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CAPÍTULO 3 TIPOLOGIA, TOPOLOGIA E FUNCIONALIDADE NOS PROJETOS

3.2 RELAÇÕES ENTRE DIMENSIONAMENTO E FUNCIONALIDADE

3.2.1 Dimensionamento e Funcionalidade do Setor Social

O setor social apresenta a segunda maior variação percentual de ocupação, cuja porcentagem nos projetos do PAR-1 varia de 28,50 a 39,24%, e nos projetos do PAR-2, entre 26,37 e 34,03%. As áreas úteis oscilam entre 11,14m² a 14,43m² nos projetos do PAR-1 e, nos projetos do PAR-2 a variação é de 9,12m² e 12,15m².

Dois empreendimentos se destacam por possuírem o menor e o maior valor percentual de ocupação. O menor valor em metros quadrados e percentual encontrado é o do Residencial Ouro Preto I (fig. 3.14), cuja área das salas de estar e jantar totaliza 11,14m² e taxa percentual de 28,50%. Contudo, no que tange à questão funcional, nem toda a área útil destina-se ao uso exclusivo do estar e jantar. É inserida na área útil do setor uma área destinada à circulação para os demais cômodos da habitação, indicado na figura 3.14 pelo tracejado azul.

A demarcação da “área de circulação” é conseqüência da quantidade de aberturas que estão em contato direto com o setor social. Além disso, o formato geométrico em “L” adotado

Figura 3.14- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Ouro Preto I

no projeto e a locação da porta de acesso principal reforçam tal demarcação e conseqüente redução de área funcional do setor social, sobretudo o destinado à colocação do mobiliário. Destarte, subtraindo-se a “área de circulação”, a área útil efetiva do cômodo é aproximadamente reduzida para 8,00m², ou seja, nem todos os 11,14m² são aproveitados para uso da sala, há uma perda aproximada de 3,14m².

Possivelmente, caso fosse estudada outra possibilidade de redesenho do setor social do Residencial Ouro Preto I (fig. 3.15), de modo que a porta de entrada fosse deslocada para o mesmo alinhamento do hall de circulação interno, a perda de área útil reduziria para 2,40m² e a sala ganharia um novo formato geométrico.

Em contrapartida ao Residencial Ouro Preto I, o Residencial Canto dos Pássaros (fig. 3.16), com área útil de 14,43m² e taxa percentual de 40,11%, além de possuir o maior índice dimensional, apresenta uma melhor solução funcional das atividades de estar e jantar.

A geometria em formato retangular, com o adequado posicionamento dos acessos de entrada e saída, além de evidenciar a proporcionalidade dimensional entre as salas, favorece a demarcação da circulação e local para colocação do mobiliário como assinalado pelo tracejado azul.

Outro ponto positivo nesta organização espacial do setor social é a existência de uma área livre para abertura da porta principal, evitando, deste modo, que a mesma obstrua área útil da sala.

Porém, a sala de jantar (fig. 3.17) poderia dispor de maior área mobiliável se a abertura de Figura 3.15- Proposta de redesenho do setor

social do Residencial Ouro Preto I (sem escala)

Figura 3.16- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Canto dos Pássaros

(sem escala)

Figura 3.17- Proposta de redesenho do setor social do Residencial Canto dos Pássaros

acesso à cozinha se direcionasse para a mesma área livre da porta principal, como na proposta de redesenho.

Nos projetos do PAR-2, não há grande desproporcionalidade dimensional entre os empreendimentos, contudo, apresentam semelhantes problemas de aproveitamento de área útil do setor social. Tanto nos projetos dos Residenciais Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína e Mayra (fig. 3.18), quanto no Residencial Industrial Luiz dos Anjos (fig. 3.19), o posicionamento dos acessos de entrada e saída localizam-se em extremidades opostas e acabam por impactar no funcionamento do setor.

