¸c˜ao el´etrica, ser´a demonstrado o dimensionamento dos condutores de uma instala¸c˜ao segundo os crit´erios queda de tens˜ao e capacidade de corrente explicados no apˆendice A.
Queda de Tens˜ao
Aplicando o teorema da superposi¸c˜ao, conforme [Linsley 2001], para o c´alculo da queda de tens˜ao nos condutores devido a cada carga separadamente. Ainda de acordo com o autor, para maioria dos circuitos de instala¸c˜oes el´etricas residenciais, a reatˆancia dos condutores ´e desprez´ıvel, considerando um fator de potˆencia pr´oximo a unidade.
Para o circuito 2 tem-se a queda de tens˜ao ∇V como a soma das quedas de tens˜ao nos condutores devido a cada carga considerada separadamente (Teorema da Superpo- si¸c˜ao).
A queda de tens˜ao ∇V1 devido a carga 1, vide diagrama fasorial da Figura A.4, ´e
dada por:
A.1 O Planejamento da Instala¸c˜ao 122 V load V I 2R.I source f f
Figura A.4: Diagrama Fasorial do Circuito da Figura A.3.
Analogamente, ∇V2 ´e dada por:
∇V2 = 2 ∗ I ∗ (R1+ R2) ∗ cosφ2
Substituindo cada resistˆencia por:
R = ρ S.d Onde:
ρ = resistividade do material;
d = comprimento do condutor da carga ao quadro de distribui¸c˜ao; S = ´Area da se¸c˜ao transversal.
Tem-se, ∇V1 = 2 ∗ I ∗ Sρ ∗ d1∗ cosφ1 ∇V1 = 2 ∗ NV1 ∗ Sρ ∗ d1∗ cosφ1 ∇V1 = V.S2∗ρ ∗ N1.d1.cosφ1 Analogamente, ∇V2 = V.S2∗ρ ∗ N2.(d1+ d2).cosφ2
Sabendo-se que a queda de tens˜ao em circuitos de instala¸c˜oes el´etrica residenciais tem um valor percentual m´aximo definido por normas [Rosenberg 2004] e [?]. Portanto, fixando o valor de ∇V , a se¸c˜ao S do condutor ´e calculada pela equa¸c˜ao A.1.
S = 2 ∗ ρ V.∇V 2 X i=1 ∗(N.d.cosφ)i (A.1)
O c´alculo da se¸c˜ao S dos condutores ´e facilmente determinado em fun¸c˜ao das cargas interligadas por estes condutores. Cada carga contribui com a potˆencia aparente, o
A.1 O Planejamento da Instala¸c˜ao 123
fator de potˆencia e a distˆancia desta ao quadro de distribui¸c˜ao de circuitos. Generalizando para n cargas, tem-se:
S = 2 ∗ ρ V.∇V ∗ n X i=1 (N.d.cosφ)i (A.2)
Capacidade de Corrente
A corrente de cada circuito ´e obtida diretamente pela express˜ao A.3, se o circuito for monof´asico ou pela express˜ao A.4, se o circuito for trif´asico.
IB = 1 V X Ni cosφi (A.3) IB = 1 V X Ni √ 3.cosφi (A.4) Esta corrente ´e em seguida corrigida, equa¸c˜ao A.5, para suportar os efeitos t´ermicos e os efeitos de agrupamento de condutores.
I′ B =
IB
fct.fct
(A.5) O fator de corre¸c˜ao de temperatura fctleva em considera¸c˜ao a varia¸c˜ao da temperatura
do condutor em rela¸c˜ao `a temperatura ambiente e ´e encotrado em tabelas fornecidas por fabricantes ou calculada diretamente pela equa¸c˜ao A.6.
fct =
r TZ− T a
TZ− 30
(A.6) Onde:
fct : fator de corre¸c˜ao de temperatura;
TZ : M´axima temperatura de opera¸c˜ao em regime cont´ınuo - oC;
TA : Temperatura Ambiente a ser considerada -oC.
O fator de corre¸c˜ao de agrupamento fca leva em considera¸c˜ao a proximidade de
outros condutores e ´e encotrado em tabelas fornecidas por fabricantes. A tabela A.2 mostra os valores de fca para eletrodutos ou calhas, enquanto a tabela A.3 mostra os
A.1 O Planejamento da Instala¸c˜ao 124
Tabela A.2: Fatores de corre¸c˜ao para agrupamento de condutores
Cabos agrupados sobre uma superf´ıcie, eletroduto ou calha N´umero de Circuitos ou Cabos Multipolares
1 2 3 4 5 6 8 9 10 12 14 16≥
1,00 0,80 0,70 0,65 0,60 0,55 0,50 0,50 0,50 0,45 0,45 0,45
Tabela A.3: Disposi¸c˜ao dos cabos em camada ´unica em parede ou piso
N´umero de Circuitos ou Cabos Multipolares
1 2 3 4 5 6 10 12 14 16≥
Cont´ıguos 1,00 0,85 0,80 0,75 0,75 0,70 0,70 0,70 0,70 0,65 Espa¸cados 1,00 0,95 0,90 0,90 0,90 0,90 0,90 0,90 0,90 0,90
Assim fica determinada a corrente corrigida de projeto e a se¸c˜ao do condutor ´e novamente determinada pelas tabelas de fabricantes.
Tabela m´ınima
A tabela A.4 apresenta as se¸c˜oes m´ınima dos condutores isolados conforme a utili- za¸c˜ao em circuitos de instala¸c˜oes el´etrica.
Tabela A.4: Tabela de se¸c˜ao M´ınima dos Condutores
Tipo de Instala¸c˜ao Utiliza¸c˜ao do Circuito Se¸c˜ao (mm2)
Instala¸c˜oes fixas em geral Circuito de Ilumina¸c˜ao 1,5
Circuito de For¸ca 2,5
Circuito de sinaliza¸c˜ao 0,5
Liga¸c˜oes flex´ıveis Equipamento espec´ıfico especificado pelo fabricante Qualquer outra aplica¸c˜ao 0,75
A.2 Exemplo 125
Prote¸c˜ao dos circuitos
Para dimensionar os dispositivos de prote¸c˜ao dos condutores de cada circuito contra sobrecorrente, o engenheiro utiliza-se de fus´ıveis e de disjuntores. Os disjuntores n˜ao necessitam ser substitu´ıdos quando atuam, e sim apenas de um religamento, como se fosse um interruptor. Se o defeito na rede continuar, o disjuntor desarmar´a novamente e, neste caso, n˜ao dever´a ser rearmado antes de pesquisar a causa do defeito.
A “grosso modo”, a corrente nominal do disjuntor deve ser 25% da corrente m´axima do circuito a ser protegido.