Figura 3.18- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social dos Residenciais Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína, Mayra (projeto idêntico ao dos Residenciais Mendonça Uchôa e Ouro Preto II)

(sem escala)

Figura 3.19- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Industrial Luiz dos Anjos

(sem escala)

Os projetos ora referenciados, funcionalmente não evidenciam com clareza os locais destinado ao estar e jantar. Deste modo, os fluxos de circulação demarcados pela quantidade de aberturas diretamente acessadas do setor social podem gerar no mínimo três possibilidades de organização do cômodo (fig. 3.20 e 3.21). Afere-se a partir dessas organizações que caso o fluxo transcorra-se de modo diagonal, a perda de área será maior nos Residenciais Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína, Mayra, justamente pelo fato desses apresentarem a abertura de um dos quartos direcionado para a sala.

Figura 3.20- Demarcação de fluxos do setor social dos Residenciais Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína, Mayra

Figura 3.21 - Demarcação de fluxos do setor social do Residencial Industrial Luiz dos Anjos

As áreas brancas nos projetos da figura 3.20 e 3.21 demonstram as possíveis áreas mobiliáveis para as distintas atividades a serem desempenhadas no interior do cômodo. Observa-se que nos seis exemplos há uma perda de área útil em favor da circulação entre os ambientes. Deste modo, no caso do fluxo em diagonal, a área útil de 12,15 m² dos Residenciais Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína e Mayra, sofrerão redução aproximada de 8,40m² (área dos espaços em branco), e dos 9,12m² do Industrial Luiz dos Anjos, aproximadamente 6,90m² é destinado a área mobiliável.

Além dos projetos arquitetônicos já mencionados, alguns outros, mesmo não estando nos limites máximos e mínimos dimensionais, apresentam características geométricas e funcionais interessantes de serem destacadas, tais como: os Residenciais Bernardo Oiticica, Germano Santos, Canto dos Pássaros, Praias Belas e José Bernardes. O setor social do Residencial Bernardo Oiticica possui uma

área de 12,60m², mas, a área ocupada efetivamente por mobiliário é reduzida para aproximadamente 8,30m². Esta redução dimensional é impulsionada tanto pela demarcação dos acessos de entrada e saída quanto pelo pequeno recuo da janela da sala, que devido ao seu dimensionamento (1,50 x 0,60m) será pouco aproveitado como área mobiliável (fig. 3.22).

A única diferença existente entre o projeto do Residencial Bernardo Oiticica e os dos Residenciais Mendonça Uchôa, Ouro Preto II, Dom Helder Câmara, Lucio Costa, Iracema, Janaína e Mayra (fig. 3.18), é que nesses últimos, o arquiteto não avançou a janela da sala como ocorre no Bernardo Oiticica, permanecendo a mesma alinhada à parede do quarto. Conseqüentemente, em virtude de um “melhor” aproveitamento de área mobiliável, os

Figura 3.22- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Bernardo Oiticica

usuários desses fatalmente poderão ocupar o vão total da janela, que sob a ótica da ergonomia não é aconselhável.

Os projetos arquitetônicos dos Residenciais Germano Santos (fig. 3.23) e Praias Belas (fig. 3.24) possuem a geometria espacial da zona social semelhante ao Canto dos Pássaros (fig. 3.16), ambos estabelecem conexão com o hall de circulação em formato “T”. No entanto, no Residencial Praias Belas a localização assimétrica do hall de circulação interno e do acesso à cozinha reforçam uma possível perda de área útil em prol da “área de circulação”.

Figura 3.23- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Germano Santos

(sem escala)

Figura 3.24- Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial Praias Belas

(sem escala)

Figura 3.25 - Planta Baixa Pav. Tipo: Setor Social do Residencial

José Bernardes (sem escala)

No Residencial José Bernardes (fig. 3.25), a delimitação das áreas de atividades é enfatizada pelo possível percurso dos usuários no interior do setor. Por não possuir um hall de circulação interno, todos os cômodos da habitação possuem acesso direto do setor social. Assim sendo, a área útil de 13,96m² do referido setor funcional é reduzida para aproximadamente 7,90m² de área mobiliável (indicada pelo tracejado azul), desconsiderando- se o vão de porta e a área de circulação.